Parado no trânsito, com menos stress (e alguma produtividade)

Os problemas de mobilidade urbana afetam muitas cidades do nosso país, e não são nada raras as pessoas que gastam horas todos os dias em deslocamentos entre sua residência e os locais de suas atividades.

Algumas encontram condições melhores para isso, outras estão sujeitas a bem menos conforto, mas todas compartilham entre si algum nível de stress, e o eventual desejo de aproveitar este tempo para realizar algo positivo que vá além da contemplação, meditação e reflexão, sempre bem-vindas.

Passageiros: o paralelo com as salas de embarque

Para quem trafega como passageiro, seja em transporte coletivo ou individual, muitas das dicas que já tratamos anteriormente ao falar sobre o ordálio das salas de embarque e vôos a serviço se aplicam, especialmente no que diz respeito à redução do stress por meio de entretenimento e distração. É saudável usar estas oportunidades para se manter em dia com as pendências, mas em alguns momentos é interessante dispor de uma alternativa que conduza ao relaxamento e à distração – mesmo quando você não deseja, ou não pode, tirar uma sonequinha.

Quando é carona em carro próprio, dá até pra pensar em economizar para colocar um DVD no banco de trás e passar a ter um aproveitamento cultural maior a cada deslocamento, mas nem sempre é necessário ir tão longe: há inúmeras alternativas de entretenimento que você pode levar consigo, sendo que possivelmente a mais portátil delas é um bom livro ou revista, que eu recomendo. Pode ser até uma revista de passatempos, como um Sudoku ou palavras cruzadas, se o transporte for compatível com sua escrita...

Acredito que esta seja a maior razão da popularidade dos videogames portáteis, especialmente para quem se desloca usando transportes seguros. Eu às vezes recorro ao celular para um jogo rápido, mas tenho levado comigo um PSP com alguns jogos, e uma seleção de músicas, algum filme ou seriado na memória. Basta estar em um transporte suficientemente seguro, colocar os fones de ouvido (ligando ou não a atenuação de ruídos externos, dependendo da ocasião), e relaxar, tentando esquecer do desconforto das vans de traslados para eventos e do stress do trânsito ao meu redor.

Quem anda em transporte coletivo que não ofereça o mesmo grau de segurança ao patrimônio individual vê suas opções de forma mais restrita, mas além da boa e velha música em aparelhos de MP3, e dos audiobooks que mencionaremos mais além, a Internet nos traz uma variada gama de opções de podcasts e outros conteúdos em áudio, alguns educativos, outros informativos, vários opinativos, e outros de entretenimento. É só baixar e copiar para o player.

Compartilhe conosco suas dicas de podcasts legais nos comentários! Os amigos do @efetividadeblog no Twitter já recomendaram (obrigado!) vários para este artigo, incluindo:

  • O nerdcast, divertido para o público em geral.
  • O Pod sem fio, da Bia Kunze, que às vezes se manifesta por aqui também (bem-vinda!)
  • O Código Livre, do Ricard Macari.
  • as edições antigas do TickTack (tem até uma edição comigo, falando sobre o Efetividade).
  • O Sidetalk é pros gamers.
  • O Decodificando "trata de assuntos relacionados a novas tecnologias na área de biologia e informática e seus principais aspectos jurídicos".
  • O Séries etc. não é mais atualizado, mas o histórico ainda pode proporcionar alguma diversão.
  • Para o pessoal com interesse em tecnologia, a Info e o IDG Now publicam podcasts regularmente.
  • A CBN e a Band News (entre outras rádios e agências) disponibilizam notícias e comentários na forma de podcast.
  • Também foram mencionados: falafreela, Papo na Estante, NowLoading, i sh0t the sheriff, Rapaduracast, papotech; Monalisa de Pijamas.

Como você pode notar, esta dica vale também para quem se desloca a pé, ou de bike. Mas cuidado com a segurança, fones de ouvido podem ser um fator de risco no ciclismo ou mesmo nas calçadas.

Para concluir, para mim a ferramenta suprema para esquecer que estou em deslocamento pelos engarrafamentos da cidade é um bom livro ou, na ausência dele, um celular com bom acesso à Internet. Mas o primeiro é compatível com bem mais ambientes!

E o motorista?

O motorista precisa, em primeiro lugar, respeitar a legislação de trânsito, o bom senso, a segurança da sua condução e dos demais. Quando isto tudo está resolvido, às vezes sobra uma oportunidade para entretenimento ou cultura. A mais básica delas costuma ser o aparelho de som do próprio carro, que pode tocar seus CDs (ou pen drives...) prediletos, ou a programação musical e de notícias das emissoras de rádio. Cidades que contam com jornalismo especializado no trânsito dão ao motorista uma opção extra muito efetiva, porque podem inclusive ajudá-lo a evitar pontos de congestionamento e ficar menos tempo no trânsito.

Pessoalmente prefiro ouvir minha própria coleção de músicas, um eventual podcast (como os mencionados acima), e de vez em quando variar com o rádio - às vezes com noticiário, outras com humor e variedades, mas geralmente com música.

Uma alternativa que descobri recentemente e tem me dado oportunidade de relaxar nas quentes filas do asfalto florianopolitano são os audiobooks (ou audiolivros), sobre os quais escrevi o artigo "Audiolivros brasileiros: ouvindo livros no engarrafamento e na academia", cujo título já deixa clara a relação com nosso tema de hoje. Gostei bastante da biografia do Tim Maia ("Vale Tudo") narrada pelo autor Nelson Motta, e agora estou ouvindo "O Baú do Raul". Na livraria do shopping aqui perto, e também na estante virtual do Submarino tem pelo menos uns 25 títulos, dá de escutar em muitos engarrafamentos. O @rscbsb deu esta mesma dica via Twitter, e ainda sugeriu também os audiocursos.

Quando o trânsito pára mesmo, e eu chego a desligar o motor, aí recorro (mantendo alguma atenção) às mesmas opções que os passageiros têm: joguinho ou internet no celular, livro, revista ou qualquer coisa que tire minha mente do stress ao meu redor.

Ser produtivo não muda

O que muda são as ferramentas, demandas e oportunidades. Há quem não sinta falta de produzir algo no tempo que gasta em deslocamento, seja porque há tempo suficiente em outras situações melhores, seja porque reconhece a necessidade da higiene mental praticada durante os deslocamentos, ou mesmo porque não deseja se transformar em uma máquina de produzir.

Simpatizo com estes argumentos, e longe de mim querer me transformar em uma máquina de produção - como eu já disse, o que eu quero mesmo é ganhar eficiência para que sobre mais tempo para jogar videogame e tocar guitarra ;-) Minha abordagem no trânsito, como geralmente sou o motorista, é a da higiene mental e entretenimento, embora às vezes eu lembre de repassar alguma lista de pendências antes de sair de casa, para ir pensando em alternativas de algum projeto, ou compondo mentalmente algum documento ou relatório enquanto espero os engarrafamentos andarem. Funciona muito bem, especialmente porque é um processo não totalmente consciente, e sem foco nos detalhes específicos.

Só que às vezes algum detalhe específico surge, e é necessário registrá-lo. Já aconteceu com você de um carro de um prestador de serviço que você precisava mas não conseguia encontrar parar na sua frente, e você não ter como anotar o telefone dele, exposto na lataria? Comigo acontecia sempre, e parou de acontecer depois que eu dediquei um dos botões programáveis do celular para abrir o gravador de voz e começar imediatamente a gravar. Aí só preciso memorizar o telefone (ou a idéia que tive, ou o que for) até a primeira oportunidade em que seja seguro e legal fazer uso deste recurso, e quando chego ao meu destino, basta transcrever a nota verbal para o local adequado, como também lembrou o @peujapiassu, via Twitter.

Meu pai, cuja atividade profissional exige deslocamentos constantes (muitos deles dirigindo), usava tanto este recurso que agora comprou um gravador digital de voz da Olympus, e passou a manter nele muita coisa, sem nem mesmo transcrever. Este aparelho tem excelente captação e memória, então se ele precisa compor um documento ou uma apresentação, pode deixar o gravador ligado no banco do carona, e ir falando, falando, falando, falando... Quando chega ao final da viagem, já terá registrado todos os principais pontos do documento, e aí é só completar com os dados e a redação.

Outro recurso usado tradicionalmente é o de aproveitar para se informar. Quem precisa ler jornais ou relatórios no começo do dia pode fazê-lo no trânsito, se não estiver dirigindo. Os notebooks com 3G e mesmo os smartphones também permitem cada vez mais oportunidades de produtividade móvel a quem tem acesso a eles, e ao seu uso seguro quando em deslocamento. Já escrevi muitos artigos (alguns integralmente) enquanto estava em trânsito, mas acharia horrível viver em uma situação que me obrigasse a isso diariamente.

E, claro, os passageiros sempre podem ter acesso às suas agendas, blocos de anotações, materiais de referência e tudo o mais que quiserem levar consigo!

Melhor é evitar

Como estamos falando de efetividade, não podemos deixar de mencionar que muitas vezes o melhor a fazer é evitar o obstáculo, ao invés de ficar tentando encontrar maneiras de sofrer menos com ele.

Alternativas como home office, teletrabalho e escritório remoto são cada vez mais procuradas, e uma das razões é a redução ou eliminação dos deslocamentos constantes.


Podendo evitar, por que não?

Quando está ao alcance, mudar os horários dos deslocamentos também pode ajudar a reduzir o impacto, mas é necessário pesar os demais inconvenientes da decisão. Mas mesmo quando não podemos mudar o horário regular, às vezes vale a pena encontrar alternativas. Recentemente, no artigo sobre Sistemas de Informações pessoais, eu dei o exemplo de como a edição on-line de um jornal local, aliado ao twitter da Polícia Rodoviária Federal do meu estado, me ajudam a planejar horários e roteiros de deslocamentos, pois ambos avisam a tempo sobre congestionamentos e problemas nas vias.

O bom é que aí dá pra ser mais produtivo em casa ou no escritório mesmo, ao invés de ficar procurando alternativas na rua ;-) Agradeço ao @micheljuca pela sugestão do tema deste artigo!

E você, tem dicas adicionais? Compartilhe conosco nos comentários!

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