Crise: preparar-se para uma possível demissão ajuda também a manter o emprego atual

Quem tem atitude profissional, investe na empregabilidade e abraça cedo as mudanças vai para o fim da fila das demissões - ou encontra nova vaga antes.

Quando a crise econômica alcança o mercado de trabalho, muita gente revê pela primeira vez em muitos anos a sua empregabilidade, e começa a temer pelas suas oportunidades de encontrar nova vaga caso a atual seja atingida pelo facão voador que fica cada vez mais à solta.

O instinto tentará dizer que é tarde demais para fazer alguma coisa, mas neste caso é melhor não ouvi-lo: nas crises os cortes vêm em ondas sucessivas, e várias das medidas de aumento da empregabilidade futura também contribuem para o atual empregador deixar você cada vez mais para o fim da lista de quem ele pode vir a precisar demitir.

O gestor que precisa preencher uma lista de demissões não considera só a produção – também vai pensar na atitude da equipe que vai restar.

Afinal, na hora da desagradabilíssima tarefa de montar e colocar em ordem uma lista de demissões, um gestor não olha apenas para a produção e as competências técnicas: ele vai parar para pensar na qualidade do grupo que restará após a saída dos demais, e aí são as atitudes e a forma de se relacionar com os colegas que contam. Não é absolutamente necessário se destacar como um líder, mas por motivos óbvios você deve evitar ser apagado ("não fará falta pra ninguém"), detestado ("vão até comemorar") ou derrotado ("esse está só esperando a hora de sair").

O primeiro passo: foco na postura profissional. Você deve fazer isso sempre, mas é especialmente importante quando estiver se preparando alguma avaliação com critérios pouco objetivos (típica da composição de listas de demissão e das consultas informais a histórico profissional).

Não é só a questão da aparência (que pode ser mais importante do que deveria), mas especialmente da atitude, em aspectos amplos: manter a palavra, cumprir o que anuncia, saber o limite entre a vida profissional e pessoal (sua e da equipe), não dar desculpas esfarrapadas,exercer positivamente sua influência, não ser vítima nem manipulador da política do seu escritório.

A seguir, pense a tempo no seu networking. Se você deixar para tentar formar ou reavivar laços só quando já estiver precisando de ajuda, todo ~amigo~ que não tinha notícias suas há 15 anos vai perceber a motivação egoísta e interesseira do ato.

Mas o momento da crise já percebida mas ainda não desencadeada é uma situação em que há oportunidades diversas a explorar, e você pode melhorar suas chances e sua autoconfiança por meio de atitudes simples de aproximação:

  • Um telefonema ou e-mail curto ocasional (não mais do que um a cada 2 meses!) sem pedir nada, apenas contando algum fato interessante e perguntando como o amigo ou contato próximo está.
  • Fazer cursos e participar ativamente da sua comunidade local e profissional.
  • Acompanhar (em fóruns online, blogs, publicações) o que acontece no seu mercado de trabalho, para estar em dia e eventualmente buscar aproximação profissional com pessoas que estejam atuando de maneiras interessantes.
  • Participar ativamente em alguma organização interna da sua empresa ou categoria profissional (CIPA, associação atlética, etc.) que reúna pessoas de diversas áreas.
  • Enviar mensagens pessoais (não enlatadas!) no aniversário de amigos e contatos profissionais próximos.

Se você caprichar, tudo isso faz o seu nome aparecer no seu âmbito profissional, abre oportunidades, e ainda pode gerar algum item a mais no seu currículo.

A pergunta “Por que devo contratar você e não os outros 15 que cumprem os requisitos da vaga?” está embutida em toda entrevista e toda análise de currículo.

Antes de ela ser feita por quem estiver analisando a sua carreira e o seu potencial, ela precisa ser feita por você mesmo, e demanda uma resposta clara. Itens como formação específica e saber trabalhar em equipe são apenas o essencial, e o que define a ordem de classificação é o que vem além disso, para o bem ou para o mal.

Por exemplo: eu sou Administrador, mas atuei profissionalmente também na área técnica do desenvolvimento de software, o que me habilita a desenvolver simulações e modelos estatísticos de cenários (econômicos, financeiros, etc.), bem como relatórios de acompanhamento, que vão além do que um colega que conhece "apenas" o uso intermediário de planilhas de cálculo1 pode fazer. Ao planejar a minha formação continuada, eu sempre procuro equilibrar os investimentos em ambas as áreas, para não deixar o diferencial enferrujar.

Não descubra tarde demais que você não tem nada dos últimos 10 anos para mencionar num novo currículo.

Essa é uma visão a ser perseguida continuamente, para não se descobrir subitamente um demitido desatualizado que não tem nada mais recente do que 2 décadas atrás para mencionar no currículo, e cujas razões que levaram à contratação anterior não têm mais valor de diferencial.

Se essa ficha cair e você já estiver em uma crise, é hora de um plano intensivo: inscrever-se em cursos presenciais e on-line, verificar se o seu nome aparece associado a atividades profissionais ao pesquisar por ele em sites de busca e redes sociais, participar de um grupo comunitário ou ONG nos quais possa se envolver em habilidades complementares valorizadas no mercado (gerenciar equipes, obtenção de patrocínios, divulgação, etc.), matricule-se em uma pós-graduação, tente emplacar um artigo em um site ou revista técnica da sua área, e assim por diante.

A atitude confiante é importante tanto para a manutenção de uma posição existente, quanto para superar a transição e ter sucesso na luta por uma nova colocação.

Algumas pessoas encontram dentro de si toda a confiança de que precisam, outros precisam desenvolvê-la. Uma maneira de desenvolver a confiança é criar a sua própria rede de proteção, na forma de uma redução de despesas, criação2 de um fundo de reserva, busca de uma fonte de renda adicional, incentivo à profissionalização de outros membros da família, etc.

Um bom alvo a perseguir é manter disponível3um valor financeiro equivalente a duas a três vezes a renda mensal familiar, o que garante que as contas do primeiro mês após uma interrupção súbita possam ser pagas e que haja algum fôlego para a reestruturação logo a seguir.

Fontes de renda adicionais podem ser o aluguel de um imóvel, a prestação de serviços que não concorram com o do empregador, a revenda de produtos, rendas de capital, etc. Não são fáceis de desenvolver e manter, mas podem formar o pára-quedas que lhe dará a confiança necessária para render o seu melhor.

A tendência natural do ser humano é demorar a aceitar as consequências de um momento difícil. Os estágios usuais envolvem a negação, a ira, a tentativa de negociar com a realidade, e só depois a aceitação chega.

Só que a aceitação da crise é requisito para lidar melhor com ela. Quem a abraça mais cedo e começa a agir na direção certa estará em vantagem em relação aos que insistirem em negá-la ou em manter expectativas que não mais se justifiquem.

Assim, caso a sua empresa passe por um momento complicado, especialmente se a causa for uma crise nacional ou do setor, ou seu setor subitamente tiver que receber a carga de trabalho de outro que foi cortado, ou subitamente diversos recursos deixarem de estar disponíveis e a carga de trabalho de todo mundo aumentar, não seja um dos que vão para o canto resmungar - abrace a novidade e reveja seu papel para melhor se ajustar a ela, já que ela é um fato real.

Negar a nova realidade, esquivar-se das novas responsabilidades e buscar apenas as alternativas isentas de risco torna você um integrante preferencial na lista dos que serão descartados em qualquer corte, pois sua ausência fará pouca diferença ou falta.

É melhor correr um pouco mais de riscos, bem calculados, e assim poder ser visto como peça-chave na hora em que alguém for escolher aonde o facão vai passar, mantendo assim o controle sobre a escolha do momento certo de sair ou ficar!

 
  1.  O que já é, em si, também um diferencial em vários mercados...

  2.   Mesmo que tardia, mas preferencialmente a tempo.

  3.   Ou seja: não alocados em algum investimento de baixa liquidez, como um imóvel que não possa ser vendido rapidamente.

Liderança: os comportamentos que multiplicam o rendimento da equipe

O líder sabe esclarecer onde se quer chegar, assume a responsabilidade pelas suas decisões, valoriza a confiança, a comunicação e a iniciativa.

Liderar está mais ligado à capacidade de influenciar do que ao poder formal de chefiar.

O líder faz muito mais do que apontar caminhos e reduzir incertezas: ele ouve, toma decisões claras, permite que cada um saiba seu papel nelas, e evidencia sempre a sua confiança na equipe – mesmo sem ser chefe!

As questões da confiança e da valorização da equipe são centrais ao comportamento do líder. Afinal, como já disse Tom Peters, um bom líder não cria seguidores, cria mais líderes.

Você pode transformar seu grupo (social, familiar, de trabalho, etc.) em uma equipe em que todos colaboram de bom grado e alcançam os objetivos comuns, se observar as principais características da liderança eficaz:

  1. Reconhecer que a confiança é uma via de mão dupla.
  2. Saber observar o ambiente e ouvir as pessoas, valorizando as perspectivas alheias - internas e externas.
  3. Aceitar a responsabilidade de tomar a tempo as decisões que lhe cabem.
  4. Definir o objetivo e as metas, evitando micro-gerenciar a execução.
  5. Comunicar sempre à equipe e aos envolvidos o que está em andamento e aonde se vai chegar, evitando a incerteza.
  6. Foco nas soluções: incentivar a ação que transforma positivamente a situação a favor dos objetivos.
  7. Valorizar a equipe, promovendo a iniciativa e a colaboração.

Saiba mais no artigo Como liderar: saber os conceitos não é o suficiente, que publiquei originalmente em 2007.

Sexta é dia de revisar o que foi produzido e escolher os alvos da próxima semana!

O esquema básico é: rever as tarefas e compromissos concluídos, avaliá-los pelos resultados, ajustar e escolher os itens principais da próxima.

Um elemento essencial para os passos acima são os objetivos. Pare para identificar claramente quais são os seus1, porque eles são o termo de comparação não só para avaliar os resultados da semana anterior, mas também para priorizar os itens da próxima.

Se você não tem clareza dos seus objetivos, possivelmente está organizando suas prioridades com base puramente nos objetivos de outras pessoas, e isso raramente aproximará você de um nível elevado de rendimento e satisfação pessoal.

Veja mais detalhes sobre como eu faço a avaliação semanal em: “ZTD minimalista: mais efetividade com revisões semanais”.

 
  1.  Ou o seu – se você conseguir identificar claramente 01 objetivo pessoal, já estará melhor do que quem não identifica nenhum...

Não é só um sonho: Suas reuniões PODEM terminar rápido e com resultados objetivos

A dica: distribua antes para todos a lista de tópicos, e na hora nomeie alguém para acompanhá-la e registrar as conclusões. Vai parecer mágica!

Não estude MAIS, estude MELHOR

Eu gosto de aprender, muito mais do que gosto de estudar – mas estudar é geralmente um requisito, então o melhor é saber maximizar o retorno desse esforço.

Eu estudo porque quero aprender. Não me importo muito com as notas, desde que sejam suficientes para a aprovação; mas, se eu aprender, sempre confio que minhas notas refletirão isso, sem um esforço adicional para "tirar nota alta" – embora elas costumeiramente compareçam ;-)

As técnicas de estudo que eu usei no ensino médio e na faculdade continuam sendo as que eu uso agora nas especializações, mas elas foram sendo refinadas porque os tempos mudaram: agora estudar próximo ao computador traz vantagens que nos anos 90 não existiam ainda, por exemplo. E fazer trabalhos em grupo depois da existência do WhatsApp como fenômeno de popularidade também mudou várias regras do jogo.

Vamos, portanto, revisitar as dicas do Efetividade para estudar melhor, atualizando-as para a segunda metade da década de 10 ;-)

Saiba a razão de estar estudando. Para motivar o esforço do estudo, é importante ter clareza do que se pretende alcançar com ele. Eu estudo para aprender, outras pessoas estudam para conseguir nota para aprovação ou mesmo para conseguir uma nota melhor que a de outros participantes de algum certame. Ter clareza disso ajuda a vencer a tentação de deixar para amanhã ou desistir de algum tópico mais chato.

Escolha e adeque seu ambiente. Se você vai estudar fazendo uso de um computador ou de um smartphone, ao menos desative os programas de mensagens e as redes sociais. Não estude em um local que sua mente associa ao lazer ou ao descanso (as associações que o cérebro faz podem ser muito úteis ao estudo, mas neste caso são um inimigo perigoso), nem em um local desconfortável, barulhento ou mal iluminado. Estude com música, se desejar: se a música não lhe distrair, ela pode ativar mecanismos de memorização positivos, do tipo "essa eu lembro, quando vi esse capítulo estava tocando uma música do Nirvana".

Estudar é mais do que ler. Leia o material sim, tantas vezes quantas forem necessárias para um entendimento abrangente e com a profundidade desejada. Mas não pare na leitura: resolva exercícios com consulta, depois sem consulta, identifique e corrija seus erros, e produza (sem consulta) uma lista estruturada dos títulos dos principais tópicos do material, para ter certeza de que consegue lembrar deles mesmo sem contar com alguma pista que venha a (não) ser dada pelo texto da prova.

Não memorize, entenda. Para algumas coisas, como os nomes dos afluentes do Rio Amazonas, não há alternativa além da memorização. Mas a maior parte do conhecimento relevante pode ser compreendido, e não apenas memorizado. A grande vantagem da compreensão, em relação à memorização, é que geralmente o conteúdo pode ser lembrado sem grande esforço na hora em que for demandado.

Faça bom uso das pausas. O melhor é estudar um pouco a cada dia, sempre no mesmo horário. Não sendo viável, e sendo necessário estudar por algumas horas a fio, use um timer ou despertador para coordenar um esquema de pausas de 10 minutos, a intervalos fixos que sejam adequados à sua capacidade de absorver conteúdo. Na pausa, ofereça a si mesmo uma recompensa: uma olhadinha no chat ou no Facebook, uma partida de jogo, um bom café, etc. Recomece o estudo pontualmente, com suas capacidades de memorização e compreensão renovadas.

Saiba quando parar. Eu tenho uma métrica para identificar o ponto de parar: quando já me sinto apto a preparar um plano de aula sobre o assunto que estou estudando, mencionando em uma página A4 manuscrita todos os tópicos, seus conceitos-chave e definições básicas. Às vezes preciso parar de estudar antes (por acabar o tempo ou a energia), mas acho desperdício continuar a estudar depois deste ponto, a não ser que a meta seja competitiva.

Busque imagens vívidas para associar os conceitos entre si, ou em relação a experiências da sua vida, e você conseguirá lembrar deles a partir das imagens.

Ensine para aprender mais. Uma boa consequência da dica acima é que você pode compartilhar seu plano de aula (ou resumão, mas escrito sem consulta ao material) com outros colegas, ou mesmo ensinar a algum deles os conceitos que ele não entendeu. Além do karma positivo, a atividade contribui para a sua própria fixação, e para mantê-lo fiel ao nível de qualidade exigido no resumão.

Aproveite que seu cérebro é uma máquina de associar. Procure sempre encontrar padrões e pontos em comum entre os tópicos do seu estudo, e associe-os (diretamente entre si, ou então com aspectos da sua realidade pessoal) a imagens claras e vívidas. Se você fizer estes relacionamentos, fica mais fácil relembrar cada um dos tópicos, pois na hora de usar a informação você pode seguir a cadeia de ligações, como no exemplo acima, em que um conceito foi associado à música que estava tocando no momento em que foi estudado.

Aprender é algo que acontece dentro da sua cabeça, e não nas folhas do caderno.

Escreva menos palavras e mais conteúdo. O importante não é quantas páginas você escreve, mas sim o quanto estas anotações conseguirão ajudá-lo na hora de rever ou estudar o conteúdo. Gravar ou transcrever a aula inteira pode ter alguma utilidade, mas com certeza não ajuda tanto quanto entendê-la e resumi-la em um bilhete. Dizer muito em poucas palavras é uma habilidade valiosa para toda a vida.

Experimente tomar notas à mão. Escrita não é sinônimo de edição de texto. Por mais que notebooks ou tablets sejam cada vez mais comuns na sala de aulas, tenha um bloco ou caderno para anotações livres, acostume-se a anotar nele os conceitos interessantes, e coloque data, título e matéria no topo de cada página. Não arranque páginas deste caderno. A escrita manual, e simultânea ao momento em que você adquiriu o conhecimento, pode ser um poderoso estímulo à memorização imediata e definitiva dos conceitos. Dica extra: o método Cornell de anotações adapta-se a qualquer caderno, e facilita a consulta posterior.

Não confunda material e aprendizado. Continuidade da dica acima. Aprender é algo que acontece dentro da sua cabeça, e não nas folhas do caderno; rabisque, rasure, faça o que for necessário para entender e registrar os conceitos. Não adianta ter 16 canetas diferentes e o caderno mais completo da turma, se você não entender o que está escrito, ou se apenas copiar algo que não compreendeu.

Uma exceção: se você já fez tudo errado e só tem meia hora para estudar para uma prova na qual deseja tirar nota suficiente, pode pular todas as dicas acima (cujo foco é o aprendizado) e ler as Dicas para estudar em emergências escolares.

Decisão para 2015: valorizar ainda mais os erros, mas evitar o retrabalho

Parece uma contradição? Mas os erros são um elemento importante da fase de aprendizagem e desenvolvimento, eles só não podem ter lugar na hora da execução.

Perde-se muita capacidade e potencial quando se quer aprender algo ou ter ideias novas, mas se cede ao medo de errar.

Já escrevi um post inteiro sobre a necessidade de aprender a falhar melhor, e não estou sozinho nessa: célebres realizadores, como Thomas Edison, Samuel Beckett e Henry Ford, defenderam igualmente a importância de estar disposto a errar, porque se aprende muito com os erros.

A diferença entre o mestre e o aprendiz muitas vezes é que o primeiro já errou mais vezes do que o segundo já tentou.

Sabemos que um dos conceitos da Qualidade1 é a ausência de erro, mas isso está muito mais ligado aos processos de produção e execução do que aos de criação, aprendizado e desenvolvimento — afinal, esse erro (na definição técnica, ele é chamado de defeito) é aferido comparando o que foi executado em relação a uma especificação formal, e ela raramente existe quando um processo ou produto ainda está sendo criado.

Em outras palavras, os 2 erros do atirador de facas do vídeo de 30 segundos acima estariam ok durante o treinamento (com um boneco, de preferência), mas definitivamente não têm lugar num programa ao vivo da TV da Lituânia (mas a atitude do assistente mereceu aplauso) ;-)

No segundo semestre de 2014 eu dei uma parada com os blogs e me dediquei a aprender 2 novos ofícios: o de marceneiro e o de técnico em eletrônica. Estou na fase inicial de ambos, mas fiz uma mesa de churrasco com a altura que eu queria, uma máquina de fliperama para a nossa churrasqueira, uma sapateira para todos os meus sapatos, e vários outros projetos eletrônicos de menor porte2.

Esses mencionados são os que deram certo, mas também errei muitas vezes, por exemplo ao tentar fazer uma lixeira com porta vai-vém e um carregador de celular com 4 pilhas AA. Me orgulho desses meus erros, com eles aprendi coisas que contribuíram para os demais acertos, e em algum momento voltarei para os projetos que deram errado e os acertarei também.

Essa é a parte I da atitude que desenvolvi em 2014 e quero manter em 2015.

E o tal do retrabalho

Enquanto estou criando, desenvolvendo ou aprendendo, não me importo de errar: são erros com saldo positivo.

Depois que já há um padrão ou procedimento bem estabelecido, e estou fazendo algo que precisa ficar pronto no prazo, na qualidade e na especificação esperadas, a situação muda: não é mais hora de errar, nem de improvisar.

Quando se está na fase operacional, de execução ou produção, o erro é custo, prejudica o resultado, compromete a relação com o cliente.

Mesmo quando se está fazendo algo para si mesmo, e se consegue retomar o prazo e a especificação, o erro tem uma punição automática: o retrabalho.

Mas esse é apenas um dos casos de causa de retrabalho. Há outros piores, porque são mais evitáveis e mesmo assim deixamos acontecer.

Começo com a grande exceção: às vezes é especialmente difícil evitar o retrabalho, especialmente quando a atividade envolve criação artística difícil de prototipar. O cliente não tem como visualizar antes de estar pronta alguma versão, e nem mesmo consegue avaliar o efeito das alterações que ele pede a cada nova versão, e assim fica indo e voltando erraticamente.

Para os demais casos, existem antídotos melhores: uma especificação clara e com o nível de formalização necessário, padrões de solicitação e confirmação de mudança, atribuição clara dos papeis de responsável por especificar e por aprovar, aprovação prévia não apenas do produto desejad mas também do processo produtivo, etc.

O retrabalho prejudica a relação mesmo que o profissional seja ressarcido pelo tempo e o esforço empregados, e o cliente acabe recebendo o que desejava.

Às vezes o curto prazo ou baixo custo de uma atividade servem como desculpa para não se gastar tempo com "essas burocracias", mas aí é certeza: o custo e o prazo vão ser estourados e ficar como prejuízo para algum dos lados da relação – ou seja, mesmo quando eu sou pago pelas minhas horas e esforço, haverá um outro lado que sairá perdendo e, ainda que a culpa pela improdutividade seja só dele, vai refletir sobre a minha motivação e, ainda que injustamente, sobre a minha imagem.

Daí vem a minha decisão para 2015, parte II: em todos os processos e fluxos sob meu controle, vou investir ativamente em prevenir o meu retrabalho. Não vai ser só a produtividade que vai agradecer: a motivação também agradece.

 
  1.  Embora não o meu preferido, que é "Qualidade é adequação ao uso".

  2.  Venho narrando esses projetos eletrônicos no BR-Arduino.

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