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Apartamentos pequenos: manual do usuário

Apartamento pequeno é um assunto sempre em voga, até porque aqueles imóveis espaçosos dos prédios de décadas passadas se transformam cada vez mais em exceções. O leitor @NarradorWW, após ver o post recente sobre homeoffice em apartamentos pequenos, pediu um post específico sobre o tema apartamentos pequenos, e assim voltamos à questão!

Você mora ou já morou em um apartamento pequeno? Compartilhe suas dicas e opiniões também nos comentários ou pelo @efetividadeblog!


É o quarto? A copa? Ou a cozinha?

A "classe média apertada" é uma realidade cada vez mais comum - estudantes solteiros, grupos de amigos, pequenas e médias famílias, cada vez mais gente vive em espaços que vão se tornando mais restritos, e às vezes o apartamento do neto cabe inteiro dentro da área social do apartamento da avó...

Algumas pessoas gostam e preferem os espaços pequenos, enquanto para outras isso é uma escolha imposta, ou mesmo um compromisso entre a realidade desejada e a possível no momento.

Mas as opções de organização e decoração de apartamentos pequenos disponíveis permitem ter conforto, e com um pouco de planejamento (evitando alguns erros comuns) seus habitantes podem garantir a adaptação que permita maximizar o conforto possível.

Mas escrever sobre como melhor se adaptar a um apartamento pequeno é um desafio quase tão grande quanto falar sobre técnicas alternativas de churrasco: como a realidade de cada interessado é bem diferente e única, é preciso ter em mente desde o princípio que sempre vai haver alguém que refutará as sugestões, chamará de impossíveis, etc.


O apartamento do neto hoje pode ser menor que a área de jantar da casa da avó...

E a causa do fenômeno é fácil de entender: a definição de "apartamento pequeno" é difusa. Há quem more em 30m2 e acharia um luxo morar em um apartamento de 50m2, assim como há quem more com família e cachorro em apartamento de 60m2 e ache - com razão - minúsculo. Da mesma forma, lidamos com situações variadas:

  • há quem pode furar as paredes, e também há quem não pode;
  • há quem precise se conformar em ter a cama servindo como sofá,
  • a cozinha no mesmo ambiente do quarto é uma realidade para muitos;
  • substituir as portas ou a mobília pode ser um sonho contratualmente impossível.

E assim por diante. Portanto, fica desde já o aviso: escrevo com base em uma realidade que conheci e vivi por bastante tempo (durante a graduação) - um condomínio enorme, ao lado da universidade, projetado para estudantes que não podem pagar aluguel alto, com paredes fininhas, conforto mínimo e aperto máximo. Mas era bom - tinha até parede separando o espaço da "sala", da "cozinha" e do "quarto".

E na época a minha experiência ficou melhor com algumas das dicas abaixo - poderia ter melhorado mais ainda, se eu tivesse possibilidade, interesse ou disposição de aplicar as restantes - mas faltava orçamento, permissão e perspectiva de longo prazo, pois eu não pretendia ficar lá mais do que o tempo necessário.

E vamos desde já combinar que as dicas de vocês, adequadas à situação que vocês conhecem e vivenciam, serão muito bem-vindas nos comentários, ok?

Começando pelo que NÃO fazer

Dois erros comuns, se cometidos, são difíceis de reverter sem prejuízo:

1. Menos é mais: Na hora da mudança para um apartamento pequeno, resista à tentação de "fazer caber" toda a mobília, os ambientes, as louças, as roupas, os livros, os DVDs ou os recursos de que você dispunha em um ambiente anterior. É possível até que tudo caiba, mas o excesso de itens em um espaço menor vai dar sensação de aperto, vai atrapalhar o uso e cedo ou tarde vai levar à necessidade de replanejar e reorganizar o espaço, descartando os itens cujo uso se provou impossível.

Não comece com um objetivo errado que o condenará ao aperto. Ao invés disso, planeje antes, e descarte (ou reaproveite em outro lugar, reuse, recicle, doe ou venda) os itens que não vão se adequar ao novo espaço, e aí nem os leve. Fazer uma lista de todos os itens candidatos a descarte e deixar todos os familiares colocarem em ordem (do mais desejado ao menos necessário) do quanto gostariam que ele fosse levado ao novo apartamento pode ajudar a tomar as decisões.

 


Deixe isso para o camping...

 

2. Lugar de mobília em miniatura é no camping: Ao planejar a ocupação de espaço, resista à tentação de coisas que podem parecer uma grande ideia na loja mas não servem para a prática do dia-a-dia: mesas em que não cabem ao mesmo tempo os pratos e as travessas, fogões minúsculos, geladeiras e outros eletrodomésticos em proporções absurdas, etc.

Se for um produto que você testou, conhece, já experimentou e viu que serve, considere sem medo. Mas a mera sensação de "se eu colocar esse fogão a gás de uma boca só e com forno reduzido conjugado com geladeira de 30 litros, vai sobrar espaço pra pendurar também o meu violoncelo atrás da pia" não deve levar a decisões de compra das quais você vai se arrepender em todas as refeições futuras.

A dica fundamental: projeto, orçamento, cronograma e qualidade

Roma não foi construída em um dia, e raras pessoas tem a felicidade de contar com bolsos fundos o suficiente para deixar um novo apartamento exatamente do jeito que desejam já no momento da mudança.

O importante é não fazer disso um motivo para aceitar se mudar "de qualquer jeito", ou fazer investimentos impensados limitados pela disponibilidade de caixa no momento da mudança.

O ideal é ter um projeto pensado a médio prazo, adquirindo inicialmente apenas o mínimo necessário para a mudança, e ir complementando com os itens planejados ao longo dos meses, considerando o orçamento disponível.

Isso exige uma adaptação especial no começo, mas equivale a não condenar a si mesmo a continuar vivendo indefinidamente em um apartamento que foi montado de maneira limitada devido a se priorizar apenas a questão do tempo.

A dica essencial vem da disciplina Gerenciamento de Projetos: a chamada Tripla Restrição, em que na prática devemos equilibrar 4 fatores que interferem uns nos outros: escopo (ou seja, a definição do que se deseja fazer), prazo, custo e qualidade. Concentrar-se apenas em um deles (tipicamente no prazo, ou no custo) leva os demais a perderem o controle.

Apartamento pequeno: 10 dicas práticas

  1. Troque funcionalidades desnecessárias pelas que você usa: morei bastante tempo em um apartamento projetado para estudantes, em que o espaço era mínimo, e ainda por cima era mal dividido. Mas eu tinha um espaço confortável para usar como sala de TV e escritório (desrespeitando, por impossibilidade prática, a regra de separar entretenimento e home office), escrivaninha, armário, sofá e duas poltronas até grandes. O segredo? Reconheci cedo o suficiente que não precisaria de uma mesa de refeições para ser feliz, e abri mão de poder receber pessoas para jantar em casa, a não ser que fossem comer no sofá.


    Iluminação, disposição, uso das paredes - tudo pode ser usado a seu favor.

    Hoje, acostumado a preparar e fazer refeições em casa, tudo seria diferente, mas naquele tempo a realidade de estudante me permitiu fazer esta escolha. Outras pessoas podem descobrir que não precisam ter microondas e forno elétrico, máquina de lavar, poltronas adicionais, 4 cadeiras na mesa de refeições, rack para o aparelho de som, violão, e assim por diante. Não é porque estes objetos já estão lá ocupando o seu espaço que eles deverão ser mantidos indefinidamente - se o ato de livrar-se deles for aumentar a sua qualidade de vida, desapegue!

  2. Menos mobília - mas não minúscula: O ideal é usar menos móveis, mas em tamanho normal (sem exageros, claro!). Um sofá apertado e 3 poltroninhas empilháveis geram sofrimento diário – melhor ter um sofá confortável (não escolha um modelo com braços muito largos!), e um plano para alojar visitantes adicionais na cadeira do computador e nas banquetas da mesa de refeições ;-) Mas sempre meça bem antes de comprar, para não ficar com um trambolho que não cabe direito e toma espaço de outras utilidades.

  3. Mobília multifuncional: Quem escolhe aqueles pequenos móveis que mais parecem apropriados a uma barraca de camping muitas vezes acaba se arrependendo - são frágeis, muitas vezes seu uso exige montar e desmontar, e mesmo desmontados eles ocupam precioso espaço. Como já vimos, o ideal é ter menos, e com qualidade - mas se você puder acrescentar o componente da multifuncionalidade, melhor ainda. Assim, a sua mesa de centro servirá também como baú para guardar louças, a cama terá gaveteiro, a escrivaninha terá estante para os livros de estudo, o sofá servirá como cama de hóspedes, a máquina de lavar também será secadora e assim por diante.
     

  4. Salve a cozinha: minha experiência com a cozinha de um apartamento pequeno foi péssima: a exaustão era complicada (fritura em casa, nem pensar), e o espaço era apertadíssimo - o microondas ia em cima da geladeira, contra todas as recomendações, a pia era apenas uma cuba, sem espaço para um escorredor, havia apenas 2 gavetas e um paneleiro mínimo, com porta única, e um fogão de 4 bocas. Meus compromissos na época exigiam almoçar e jantar na rua, mas eu sentia a dificuldade nos finais de semana...

    Cada caso é um caso, mas um suporte de parede como o da foto acima teria me adiantado muito. Até mesmo um escorredor simples de parede já ajudaria. Ou tirar a porta convencional da cozinha, que ocupava muito espaço (ou substituí-la por uma porta de correr, ou sanfonada), e assim ter condições de ter um armário vertical. Mas lembre-se: só faça alterações para as quais você tenha permissão, e antes de deixar o profissional escolhido furar paredes em que possam passar canos ou fiação, consulte a planta!
     

  5. Subindo pelas paredes: se o apartamento for seu, ou se você tiver permissão para furar, faça um bom projeto de uso das paredes e chame um profissional para colocá-lo em prática (dê a ele a planta elétrica e hidráulica para evitar acidentes!). Dependendo do caso, você pode fixar a TV e o som em uma parede, "economizando" o espaço do rack; pode colocar prateleiras ao longo de diversas paredes e corredores, altas o bastante para não bater com a cabeça nelas, mas baixas o suficiente para alcançar o conteúdo delas sem ter de subir no banquinho ("economizando" o espaço de armários e estantes) e assim por diante. Planeje cores e posicionamento para não errar na mão, evitando que isso faça o espaço parecer menor.

    Ao fixar, você abre mão de flexibilidade, mas ganha muito em espaço útil, e também na sensação de espaço que a área livre no nível do chão proporciona. E se houver algum vão ou nicho (no corredor, em algum canto ao lado de coluna, etc.), fique ligado - pode ser sua oportunidade de fazer um armário embutido que não rouba espaço útil!
     


     

  6. E o escritório? É perfeitamente possível ter um home office em um apartamento pequeno, embora possa exigir abrir mão de mais coisas do que quando há mais espaço para ele. Já tratamos do assunto antes, por isso recomendo os artigos "Home office: fazendo caber em apartamentos pequenos" e "Homeoffice no quarto, com uma escrivaninha e um balcão: para apartamentos pequenos".
     

  7. Acessórios inteligentes: a boa notícia é que, como há cada vez mais gente vivendo em apartamentos pequenos, o comércio está cheio de opções voltadas a este contingente. A má notícia é que nem todas elas são de boa qualidade, e mesmo as que são não necessariamente servem para você. Mas quando o espaço é um fator limitante, a qualidade dos acessórios (de cama, mesa, aparelhos, etc.) faz diferença considerável na qualidade de vida. Para as utilidades, visite um hipermercado ou uma loja especializada (eu gosto de fazer uma expedição a algum atacadão como a rede Leroy Merlin para isso), e para o restante vá escolhendo aos poucos o que se adequar ao seu estilo de vida.
     

  8. Considere a vida sem papel e sem discos: Muito do espaço ocupado nos lares modernos é pelo que hoje se convencionou chamar de "conteúdo": livros, coleções de revistas, música em CDs, filmes em DVDs, arquivos de documentos, etc. Alguns deles são absolutamente necessários ou valiosos e devem ser levados ao novo endereço, mas para outros já há alternativas de digitalização ou mera transferência para meios de armazenamento mais eficientes que você pode considerar. Mas leve em conta também os aspectos jurídicos e da segurança dos dados!

     

  9. Iluminação e cores: privilegie a luz natural sempre que possível, e capriche também em uma boa iluminação artificial. A luz pode fazer o espaço parecer maior, além de mais vivo. Um espelho bem colocado também pode fazer mágicas. Jogar com as cores também ajuda - consulte alguém da área da decoração e interiores, mas já adianto que é comum dizer que um esquema de cores em que o piso é mais escuro, as paredes são mais claras e o teto é bem mais claro dá a sensação de que o espaço é maior. A cor da mobília também pode ser importante, jogando bem com o contraste em relação às paredes, ou mesmo procurando uma cor parecida com as delas, você pode obter a impressão desejada - mas para tirar a dúvida, recorra a um profissional ;-)
     

  10. Decoração funcional: além das dicas de pintura mencionadas acima, consulte alguém versado nas artes e técnicas do design de interiores para ver como decorar para tornar o espaço mais vivo sem ocupar muito espaço nem dar a impressão de que o ambiente está "lotado". Espelhos - como o da foto acima, por exemplo - são a dica mais frequente para dar a impressão de espaço ampliado (e funciona mesmo - você acha que os espelhos nos elevadores estão lá só para dar oportunidade para o pessoal conferir seu visual?), e peças verticais, como abajures ou mesmo pôsteres, podem ser colocadas parcimoniosamente para ajudar a compor.

Leia também as minhas outras dicas em "Usabilidade em casa: 7 dicas para mais efetividade na sua organização doméstica".

Agora é a sua vez. Você mora ou morou em um apartamento pequeno e tem dicas sobre como sobreviver melhor neles? Compartilhe conosco!

Homeoffice no quarto, com uma escrivaninha e um balcão: para apartamentos pequenos

Home office também cabe em apartamentos pequenos! O que você mudaria no projeto abaixo?

Em muitos posts anteriores já mencionamos a importância de que toda forma de trabalhar em casa ocorra em um ambiente dedicado a isso, isolado de distrações e das áreas em que os demais habitantes possam querer desempenhar suas próprias atividades no mesmo período.

Ter o home office instalado no quarto nem sempre é a melhor opção, porque torna mais difícil desligar-se das atividades profissionais quando o "expediente" acaba, e também porque mantém muita proximidade de distrações como a possibilidade de uma soneca – além de naturalmente só se aplicar bem a quartos individuais.

Devido a um projeto em andamento, tenho pesquisado bastante sobre disposições de homeoffice para espaços pequenos, e este home-office em um quarto de apartamento pequeno me atraiu a atenção porque aproveitou muito bem o espaço de duas paredes, preservando uma janela e usando apenas uma mesa de tampo simples, uma cadeira e um balcão.

O essencial do mobiliário de qualquer homeoffice organizado é ter um espaço de trabalho (a mesa), uma área para acessórios como multifuncional, caixa-arquivo, etc. (o tampo do balcão), espaço para armazenar os instrumentos de trabalho (as gavetas do balcão) e espaço para os materiais de expediente e referência (os armários do balcão).

Veja mais fotos com os detalhes. Gavetas na escrivaninha, algumas prateleiras aéreas e espaço para deixar os arquivos à mão sem se deslocar enquanto está na escrivaninha seriam grandes bônus que eu procuraria acrescentar, mas a forma como este profissional estruturou a organização do seu homeoffice preservando espaço para o quarto parece funcional o suficiente para merecer a menção aqui, e dar uma ou outra boa ideia a quem estiver projetando o seu!

O que vocês acham?

Leia também:

Ideia luminosa: uma lâmpada comum com sensor de movimentos integrado, é só rosquear

Meus deslocamentos noturnos pela casa ficaram bem mais seguros depois que instalei uma lâmpada com sensor de presença integrado. Foi só rosqueá-la em uma luminária no corredor, sem qualquer instalação especial. Funciona bem, a instalação é exatamente igual à de uma lâmpada comum, consome pouca energia e talvez eu até tenha uma para sortear para vocês!

Ao contrário dos sensores de presença ou movimento tradicionais ("minuteiras"), que exigem uma instalação elétrica que mexe na fiação, esta lâmpada vem com o seu próprio sensor integrado.

Isso significa que basta rosqueá-la no bocal de uma luminária da sua casa, deixar o interruptor permanentemente aceso (afinal ela se encarregará de decidir quando acender) e ter iluminação segura e consistente sempre que se mover pela casa à noite.

Trata-se de uma configuração ideal para casas com crianças, idosos ou pessoas com dificuldades de locomoção, mas também serve para iluminar as cabeceiras de escadarias, porões, a porta de entrada (onde você precisa procurar a chave e ao mesmo tempo enxergar ao seu redor por segurança), corredores e mais.

O modelo que eu adquiri para iluminação noturna em um corredor da casa tem um soquete compatível com o bocal padrão brasileiro (E27), dispensando qualquer adaptador, e funciona tanto em 110 quanto em 220 volts (embora o anúncio do produto dissesse que era só 220, a caixa informa que é bivolt). Ele é de 48 leds e consome meros 3W enquanto aceso, embora ilumine o suficiente para preencher todo o ambiente.

A luminosidade é de 270 lúmens, suficiente para leitura em caso de necessidade, mas não com conforto – mas mais do que suficiente para enxergar todos os obstáculos do meu ambiente, localização das maçanetas, identificar chaves, encontrar roupas, etc.

O sensor de movimento é bem sensível, a ponto de eu não recomendar colocá-lo em áreas externas onde ele possa ser acionado pelo movimento de galhos de árvores ou similares. O ângulo de cobertura é amplo (100º x 4m), e quando o ambiente não está claro e um movimento é detectado a luz acende sem barulho e sem piscar, e fica acesa por 35 segundos após o movimento terminar.

Na minha casa esta lâmpada ecológica e de segurança resolveu um grande problema prático, solucionando a iluminação e balizamento de um corredor por onde trafego todas as noites e cujo interruptor ficava extremamente mal posicionado.

Em locais onde não houver um bocal mas houver uma tomada disponível, é fácil providenciar uma luminária de mesa ou de pendurar na parede para poder fazer uso da lâmpada também, e foi o que a minha irmã fez em uma escadaria da casa dela cuja iluminação noturna dependia de um interruptor mal posicionado e especialmente difícil de acender quando ela estava com as mãos ocupadas.

Ela relata que a lâmpada automática melhorou não apenas a praticidade mas também a segurança, porque agora não acontece mais de ela se aproximar da cabeceira da escada no escuro, nem de descê-la sem acender a luz devido à impossibilidade de usar o interruptor.

Comprei o meu modelo por cerca de R$ 20 no DealExtreme, e a entrega demorou cerca de 5 semanas, diretamente na minha casa. Já vi exatamente o mesmo modelo à venda no Mercado Livre, mais caro mas com envio imediato por Sedex, e até mesmo em lojas brasileiras de produtos importados, mas não tenho nenhuma para indicar.

Comprei algumas unidades a mais para distribuir aos familiares e, caso eu perceba nos comentários deste post que vocês têm interesse em que eu sorteie um deles (pelo menos umas 10 pessoas dizendo onde o usariam seria uma boa forma de manifestar o interesse...), posso providenciar o sorteio posteriormente, que tal?

Currículo: cruéis 6 segundos indicam que seu modelo pode estar precisando de revisão urgente

Você sabia que numa pré-seleção muitos currículos são analisados e rejeitados em meros 6 segundos?

Curriculo é o documento que pode colocar você na trilha da vaga de emprego que deseja, ou ao menos avançar para conseguir uma entrevista.

Por essa razão, trata-se de assunto frequente aqui no Efetividade, e nosso modelo de currículo já serviu de referência para milhares de leitores.

E se você usa outro curriculo sem revisá-lo há algum tempo, aqui está uma boa razão para considerar trocá-lo por um modelo de currículo claro e conciso como o que procurei construir e compartilhar com vocês: uma pesquisa recente mostrou que a pré-análise de currículos para vagas concorridas costuma dedicar apenas 6 segundos por currículo e, se o selecionador não identificar assim rapidamente um motivo para você permanecer no processo, estará imediatamente fora, sem revisão.

Além dessa conclusão estarrecedora sobre o tempo que uma rejeição leva, o estudo aplicou uma técnica chamada 'eye tracking' (que os leitores que trabalham na área de usabilidade devem conhecer) para acompanhar para que partes de cada currículo os 30 selecionadores profissionais olharam antes de tomar sua decisão.

O "mapa de calor" acima indica os pontos mais vistos. Note que no currículo da esquerda, com texto mais denso e sem estrutura muito bem demarcada, o número de pontos vermelhos intensos é menor, e todos os selecionadores desistiram de ler antes de chegar ao fim da folha.

Já no currículo da direita, cuja estrutura se assemelha à do nosso modelo de currículo, os "pontos de calor" são mais presentes, maiores, mais espaçados e vão até o final da folha, indicando que os selecionadores de fato pararam seus olhos nas várias seções.

Em resumo, o que eles querem saber nessa primeira passada tão expressa e crucial, é o seu nome, data de início e fim da posição atual e da posição anterior que você ocupou, e sua educação.

Todo o restante é acessório ou serve para uma segunda análise que é feita apenas entre os pré-selecionados, mas se ficar no caminho ou não for fácil de distinguir das mencionadas acima, pode acabar fazendo com que este cruel processo preliminar encerre prematuramente com a rejeição, que á ainda mais lamentável quando o candidato tem méritos mas não conseguiu exibi-los adequadamente.

Fica, portanto, mais uma vez a dica: nosso currículo é flexível, fácil de preencher, e dá destaque aos itens que os selecionadores estão procurando.

Está tendo um mau dia? Aprenda a escapar dele (com 2 golpes baixos)

Todos temos maus dias de vez em quando. Ou não? A resposta pode ser um pouco complicada (e flertar um pouco com o ramo da "auto-ajuda", que eu não aprecio muito), mas o que veremos a seguir é uma forma diferente de lidar com a sensação de "dia de cão" quando parece que tudo dá errado e não adianta tentar fazer nada.

Este artigo do Lifehacker tratou do tema há alguns anos, e eu, que não costumo ter muitos maus dias, me interessei por ele mais pela curiosidade do que pela utilidade.

Mas, como contei na semana passada, no post sobre o dia de alta produtividade, passei recentemente por um pequeno problema de saúde que, por meio de vários obstáculos à rotina, me deu a oportunidade de colocar à prova as teorias mencionadas pelo Lifehacker várias vezes ao longo de algumas semanas, e a minha conclusão é que as ideias mencionadas lá funcionam mesmo, dentro dos limites dos "maus dias" que experimentei (o que certamente não se estende a situações de tragédias e luto, mas vale para o mau dia comum).

Uma pizza com 2 sabores: mezzo bom senso, mezzo ciência

O artigo menciona ao menos 2 obras sobre o assunto: "Your Brain at Work: Strategies for Overcoming Distraction, Regaining Focus, and Working Smarter All Day Long" e "Why Sh*t Happens: The Science of a Really Bad Day".

O fundamento apresentado por esta via indireta (mesmo mencionando autores com títulos como PhD e similares) não me convenceu muito, mas o fato de haver pesquisas específicas sobre o assunto contribuiu bastante para aumentar a minha curiosidade a respeito.

Sem querer ser fidedigno nem preciso, e antes de chegar às propostas de ação para escapar do efeito "estou tendo um mau dia", vou tentar resumir os aspectos apresentados, que mesclam as pesquisas à sensação de "sim, parece meio óbvio":

  1. O "mau dia" só é real como percepção, e não como um fato objetivo. Ele existe (e se prolonga ao longo do dia inteiro) só porque a vítima o percebe e resolve (conscientemente ou não) acreditar que está passando por ele.
  2. As crenças (de estarmos com sorte, de estarmos com azar, de que más notícias chegam em grupos de 3, de que estamos em um mau dia, etc.) não apenas influenciam a nossa atitude (nos resignando a não tentar algo bom porque acreditamos estar em um dia azarado, por exemplo, e aí zerando nossa chance de "ter sorte"), mas também a nossa interpretação dos fatos (identificando em fatos comuns uma 2ª e 3ª más notícias porque já havíamos recebido uma e acreditamos que elas vêm de 3 em 3, por exemplo).
  3. Milênios de evolução dotaram nossos cérebros da capacidade de simplificar análises, correlações e conclusões, o que geralmente funciona a nosso favor, facilitando tomar decisões instintivamente em um mundo complexo. Mas às vezes essa capacidade faz um gol contra, como quando "conclui" que estamos tendo um mau dia, e assim gera a sensação de que a causa dos nossos problemas é externa e se estenderá durante todo o dia.

Uma profecia auto-realizante

E é esse gol contra do item 3 o foco do artigo: quando nossos mecanismos psicológicos concluem que o mundo está contra nós, que não adianta tentar mais nada, e que tudo o mais que fizermos hoje dará errado, as ações resultantes costumam garantir que a conclusão (errada, nascida de uma simplificação excessiva à qual tendemos naturalmente) se transforme em realidade.

Trocando em miúdos, ao aceitarmos que o universo está contra nós neste dia (o que é confortável, pois "coloca a culpa" em algo externo) e que a única solução é aguardar o mau dia chegar ao fim, estamos rejeitando todas as demais oportunidades.

É como nas experiências com placebos: pacientes que recebem uma pílula inócua mas são informados de que se trata de um analgésico relatam sentir menos dor (e, segundo os artigos citados, comprovadamente sentem menos dor durante os experimentos), e pacientes que são informados de que passarão por um procedimento doloroso realmente sentem mais dor.

A relação entre a percepção da dor e a sensação de um mau dia não é tão direta, mas as expectativas ajudam a moldar a forma como nos relacionamos com o mundo, e durante o "mau dia" acabamos nos colocando no lugar do paciente que foi informado de que vai passar pelo procedimento doloroso, e interpretamos todo o restante do nosso dia de acordo.

Como escapar do mau dia com 2 golpes baixos

O seu "mau dia" geralmente tem causas reais: uma má notícia, um erro cometido, algo que não deu certo, uma circunstância desfavorável, etc. – e a solução mesmo seria resolver esta causa, se possível, ou superá-la de outra forma, ou concentrar-se em ter sucesso em alguma outra coisa.

Mas às vezes a circunstância não irá embora, e a sensação de "mau dia" se instala sem que você consiga evitar. Ao perceber isso, você pode aplicar 2 golpes baixos (que atacam a sensação, e não a causa real) observados e recomendados no artigo do Lifehacker para voltar a se perceber em um dia comum, e não em um mau dia em que nada mais dará certo.

Você irá notar que ambos parecem "conselhos de livro de auto-ajuda" ou de pseudociência, e talvez sejam mesmo, o que não significa que não funcionem (e eu testei ambos). Imagino que no futuro alguém provará que o que faz diferença mesmo é o fato de estarmos conscientemente tentando nos livrar da sensação. Mas na hora da necessidade, talvez possamos deixar a análise dos fundamentos para depois, certo?

São eles:

  1. Dar um nome objetivo à sensação. Você já percebeu que está tendo um "mau dia", mas a que você atribuiria a sensação? Identifique o que deu errado, e dê um nome curto, não mais do que 4 ou 5 palavras, ao que você sentre a respeito: "raiva do cliente mentiroso", "ansiedade com o idiota que não confirma", e assim por diante. O artigo menciona que já foi demonstrado que o simples ato de dar um nome curto ao sentimento reduz consideravelmente seu efeito (além de reduzir aquela sensação indefinida de "mau dia").
  2. Reavalie a situação. Mesmo que hipoteticamente! O objetivo não é tratar dos fatos diretamente, mas sim acabar com uma sensação injustificada, lembra? Pense em algo de positivo que também aconteceu, ou em como o que aconteceu mais cedo poderia ter sido pior, e assim você pode colocar em marcha os mecanismos que cancelam a sensação de "mau dia".

Em um momento de stress, aplicar o golpe 2 da lista acima pode ser bem difícil, e no dia-a-dia é comum reagirmos amargamente quando alguém tenta nos consolar fazendo a mesma proposta: dizendo para olhar o lado bom, ou que algo poderia ser pior. Mas o artigo menciona um terceiro golpe baixo (que também testei com sucesso) que ajuda a permitir a tolerância a este tipo de análise (que na prática não ajuda muito, mesmo): mudar algo no ambiente ou na rotina, por mais trivial que seja.

Ou seja: colocar o banco do carro um pouco mais para trás, almoçar um prato diferente do habitual, mudar o estilo musical da playlist, etc. – nosso cérebro tem mecanismos que funcionam a partir da percepção de mudanças, e podemos fazê-los funcionar a nosso favor na hora de abrir espaço para uma reflexão durante um momento de mau humor.

Nada que o bom senso não sugeriria, certo? Mas no artigo vem apresentado de uma forma diferente da usual: o combate à sensação injustificada que nos aprisiona, e não à imediata solução das causas reais dela.

E se conseguirmos vencer a situação, ganhamos a energia para potencialmente atacar também as causas depois, aproveitar com outras atividades um dia que de outra forma seria perdido, ou ao menos conseguir pensar em outra coisa.

Eu testei, aprovei, tenho cá minhas dúvidas sobre as relações de causa e efeito mencionadas no artigo e reproduzidas acima, mas isso não me impede de ter a intenção de voltar a aplicar os 2 golpes baixos em um próximo mau dia - que espero que demore a chegar ツ

Auto-controle: como produzir

Muitas vezes uma reação impulsiva ou imediata pode colocar toda uma situação a perder.

Mesmo sabendo disso, pode ser muito difícil resistir a tomá-la mesmo assim. E quando conseguimos (ou quando a reação desejada não está ao alcance), pode ser ainda mais difícil livrar-se do impulso, que acaba dominando toda a nossa atenção e impedindo que avancemos na agenda – ou na vida.

Mas algumas pessoas parecem naturalmente dotadas de um grau maior de auto-controle, que permite a elas resistir à tentação da reação impulsiva, deixar uma solução para depois e ainda lhes dá o bônus de conseguir pensar em outra coisa e continuar com seus projetos.

Este artigo da revista Scientific American trata de 2 pesquisas interessantes sobre o auto-controle: um que verificou as reações de crianças quando expostas à situação de receber a oferta de um doce mas ter direito de receber uma quantidade maior depois se não pegassem o primeiro, e outra que analisou as correlações entre o grau de auto-controle de indivíduos e o seu sucesso em 3 âmbitos: financeiro, de saúde e de segurança pública.

Neste segundo, a conclusão do estudo aponta para a direção previsível: indivíduos com maior auto-controle observado na infância demonstraram, 30 anos depois, melhores situações nos 3 âmbitos – e o estudo controlou para evitar desvios por outras variáveis, como situação social e QI.

Mas é no primeiro estudo que encontramos a conclusão de maior interesse prático para quem deseja ampliar seu grau de auto-controle: é possível observar que os indivíduos mais capazes de resistir a aceitar imediatamente a tentação do primeiro doce foram os que conseguiram desenvolver estratégias mais eficazes para se distrair, ou seja, para dirigir sua atenção a outro lugar.

Isso não quer dizer exatamente que conseguir se distrair é a solução, mas indica que exercitar a capacidade de se distrair, e cultivar um pequeno acervo de pensamentos prontos para recorrer quando é necessário mais do que simplesmente contar até 10, é um passo que conduz a poder de de fato ir fazer outra coisa, não relacionada, nos momentos em que precisamos resistir ao impulso de agir.

Más decisões tomadas por impulso são lamentáveis e às vezes trágicas, portanto cada nova ferramenta que possamos agregar para evitá-las é um ponto a nosso favor. No próximo momento em que estiver prestes a cometer um ato impulsivo, considere ir dar uma volta, fazer um lanche ou abrir uma revista, e se possível prosseguir fazendo algo produtivo (e não relacionado ao impulso) logo em seguida.

Assim, distraídos venceremos!

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