Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Participe da enquete das Competências e concorra a uma calculadora HP e um livro do Peter Senge

De hoje até terça-feira você pode participar da enquete anunciada no artigo O papel das Competências em seu crescimento profissional, que inaugurou a nossa nova série sobre Competências, da autora convidada Patrícia Wolff.

O procedimento é simples: cada um de vocês pode marcar 4 entre as ~40 competências pré-selecionadas pela Patrícia no formulário abaixo, e informar (caso queira participar do sorteio) o seu nome, e-mail e cidade (e não se preocupe: seus e-mails não serão usados para nenhuma outra finalidade).

À meia-noite de terça (9 de fevereiro), pelo horário de Brasília, acaba o prazo para participar, e começa a apuração das 10 competências mais votadas, cujo resultado vai ser anunciado num artigo da série, até o dia 15 de fevereiro.

HP Quick Calc

Como de hábito, haverá também uma apuração paralela, na forma de um sorteio também divulgado (mas por mim) até o dia 15, que vai selecionar 2 participantes residentes no Brasil - um deles ganhará um exemplar de A Quinta Disciplina do Peter Senge ("Senge mostra o conceito de "organização que aprende" - na qual as pessoas são o principal meio de alavancagem nos processos de mudança>"), e o outro ganhará uma charmosa como a da foto acima, para ajudar a compor seu home office ;-)

Sem mais delongas, vamos portanto ao formulário da enquete! Preencha tudo e depois pressione uma vez o botão Submit, ao final. [nota: o prazo para participação encerrou em 9/2 e o formulário está, desde então, desativado]

O papel das Competências em seu crescimento profissional

por Patricia Wolff

Já ouvi de diversos executivos a seguinte afirmação: Faltam pessoas competentes no mercado de trabalho. Afirmação no mínimo estranha, afinal a oferta de candidatos está cada dia maior. Mas a grande queixa é: Não encontro o profissional adequado para minha vaga !

Isso acontece pois falta algo importantíssimo em alguns candidatos que é atitude, que significa garra para fazer as coisas acontecerem, comprometimento com as metas e a vontade de enfrentar os obstáculos/desafios que surgirem.

Hoje em dia o assunto competências está cada vez mais em pauta pois as empresas vivem de resultados e quem traz estes resultados são as pessoas que nela trabalham, aliás as pessoas competentes que são aquelas que “entregam” o resultado esperado para empresa.

Para entregar um resultado, o que é esperado de mim ? É esperado que você agrupe os três ingredientes que compõe a competência, apelidado por muitos de CHA: conhecimento, habilidade e atitude. Portanto não adianta ter apenas um ou dois, os três precisam aparecer juntos para considerarmos a pessoa competente.

Conhecimento é o saber, o que aprendemos na escola, no trabalho, na vida.
Habilidade é o querer fazer aquilo que eu conheço
Atitude é o querer fazer aquilo que eu sei

E como funciona na prática? Vou dar um exemplo que vai agradar algumas pessoas e outras nem tanto que é o Rogério Ceni. Não basta que ele saiba como evitar que a bola entre no gol (conhecimento), ou como se faz um bom lançamento (habilidade), mas ele precisa ter atitude, isto é, a vontade, a garra de fazer tudo aquilo que aprendeu até então para que seu time vença a partida (atitude/resultado)! Ele, por exemplo, mesmo após o término dos treinos colocava a barreira fixa e ficava cobrando faltas. Isso é ter atitude!

Resumindo:

Existem dois tipos básicos de competências: competências técnicas e competências comportamentais. Didaticamente podemos separar o CHA, em CH para as competências técnicas e o A para as competências comportamentais.

Competências técnicas são aquelas que o profissional adquire através da educação formal, treinamentos ou experiência profissional, como por exemplo: formação superior, especialização, cursos profissionais, etc.

Competências comportamentais são aquelas que possibilitam chegar ao resultado desejado. Podem ser inerentes às características pessoais ou podem ser obtidas ou aprimoradas através do convívio social ou capacitação. Elas são transmitidas pelo exemplo e dependem muito mais da postura e atitudes das pessoas. Exemplos: iniciativa, comprometimento, trabalho em equipe, liderança, etc.

Hoje temos pesquisas, como o trabalho de Mcall e Lombardo do Center for Creative Leadership, que nos mostram os principais fatores que prejudicam a carreira. São eles:

Principais fatores que prejudicam a carreira

  • Problemas de relacionamento.
  • Dificuldades para selecionar e construir equipes.
  • Dificuldades em fazer a transição de uma função técnica para uma função de liderança.
  • Dificuldade em ter foco.
  • Percepção muito estreita de sua função.
  • Problemas com mudanças e adaptações.

    Fica claro então que após a conquista das habilidades técnicas é fundamental o desenvolvimento das competências comportamentais.

    Você já pensou em quais são as competências que podem contribuir mais para alavancar a sua carreira? Reflita alguns momentos sobre isso. Será que é ter mais iniciativa, melhorar a comunicação ou fazer melhor o marketing pessoal ?

    Pesquisa: quais as 10 competências que merecerão artigos específicos em nossa série?

    Para ajudá-lo estamos propondo uma pesquisa no Efetividade.net, que vai ao ar nesta sexta-feira para saber quais as 10 competências mais importantes para o seu desenvolvimento. As mais votadas terão um artigo exclusivo com explicação sobre cada uma, exemplos e dicas de como desenvolvê-las.

    Para participar basta você acessar o Efetividade.net na sexta-feira (ou durante o final de semana) e escolher, a partir da lista de ~40 competências do formulário, as 10 mais importantes para você - e aguardar o resultado que será divulgado no próximo post.

    Participe, concorra aos brindes que serão anunciados, e prepare-se para potencializar seu desenvolvimento!

    A autora convidada da série de artigos sobre Competências, Patrícia Wolff, atua como coach executivo e de equipe, conferencista em Desenvolvimento Humano e é diretora da Quantas Consulting.
     
  • Home office: 10 dicas para separar o "home" do "office" e reduzir o stress

    Sou fã do ResultsOn - Negócios Inteligentes e não recuso oportunidades para contribuir material para lá. A matéria mais recente com algum apoio meu é a "Home ou Office", do Alexandre Finelli, e tem até foto minha com meu notebook-caveirão ;-)

    Por lá eu dou algumas dicas essenciais sobre a produtividade (sem overdose de stress) para quem está começando com seu próprio home office, e mesmo para quem já iniciou e agora está tentando atingir velocidade de cruzeiro.

    Com o home office você pode fugir do trânsito e produzir mais

    Como nessa época de temperatura extrema, trânsito caótico e tempestades frequentes muita gente coloca em consideração, ou mesmo passa a desejar um escritório doméstico, eu recomendo especialmente a leitura do artigo no ResultsOn, inclusive porque também há dicas de outras fontes nacionais sobre o assunto.

    Mas quando eu participo de alguma iniciativa deste tipo, os leitores do Efetividade.net saem ganhando, porque meu método de me preparar para este tipo de entrevista envolve redigir previamente uma coleção de dicas sintetizando o que penso sobre o tema em pauta, e estas eu posso compartilhar com vocês, depois que o artigo em questão tiver sido publicado - e é o caso!

    Vamos, portanto, à lista de hoje com 10 dicas para seu escritório doméstico!

    Home office: 10 dicas para produtividade com menos stress

    1. Tenha um horário de expediente: você não tem mais chefe no seu pé, nem relógio-ponto, mas os clientes esperam falar com você em horários "normais", e alguma regularidade também é necessária para estimular a produção. Seja tolerante e flexível, mas respeite um horário-núcleo.
       

    2. Não exagere nas horas extras e compensatórias: trabalhar no ambiente doméstico pode fazer parecer fácil prolongar o expediente, ou mesmo (o que é bem pior) passar 2 ou 3 dias procrastinando e depois querer "compensar" em um longo expediente. Além de prejudicar a sua produtividade a médio e longo prazo, passar tempo demais no escritório prejudica as outras facetas da sua vida (familiar, social, lazer, etc.), e a irregularidade de horários dificulta a relação com clientes e parceiros.
       

    3. Tenha um telefone exclusivo para o home office: além de diminuir o inconveniente de misturar as ligações familiares e as profissionais, você ainda passa a poder desligar a campainha do aparelho quando o expediente acabar, e diminui a expectativa (dos clientes e sua) de que, por trabalhar em casa, você precisa estar em plantão 24h, 7 dias por semana. Além disso, em períodos de afastamento seu (mas não dos demais familiares) torna-se possível programar um siga-me para o local em que você estiver.
       

    4. Use uma secretária eletrônica: a utilidade principal é a óbvia - quando seu telefone profissional estiver com a campainha desligada, os clientes e parceiros poderão deixar mensagens, e ainda serão informados do que você quiser deixar gravado, como o horário de expediente, um contato para emergências, etc. As empresas telefônicas oferecem secretárias eletrônicas virtuais, mas eu sou fã dos telefones sem fio (se possível, com headset acoplado, porque trabalhar sozinho exige manter as mãos livres!) com secretária eletrônica própria, porque dá mais controle e mais facilidade de operação.
       

    5. Considere as crianças no plano: O maior dos obstáculos à produtividade em home offices costuma ser a presença de crianças no mesmo ambiente, e a complexidade aumenta para as crianças menores. Elas querem estar presentes, querem contato e merecem nossa atenção - precisam ser levadas em conta, portanto - não só quanto ao impacto da sua presença sobre a produtividade, mas também quanto aos horários (da escola e demais atividades) e ao cuidado e atenção que elas precisam ter. (...)
       

    6. Separe "home" e "office": (...) Mas o convívio familiar, mesmo com adultos, também é uma ameaça constante (mesmo que bem-vinda) à produtividade. O ideal é que todos concordem que no ambiente do home office, durante o horário de expediente definido, só se deve entrar ou passar em caso de extrema necessidade. Um ambiente exclusivo, se possível com porta, é o ideal. Mas não se prive: monte seus horários de forma a poder aproveitar bem o convívio doméstico.
       

    7. Não tenha "iscas" no home office: a natural presença de recursos de informática e material de expediente no home office já é atrativo suficiente para que o público interno gravite em busca de um grampeador, da tesoura, ou de imprimir só duas pagininhas. Isso é natural e muitas vezes bem-vindo (sem exageros), mas se o mesmo ambiente também tiver a melhor TV da casa, um sofá agradável, o videogame e... a sua companhia, fica difícil manter a exclusividade.
       

    8. Não tente trabalhar na sua central de entretenimento doméstico: a dica acima tem um complemento importante: o sofá, o videogame e a melhor TV da casa, se instalados no seu home office, acabam sendo uma tentação e uma distração para você também. Em casa é possível haver alguma flexibilidade, mas o ideal é que a separação entre trabalho, lazer, e convívio familiar seja mais clara.
       

    9. Nao se contente com um cantinho: na hora de começar, é compreensível que o home office seja um cantinho contando apenas com o mínimo necessário. Mas quando ele começar a dar retorno, reinvista uma parte na sua produtividade! Considere iluminação, ergonomia, conforto, organização, comunicações, e tudo o mais que, quando presente, facilita a sua vida.
       

    10. Não seja um chefe tirano: quando chegam a ser chefes de si mesmas, muitas pessoas acabam esquecendo tudo o que aprenderam, e tratam mal a si mesmas: voluntariamente definem horários e rotinas de trabalho que não consideram a qualidade do convívio familiar, do sono, da alimentação, do aproveitamento do tempo, e tudo o mais que as fazia sonhar com a oportunidade de um dia trabalhar em casa. Adaptar-se às circunstâncias é normal, mas exagerar nas auto-cobranças sem uma razão objetiva nem sempre compensa!
       

    Como os leitores mais "da casa" devem ter notado, as dicas acima são breves sínteses de vários artigos anteriores do Efetividade sobre a mesma temática. Para ver a lista deles e lê-los na íntegra, basta separar algum tempo na agenda para visitar a lista de artigos sobre Home Office (e relacionados) aqui do Efetividade!

    E, como sempre, fique à vontade para compartilhar sua opinião e dicas nos comentários!

    Nova série de artigos no Efetividade: Competências X Crescimento Profissional

    A questão das competências ("gestão de competências", "gestão por competências", etc.) está cada vez mais presente nas decisões das áreas de Gestão de Pessoas (e "departamentos de pessoal", "diretorias de RH" e assemelhados), o que acaba nos afetando a quase todos - mesmo quando não somos gestores de pessoas, nem mesmo funcionários no sentido tradicional da palavra: o conceito é útil até para quem se auto-gerencia.

    Competências incompatíveis

    Competência, nesse contexto, é entendida como uma soma dos conhecimentos, habilidades e atitudes de um profissional. Alguns exemplos comuns:

    • abertura a mudanças,
    • assertividade,
    • empatia,
    • gerenciamento de tempo,
    • trabalho em equipe, etc.

    E, especialmente quando há uma escolha consciente das organizações no sentido de gerenciar competências, pode ser bastante vantajoso para você saber estimar suas próprias competências, deixar que os potenciais interessados percebam em você as competências certas, e poder avaliar quais as competências esperadas em cada situação ou oportunidade profissional.

    Por isso, e também por eu estar longe de ser especialmente habilitado em Gestão de Pessoas, convidei no ano passado uma consultora especializada na área para compartilhar conosco uma série de artigos a respeito, descrevendo os conceitos e detalhando algumas das competências mais procuradas.

    O primeiro artigo da Patrícia Wolff (que atua como coach executivo e de equipe, conferencista em Desenvolvimento Humano e é diretora da Quantas Consulting) já está aqui comigo, e sai na semana que vem. Vai ser introdutório (contextualização, conceitos básicos, etc.).

    Logo depois do primeiro artigo, quando já tiver havido o nivelamento, vou colocar no ar uma enquete para vocês ajudarem a priorizar, em uma lista de cerca de 40 competências comumente mencionadas, quais as que gostariam de ver tratadas de forma mais detalhada nos artigos posteriores, com descrição, dicas para desenvolvê-la, para identificá-la, para exibi-la, etc. - isso também deve ocorrer na próxima semana.

    Quero aproveitar a oportunidade para agradecer a disposição da Patrícia em compartilhar conosco essas informações. Para saber mais sobre o trabalho dela, recomendo uma visita ao site da Quantas Consulting. Não deixem de olhar a seção de recomendações de livros, enquanto estiverem por lá!

    Espero que o interesse de vocês a respeito seja manifestado claramente nos comentários e outros feedbacks! E se vocês tiverem alguma idéia a mais para essa série, aproveitem para sugerir também.

    Meus primeiros bons livros de 2010 - e um convite: sugiram leituras de verão!

    2010 já está encaminhado: o primeiro mês do ano está perto de acabar. Como já fiz em anos anteriores, reduzi o número de posts por aqui (e vou voltar ao normal gradualmente) porque as estatísticas do servidor indicam que este é o melhor mês do ano para eu tirar férias, já que o número de leitores cai de forma espantosa (e normaliza, subitamente, na semana após o carnaval).

    Aproveitei o tempo extra à minha disposição para fazer bastante atos de efetividade para a minha qualidade de vida: ir à praia, praticar com a guitarra, jogar videogame, conviver em família, e muito mais. E também tive oportunidade de dedicar algumas horas a mais a um de meus passatempos favoritos: a leitura, tão necessária para eu ter o que usar para temperar o que escrevo para vocês no restante do ano...

    Como acredito que muitos de vocês também estejam com tempo livre, vou aproveitar para compartilhar com vocês minhas impressões sobre o que eu li desde a última semana de dezembro, na expectativa de que vocês retribuam a gentileza sugerindo também algumas leituras para nós todos nos ocuparmos nas horas livres - especialmente as que vão de agora até o carnaval, quando o ano realmente começa ;-)

    Primeiro os nem tão bons

    Divulgar uma opinião negativa sobre um livro pode ser uma descortesia com o autor ou a editora, mas beneficia os potenciais outros leitores que se baseiem pelos mesmos critérios (e claro que todos são livres para discordar da opinião alheia).

    Mas devo ser claro: não recomendo a ninguém a leitura de "O que acontece quando morremos", de Sam Parnia (editora Larousse). A premissa é bem interessante: um médico que estudou as declarações de quem teve experiências de quase morte (especialmente em casos de parada cardíaca) sobre o que encontrou no elusivo "outro lado", e encontrou pontos em comum nas marrativas, além de evidências de memórias semelhantes registradas na literatura e outras artes desde a antiguidade.

    Quando eu vi este livro na livraria do aeroporto, achei que era bem o que me prenderia a atenção. E prendeu mesmo: a narrativa é ágil, os detalhes necessários estão presentes, e ele evita completamente as armadilhas potenciais de misturar sua pesquisa científica com temas religiosos ou espirituais.

    Mas tem um problema grave: o livro acaba de repente, e sem concluir nada. Os métodos de pesquisa e teste, tão cuidadosamente descritos, não chegam a ser empregados em sua totalidade. No último capítulo, descobrimos que a pesquisa ainda está em andamento e as partes mais suculentas, previstas e aperitivadas nos capítulos iniciais, não chegam a ser expostas ao leitor. Fuja, ou aguarde a próxima edição.

    Não tão chato, mas longe de me empolgar, mesmo eu sendo um apreciador da história recente do Brasil, foi o "Olho por olho - os livros secretos da ditadura", de Lucas Figueiredo (Record). Ele conta a história do (nem tão) secreto livro "Orvil", preparado pelos militares como uma resposta ao "Brasil: Nunca Mais", que por sua vez detalhava os porões da tortura e violência contra os à época inimigos do regime.

    O livro começa bem, contando de forma até mesmo empolgante a história da confecção do "Brasil: Nunca Mais". Mas quando chega a hora de falar sobre a reação na forma do "Orvil", a empolgação some, sendo substituída por atenção a pequenos detalhes importantes que mereceriam um livro adicional só para si (confirmando ou negando afirmações anteriores dos protagonistas da revolução e contra-revolução), mas meio que se diluem, como se fossem grandes atores atuando em papéis secundários em uma história menos interessante, que é a da descoberta e leitura do tal Orvil (que hoje é bem menos do que secreto...)

    Mas também tem os bons livros

    Ganhei de presente de uma amiga nossa, no Natal, o oportuno "Comédias brasileiras de verão", do Luís Fernando Veríssimo (Objetiva). LFV na série "Comédias" para mim é sempre mais do mesmo, mas é um mais do mesmo que me agrada. São crônicas e histórias curtas, menos ou mais engraçadas, menos ou mais provocativas, mas sempre com alto potencial de entretenimento.

    Pena que é tão curto. A leitura é leve, apropriada à leitura na beira do mar ou balançando na rede após o almoço. E tem personagens que mereceriam livros à parte, como a faxineira que resolvia todos os problemas de um casal, até que chegou o momento em que ela começou a assassinar quem causava dissabores a eles - deixando-os em um dilema: ir à polícia imediatamente, ou antes dar tempo de ela completar mais algumas execuções? Recomendo.

    Já "Z - a cidade perdida", de David Grann (Companhia das Letras) não padece do mesmo mal de acabar rápido demais: é um alentado volume de 410 páginas, com a narrativa de um jornalista que resolveu, em pleno século XXI, investigar o fim do explorador Coronel Fawcett, que desapareceu na primeira metade do século XX enquanto procurava, nas florestas brasileiras, uma cidade lendária que ele acreditava existir por aqueles lados.

    Como filho da década de 1970, ainda lembro que as expedições do Coronel Fawcett eram tema relativamente frequente na TV, em especial no Fantástico. O homem fez diversas expedições por aqui, e na última desapareceu sem deixar vestígios. Mas como se trata de algo relativamente recente, havia suficiente número de registros, e até uma índia anciã que testemunhou a passagem do Coronel em sua última expedição, e estava viva para contar.

    Curiosamente, a conclusão do livro está em sintonia com descobertas arqueológicas recentes dando conta de que sim, a lendária civilização pode ter existido, e a moderna tecnologia (juntamnente com o trabalho incansável de arqueólogos como o que foi entrevistado ao final do livro, na região em que Fawcett foi visto pela última vez) vem permitindo descobrir vestígios arqueológicos dela, mesmo considerando o quanto os materiais de construção disponíveis na floresta à época eram suscetíveis à degradação pela própria floresta, bastando algumas décadas sem manutenção para virtualmente desaparecerem (diferente, portanto, das construções em pedra dos primos dos Andes e da América Central).

    Outro fato curioso é como o autor tantas vezes se aproximou de dizer que havia algum interesse ulterior entre o jovem filho de Fawcett e o seu amigo de infância que foi o terceiro integrante da expedição final da qual ninguém voltou vivo.

    Para completar a série, trago o livro que terminei hoje, e que aborda um tema que me é caro: "The Unthinkable: Who survives when disaster strikes, and why", de Amanda Ripley (Crown). Ele me agradou porque é bem diferente de outros livros sobre desastres, que ficam repetindo fórmulas de sobrevivência ("treine! faça uma horta! armazene água! aprenda primeiros socorros! etc! etc!").

    (atualizado: o leitor Rudimar complementou nos comentários que este livro já saiu também no Brasil, com o título de Impensável: como e por que as pessoas sobrevivem a desastres, pela editora Globo. Não sei nada sobre a qualidade da tradução, entretanto.)

    O esquema dele é um pouco mais parecido com o do livro sobre a cidade perdida: uma jornalista (com apoio da revista Time) sai em busca de relatos de sobreviventes de grandes desastres (11 de setembro, quedas de aviões, incêndios, naufrágios) para descobrir o que há em comum entre eles.

    Assim como no caso do primeiro livro que mencionei, que evita a armadilha da mistura com temas religiosos, este evita a armadilha da mistura com auto-ajuda - a autora não tenta lhe dizer o que você deve fazer para estar mais apto a sobreviver em desastres, apenas pesquisa e relata o que aconteceu com estes sobreviventes.

    Como ela teve oportunidade de tratar com cientistas que estudam este tema, há também um bom pano de fundo teórico, lidando com nossos comportamentos em relação ao risco, as razões pelas quais algumas pessoas reagem rapidamente e outras ficam paradas, e o que os profissionais das crises (forças especiais, bombeiros, projetistas de segurança, etc.) mais frequentemente encontram como obstáculo comportamental à sobrevivência.

    A narrativa é ágil e a leitura é leve, mesmo se tratando de um tema tão amplo. E mesmo não sendo um livro de entretenimento, ele prende a atenção e apresenta um fecho adequado. Recomendo a quem tem interesse de conhecer um pouco mais sobre este lado menos mapeado do comportamento humano.

    Agora é a vez de vocês

    Compartilhei minha opinião sobre os 5 livros que li nas últimas 4 semanas, e agora tenho uma expectativa: que vocês também comentem algumas leituras recentes, para orientar as minhas próximas.

    E boa leitura!

    Adaptador para as novas tomadas brasileiras: como eu me virei

    O novo padrão de tomadas brasileiro (muito bem explicado aqui) criou a tomada-jabuticaba que, assim como dizem da popular fruta, só existe no Brasil.

    Apesar das garantias do INMETRO (que na sua FAQ afirma que "Com a ampla divulgação do padrão brasileiro, [esta mudança] vai acontecer de forma tranqüila como a esperada") de que "essa mudança vai ocorrer de forma muito tranqüila, sem causar nenhum transtorno para os consumidores, para a indústria eletroeletrônica ou da construção civil", bastante gente está pagando o preço na fase de transição.

    Tomada e plug com o terceiro pino

    O caso que parece mais problemático é o dos novos plugues com terceiro pino para aterramento, que oficialmente exigem uma tomada do novo modelo, mesmo que o local não conte com instalação aterrada. Como já aconteceu com mais de um amigo meu, agora quem compra uma geladeira, um microondas ou outro aparelho similar chega em casa e provavelmente descobrirá que não tem uma tomada para ligá-lo, precisando recorrer a um eletricista ou técnico habilitado para fazer a conversão.

    A idéia de aumentar o incentivo ao aterramento elétrico é positiva, mas fica em aberto descobrir se a mudança do padrão de tomadas é uma forma eficaz de fazê-lo. No momento, o que parece a muitos clientes é que os fabricantes estão lhes dizendo: "EU já cumpri a norma, agora você que se vire pra arranjar uma tomada".

    Adaptadores para as novas tomadas: a lenda

    No ano passado, antes de a nova norma proibir a fabricação de aparelhos com as tomadas antigas, vários veículos de imprensa divulgaram que não seria permitida a fabricação e venda de adaptadores para usar os novos plugs nas tomadas antigas.

    Mas aparentemente não é bem assim: até mesmo a FAQ do INMETRO esclarece que "o Inmetro ciente da utilização de adaptadores, elaborou o Regulamento de Avaliação da Conformidade - RAC, que tornará compulsória a certificação desses produtos". Ou seja: proibido não é, mas tem que obter o carimbo do Inmetro antes de colocar no mercado.


    Adaptador de tomada para aparelhos novos com 3 pinos

    Isso explica a existência no comércio - embora nada fácil de encontrar hoje (eu vi um no site do Ponto Frio) - de adaptadores como o da foto acima, que permitem colocar os aparelhos novos (com a nova tomada de 3 pinos) nas tomadas aterradas antigas, ou mesmo (com o uso não-recomendado de um segundo adaptador) em uma tomada antiga de 2 furos.

    O caso dos notebooks

    Quando se fala em geladeiras, microondas e outros eletrodomésticos, a idéia de revisar a instalação elétrica residencial, certificar-se da existência de aterramento de qualidade, e trocar a tomada da cozinha pode até fazer bastante sentido, nestas circunstâncias adversas de transição.

    Mas o caso dos notebooks, que já começam a chegar ao mercado com o plug de 3 pinos da nova tomada (atendendo ao cronograma da norma) é diferente: eles são transitórios por natureza, e precisam funcionar desde hoje na tomada do aeroporto, da sala de espera, do escritório do cliente, em todos os cômodos da casa, no escritório, na biblioteca da universidade, no home office, etc.

    É razoável imaginar que, cedo ou tarde, todos estes lugares irão se adaptar à nova norma NBR 14136. Mas para quem precisa de mobilidade hoje, e tem em suas mãos um notebook com a nova tomada, esta razoável expectativa simplesmente não é suficiente.

    Muitos profissionais móveis já andam com um kit de adaptadores (tomada chata, tomada com terra, sem terra, etc.) para funcionar onde for necessário. A diferença no momento é que não está fácil encontrar no mercado os adaptadores necessários para garantir a compatibilidade do novo plug em relação às tomadas legadas.

    Como eu fiz o meu adaptador para as novas tomadas brasileiras

    De posse de um reluzente netbook com um adaptador AC cujo conector do cabo de força tem um formato proprietário, e cujo plug exigia uma nova tomada de 3 pinos, eu fiz 3 coisas:

    1) lamentei que o novo padrão brasileiro não tinha compatibilidade reversa e que a transição tenha que ser às minhas custas desse jeito;
    2) procurei em lojas de material elétrico da região um adaptador "oficial", sem sucesso;
    3) decidi colocar logo as mãos à obra enquanto uma solução definitiva e aprovada não chegava ao meu alcance.

    Para mim o problema é bem simples: meu netbook precisa funcionar nas tomadas que estiverem à disposição, sejam elas com pinos redondos ou chatos, do novo modelo ou do velho, aterradas ou não. Quem dera todos os locais contassem com aterramento de boa qualidade e tomadas adequadas, mas infelizmente a realidade é outra...


    Meu adaptador caseiro

    A norma tem uma justificativa importante: evitar que as pessoas levem choques e tornar mais segura a operação dos equipamentos. Não recomendo que você construa seu próprio adaptador, pois o risco de causar dano a pessoas, aos equipamentos e até mesmo às instalações elétricas é bastante real. O único procedimento seguro e correto para quem deseja levar consigo um adaptador desses é aguardar que haja no comércio adaptadores de boa qualidade, certificados pelo INMETRO.

    Mas no meu caso, tendo tido treinamento de eletricidade na adolescência, dispondo dos materiais adequados, e estando revoltado com esta transição às minhas custas, acabei seguindo um caminho diferente, que você não deve imitar: produzi meu próprio adaptador para uso interno.

    E apesar de ser algo tão fora da norma da ABNT, não foi nada difícil. Bastou reunir:

    1. Um conector fêmea, 3 pinos, do novo modelo, comprado no supermercado da esquina
    2. Um plug macho de 2 pinos (modelo novo ou antigo, tanto faz - os de 2 pinos são compatíveis, exceto no caso de não caberem no encaixe de uma tomada nova), comprado no supermercado da esquina
    3. 10 cm de fio elétrico paralelo apropriado à tensão, potência e uso pretendido
    4. Uma chave philips para abrir o conector e o plug
    5. Um estilete para desencapar 6,2mm de cada uma das extremidades do fio paralelo.
    6. Um multímetro para testar tudo no final.

    A instalação das tomadas em si não é diferente das dos modelos antigos, e qualquer profissional habilitado e ciente dos riscos envolvidos sabe fazer. O cuidado necessário em preservar o isolamento, prender bem todas as extremidades e caprichar na fixação também é o usual, e é necessário estar consciente que agir assim abre mão de todos os benefícios que o aterramento poderia trazer.


    Meu adaptador pronto para o uso

    Para mim a montagem em si (incluindo o teste com multímetro) demorou menos de 5 minutos, e desde então o meu adaptador está permanentemente plugado na extremidade do cabo da fonte de alimentação do netbook, funcionando em todo lugar que eu o leve.

    Mas você não deve me imitar

    O exposto acima é uma descrição do que eu fiz, e não um guia do que você deve fazer. Fuja das gambiarras!

    O manuseio da eletricidade é perigoso para você, para os outros e para os equipamentos

    O único curso de ação seguro e recomendado, na ausência da possibilidade de procurar um profissional habilitado para revisar as instalações elétricas dos locais em que você usa seu aparelho, é adquirir um adaptador certificado pelo INMETRO.

    E é o que eu também farei, assim que conseguir encontrar um - por um preço não-exorbitante - no comércio local!

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