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Concluir seus projetos pessoais é um hábito, e pode ser desenvolvido

Nossos projetos escondem campos minados, geralmente nos 10% iniciais ou finais – mas podemos mapeá-los.

Concluir projetos criativos é um talento em si mesmo, e você pode praticar a finalização em projetos menores e menos complexos, para desenvolver essa habilidade e ganhar prática nas soluções necessárias ao seu caso particular.


Mulher apontando para o seu sorriso

Quem não conhece o campo minado dos primeiros 10% e dos últimos 10% de um projeto? Eles são ainda mais desafiadores quando se trata de algo que envolve criatividade, ou que não vem ligado a obrigações, nem a recompensas externas.

O campo minado do início vem na preparação, antes de pegarmos o ritmo – e o do final vem depois que já resolvemos toda a parte interessante do desafio.

São campos minados parecidos, mas se manifestam de maneiras completamente diferentes. O do início vem associado à parte chata, em que ainda não pegamos o ritmo, e tudo parece tão distante e abstrato: planejar, reunir os materiais, separar um espaço e uma agenda, mapear o caminho a seguir.

o do final vem quando já vencemos todos os desafios interessantes, e falta só aparar as arestas chatas e trabalhosas, que já identificamos ao longo do desenvolvimento, sabemos como resolver, mas ficaram para depois justamente porque o desafio delas não nos motivou a priorizá-las, e a vingança delas é se acumular na reta final.

A vingança das arestas sem graça que a gente adia ao longo do projeto é se acumular na reta final, exigindo esforço ainda mais concentrado.

Alguns fatores (incluindo atitude, TDAH, preferências, aptidões e mais) podem fazer você ser vítima mais frequente de uma das duas extremidades, ou igualmente de ambas, mas elas são obstáculos no caminho de qualquer projeto pessoal (e existem, em forma bem similar, nos projetos institucionais também).

A boa notícia é que "concluir projetos" também é algo que podemos praticar, e quem bate na trave com frequência pode colocar na agenda para encontrar quais são os seus obstáculos específicos e começar a tratá-los, em projetos pequenos, para ganhar rodagem e confiança nas suas soluções e capacidade.

Se os seus projetos sempre batem na trave, identifique no que você está tropeçando, e pratique a solução, em projetos menores, até virar natural.

Vou exemplificar com a minha própria situação: hoje a minha dificuldade maior é a parte final, e:

  • eu já adiei muitas vezes a conclusão dos projetos pela preguiça de recolocar no lugar original os materiais e ferramentas que reuni para ele, e aprendi a planejar reconhecendo isso como uma etapa do projeto, de modo a sempre lembrar de recolocar quase tudo no lugar antes da arrancada final da parte criativa do projeto, deixando fora só o mínimo necessário para os arremates, e assim não me levando a deixar tudo espalhado por semanas.
  • eu tendo a desistir de prosseguir quando já resolvi todo o desafio criativo que me interessava (um texto, um software, etc.) mas ainda falta fazer a parte visual: o layout ou formatação. Após muito tropeçar nisso, hoje eu tenho duas estratégias: ou puxo para o início a escolha do layout, e já vou construindo diretamente no visual escolhido, ou crio (geralmente textos) completamente sem pensar em layout, e no final uso um modelo pré-pronto, ou a formatação mais básica e automática do programa de publicação, para dar por completa a versão 1.0 (deixando para possivelmente melhorar o layout caso revisite o projeto em uma versão futura).

Eu gosto de escrever mas não gosto de formatar, e garanto a conclusão dos textos ao não deixar para o final a criação do layout.

A dificuldade que eu tinha na parte inicial, eu venci totalmente ao reconhecer que nem sempre a hora de dar início, para mim, é o mesmo momento em que a inspiração aparece. Às vezes a inspiração serve só para anotar os detalhes essenciais da ideia, sabendo que no momento em que eu estiver com a energia necessária para colocar em prática, a anotação ainda vai estar lá.

Para mim funciona muito bem: eu anoto (no Todoist, em uma área criada só pra isso) qual é a ideia, e as outras informações que já estiverem disponíveis, ou que forem surgindo: qual o problema que ela resolve, o que me inspirou, onde estão as referências iniciais, o que eu preciso resolver ou definir antes de poder dar os passos iniciais etc.

Provavelmente as suas dificuldades são diferentes das minhas, mas o processo pode ser o mesmo: identificar o que repetidamente impede o progresso ou conclusão dos seus projetos, e trabalhar para praticar com projetos menores em que você dê atenção consciente a resolver esses obstáculos.

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