Eu pratico com sucesso essas 5 dicas simples que combatem o acúmulo e a bagunça em todos os ambientes da casa, e recomendo: funcionam mesmo, e dão pouco trabalho.
Investigue as superfícies horizontais próximas à porta, à escrivaninha, pia, sofá e cama. Boa parte do que está largado por ali (chaves, óculos, carteira, bolsa…) merece um lugar mais fixo (e tem coisa que está ali e não deveria!)
Escolha um armário e afaste dele qualquer organização que não seja baseada na regra da praticidade. Coloque no fundo o que você usa com menos frequência, e deixe acessível o que usa sempre ou busca com pressa.
Aproveite que abriu o armário e considere doar metade dos itens que decidiu guardar no fundo ou no alto, por usá-los pouco. Seja severo na análise do que precisa acontecer para você querer (ou precisar) usar aquele item.
Pare de encher a casa de tralha. Defina uma regra prática, tipo: para cada item comprado, doarei 2. Ou: para itens acima de 3% (ou 30%) do meu salário, ou que durem mais do que 3 meses, esperarei 3 dias antes de comprar, para ver se a vontade não passa.
Designe uma caixa para concentrar as doações. Acostume-se a largar imediatamente nela o que ainda tem serventia mas não cabe mais na sua rotina ou vontade, e doe sempre que ela encher. Não deixe voltarem pra junto dos úteis!
Upgrade: Tenha uma estação de carregamento em casa. Um único local, com todos os carregadores, cabos e acessórios, para o celular, fones de ouvido, tablet, barbeador e tudo o mais que você precisa recarregar.
Bônus: organização das finanças
Olhe as assinaturas de serviços, nos extratos do cartão, e marque todas as que você não usou nenhuma vez nos últimos 60 dias. Cancele hoje, sem adiar – essas coisas competem pela sua atenção, e você pode reativar se voltar a precisar!
Pegue o extrato do banco e faça a lista das contas que você paga manualmente a cada mês, sempre tendo o esforço de gerenciar. Anote na agenda para este mês, ao pagar, ver como faz para colocar cada uma delas em pagamento automático.
A chave para transitar entre papeis técnicos e a participação valorizada em equipes táticas e decisórias é conseguir se comunicar com todos, ainda mais neste mundo tomado por IAs e ferramentas tecnológicas que se multiplicam.
Uma das habilidades organizacionais mais valiosas é ser o tradutor, que entende que os gestores pensam em resultados, as equipes pensam em etapas, e os especialistas pensam em detalhes. Para apresentar suas propostas gerando a confiança que leva os projetos adiante, é necessário compreender como essas pessoas pensam e se alinham.
Isso exige parar de falar só a língua da sua especialidade, e passar a pensar e se expressar no universo das pessoas ao seu redor – ser o tradutor entre o técnico e o tático.
Os técnicos entendem como as coisas funcionam e se conectam, os gestores querem saber como as ofertas se conectam às demandas e como as forças se alinham.
A maioria das pessoas fala apenas uma dessas línguas, e dá pouco valor aos atributos que os outros universos priorizam. Traduzir entre eles, levando as pessoas a perceberem o espaço compartilhado, é uma habilidade rara.
Quando você consegue traduzir detalhes, correlações e alinhamentos, você passa a ocupar um papel-chave com valor próprio: a conexão entre os segmentos do resultado. E as equipes precisam disso.
A habilidade de recusar sem ofender é valiosa para todos. Eu, neurodiverso, pratico as coisas antes de dizer, e hoje compartilho o meu script para quando não quero dizer que SIM.
Ao invés de aceitar sem desejar, diga simplesmente: “Adorei o convite, mas essa eu vou ter que passar”. Se for sincero, adoce com um adendo: “… mas me chama pra próxima!”, ou “… espero que seja ótimo!”
Se não tiver como decidir na hora, seja direto: “estou sobrecarregado agora e não quero recusar só por causa disso – posso deixar pra responder amanhã?”
Se for impossível decidir antes, mas a vontade estiver presente (e a ocasião permitir), consulte: “você sabe da minha dificuldade em confirmar, mas vontade não falta – posso falar contigo no dia?”
Se for uma inviabilidade prática, expresse com clareza: "Esse dia não consigo, que tal na terça?", ou "Adorei, vou sim, mas vou sair cedo, tá?".
Respeite seus limites: Note que nenhuma das frases do script inclui uma desculpa furada ou um pedido de perdão: convites que não podem ser recusados não são convites, e proteger o seu direito de escolher o que fará não exige justificativa.
Recusar algo pode às vezes não ser simpático nem cordial, mas é sempre melhor do que dizer que sim, e depois furar o compromisso. Reserve o seu SIM para as coisas que irá mesmo fazer, sem inventar obrigações com base em suposições!
Para organizar a casa (e a vida), é preciso haver espaços disponíveis. Se ao seu redor está tudo lotado, este post é pra você: vamos resolver cômodo por cômodo!
No escritório. Bagunça não combina com produtividade. Deixe sobre a mesa só o essencial, com base na relevância e frequência de uso. Suma com os papeis desnecessários, organize os demais, e digitalize os que puder.
Guarda-roupas. Deixe mais visível e pronto para uso o que você escolhe com frequência, agrupe o que ainda vai usar, e separe generosamente para doação aquilo que está aguardando há anos por uma condição improvável.
Cozinha. Esvazie gavetas e prateleiras de utensílios, talheres, louças e panelas. Pergunte-se o que vale a pena lavar para guardar renovado até um próximo uso. Doe tudo que não passar nesse teste simples.
Sala. Ambientes de lazer merecem ser aconchegantes, além de utilitários. Mas revise se os enfeites, eletrônicos e livros ainda produzem o efeito que os levou a serem colocados lá, e circule os que perderam o efeito.
Validades e reposição. Nos armários da cozinha, banheiros e lavanderia, verifique a validade de tudo: remédios, limpeza, cosméticos, ingredientes. Descarte os vencidos, anote para repor se necessário.
BÔNUS: Estantes e gavetas em geral. Descarte itens quebrados, peças de reposição de itens já descartados. Agrupe em caixas fechadas, datadas e rotuladas os itens que você guarda para alguma situação improvável. Descarte inutilidades, doe generosamente o que perdeu o sentido.
BÔNUS 2: Para organizar seu espaço pessoal de trabalho, trate como uma cabine de avião, onde:
Cada elemento visível está ali por uma razão clara e conhecida
O piloto sabe onde está cada um deles
Eles estão agrupados por funcionalidade
Os mais essenciais ficam próximos ao foco de atenção do piloto, mas...
...mesmo os menos essenciais estão permanentemente ao alcance
Nossos projetos escondem campos minados, geralmente nos 10% iniciais ou finais – mas podemos mapeá-los.
Concluir projetos criativos é um talento em si mesmo, e você pode praticar a finalização em projetos menores e menos complexos, para desenvolver essa habilidade e ganhar prática nas soluções necessárias ao seu caso particular.
Quem não conhece o campo minado dos primeiros 10% e dos últimos 10% de um projeto? Eles são ainda mais desafiadores quando se trata de algo que envolve criatividade, ou que não vem ligado a obrigações, nem a recompensas externas.
O campo minado do início vem na preparação, antes de pegarmos o ritmo – e o do final vem depois que já resolvemos toda a parte interessante do desafio.
São campos minados parecidos, mas se manifestam de maneiras completamente diferentes. O do início vem associado à parte chata, em que ainda não pegamos o ritmo, e tudo parece tão distante e abstrato: planejar, reunir os materiais, separar um espaço e uma agenda, mapear o caminho a seguir.
Já o do final vem quando já vencemos todos os desafios interessantes, e falta só aparar as arestas chatas e trabalhosas, que já identificamos ao longo do desenvolvimento, sabemos como resolver, mas ficaram para depois justamente porque o desafio delas não nos motivou a priorizá-las, e a vingança delas é se acumular na reta final.
A vingança das arestas sem graça que a gente adia ao longo do projeto é se acumular na reta final, exigindo esforço ainda mais concentrado.
Alguns fatores (incluindo atitude, TDAH, preferências, aptidões e mais) podem fazer você ser vítima mais frequente de uma das duas extremidades, ou igualmente de ambas, mas elas são obstáculos no caminho de qualquer projeto pessoal (e existem, em forma bem similar, nos projetos institucionais também).
A boa notícia é que "concluir projetos" também é algo que podemos praticar, e quem bate na trave com frequência pode colocar na agenda para encontrar quais são os seus obstáculos específicos e começar a tratá-los, em projetos pequenos, para ganhar rodagem e confiança nas suas soluções e capacidade.
Se os seus projetos sempre batem na trave, identifique no que você está tropeçando, e pratique a solução, em projetos menores, até virar natural.
Vou exemplificar com a minha própria situação: hoje a minha dificuldade maior é a parte final, e:
eu já adiei muitas vezes a conclusão dos projetos pela preguiça de recolocar no lugar original os materiais e ferramentas que reuni para ele, e aprendi a planejar reconhecendo isso como uma etapa do projeto, de modo a sempre lembrar de recolocar quase tudo no lugar antes da arrancada final da parte criativa do projeto, deixando fora só o mínimo necessário para os arremates, e assim não me levando a deixar tudo espalhado por semanas.
eu tendo a desistir de prosseguir quando já resolvi todo o desafio criativo que me interessava (um texto, um software, etc.) mas ainda falta fazer a parte visual: o layout ou formatação. Após muito tropeçar nisso, hoje eu tenho duas estratégias: ou puxo para o início a escolha do layout, e já vou construindo diretamente no visual escolhido, ou crio (geralmente textos) completamente sem pensar em layout, e no final uso um modelo pré-pronto, ou a formatação mais básica e automática do programa de publicação, para dar por completa a versão 1.0 (deixando para possivelmente melhorar o layout caso revisite o projeto em uma versão futura).
Eu gosto de escrever mas não gosto de formatar, e garanto a conclusão dos textos ao não deixar para o final a criação do layout.
A dificuldade que eu tinha na parte inicial, eu venci totalmente ao reconhecer que nem sempre a hora de dar início, para mim, é o mesmo momento em que a inspiração aparece. Às vezes a inspiração serve só para anotar os detalhes essenciais da ideia, sabendo que no momento em que eu estiver com a energia necessária para colocar em prática, a anotação ainda vai estar lá.
Para mim funciona muito bem: eu anoto (no Todoist, em uma área criada só pra isso) qual é a ideia, e as outras informações que já estiverem disponíveis, ou que forem surgindo: qual o problema que ela resolve, o que me inspirou, onde estão as referências iniciais, o que eu preciso resolver ou definir antes de poder dar os passos iniciais etc.
Provavelmente as suas dificuldades são diferentes das minhas, mas o processo pode ser o mesmo: identificar o que repetidamente impede o progresso ou conclusão dos seus projetos, e trabalhar para praticar com projetos menores em que você dê atenção consciente a resolver esses obstáculos.
Poucos gênios tem a felicidade de já nascerem prontos, e a maioria de nós precisa começar na bicicleta com rodinhas.
Anúncio da Lego, de 1981. A menininha tem razão para estar orgulhosa do resultado – é lindo, seja lá o que for.
É verdade a frase de pano de prato que diz que "tudo que vale a pena fazer, vale a pena fazer bem feito", mas também é verdade que tudo que você quer fazer, merece que você dê os primeiros passos, antes de dominar a técnica.
Para um dia protagonizar um filme, é preciso deixar que seus amigos te vejam fazendo papel de bichinho e árvore em peça infantil.
Vários posts iniciais do seu canal vão flopar, é possível que ninguém leia espontaneamente os teus primeiros poemas, e o primeiro móvel que você montar na sua casa talvez fique um pouco fora do esquadro.
A chave aqui é que esses resultados não podem ser comparados aos de quem já passou pela fase inicial e hoje faz essas mesmas coisas com sucesso percebido. Se é algo que você faz porque deseja, a execução de principiante, na bicicleta com rodinhas ou mesmo com qualidade insuficiente, gera a prática e o aprendizado necessários para passar a executar um bom trabalho.
Não há nada a esconder, ou para se envergonhar: as pessoas que souberem, e importam, estarão orgulhosas do seu progresso.
Nesse sentido, o pano de prato também poderia dizer que "tudo que vale a pena fazer, vale a pena começar errando", até que a gente desenvolva a habilidade necessária a produzir resultados superiores.
É uma questão de percepção e de atitude, e passa pela decisão de se permitir um resultado bem abaixo do que você vê outras pessoas já experientes expondo. Sem isso, não há como alcançar e manter a motivação, e dar o primeiro, o segundo e todos os demais passos necessários.
A frase clássica do pano de prato também poderia dizer que "tudo que vale a pena fazer, vale a pena começar errando" – até que o aprendiz ganhe experiência.
Lembre-se que uma primeira obra quase tosca, seguida de vários experimentos sem se fixar a um método ou estilo, são o caminho comum de quase todo mundo que chegou ao sucesso fazendo algo único ou próprio.
O mundo precisa de originalidade e criatividade. Não há nada a esconder, ou para se envergonhar: as pessoas que souberem, e importam, estarão orgulhosas do seu progresso.
E as que não estiverem, provavelmente importam bem menos do que você pensa.