6 tarefas que você não pode deixar para depois

Como não abusar da lista “um dia/talvez” do seu métodos de produtividade.

Diferente da procrastinação, que deixa para depois algo que sabemos que precisa ser feito, o uso das listas de tarefas incertas (no estilo “Um dia/talvez” do método GTD) é reservado a tarefas que hoje não são necessárias ou possíveis, mas que desde já identificamos que podem vir a ser necessárias ou convenientes em algum momento futuro, e por isso devem ser monitoradas (com baixa intensidade de atenção) desde já.

A lista um dia/talvez reúne tarefas que podem ou não ser feitas no futuro, mas certamente não devem ser feitas agora.

Olhar para essa lista nas revisões e planejamentos periódicos permite identificar quando se concretizaram as condições para mover alguma dessas tarefas para as listas de execução, mas também serve como um lembrete constante para acumularmos informação de referência que contribua para elas, e até para manter ativa a atenção que permitirá reconhecer quando as condições para realizar alguma delas estão começando a aparecer, ou podem ser provocadas.

O problema, como sempre, nasce do abuso – e, neste caso, o abuso consiste em colocar no acumulador de tarefas incertas algumas ações ou pendências sobre as quais já há certeza sobre sua necessidade e prioridade – ou seja, tentando trapacear no jogo da execução, ao colocar na lista incerta um dos seguintes tipos de tarefa:

  1. Itens de segurança. seja uma precaução usual contra riscos em geral, ou uma reação a um problema de segurança percebido, o lugar dela não é numa lista incerta, e sim na lista de encaminhamentos imediatos, ou na de compromissos de uma determinada data (por exemplo, na data da renovação do seguro da casa).
  2. Oportunidades que vão passar. se o período no qual será possível tirar proveito da tarefa já for conhecido, ela não é mais incerta, e a próxima tarefa a ser registrada em alguma das suas listas de atividades é analisar se você vai ou não tirar proveito dessa oportunidade. Aceite que você não quer/pode decidir isso neste momento, e registre essa análise para uma data conveniente e que permita esse proveito, caso a decisão venha a ser positiva. Se a rejeição a registrar isso continuar muito forte, leia o item 5.
  3. Condições que precisam ser monitoradas. Mesmo que a tarefa seja incerta, ela pode depender de uma condição que precisa ser ativamente observada, e assim não pode ser deixada em uma lista que só vai ser vista a cada 15 ou 30 dias.

    Como as multas e juros, deixar para depois algo relacionado a uma situação que vai se agravar não evita a providência inicial, e gera várias outras, piores.

  4. Tarefas que geram mais trabalho ou custo se não forem feitas. Na maioria das vezes, deixar uma situação ir se deteriorando não evita a providência que você deseja adiar indefinidamente, e gera a demanda por providências adicionais, mais custosas (incluindo juros e multas, se a tarefa em questão for financeira), mais trabalhosas e menos controláveis. Colocar algo assim na lista incerta é uma custosa ilusão.
  5. Tarefas que você não vai fazer. As listas de pendências são suas, não são para inpressionar os outros. Colocar nelas tarefas que você já decidiu não fazer, ou que sabe que dependem de condições que você não pretende alcançar, é gerar mais trabalho e frustração. Aceite que a resposta para elas é não, e corte-as desde já.
  6. Resultados que você prometeu. Seja qual for a natureza de um compromisso assumido, ele não cabe em uma lista incerta. Reveja o item acima: se você não quer cumprir o compromisso, não deveria tê-lo assumido. Agora que assumiu, defina quando vai cumpri-lo, e aloque o esforço para essa data.

Removendo as tarefas da lista acima e as que têm prazo ou prioridade já conhecidos, restarão para a lista incerta as várias outras categorias interessantes que cabem bem nela: tarefas cuja execução ou planejamento dependem de algum recurso geralmente indisponível e fora do seu controle, ou de ter disponível um período de tempo que raramente teremos, ou de alguma condição rara, etc.

Sinais de demissão em massa chegando, e o que eles revelam sobre os gestores

Sete sinais que indicam que o facão voador está se aproximando, e reflexões sobre a participação do gestor nesse processo.

O popular e infame facão voador, também chamado de passaralho ou de demissão em massa, é um momento profundamente negativo para os atingidos, mas é também um desafio para os gestores envolvidos - muitas vezes pelas razões mais erradas possíveis, mas também por algumas razões certas.

O artigo da Evany Thomas listando sinais que indicam a aproximação de uma rodada de demissões parte da experiência dela no mercado de TI e é voltado ao empregado que assim pode tentar se preparar – e estar preparado para ser demitido certamente é melhor do que receber a notícia na forma de um completo susto.

Os itens vão além do óbvio, e incluem:

  • O sumiço gradual das fotos, plantas e itens pessoais das mesas de alguns funcionários mais graduados ou experientes (que sabem de algo além, ou conseguiram ler sinais que você não percebeu, e estão se preparando).
  • Gestores departamentais de áreas diferentes sendo chamados para várias reuniões incomuns (pauta oculta, sem gerar providências posteriores para ninguém na equipe, local ou horário estranhos, etc. ) com os níveis superiores em um período de 2 a 3 dias: frequentemente na primeira reunião cada um deles recebe um percentual de custos a reduzir, e na segunda entregam uma lista ordenada de nomes e são instruídos sobre como e quando realizar os desligamentos.
  • Datas em que todos os integrantes externos da equipe (suporte a clientes, vendas, etc.) são chamados a estar fisicamente no escritório central (atenção extra se as atividades de preparação para outras reuniões que seriam realizadas nessa mesma data forem suspensas).
  • Suspensão de atividades regulares de planejamento (para evitar que os que vão sair levem consigo informações a mais, e porque os gestores sabem que a equipe vai mudar e novos planos terão que ser feitos).
  • Contratações e compras são anormalmente suspensas.

Esses sinais expõem a usual ausência de humanidade na gestão dos aspectos mais críticos das corporações, e a maioria deles tem relação com o compromisso da empresa (e da sua diretoria) com a sua continuidade, que leva a buscar manter segredo (até o momento final) sobre desligamentos para manter toda a equipe em atividade até o instante da ruptura e para reduzir as oportunidades de sabotagem e/ou vazamento de informações por parte de quem já souber que vai ser demitido mas permanece com acesso a recursos da empresa1. É por isso que muitas vezes os demitidos são acompanhados pela segurança empresarial até a saída da empresa, ou mesmo são supervisionados enquanto buscam pertences pessoais em sua mesa.

Um pouco dessa ausência de humanidade é mera objetividade fria que – ao menos dentro do paradigma da gestão – pode encontrar explicação racional, mas frequentemente há um complemento que pode mesmo ser chamado de descaso ou perversão – por exemplo, usar o momento da notícia para acertar alguma conta pessoal, planejar o cronograma de forma que os desligamentos aconteçam em períodos festivos – como a rede multinacional de supermercados que anunciou aos funcionários o fechamento imediato de lojas na semana entre Natal e Ano Novo, expondo os agora ex-funcionários não apenas a ter seu choque ampliado pelo contraste com a alegria do restante da sociedade naquele período, mas também a viver dias contínuos em que as variadas providências necessárias não poderão ser tomadas, porque tudo estará fechado.

A frieza corporativa pode ou não ser aceita como normal, mas existe um limite a partir do qual o comportamento pode passar a ser anti-ético, desumano ou mesmo perverso.

Voltando ao artigo da Evany, 2 dos sinais de demissões em massa mencionados me chamaram especialmente a atenção, no contexto acima:

  • Várias equipes diferentes serem consolidadas sob uma mesma chefia.
  • Equipes que respondiam a um nível superior na empresa serem realocadas em um nível abaixo do seu original.

Ambos os passos podem ser uma tentativa final de cortar custos ou atingir novas eficiências, mas posteriormente a cronologia muitas vezes permite identificar que na verdade eles eram apenas uma forma de preservar determinados gestores, evitando que tivessem sua imagem associada aos desligamentos, ou mesmo que passassem pelo stress correspondente.

Uma variação dessas medidas é o CEO ser movido lateralmente para outra posição no mesmo grupo, e seu sucessor na empresa ser alguém em início de carreira ou sem experiência em gestão: assim a imagem do CEO original fica preservada desse momento difícil, e o gestor inexperiente "paga", associando seu nome a essa transição, o preço de admissão para oportunidades futuras dentro do grupo.

Frequentemente essas decisões são tomadas em níveis superiores, ou mesmo fazem parte da política oficial, e não são decisão do gestor que foi poupado do envolvimento, assim como a decisão de comunicar numa época aparentemente inapropriada pode surgir por razões objetivas e/ou completamente fora do controle do gestor a quem caberá fazer os desligamentos.

Do ponto de vista de quem vai ser desligado, pode fazer pouca diferença quem tomou a decisão, e qual a real margem de participação de cada pessoa. Mesmo assim, para os gestores envolvidos, vale lembrar: além da ética, há princípios e valores (inclusive corporativos) que devem guiar cada decisão e cada passo. Desligamentos em massa tendem a ser traumáticos para boa parte dos envolvidos, e evitar torná-los piores do que precisam ser é parte importante do compromisso que o gestor tem com sua equipe.

 
  1.  É a mesma razão pela qual muitas empresas com políticas maduras de segurança empresarial não exigem (nem aceitam) que funcionários mantenham sua atividade no período de aviso prévio previsto na legislação.

Duas listas de atividades para melhorar seu foco em 2016

Como usar seu app de tarefas para alcançar o foco nos resultados, via revisões diárias e semanais.

Eu pratico produtividade pessoal para gerar o resultado desejado sem precisar de esforços desnecessários, e para sobrar energia e foco para tudo que me interessa. Quem vê funcionar se interessa, muitas vezes chama para alguma apresentação (30 a 60 min de conversa, menos ou mais formal), após a qual sempre noto 2 conclusões comuns:

  1. todo mundo entende que o funcionamento básico diário1 é baseado em apenas 4 hábitos simples, e que um 5º hábito adicional – a revisão: diária, semanal e mensal – ajuda a garantir que a pessoa está indo na direção certa, e não apenas sendo eficiente ao executar tarefas arbitrariamente escolhidas.
  2. quase todo mundo quer encaixar isso em algum método ou ferramenta que já utiliza, e me pergunta: "tá, mas como coloco isso no aplicativo Tal?"

Normalmente eu sugiro experimentar praticar os hábitos sem condicionar a ferramentas ou a outros métodos, e aí adequar uns a outros conforme o caminho melhor indicar. Na prática, é o que eu vejo funcionar melhor, já que a maioria dos interessados não tem tanto tempo e energia disponíveis para fazer essas adequações via análise teórica ou simulação, por exemplo.

Mas a ideia de encaixar essa rotina em ferramentas já existentes é positiva: ajuda a criar os hábitos e também permite contar com o apoio da familiaridade com a tecnologia durante essa transição (ou mesmo após completá-la).

Criei, portanto, 2 listas genéricas de tarefas contendo as atividades essenciais dos hábitos de revisão (incluindo cantinhos dos hábitos de planejamento e processamento, e contribuindo também para o sucesso dos outros 2: coleta e execução)

A primeira delas contém as tarefas básicas de revisão a serem executadas todos os dias, nos 15 minutos finais do expediente, e que incluem o completamento do plano básico de atividades para o dia seguinte:

Não se preocupe: o texto completo dela você encontra ao final deste artigo, pronto para copiar e colar em seu aplicativo preferido.

A outra lista é a revisão semanal, para execução ao final da revisão diária no último expediente de cada semana:

Ela é um pouco mais ampla e profunda, porque expande o foco, saindo da mera verificação de completamento e alcançando a reflexão sobre o atingimento dos objetivos, as interações realizadas, etc.

Procurei fazê-las genéricas, para que possam se encaixar mais facilmente nas práticas de cada leitor.

Sugiro usar o recurso de atividades repetitivas da sua ferramenta preferida de tarefas e/ou de pendências para ser lembrado das tarefas da lista da esquerda 1h antes do final de cada expediente (mas você só precisará de 15 minutos para executá-las). Nas sexta-feiras você deve ser lembrado também das atividades da lista da direita (com prática, você as completará em 20 minutos a meia hora).

Na prática: dicas para revisar melhor

Note que as listas são relativamente longas, mas a execução é rápida (alvo: 10 a 15 minutos diários no total, mais meia hora na revisão semanal, que é mais analítica), porque os dados já estarão todos consolidados nas suas ferramentas específicas preferidas, durante a execução do seu dia2.

O sucesso no hábito da revisão ajuda a ajustar as práticas de execução para maior observação do foco e da melhoria.

Nas primeiras vezes, é provável que esses dados ainda não estejam consolidados quando você começa a revisar. Você notará que o sucesso das revisões provocará automaticamente esse ajuste, e nas próximas você começará a organizar e registrar na execução de forma a viabilizar a análise posterior.

Fique atento: a última tarefa de cada uma das duas listas ocorre continuamente ao longo da execução da respectiva lista. Essas duas tarefas especiais são as que movem tarefas para as listas essenciais da fase de execução: @semana e @hoje. A primeira é criada na revisão semanal e inclui todas as tarefas selecionadas para execução na semana seguinte, e a segunda é criada no planejamento diário, e contém todas as tarefas selecionadas para execução no dia seguinte (idealmente a maior parte delas vem, a cada dia, diretamente da lista @semana). Enquanto você revê os demais conteúdos, é natural ir identificando e já preenchendo (ou movendo) tarefas nas respectivas listas.

Para facilitar, segue uma versão textual e comentada das 2 listas, para que você possa copiar e colar no seu aplicativo preferido.

1 - Lista semanal para o final da sexta-feira:

  • Zerar o que está apenas em papel (ou fora das caixas de entrada) e ainda não foi processado, arquivado ou descartado
  • Revisar a agenda de compromissos (calendário) da semana anterior e da próxima
  • Revisar todas as listas de pendências e projetos que não são acompanhados diariamente (por exemplo, @ferias, @futuro, @talvez ou projetos de longo prazo que estão inativos)
  • Verificar se o que ainda sobrou na lista @semana deve ser mantido lá, ou removido
  • Repassar criticamente a lista de tarefas que foram concluídas ao longo desta semana
  • Analisar como foi o andamento dos resultados-foco desta semana
    • Agradecer e parabenizar os envolvidos nas melhorias mais significativas
    • Identificar as causas do que não teve o andamento desejado
  • Atualizar registros subjetivos de andamento dos projetos sobre os quais há contas a prestar
  • Definir as resultados-foco da próxima semana
  • Mover para a lista @semana as tarefas que serão executadas na semana seguinte

2 - Lista diária para o final do expediente:

  • Revisar o que está nas caixas de entrada (pode criar subtarefas para cada uma das caixas: a de e-mail, a de arquivos deixados no desktop ou pastas de download, a de sua ferramenta de tarefas em equipe, a de tarefas iniciadas anteriormente mas não concluídas, etc.)3
  • Revisar as listas de tarefas que estão aguardando alguma condição externa (Muitas vezes chamadas de @aguardando, @delegadas, etc.).
  • Revisar a agenda de compromissos (calendário)
  • Revisar a lista @semana
  • Revisar a lista de resultados-foco desta semana (selecionados na revisão semanal anterior)
  • Mover para a lista @hoje as tarefas que serão executadas amanhã
 
  1.  Eu uso um método simples, chamado ZTD, inicialmente derivado do GTD, que é bem mais amplo e tem overhead correspondente.

  2.  Aliás, este é o ponto-chave da seleção de ferramentas de produtividade: elas precisam tornar simples para você a coleta de informações do estado do seu dia, a ponto de você não se sentir tentado a deixar para consolidar tudo num “depois” que nunca chega.

  3.  Quanto menos delas você tiver, melhor, mas chega um ponto em que o esforço de continuar a tentar integrá-las em uma só pode não compensar.

Feliz ano novo: 3 resoluções para colocar em dia sua vida digital

Pular 7 ondas, reduzir faturas de serviços on-line, ajustar configurações de segurança e melhorar as senhas – chegou a hora!

Não fique só nos pensamentos sobre a dieta, a pós e a viagem que vão iniciar sem falta em janeiro: inclua os bons hábitos digitais nesta virada de ano, que é o momento de prometer fazer aquilo que você sabe que deveria fazer o ano inteiro mas ainda não fez.

Uma vantagem: você pode zerar os 3 itens da lista a seguir já na primeira semana de janeiro. Ou hoje. Mas fica a dica: o ideal é que todos eles virem hábitos!

1 - Revisar configurações das suas contas de serviços online

Sua conta do Facebook, do Twitter e do Dropbox têm vários recursos que merecem auditoria regular e, se você ainda não faz isso, deveria fazer ao menos uma vez agora, como resolução de ano novo.

Exemplos:

Aproveite para encerrar ou bloquear as contas em serviços que você já não usa mais mas continuam lhe enviando notificações, repassando seus dados e contatos e fazendo tudo o mais que você concordou nos termos de uso que confirmou sem ler e aos quais ainda não renunciou!

2 - Rever os serviços online que você consome

Se você tem contas (pagas) em serviços como Netflix, diversas categorias de música on-line, video on-demand (da operadora de TV a cabo ou outros), TV a cabo, sites de conteúdo exclusivo, jogos on-line, assinaturas, armazenamento, comunicação, segurança de dados, etc., vale conferir se não está pagando mais do que o consumo justifica.

É fácil auditar: vá no histórico do cartão de crédito (ou visite o site de cada serviço) e veja quanto cada um deles custa por ano, e como foram afetados pela variação cambial de 2015.

Além do preço, analise o valor: por exemplo, se algum deles está custando mais do que vale a pena continuar pagando, ou se você os usa menos do que pensou que usaria, ou ainda se o conteúdo de algum deles passou a ser oferecido por um concorrente mais conveniente!

3 - Adotar uma estratégia para senhas

Senhas são cada vez menos seguras. Existem alternativas melhores do que elas (informe-se sobre elas em 2016!), mas o mínimo que você precisa fazer é ter uma senha diferente para cada serviço ou recurso, trocá-las com frequência, e garantir que nenhuma delas conste no dicionário ou seja parecida com uma palavra que consta.

Lembre-se de que, além dos variados vazamentos de milhões de senhas que você vê na TV, outras senhas vazam aqui e ali e ninguém fica sabendo. Se alguém consegue associar uma senha vazada a algum outro dado seu (um login ou endereço de e-mail, por exemplo), e você usa essa mesma senha em outro serviço no qual está registrado esse mesmo login ou e-mail, já era.

É fácil escolher senhas fáceis de lembrar e difíceis de adivinhar, e você pode considerar usar serviços de auxílio, como o renomado 1Password, por exemplo.

Faxina eficiente para solteiros e gente com mais o que fazer

Ninguém quer uma casa suja, mas estamos no Século XXI, aprendemos logística e temos mais o que fazer!

Já estamos em 2015, e ainda não foram cumpridas as promessas do desenho dos Jetsons, como carros voadores e um robô que limpava a casa inteira sem reclamar – exceto em subconjuntos ainda insuficientes e bem caros.

Mas um pouquinho de preparação e planejamento permitem fazer a faxina periódica da casa bem mais rapidamente e com menos esforço. Assim ainda sobrará tempo e energia para uma partida de videogame antes da visita chegar!

É a periódica, e não a Grande Faxina de quem está preocupado com cheiros estranhos e o surgimento de uma nova fauna nativa.

Não estou falando daquela Grande Faxina de quem deixou a casa sair do controle por tempo demais e agora está preocupado com cheiros estranhos e o surgimento de uma nova fauna nativa, nem daquela rotina regular de deixar a casa inteira tão brilhante e esterilizada que qualquer superfície poderia ser usada como mesa de operação.

Estou falando daquela faxina periódica que evita que o caos prospere, e que devolve a casa às condições de limpeza alcançadas a duras penas na Grande Faxina anterior. Daquela reorganização necessária após receber uns amigos para um esquenta no final de semana, no qual não tenha ocorrido nenhum ritual maligno e ninguém tenha jogado futebol na sala. Em suma, daquela faxina que pode devolver a ordem à casa inteira quando você só tem 1 hora, não 6.

Parte 1 - Material

Tarefas obrigatórias e desagradáveis merecem ser tratadas com um grau de planejamento e preparação que maximize a eficiência, e aqui isso significa ter (e manter!) um kit de material, idealmente armazenado em um balde que fique reservado só pra isso, e que deve ser levado por você de cômodo em cômodo.

O balde deve ter todos os produtos de limpeza que você usa, e a reposição desses produtos precisa ser incorporada à sua rotina normal de compras da casa.

Uma sugestão de mix de produtos básicos para seu balde:

  • Desinfetante
  • Limpa-vidros
  • Limpador para banheiro/box
  • Removedor de gordura
  • O limpador de uso geral de sua preferência (podem ser 2: leve e pesado)
  • Lustra móveis.

E os materiais que os complementam:

  • Esponja/escova para cada natureza de local1
  • Panos separados para retirar pó, remover sujeira e lustrar
  • Pano especial para vidros e superfícies delicadas (microfibra, ou esponja específica)
  • Muitos sacos de lixo
  • Saco de perfex ou toalha de papel similar
  • Luvas, se for seu estilo.

O modo de usar é simples:

  1. Ligue uma música ativa que possa ser ouvida na casa inteira (ou use fones que não te atrapalhem)
  2. leve o balde a cada cômodo que você for atacar, e deixe-o bem no meio do espaço.
  3. Abra um dos sacos de lixo (ou continue a usar o do cômodo anterior), e deixe ao lado dele.

Aí é só limpar usando a sequência genérica a seguir.

Passo 1: do caos à ordem

Começando do ponto mais próximo ao balde, vá percorrendo o ambiente no sentido do relógio, com foco apenas em colocar no lugar o que estiver fora dele:

  1. Jogue o lixo no saco de lixo
  2. Largue perto da porta do cômodo (mas do lado de fora) tudo que não deveria estar nele
  3. Ajuste almofadas, decorações, guarde os controles remotos, revistas e tudo o mais que estiver fora do lugar.
  4. Nos quartos, esse passo inclui arrumar a cama. Roupas sujas devem ser largadas próximas à porta para ao final do Passo 1 serem levadas a seu destino.
  5. Na cozinha, esse passo inclui arrebanhar toda louça suja e largá-la na pia ou máquina e, ao final do Passo 1 lavá-las.

O passo 1 também inclui a preparação química: onde houver algum produto especializado a ser aplicado que se beneficia do tempo de agir (em especial os limpadores de banheiro e box e os removedores de gordura da cozinha), eles devem ser aplicados assim que se entra no cômodo, para agirem por mais tempo até chegar ao Passo em que serão complementados ou removidos.

Ao final do Passo 1 o ambiente deve estar visualmente em ordem e pronto para a limpeza propriamente dita.

Passo 2: limpeza das áreas expostas superiores

A sequência geral é a mesma: começa do ponto mais próximo ao balde de produtos e vai se deslocando no sentido horário. Mas agora você terá instrumentos nas mãos, em especial o produto de limpeza geral e os panos, mas também o limpa-vidros, lustra-móveis e os panos/esponjas adequados a cada superfície e ambiente.

Vá aos poucos descendo até o chão, como se fosse um pagode dos anos 90 – mas não limpe o próprio chão neste passo.

Em cada parte do cômodo, comece do alto (prateleiras, tampos, molduras, puxadores, interruptores, etc.) e vá aos poucos descendo até o chão, como se fosse um pagode dos anos 90 – mas não limpe o próprio chão neste passo. O balde estará sempre próximo, troque os produtos e panos de acordo com a superfície e situação.

Manchas difíceis na parede saem com um pouco de bicarbonato de sódio em uma esponja úmida.

Na cozinha e banheiro, os produtos químicos que você deixou agindo no passo 1 já estarão prontos para serem complementados ou removidos (e enxaguados, e secos!), e aqui é um bom ponto para considerar o uso de toalhas descartáveis – ou ao menos tomar muito cuidado para não misturar os panos daqui entre si, nem com os do restante da casa. Pontos sensíveis, como ao redor de torneiras, de ralos e nos trilhos e cantos dos tampos, precisam de atenção extra. Vidros temperados de portas do box podem receber uma dose de vinagre diluído de vez em quando, para voltarem ao brilho original.

Superfícies brilhantes (janelas, espelhos, metais) ou que atraiam o foco dos olhares (a tela da TV!) precisam de atenção especial, porque são campeãs em dar aparência de empoeirado a ambientes que não estão.

Ao terminar o Passo 2, todas as áreas expostas superiores estarão limpas.

Passo 3 - Chão! Chão! Chão!

Sua bisavó já sabia que quem tenta limpar o chão antes de terminar de arrumar e limpar as demais superfícies trabalha em dobro.

Quando terminar o Passo 2, aí sim você estará pronto para limpar o chão, e aqui vai usar materiais que não estarão no balde, nem precisam estar no ambiente até este momento, porque atrapalhariam: a vassoura e pá, ou aspirador.

Para resultados mais do que apenas aparentes, é importante alcançar as áreas abaixo dos móveis quando possível, e até atrás dos que possam ser movidos – neste caso, comece por essas áreas, senão voltará a sujar onde já varreu. Dependendo da sua regularidade e padrões, essa etapa pode acontecer sempre, ou a cada X faxinas (você define o valor de X).

Fora isso, o truque é começar dos cantos em direção ao centro desimpedido do ambiente, e dele em direção à porta.

Antes de entrar no próximo cômodo

Com o passo 3, o seu trabalho em um cômodo estará encerrado. Antes de entrar no próximo, leve até o cesto ou máquina as roupas sujas que você acumulou perto da porta, e dê um destino adequado aos objetos que você deixou fora do cômodo no Passo 1: os que forem de cômodos que você já tenha limpado devem ir diretamente para seus lugares, e os que forem de cômodos pendentes devem ser colocados perto da porta destes, para serem recolocados quando você for fazer o Passo 1 neles.

E ainda vai dar tempo de jogar uma partida de videogame antes da sogra ou da visita que gosta de julgar os padrões da casa alheia chegar para sua avaliação!

Se você quiser mesmo organizar, pode aperfeiçoar a sequência, limpando sempre em profundidade a cozinha, o banheiro e um terceiro cômodo (que você alterna), e superficialmente os demais. A periodicidade e o critério de alternância você escolhe!

 
  1.  A da cozinha e a do banheiro jamais podem ser compartilhadas...

Crise: preparar-se para uma possível demissão ajuda também a manter o emprego atual

Quem tem atitude profissional, investe na empregabilidade e abraça cedo as mudanças vai para o fim da fila das demissões - ou encontra nova vaga antes.

Quando a crise econômica alcança o mercado de trabalho, muita gente revê pela primeira vez em muitos anos a sua empregabilidade, e começa a temer pelas suas oportunidades de encontrar nova vaga caso a atual seja atingida pelo facão voador que fica cada vez mais à solta.

O instinto tentará dizer que é tarde demais para fazer alguma coisa, mas neste caso é melhor não ouvi-lo: nas crises os cortes vêm em ondas sucessivas, e várias das medidas de aumento da empregabilidade futura também contribuem para o atual empregador deixar você cada vez mais para o fim da lista de quem ele pode vir a precisar demitir.

O gestor que precisa preencher uma lista de demissões não considera só a produção – também vai pensar na atitude da equipe que vai restar.

Afinal, na hora da desagradabilíssima tarefa de montar e colocar em ordem uma lista de demissões, um gestor não olha apenas para a produção e as competências técnicas: ele vai parar para pensar na qualidade do grupo que restará após a saída dos demais, e aí são as atitudes e a forma de se relacionar com os colegas que contam. Não é absolutamente necessário se destacar como um líder, mas por motivos óbvios você deve evitar ser apagado ("não fará falta pra ninguém"), detestado ("vão até comemorar") ou derrotado ("esse está só esperando a hora de sair").

O primeiro passo: foco na postura profissional. Você deve fazer isso sempre, mas é especialmente importante quando estiver se preparando alguma avaliação com critérios pouco objetivos (típica da composição de listas de demissão e das consultas informais a histórico profissional).

Não é só a questão da aparência (que pode ser mais importante do que deveria), mas especialmente da atitude, em aspectos amplos: manter a palavra, cumprir o que anuncia, saber o limite entre a vida profissional e pessoal (sua e da equipe), não dar desculpas esfarrapadas,exercer positivamente sua influência, não ser vítima nem manipulador da política do seu escritório.

A seguir, pense a tempo no seu networking. Se você deixar para tentar formar ou reavivar laços só quando já estiver precisando de ajuda, todo ~amigo~ que não tinha notícias suas há 15 anos vai perceber a motivação egoísta e interesseira do ato.

Mas o momento da crise já percebida mas ainda não desencadeada é uma situação em que há oportunidades diversas a explorar, e você pode melhorar suas chances e sua autoconfiança por meio de atitudes simples de aproximação:

  • Um telefonema ou e-mail curto ocasional (não mais do que um a cada 2 meses!) sem pedir nada, apenas contando algum fato interessante e perguntando como o amigo ou contato próximo está.
  • Fazer cursos e participar ativamente da sua comunidade local e profissional.
  • Acompanhar (em fóruns online, blogs, publicações) o que acontece no seu mercado de trabalho, para estar em dia e eventualmente buscar aproximação profissional com pessoas que estejam atuando de maneiras interessantes.
  • Participar ativamente em alguma organização interna da sua empresa ou categoria profissional (CIPA, associação atlética, etc.) que reúna pessoas de diversas áreas.
  • Enviar mensagens pessoais (não enlatadas!) no aniversário de amigos e contatos profissionais próximos.

Se você caprichar, tudo isso faz o seu nome aparecer no seu âmbito profissional, abre oportunidades, e ainda pode gerar algum item a mais no seu currículo.

A pergunta “Por que devo contratar você e não os outros 15 que cumprem os requisitos da vaga?” está embutida em toda entrevista e toda análise de currículo.

Antes de ela ser feita por quem estiver analisando a sua carreira e o seu potencial, ela precisa ser feita por você mesmo, e demanda uma resposta clara. Itens como formação específica e saber trabalhar em equipe são apenas o essencial, e o que define a ordem de classificação é o que vem além disso, para o bem ou para o mal.

Por exemplo: eu sou Administrador, mas atuei profissionalmente também na área técnica do desenvolvimento de software, o que me habilita a desenvolver simulações e modelos estatísticos de cenários (econômicos, financeiros, etc.), bem como relatórios de acompanhamento, que vão além do que um colega que conhece "apenas" o uso intermediário de planilhas de cálculo1 pode fazer. Ao planejar a minha formação continuada, eu sempre procuro equilibrar os investimentos em ambas as áreas, para não deixar o diferencial enferrujar.

Não descubra tarde demais que você não tem nada dos últimos 10 anos para mencionar num novo currículo.

Essa é uma visão a ser perseguida continuamente, para não se descobrir subitamente um demitido desatualizado que não tem nada mais recente do que 2 décadas atrás para mencionar no currículo, e cujas razões que levaram à contratação anterior não têm mais valor de diferencial.

Se essa ficha cair e você já estiver em uma crise, é hora de um plano intensivo: inscrever-se em cursos presenciais e on-line, verificar se o seu nome aparece associado a atividades profissionais ao pesquisar por ele em sites de busca e redes sociais, participar de um grupo comunitário ou ONG nos quais possa se envolver em habilidades complementares valorizadas no mercado (gerenciar equipes, obtenção de patrocínios, divulgação, etc.), matricule-se em uma pós-graduação, tente emplacar um artigo em um site ou revista técnica da sua área, e assim por diante.

A atitude confiante é importante tanto para a manutenção de uma posição existente, quanto para superar a transição e ter sucesso na luta por uma nova colocação.

Algumas pessoas encontram dentro de si toda a confiança de que precisam, outros precisam desenvolvê-la. Uma maneira de desenvolver a confiança é criar a sua própria rede de proteção, na forma de uma redução de despesas, criação2 de um fundo de reserva, busca de uma fonte de renda adicional, incentivo à profissionalização de outros membros da família, etc.

Um bom alvo a perseguir é manter disponível3um valor financeiro equivalente a duas a três vezes a renda mensal familiar, o que garante que as contas do primeiro mês após uma interrupção súbita possam ser pagas e que haja algum fôlego para a reestruturação logo a seguir.

Fontes de renda adicionais podem ser o aluguel de um imóvel, a prestação de serviços que não concorram com o do empregador, a revenda de produtos, rendas de capital, etc. Não são fáceis de desenvolver e manter, mas podem formar o pára-quedas que lhe dará a confiança necessária para render o seu melhor.

A tendência natural do ser humano é demorar a aceitar as consequências de um momento difícil. Os estágios usuais envolvem a negação, a ira, a tentativa de negociar com a realidade, e só depois a aceitação chega.

Só que a aceitação da crise é requisito para lidar melhor com ela. Quem a abraça mais cedo e começa a agir na direção certa estará em vantagem em relação aos que insistirem em negá-la ou em manter expectativas que não mais se justifiquem.

Assim, caso a sua empresa passe por um momento complicado, especialmente se a causa for uma crise nacional ou do setor, ou seu setor subitamente tiver que receber a carga de trabalho de outro que foi cortado, ou subitamente diversos recursos deixarem de estar disponíveis e a carga de trabalho de todo mundo aumentar, não seja um dos que vão para o canto resmungar - abrace a novidade e reveja seu papel para melhor se ajustar a ela, já que ela é um fato real.

Negar a nova realidade, esquivar-se das novas responsabilidades e buscar apenas as alternativas isentas de risco torna você um integrante preferencial na lista dos que serão descartados em qualquer corte, pois sua ausência fará pouca diferença ou falta.

É melhor correr um pouco mais de riscos, bem calculados, e assim poder ser visto como peça-chave na hora em que alguém for escolher aonde o facão vai passar, mantendo assim o controle sobre a escolha do momento certo de sair ou ficar!

 
  1.  O que já é, em si, também um diferencial em vários mercados...

  2.   Mesmo que tardia, mas preferencialmente a tempo.

  3.   Ou seja: não alocados em algum investimento de baixa liquidez, como um imóvel que não possa ser vendido rapidamente.

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