Dando continuidade à nossa série de artigos sobre as ferramentas de produtividade pessoal preferidas dos leitores do Efetividade.net, inicia hoje nossa nova consulta, e a pergunta é simples:
Com que ferramentas você gerencia suas leituras pendentes?
Quem gosta de ler, ou tem uma rotina em que há espaço para a leitura (seja numa tela ou em papel) por interesse técnico, profissional, acadêmico ou de lazer, pode facilmente chegar à situação em que o mundo oferece bem mais opções de leitura do que se pode processar em um curto espaço de tempo, levando ao acúmulo e à necessidade de priorização e identificação do que falta ler, bem como as necessidades correlatas de registrar (e anotar, referenciando!) o que já foi lido.
Para mim isso existe como um problema bom: gosto muito de ler, e a existência de uma grande pilha de livros, periódicos e textos on-line aguardando a minha leitura é algo que me deixa feliz - mas já passei várias vezes pela situação de perder o controle das leituras pendentes on-line, e aí deixar de ler vários conteúdos que "deixei pra depois" mas me interessariam.
Hoje aprendi a me virar com as leituras on-line (deixo as pendências organizadas para leitura offline em um tablet, e aí aproveito os momentos sem conexão nem agendamentos para colocá-las em dia), e felizmente não preciso indexar leituras de periódicos e livros - mas há quem precise!
As soluções para isso podem ser ferramentas dedicadas, métodos pessoais, técnicas híbridas, ou mesmo disciplinas específicas tomadas da biblioteconomia, arquivologia e produtividade pessoal - e temos interesse em saber como cada um de vocês resolve esse problema!
Como melhor responder sobre suas ferramentas favoritas
Estamos tentando identificar as ferramentas preferidas de vocês para vários aspectos da produtividade pessoal (no caso dessa semana, especificamente o gerenciamento de leituras pendentes), e a ideia é ser inclusivo.
E ser inclusivo, neste contexto, significa que vale aplicativos para Linux, Mac, Windows, web, MSX, CP-500, smartphones diversos, truques mentais, ferramentas em papel, ferramentas de mesa, de parede, etc.
A participação de vocês deve ocorrer ao longo da próxima semana (até quarta-feira, 13 de outubro), nos comentários desta notícia, e não há formato definido, mas eu gostaria que, para que a participação fique mais completa, vocês fossem específicos sobre alguns aspectos essenciais, tais como:
o nome da ferramenta,
onde pode ser obtida,
a facilidade de ativação e uso,
as vantagens percebidas
se tem custos específicos,
os requisitos para seu uso (por exemplo, se é para Mac, ou para celulares Blackberry, ou exclusivo para quem tem agendas Filofax).
Dica de formatação: em uma rodada passada o leitor Roger comentou que estava difícil encontrar as informações na lista de comentários, porque eram muitos. Portanto, sugiro que vocês coloquem títulos em seus comentários, na primeira linha deles, e entre asteriscos - por exemplo: *Eu uso pastas plásticas*, ou *Sou feliz com o Organizer Plus*.
E não precisam exagerar na padronização: usem as informações que melhor se aplicarem. Mesmo se alguém já tiver mencionado a sua ferramenta preferida, você pode acrescentar algo de válido falando sobre o seu caso de uso específico.
Peço, entretanto, que não tornem amplas demais as suas respostas. Se a sua solução é complexa, tente manter o foco na ferramenta central dela, caso contrário fica difícil a posterior compilação das soluções preferidas!
Na semana posterior (ou seja, de 14 de outubro em diante) eu publicarei um artigo sintetizando as opções trazidas por vocês, acrescentando meus comentários e falando também sobre as ferramentas que eu uso, e também farei a chamada para as respostas sobre uma nova categoria de ferramentas de produtividade pessoal.
E para estimular a participação... brindes!
Imagino que vocês vão ter interesse em participar espontaneamente, mas para estimular ainda mais, vou colocar dois brindes condicionais:
O primeiro brinde vai ser sorteado na data da publicação do resultado, entre os participantes completos, mas apenas se o número de participações completas for igual ou superior a 40.
O segundo vai ser sorteado na data da publicação do resultado, entre os participantes completos, mas (para ter desafio) apenas se o número de participações completas for igual ou superior a 70.
Portanto, não esqueça de avisar aos amigos para que eles também participem, e assim aumente a chance de chegar a haver os sorteios (já que os brindes aqui do Efetividade costumam ser bem interessantes!)
Entenda-se por "participação completa" aquelas em que o autor do comentário tratar especificamente sobre as ferramentas que adota para gerenciamento de leituras pendentes, e der detalhamento suficiente sobre as ferramentas que usa (veja acima uma lista das principais características que você não deveria deixar de abordar, quando aplicáveis). Vou ser flexível na hora de avaliar, mas não a ponto de ser leniente com cópias ou participações apressadas demais ;-)
Os brindes serão definidos ao longo do prazo (conforme os requisitos forem sendo alcançados, se forem!) mas pretendo manter a linha adotada nas promoções recentes: gadgets para uso em produtividade pessoal, cadernos e blocos caprichados, e similares.
Importante: comentários participando do diálogo, complementando as particiações dos demais, fazendo perguntas, etc. são muito bem-vindos também, mas não participam do sorteio e nem da contagem. Cada pessoa só participará uma vez do sorteio, mesmo que mencione múltiplas ferramentas. Casos omissos serão decididos soberanamente pela administração do site. Os Termos de Uso do site serão aplicados normalmente aos comentários da promoção.
Agora é com vocês
Estou bem curioso para saber quais as ferramentas mais populares em papel, em PCs, na web e nos principais smartphones, e imagino que surgirão algumas bem criativas e inesperadas.
Comentem, detalhem, referenciem, pois agora o conteúdo virá de vocês! E lembrem-se: a pergunta é sobre as ferramentas que vocês realmente usam, e não as que vocês ouviram falar, ok?
Assim, como nas etapas passadas, a partir de segunda-feira eu vou me dedicar a:
tabular as respostas que já chegaram sobre a etapa corrente
compor e publicar um artigo falando das mais mencionadas ou mais interessantes
se possível, mandar algumas sugestões de aplicativos pro pessoal do Baixatudo, que está patrocinando aquele quadro de Downloads Efetivos ali na barra lateral, e vai gostar de saber das escolhas de um público tão seleto ;-)
O prazo que eu tenho pra isso tudo vai até quarta-feira, mas na terça já quero abrir nova questão para vocês irem respondendo enquanto eu processo a atual, por isso hoje pergunto (e conto com a resposta de vocês nos comentários) qual setor da produtividade pessoal eu devo abordar na consulta que começará na semana que vem.
Três temas já foram: gerenciamento de referências (em andamento), de finanças pessoais, e de pendências/tarefas. Várias outras etapas ainda virão, mas para esta próxima etapa ofereço 3 opções de temas:
Backups
Gerenciamento de agendamentos e compromissos
Gerenciamento de leituras pendentes (ferramentas on-line ou não que facilitem organizar e ler convenientemente livros, textos e as páginas web que vamos encontrando pelo caminho...)
As duas primeiras etapas tiveram mais de 80 respostas cada, e na terceira, com uma aplicação menos comum, quase chegamos às 50. Obrigado pela recepção calorosa, e continuem assim!
Eu optei, de propósito, por deixar as respostas em um formato livre, que dificulta bastante a tabulação automatizada e me dá bem mais trabalho para processar, compilar, ordenar e entender. Mas assim eu recebo bem mais detalhes, então o esforço acaba valendo a pena.
Portanto, vamos à questão de hoje: quero saber de vocês qual dos 3 temas enumerados acima vocês preferem que seja o próximo a ser tratado. Respondam nos comentários, e não se acanhem se quiserem fazer algum comentário adicional!
"Justificar o voto" é a expressão popular que designa o ato que oficialmente se chama justificativa eleitoral, e que na prática é a forma como os eleitores impossibilitados de votar por estarem ausentes da sua cidade comprovam a razão de sua ausência às urnas.
Embora chamado popularmente de "justificar o voto", o ato da justificativa eleitoral na realidade justifica sua ausência. Mas a expressão errônea é tão popular (e usada até mesmo em sites da Justiça Eleitoral) que acabou preservada no título deste post, na intenção de permitir que ele ajude até mesmo a quem estiver procurando da forma incorreta.
Justificativa eleitoral
O eleitor que estiver ausente da cidade em que vota ou impossibilitado de votar deve justificar, e a maneira mais simples de apresentar a justificativa para as Eleições 2010 (1o. e 2o. turnos) é a que ocorre nas mesmas datas e horários em que ocorre a eleição em si, separadamente para cada um dos turnos (ou para apenas um deles, se no outro você não se ausentar).
Este tipo de justificativa, nas Eleições 2010, pode ser feita em qualquer local de votação no Brasil (as urnas das embaixadas no exterior não as recebem) que não seja no município onde você fez sua inscrição eleitoral.
Em algumas cidades (usualmente as turísticas ou de maior porte) existem também postos especiais, chamados de mesas receptoras de justificativas, que funcionam exclusivamente para isso, durante todo o horário da eleição.
De modo geral, o site do TRE do estado em que você estiver deve ter a lista de todos os locais de votação, bem como de todas as mesas receptoras de justificativas, para que você possa escolher a mais conveniente.
Basta apresentar-se no local escolhido, no horário da votação, levando preenchido o formulário de Requerimento de Justificativa Eleitoral, juntamente com o seu título eleitoral (ou documento de identidade oficial com foto).
Não há limite legal para o número de vezes consecutivas em que se pode apresentar a justificativa, mas é necessário lembrar que cada turno corresponde a uma eleição, e ambos exigem justificativa em caso de ausência.
Se você não votar e não justificar no dia da eleição, poderá fazê-lo até 60 dias depois da data da eleição (cada turno é uma eleição), dirigindo-se ao cartório eleitoral mais próximo e apresentando um requerimento ao Juiz da Zona Eleitoral em que você estiver inscrito.
Este tipo de justificativa pode ocorrer mesmo que você não estivesse ausente do seu domicílio eleitoral na data da eleição.
Ao se dirigir ao cartório, leve consigo um documento de identidade com foto e a documentação que comprove a razão de sua ausência no dia da eleição: passagem, declaração de plantão de serviço, atestado médico, etc.
Caso você não possa se deslocar até um cartório eleitoral, a justificativa pode ser apresentada por qualquer pessoa que possua os documentos que comprovem a impossibilidade do comparecimento do eleitor.
Justificativa de eleitor no exterior
Se você for eleitor no Brasil e estiver viajando no exterior na data da eleição, também deverá justificar no cartório eleitoral, mas o prazo é diferente: 30 dias após seu retorno ao país.
Leve consigo um documento de identidade com foto e, se tiver, a documentação que comprove a viagem durante a eleição, bem como a data de retorno.
Comprovação de regularidade eleitoral é exigida para usufruir de uma série de serviços públicos, tais como:
tirar passaporte ou carteira de identidade
inscrever-se em concurso público ou tomar posse
renovar matrícula em universidade pública
receber vencimentos ou salário de emprego público
participar de concorrência pública
e vários outros
Se você não votar (em qualquer um dos turnos) ou não justificar, não poderá comprovar sua regularidade eleitoral, e ficará impossibilitado de realizar qualquer um dos atos acima, entre outros.
Além disso, se você não votar em três eleições consecutivas (repetindo: cada turno é uma eleição separada) e não justificar sua ausência, terá sua inscrição cancelada e, após seis anos, excluída do cadastro de eleitores.
Mas a regra não se aplica aos eleitores cujo voto seja facultativo (analfabetos, maiores de dezesseis e menores de dezoito anos, e maiores de setenta anos).
Home office é um conceito de atividade profissional desempenhada fora do ambiente tradicional de uma empresa. É bem mais do que o espaço destinado a um escritório em casa: na minha própria experiência pessoal, home office é desenvolver uma atividade profissional no escritório que preparei em minha própria casa, autonomamente.
Um exemplo de home office
Mas este modelo que adoto desde 2005 não é o único. Existem vários outros modelos de atividade em home office, inclusive o de teletrabalho (em que o profissional trabalha em seu próprio escritório, mas preserva o vínculo profissional com uma empresa), e até o de coworking, em que várias pessoas compartilham os mesmos recursos e ambiente de trabalho (que não necessariamente é a casa de uma delas), embora cada uma delas esteja desenvolvendo suas próprias atividades independentes.
Existem até mesmo os home offices montados para tarefas que escapam às definições usuais de atividade profissional, como estudar para concursos públicos ou desempenhar as demandas de um curso de doutorado.
Quais os custos iniciais para montar um home office?
Como em qualquer atividade profissional, é essencial saber dosar os investimentos, para garantir que a iniciativa seja sustentável. O desembolso total varia bastante, mas o que precisa ser feito é um bom orçamento inicial e um plano de evolução, com a cautela de pensar grande mas saber começar pequeno.
Alcançar um nível mínimo de conforto precisa ser uma meta, e por isso é importante reservar parte dos rendimentos da sua atividade para reinvestir no escritório doméstico.
No meu caso, eu iniciei com o mínimo: um cantinho da sala de casa, mesa, cadeira, um arquivo, computador e conectividade. Com o passar dos meses e anos fui adquirindo - com parte do retorno gerado pela atividade do home office - o que mais eu precisava para ser produtivo e trabalhar com conforto: melhor iluminação, mobília ergonômica, armário e estante, secretária eletrônica, multifuncional, um cômodo exclusivo, etc.
Todo mundo pode trabalhar em home office?
Não, e é importante fazer uma boa análise situacional e de perfil antes de pensar em montar um. Nem toda atividade profissional pode ser desempenhada longe da equipe ou das instalações da empresa, e nem toda cultura organizacional está pronta para soltar as amarras da gestão presencial de seus profissionais.
Um espaço de coworking - compartilhando o ambiente para atividade individual
Mesmo nos casos em que a empresa (quando é o caso) e a atividade são compatíveis com o trabalho realizado em um home office, resta a questão do perfil - cada pessoa precisa avaliar se ela conseguirá se manter disciplinada e motivada trabalhando sem equipe, sem um chefe presente para direcionar, precisando se expor diretamente aos riscos da atividade e sem toda a estrutura de apoio da empresa - do cafezinho ao controle financeiro.
Para mim e para tantos outros profissionais funciona muito bem, mas pode não ser o seu caso, e só você poderá avaliar.
Os horários são mais flexíveis? Quem trabalha em casa corre o risco de ficar mais preso ao trabalho por poder responder a qualquer hora do dia?
Os horários são tão flexíveis quanto o profissional desejar ou puder sustentar, e há risco nas duas extremidades: trabalhar pouco ou trabalhar demais.
Eu prefiro ter um horário definido sem rigor, mas não tenho dificuldade em me manter motivado, e às vezes acabo extrapolando e fazendo "hora extra" - quando percebo, interrompo e deixo o restante para o dia seguinte.
O isolamento pode ser um obstáculo maior
Outras pessoas encontram o problema oposto, pois a ausência de controle externo acaba levando à procrastinação, tudo fica para a última hora, prazos são perdidos e a qualidade cai.
Se a atividade envolve o contato freqüente com clientes ou parceiros, acredito que o ideal é definir um horário de atendimento, e uma forma de contato diferenciada - como um telefone que possa ser colocado na secretária eletrônica quando "acaba o expediente" - caso contrário o risco de ser considerado (ou se considerar) como estando 24h à disposição é grande.
Quais os aspectos positivos de trabalhar em casa?
Para mim, as maiores vantagens são ter mais controle sobre o fluxo e as fontes de interrupções no trabalho, e a possibilidade de dispor o espaço de trabalho da forma como melhor se adaptar à minha produtividade pessoal, sem as restrições que ocorrem no ambiente corporativo.
Também incluo na lista a independência de horários, a economia de tempo e custo de transporte, a redução do investimento necessário na montagem do seu ambiente de trabalho, e todas as vantagens relacionadas à qualidade de vida.
E os negativos?
Quando se trata de teletrabalho - ou seja, um funcionário cujo local de trabalho não é o escritório da empresa - um estudo recente publicado pela Network World mostra que hoje pode haver impacto no avanço da carreira, pois as melhores vagas tendem a ser dadas às pessoas que atuam presencialmente.
No caso dos profissionais liberais, independentes ou autônomos, isto pode não ser um problema, mas mesmo eles precisam lidar com as situações práticas, de separar o que é ambiente (e horário) de trabalho e o que é de convívio familiar, manter-se motivado para trabalhar mesmo sem o acompanhamento próximo de um chefe e colegas, e também o outro lado da moeda, que é saber a hora de parar e "encerrar o expediente".
Para completar, há o desafio de ser percebido como um profissional produtivo, sem o preconceito que pode ser despertado por uma pessoa que, essencialmente, fica o dia inteiro em casa.
O número de pessoas com quem se convive deve influir. Quantas pessoas moram com você? É possível um home office com mulher, filhos, gatos, etc? Como administrar?
Sim, claro que é possível - é até bem comum!
Acompanho vários casos de profissionais que trabalham na mesma casa em que convivem com suas famílias, sem maiores problemas. O desafio é saber separar os ambientes e os horários, e o ideal é ter isso bem definido, de forma a facilitar a percepção dos limites. Sou casado, e felizmente no meu caso a compreensão é grande, e as atividades do home office ocorrem em harmonia com a rotina da casa.
Mas há um detalhe importante: se várias pessoas convivem na casa o dia inteiro e os ambientes se misturam, o impacto sobre a produtividade é inevitável. Mesmo quando eu morava sozinho, eu já mantinha um espaço dedicado e separado para o escritório doméstico, o que ajuda até mesmo a separar a atitude mental de estar ou não em atividade - quando estou no escritório, estou trabalhando.
Há preconceito por trabalhar em casa, quando é necessário fazer uma reunião, por exemplo?
Sem dúvida! Trabalho em casa é visto como improviso ou ausência de profissionalismo, e o efeito piora quando o profissional atua como pessoa física, e não jurídica - até mesmo a situação formal, jurídica e fiscal pode ser afetada.
E a visão distorcida não vem apenas dos parceiros de negócios, mas também das pessoas com quem se convive. É um problema comum, para o qual há várias soluções, especialmente depois que o profissional já tem um histórico ou um portfólio de casos de sucesso que ajudem a convencer novos clientes, e até mesmo novos fornecedores.
Um home office com espaço para reuniões
Mas, pessoalmente, eu não marcaria uma reunião de negócios em casa, mesmo que tivesse a estrutura - há muitos locais em que se pode tratar com clientes e parceiros sem ter de passar por esta mistura de dois mundos que na cabeça de todos são tão distintos: a casa e o escritório.
A realidade de cada lugar é diferente, mas em cidades médias e grandes é fácil (e relativamente barato) reservar um espaço para reuniões em um hotel. Quando o custo não se justificar, aí a alternativa mais simples de todas (e que geralmente é vista como cortesia) é se oferecer para realizar a reunião no ambiente do cliente ou parceiro. Se for menos formal, aí tem toda uma gama de alternativas, como aproveitar para fazer um almoço de negócios. Mas se a necessidade de receber clientes for constante, aí não dá de escapar: será necessário contar com o espaço para recepção e reuniões permanentemente à disposição, e os 2 mundos - pessoal e profissional - irão fatalmente colidir.
O blog Efetividade e o site BR-Linux são as suas principais fontes de renda?
Eu tenho um emprego da forma tradicional, na área de Planejamento Estratégico, e é esta a minha principal atividade, desempenhada no horário de expediente usual.
Minha mesa de trabalho em setembro de 2010
Mas os 2 blogs e outras atividades de criação de conteúdo textual, desempenhadas no meu home office em outros horários, geram rendimento considerável e crescente, e em meses recentes vêm superando o contracheque do emprego tradicional.
Eu gosto muito da atividade que desempenho como Administrador, então não penso em largar o emprego tradicional e ficar apenas com o escritório doméstico: eles se complementam muito bem, e a flexibilidade da atividade on-line me permite manter a qualidade de vida.
O home office será a saída em locais como São Paulo? Ou o brasileiro ainda vai demorar a adotar o trabalho em casa?
O teletrabalho, mais do que o home office em si, é uma das saídas que a Nova Economia encontra para os problemas das metrópoles.
Mas ele não se aplica a todos os casos, e nem funciona bem em todas as situações. Ele é uma saída eficiente e flexível, ao alcance de profissionais com espírito empreendedor. Mas não acredito que vá alcançar uma grande fatia dos profissionais tão cedo, e é bom que seja assim: o modo de trabalho presencial é necessário para muitas atividades, e nem sempre pode ser simplesmente substituído.
Só que nos casos em que o escritório doméstico funciona, ele funciona muito bem.
Esta série de perguntas e respostas nasceu originalmente de uma entrevista sobre o tema, concedida por Augusto Campos ao site Baguete. A entrevista original já não está mais no ar por lá, e boa parte das respostas foi reformulada e complementada para esta republicação no Efetividade.net em forma de remix. Veja mais artigos sobre o tema na tag "Home Office do Efetividade.net.
A independência de trabalhar em home office traz consigo vários desafios, inclusive ser o principal responsável pela manutenção dos seus meios de produção, inclusive o mais essencial deles: a sua própria saúde e capacidade de produzir.
Já abordei as consequências deste fato diversas vezes, estimulando a criação de um fundo de reserva pessoal e alertando para a necessidade de dar atenção ao fluxo de caixa para não ser surpreendido pelas próprias finanças - futuramente quero dedicar também um artigo a elementos da contabilidade de custos, para abordar o curioso (e comum) risco de uma iniciativa empreendedora ser vítima de seu próprio sucesso devido a questões de custeio mal equacionadas, que não são percebidas antes de o volume de atividade crescer.
Você gostaria de uma série de artigos sobre este assunto?
Parece bem concreta a possibilidade de acertarmos com o Prof. Reinaldo uma série de artigos sobre gerenciamento de finanças pessoais aqui para o Efetividade, mais ou menos nos moldes do que estamos fazendo com a Patrícia Wolff na série de artigos sobre Competências.
O que vocês acham? E que sub-temas ou focos do gerenciamento financeiro pessoal prefeririam que abordássemos primeiro, se a parceria for confirmada?
Já adianto que tenho em mãos 2 livros do Prof. Reinaldo para resenhar, e devo publicar um post sobre algum deles em breve.
Por enquanto, segue o artigo de hoje:
Profissionais autônomos devem ter cuidado especial com as finanças
por Reinaldo Domingos*
No Brasil são milhões de profissionais autônomos, atuando nas mais variadas áreas, os exemplos mais lembrados são advogados, médicos, contadores, representantes comerciais, vendedores de tecidos, dentre outros. O fato de trabalhar nesse regime tem diversas vantagens, entretanto, também possui riscos, dentre os quais destaco a falta de controle financeiro e o risco de não saber distinguir e controlar o dinheiro que pertence às atividades pessoais, do dinheiro que pertence a atividade profissional.
Isso porque, diferente dos profissionais registrados, conhecidos como CLT, esse profissional é o que presta serviços habitualmente por conta própria a uma ou a mais de uma pessoa, assumindo os riscos da sua atividade; não é subordinado, não tem patrão, não tem horário de trabalho fixo, e, portanto, não tem direito a verbas trabalhistas (décimo terceiro, férias, seguro desemprego, uma folga paga por semana etc.), e ainda deve depositar os valores para sua previdência pública.
Mas como fazer com que esse profissional coloque a vida financeira em ordem? Para facilitar o entendimento, a seguir citerei os principais pontos a serem levados em contas por esses profissionais.
Garanta o futuro já
Se você ficar sem clientes por um longo período você conseguirá sobreviver por muito tempo?
Se sim, maravilha, mas a maioria dos autônomos conseguem se manter por no máximo três meses. Como não possui seguro desemprego, é fundamental que esse profissional tenha uma reserva para caso de emergência. Todo mês deve ser aplicado um pouco mais, logo você verá que essa medida de segurança se tornará a garantia de uma aposentadoria mais segura.
13º para quê?
O brasileiro dá uma importância muito grande para o décimo terceiro salário, sendo considerado uma ‘bóia salva-vida’ da saúde financeira, é comum que as pessoas falem que tudo melhor com o 13º, esse é um grande erro e que permite um acumulo de problemas sem tratamento.
No caso do autônomo esse dinheiro extra não existe assim todos os gastos devem ser realizados consciente, e criando uma reserva para festas de fim de ano, IPVA, IPTU, matrículas, festas de aniversário, dentre outras.
Saúde é prioridade
O autônomo tem que pensar no seu plano de saúde, mas se por um lado isso pode parecer um mal negócio, eu vejo de outra forma, pois, na maioria dos casos os planos de saúde das empresas não atendem a todas as necessidades do colaborado, assim, você escolher seu plano permite que esse seja adequado as necessidades, além de haver a possibilidade de negociação.
País dos tributos
O Brasil é o país dos tributos, assim, parte do que um autônomo recebe será direcionado a pagar impostos como INSS e ISS.
Assim, é importante ter em mente que no valor de todos os serviços deverão estar inclusos esses valores, e que esse deverá ser separado para essa finalidade tão logo receba pelos serviços. É fundamental estar em dia com a Receita Federal, os riscos são muito altos.
Valorizar o trabalho
O fato de não ter patrão faz com que o autônomo seja esse, assim, os valores a serem recebido é uma decisão dele. Sabendo dos custos extras que terá por não ser CLT, é importante cobrar valores justos pelos seus serviços, aprendendo a negociar e a defender seus interesses. Ninguém fará isso pelas outras pessoas gratuitamente.
Assim é importante argumentar sobre a economia que o contratante tem pela terceirização dos serviços. Se o autônomo receber pouco, não conseguirá arcar com os valores mensais acima citados.
Relacionamento
O profissional autônomo tem como primordial o bom relacionamento com seus clientes e também todo meio que vive, acredite muitas vezes mais vale bons contatos do que dinheiro no bolso. O que o autônomo tem de mais importante é sua imagem.
Assim, por meio da educação, presteza, simpatia, carisma, você estará investindo. Toda atenção é necessária, como vestir-se apropriadamente, respeitar a atividade de cada um, entre outras. Essa é uma das chaves do sucesso deste profissional. Investir também em sua profissão é pré-requisito para ser respeitado.
Visão do crescer
Existem vários casos de profissionais que se acomodam, mas, isso não pode acontecer para os profissionais autônomos. É necessário objetivos, pensar sempre em crescer, aumentar sua carteira de clientes, não ficar dependente de um único cliente, é muito comum ver profissionais trabalhando somente para aquele cliente e quando acontece rompimento contratual a crise se instaura. Nunca concentre, procure sempre alternativas.
Contudo, cuidado, o crescimento sempre deverá ser sustentado. Isto quer dizer, dar o passo de acordo com que as pernas podem alcançar.
* Reinaldo Domingos – Educador e Orientador Financeiro. Também é autor do livro “Terapia Financeira” – (Editora Gente), e criador da Metodologia DSOP – Educação Financeira – Presidente do DSOP Instituto de Educação Financeira – (www.dsop.com.br). Twitter:@reinaldodisop
Home office vale a pena - posso testemunhar, pois adotei este tipo de organização do trabalho desde 2005 e cada vez me surpreendo mais com as novas possibilidades que vão surgindo de ter produtividade a sério trabalhando a partir de casa.
Não costumo falar extensivamente por aqui sobre minhas próprias experiências pessoais, afinal o Efetividade não é um blog naquele estilo "querido diário, hoje almocei frango com salada" - pelo contrário, aqui normalmente as minhas experiências pessoais ficam apenas como pano de fundo para as técnicas e situações que desejo abordar.
Mas a Camila Borges, aluna de Administração da Universidade Federal aqui de Florianópolis, exercitou seu networking para chegar a mim e, na minha impossibilidade de ir à faculdade dela na data em que haverá a aula sobre isso, me pediu que gravasse um depoimento em vídeo sobre minha experiência em home office, para apresentação em aula sobre o tema.
Como graduado em Administração, claro que simpatizei com o interesse dela em trazer para a sala de aula do curso uma experiência prática sobre a matéria que está em estudo, e que muito me interessa.
Mas não deu de gravar o vídeo, então resolvi preparar a apresentação acima (também disponível em slides e PDF) para ela levar para a aula, e escrever este artigo-testemunho que ela também poderá levar à faculdade, e que poderá eventualmente ter informações interessantes para os demais leitores. E como a aula será no dia 27, estou adiantando a publicação do post, para que não perca o objeto!
Vantagens e desvantagens
Na minha experiência pessoal, as maiores vantagens de trabalhar em home office são ter mais controle sobre o fluxo e as fontes de interrupções no trabalho, e a possibilidade de dispor o espaço de trabalho da forma como melhor se adaptar à minha produtividade pessoal, sem as restrições que ocorrem no ambiente corporativo.
Mas também incluo na minha lista pessoal:
a independência de horários,
a economia de tempo e custo de transporte,
a redução do investimento necessário na montagem do seu ambiente de trabalho, e
uma série de vantagens relacionadas à qualidade de vida.
Mas também pode haver obstáculos e desvantagens. Por exemplo (e felizmente não é meu caso), quando se trata de teletrabalho - ou seja, um funcionário cujo local de trabalho não é o escritório da empresa - um estudo recente publicado pela Network World mostra que hoje pode haver impacto no avanço da carreira, pois as melhores vagas tendem a ser dadas às pessoas que atuam presencialmente.
No caso dos profissionais liberais, independentes ou autônomos, isto pode não ser um problema, mas mesmo eles precisam lidar com as situações práticas, de separar o que é ambiente (e horário) de trabalho e o que é de convívio familiar, manter-se motivado para trabalhar mesmo sem o acompanhamento próximo de um chefe e colegas, e também o outro lado da moeda, que é saber a hora de parar e "encerrar o expediente".
Para completar, há o desafio de ser percebido como um profissional produtivo, sem o preconceito que pode ser despertado por uma pessoa que, essencialmente, fica o dia inteiro em casa.
O que eu faço no meu home office
No meu caso pessoal, a ideia de montar um escritório em casa surgiu da constatação de que eu já estava trabalhando em casa há um bom tempo, mas não havia me dado conta de que poderia ser bem mais eficiente se me organizasse para isso.
Não dá para contar isso sem um histórico, portanto explico: embora eu tenha e mantenha uma carreira no estilo "tradicional", com expediente diário e vínculo empregatício sólido (atuo como Administrador, na área de Planejamento Estratégico), desde 1996 tenho como atividade paralela a criação de conteúdo para a web - nesse ano criei e desde então mantenho o site BR-Linux, que os entusiastas de código aberto entre vocês provavelmente já visitaram.
Embora sempre tenha sido uma atividade que exerço por prazer, na virada do século este hobby acabou se tornando lucrativo, graças às receitas de publicidade e ao interesse de várias empresas de anunciar em veículos que se dirigissem ao público "tech" - incluindo meu blog ;-)
Claro que com isso a carga de trabalho aumentou, não apenas pelo interesse de escrever conteúdo em maior volume, mas também porque gerenciar uma atividade lucrativa dá trabalho: é preciso haver cadastro de clientes, contato com parceiros, controle de fluxo de caixa, os diversos documentos fiscais, etc.
Quando eu percebi, estava cada vez mais "atolado" nas minhas atividades relacionadas ao blog e, o que é pior, gastava bem mais tempo nas atividades de suporte do que nas operacionais - ou seja: o tempo que gastava procurando onde estava o telefone daquele cliente de publicidade que sumiu era um tempo que eu não podia dedicar ao meu "negócio", que era escrever e interagir com os leitores.
Minha mesa de trabalho em setembro de 2010
Eis que surgiu na minha vida o home office (e o interesse em produtividade pessoal) como solução, e em 2005 isso acabou virando o tema de mais um blog - o Efetividade, no qual falo justamente sobre os aspectos que me permitiram essa virada - e cuja aplicação me permitiu fazer com que sobre tempo, ao invés de faltar ;-)
E esse tempo de sobra, além de ser bem empregado na minha própria qualidade de vida, me permitiu um grande ganho de produtividade em relação à situação anterior, pois agora, além de manter minha atividade profissional anterior, de manter os 2 blogs já mencionados, e de continuar a realizar as atividades de apoio administrativo a tudo isso, eu ainda escrevo para uma revista impressa e 2 outros sites - nada mal para quem não conseguia tempo para manter um blog, hein?
E o mais interessante: desde 2008, comparando mês a mês os rendimentos líquidos, a minha atividade no home office frequentemente se equipara, ou mesmo supera, os proventos recebidos do meu emprego formal. Mas eu gosto de ambas as atividades, então não penso em largar uma para me dedicar exclusivamente à outra (inclusive porque elas se complementam positivamente, e não encontro dificuldade em separá-las).
Por que optei por um home office
Existem muitas razões possíveis para essa escolha, desde escapar do tempo perdido nos deslocamentos diários entre casa e escritório, até a impossibilidade de arcar imediatamente com o investimento para abrir um escritório fora de casa, passando por uma série de outras situações já suficientemente apresentadas e discutidas: fugir do patrão, passar mais tempo próximo à família, e tantas outras.
Meu home office em setembro de 2010
O meu caso não é típico: montei meu home office para desenvolver uma atividade extra, em paralelo (sem concorrência, claro) ao meu emprego formal. O ganho desejado, quando iniciei, estava entre o conceito da produtividade e o da eficiência, com várias pitadas de O&M: eu queria ter uma estrutura para reduzir o esforço das atividades produtivas e especialmente das atividades de apoio.
Para mim isso se traduziu, em 2005, em um cantinho da sala do apartamento convertido em escritório, com uma escrivaninha ampla, gaveteiro e um armário simples. Neles instalei o que até hoje se constitui no "quadrado mágico" dos meus escritórios subsequentes:
meios de produção: basicamente o computador e seus acessórios
comunicações: telefone com secretária eletrônica, exclusivo para as atividades profissionais
registros: um arquivo de pastas suspensas que equivale ao meu departamento de pessoal, contabilidade, financeiro e jurídico - só falta ele aprender a fazer análises e me dar as respostas prontas, porque as informações já estão todas lá ;-)
referências e material de apoio: minha atividade é escrever sobre assuntos tecnológicos, então tenho grande quantidade de livros, periódicos, equipamentos e outros recursos que me permitem o essencial: ter assuntos e transformá-los em material inédito e de qualidade.
Desde então muita coisa mudou, inclusive meu endereço - fiz 2 mudanças desde o primeiro home office que montei, e em cada uma delas aproveitei para melhorá-lo. Em 2007 ele ganhou um cômodo só para ele, e em 2009 foi remodelado para deixar os materiais de referência mais à mão.
A partir de 2009 também passei a morar longe do centro de Florianópolis, e aí as atividades no home office também passaram a significar grande economia de deslocamentos, e anseio pelo dia em que meu emprego formal também possa aderir aos benefícios do trabalho a partir de casa!
As armadilhas do home office
Quem trabalha na rotina usual dos deslocamentos diários e convivência difícil com equipe e chefia tende a imaginar que a rotina em home office é a solução completa que resolve todos estes problemas sem criar outros, mas não é verdade: trabalhar em home office (especialmente se esta for a sua única atividade profissional) também tem suas dificuldades, incluindo as que destaco:
Separar trabalho e vida pessoal: quando há motivação, quem trabalha em home office pode sofrer muito mais com a síndrome do trabalho excessivo, com horas extras absurdas, abrindo mão do convívio familiar, do lazer, trabalhando nos finais de semana e entrando pela noite todos os dias. É necessário se policiar para não ser um chefe tirano de si mesmo. O ideal é ter um horário definido (com flexibilidade) para a atividade profissional, procurar respeitá-lo, e comunicá-lo tanto aos parceiros de negócios quanto aos familiares.
Fazer com que os outros separem seu trabalho e sua vida pessoal: familiares e pessoas próximas podem ter dificuldade em entender que, embora você esteja em casa, você está trabalhando. Por mais que a presença deles seja bem-vinda, pode haver o momento em que ela se converte em um obstáculo ao seu foco - o desafio se renova sempre que o profissional do home office ouve dizer "ah, ele nem trabalha, só fica em casa o dia inteiro" ;-) Aqui em casa há bastante compreensão quanto a isso, mas nem todo mundo encontra as mesmas condições favoráveis.
Receber parceiros e clientes: fazer uma reunião com fornecedores ou clientes acaba se tornando uma prova de fogo - por mais profissional que você seja, nem todos os lares estão aptos a receber uma reunião de trabalho sem dar a impressão oposta. A solução padrão é realizar as reuniões e contatos fora do home office. No meu caso a maioria dos clientes e parceiros estão bem distantes geograficamente, então a solução acaba sendo o contato virtual, e funciona bem - mas é necessário ter os clientes certos para isso acontecer ;-)
Crianças: não é meu caso, mas a literatura está repleta de relatos sobre como é complicado trabalhar em home office quando há crianças na casa, pois naturalmente Elas querem estar presentes, querem contato e merecem nossa atenção – precisam ser levadas em conta, portanto – não só quanto ao impacto da sua presença sobre a produtividade, mas também quanto aos horários (da escola e demais atividades) e ao cuidado e atenção que elas precisam ter. convivência da família com o home office costuma ser um grande desafio.
Iscas: é difícil manter a produtividade quando estamos cercados de iscas que atraem outras pessoas da casa para o ambiente do home office. Se a melhor TV da casa, um sofá confortável, um videogame, o computador que funciona melhor, a impressora na qual não falta tinta, e o melhor suprimento de material de escritório da casa estiverem reunidos no home office, é natural que este ambiente seja visto pelos demais como uma central de entretimento misturada com um almoxarifado gratuito, lan house 24h e bureau de impressão - em outras palavras, vale a pena procurar quais são as iscas que atraem outras pessoas ao seu ambiente no horário de trabalho, e colocá-las em outros locais da casa! Afinal, Home office não é home entertainment center...
A configuração básica
Um princípio básico do projeto de ambientes funcionais é que a forma deve seguir a função. No caso dos ambientes de escritório (incluindo home offices), uma boa regra básica para procurar seguir é organizar como uma cabine de avião, com os itens mais usados e mais importantes sempre próximos ao seu campo de visão, espalhando os demais radialmente, de forma a estarem sempre ao seu alcance sem precisar de maiores deslocamentos.
No meu caso, os itens essenciais de configuração são:
Escrivaninha em L - permite ter um lado dedicado ao computador, e mais um tampo confortavelmente disponível para material de apoio, leitura ou mesmo escrita. E a minha é auto-organizante ;-)
Gavetas para materiais de apoio - cabos, baterias, folhas em branco, canetas, CDs, periféricos diversos - se tudo o que eu uso no meu dia-a-dia ficar exposto ou não tiver um lugar certo, se transformará em fonte de distração, e também de perda de tempo quando for preciso procurar.
Multifuncional - o fax já saiu de circulação, mas o scanner, impressora e copiadora da minha multifuncional continuam em uso diário, e resolvem boa parte das minhas necessidades de comunicação que não podem ser completadas on-line.
Computador com mais de um monitor - para mim trabalhar com múltiplos monitores dá muito certo, mas para você pode ser desnecessário. Eu ganho muita produtividade podendo deixar 2 documentos maximizados simultaneamente - em um monitor, fica o que estou trabalhando, e no outro ficam os que estiverem sendo usados como referência. Recentemente agreguei um terceiro, de 7 polegadas, que permite deixar o comunicador instantâneo (quando ativado, claro) sempre visível, sem precisar alternar com o documento de trabalho, o que só faz sentido para quem usa este recurso como ferramenta de trabalho, claro. No meu caso, sempre que possível substituo telefonemas de trabalho por IMs.
Telefone exclusivo, com secretária eletrônica e viva-voz - a realidade de um home office é que você terá que atender ligações enquanto olha para a tela do computador, e aí podem faltar mãos - a não ser que você use um headset ou o viva-voz, que é a minha alternativa preferida. A secretária eletrônica, com uma mensagem informando claramente seu horário de atendimento e facilitando a gravação de recados, é a solução para as suas ausências e para ajudar a separar a vida profissional da vida pessoal - quando acaba seu expediente, ela continua a atender e pegar recados, e a linha exclusiva permite que isso não se misture com as comunicações da família.
Fone de ouvido com redução de ruídos externos - Assim não é necessário fazer ginásticas de concentração enquanto a diarista passa aspirador ou o vizinho pratica violino.
Estante com materiais de referência - Periódicos, dicionários, livros técnicos, pastas diversas, etc. - ou estão à mão, ou você não os usará sempre que precisar deles, e vai acabar sem saber se o certo é escrever ascensão ou ascenção ;-)
Será que vai dar certo para você?
Espero que sim! Home office é racional, eficiente e até ecológico. Imagine quantos recursos são literalmente queimados todos os dias enquanto trabalhadores cujas atividades poderiam ser desempenhadas remotamente se deslocam para seus escritórios? E quanto eles poderiam produzir a mais se usassem a seu favor esse tempo e os recursos associados?
No meu caso o salto foi mais simples do que a maioria: não precisei deixar a minha atividade externa para adotar o home office, e acumulei os 2 (e continuo me deslocando todos os dias, portanto - mas tento ser produtivo no trânsito, no limite do possível). Mas o ganho de produtividade foi muito grande, e mais do que compensou o investimento, desde o primeiro ano.
E a palavra investimento vem a calhar no contexto: se o seu home office for para realizar uma atividade profissional, é preciso planejá-lo de acordo - afinal, o retorno que ele vai gerar precisa ser superior ao que você vai gastar (em dinheiro, esforço e desgaste) com ele.
Nada de se contentar com um cantinho! É importante pensar grande na hora de planejar o home office, mas pode ser necessário começar pequeno - mesmo que seja no cantinho. Não necessariamente você vai iniciar com a área, a mobília, iluminação, ergonomia, conforto, organização e comunicações que seriam desejáveis. Mas conforme o home office for dando o retorno desejado, reinvista nele uma parte do lucro, até ter as condições de trabalho planejadas.
Portanto, depois das primeiras semanas saboreando o fim dos deslocamentos constantes, da ditadura dos trajes de trabalho e a enorme flexibilidade de horário, vai acabar caindo a ficha de que trabalho é trabalho, e o conforto de fazê-lo a partir de casa é contrabalançado por uma série de novos desafios.
Eu venho vencendo esses desafios há alguns anos, e assim posso testemunhar que é possível. Quando você conseguir, não esqueça de reinvestir parte dos ganhos em melhores condições de trabalho, mas também em qualidade de vida, afinal não vivemos para ser eficientes - a ideia é ser mais eficiente para viver melhor!