Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Reunião: como planejar e organizar

Não basta uma mesa e uma sala para reuniões: planejar e organizar uma reunião é a tarefa que, quando bem feita, garante melhores chances de que a mensagem para a reunião seja transmitida e o resultado pretendido seja alcançado, com a participação de todos os interessados e o entendimento de todos os envolvidos.

Mas as reuniões, atas e pautas são instrumentos eficazes de comunicação quando bem empregados, e também podem ser ineficientes ralos de produtividade quando abusadas ou mal executadas.

Fazer reuniões é custoso e complexo, e muitas vezes é possível substitui-las por outras formas de comunicação que não envolvam colocar todos os interessados ao redor de uma mesa de reunião. Mas quando elas forem inevitáveis, as 10 dicas abaixo podem facilitar a vida de todos os participantes, e especialmente a do encarregado de coordená-la.

Como organizar uma reunião

1. Agendamento prévio

Emergências acontecem, mas boa parte das que acontecem em cima da hora são porque o responsável não se organizou.

"A tempo" é um conceito aberto. Vai depende do assunto e contexto: às vezes, 30 minutos de antecedência podem ser suficientes, e em outras vezes 48h pode ser pouco.

Mas que fique claro: reuniões marcadas com minutos de antecedência dificilmente vão produzir resultados tão positivos quanto as marcadas com tempo para todosse prepararem e atualizarem informações.
 

2. Ter horário previsto para finalizar

Toda reunião previamente agendada tem local e horário para iniciar, mas frequentemente não é divulgada uma previsão de duração ou horário para encerrar.

Há reuniões (como as assembleias realizadas entre pares, incluindo as de condôminos ou entidades de classe) que não devem mesmo encerrar sem ser por comum acordo, mas uma reunião profissional, de equipe de projeto ou entre membros de uma mesma organização pode e deve ser planejada para se encaixar em um determinado horário.

A mera existência de uma hora marcada para o seu fim pode ser um instrumento adicional para manter a objetividade nas discussões.
 

3. Circular a pauta preliminar

Todos os participantes e interessados devem ser informados, já no primeiro contato verificando sua disponibilidade para participar da reunião, quais os temas previstos, e qual o objetivo de quem está promovendo o evento (É para consultar? Decidir? Comunicar algo? Mudar um plano?), para que possam responder e se preparar adequadamente.

Definir uma pauta inicial, mesmo básica – pode ser um parágrafo informal de e-mail – é essencial.
 

4. Divulgar a pauta definitiva

Quando a reunião já estiver completamente agendada, é importante circular a versão completa da pauta, incluindo os temas originais e possíveis outros temas que tenham surgido depois ou sugeridos por outros participantes – e cuidado com categorias como "outros assuntos", "diversos" e similares.

É também o momento de divulgar definitivamente o local, horário (de início e fim), e a lista dos participantes.
 

5. Elenco de apoio não fica no palco

Quanto maior o número de presentes sem interesse direto em cada assunto que estiver sendo tratado, maior será a complexidade (desnecessária!) da comunicação na reunião, que cresce com o número de pessoas participando.

É mais uma vantagem da pauta bem definida: poder dispensar os participantes que foram chamados apenas para um ponto específico dela, assim que este ponto for tratado.

Mas deixe isso claro desde o princípio, para que todos vejam isso como um ponto positivo, e não como uma rejeição!
 

6. Reunião não é assembleia!

Pessoas que você gostaria que participassem da reunião apenas para que estejam informados, ou para o caso de terem alguma opinião, em geral podem fazê-lo apropriadamente a partir da leitura da pauta e da ata, ou receber uma comunicação posterior.

Como já vimos acima, uma reunião só com as pessoas envolvidas diretamente tem mais chances de ser produtiva – mas cuidado para não sofrer um “choque de realidade” pós-reunião: inclua no grupo não apenas os tomadores de decisão, mas também as pessoas que compreendem os detalhes práticos das situações em análise.
 

7. Ter regra para telefonemas, eletrônicos e interrupções

Quem está em uma reunião geralmente preferiria estar em outro lugar, e tem outras obrigações ocorrendo em paralelo. 

É claro que a cortesia manda não deixar o celular levar vantagem: quem abriu mão de seus compromissos para estar no mesmo ambiente que você deve ser privilegiado com a sua atenção.

Mas a cortesia não basta: é importante haver uma política clara quanto ao tratamento de ligações, torpedos, notebooks, etc. É aceitável lidar com eles no próprio ambiente da reunião? É preferível sair da sala? Ou eles devem ser ignorados por toda a duração do encontro? Exceções são inevitáveis, mas ter uma regra geral, é melhor que o improviso, a incerteza e o tratamento diferenciado.
 

8. Cuidado com discursos e monólogos

A não ser que alguns participantes tenham sido designados como ouvintes, reuniões devem ser organizadas de modo a garantir voz e vez a todos os integrantes, pois as conclusões comprometerão igualmente a todos.

Conflitos e dissenso são naturais mas, ao perceber que um debate está se polarizando ou mesmo que algum participante está tentando impedir que outro conclua suas ideias, intervenha! Certifique-se que todos terão oportunidade de se expressar, se possível sem limitar prazos ou o direito de réplicas.
 

9. Temas relevantes que surgem fora da pauta

Se durante a reunião surgirem temas não conexos aos da pauta mas apropriados ao público presente, o secretário deve tomar nota deles, e a reunião prossegue sobre os pontos originais da pauta.

Ao final da reunião, com base nas anotações, os temas extras podem ser colocados em discussão, ou agendados para ocasião futura (e este agendamento também deverá constar na ata ou registro da reunião).
 

10. Secretaria forte é essencial

Toda reunião precisa de um secretário ou secretária previamente designado. Pode ser um dos participantes, que recebe esta atribuição adicional, ou uma pessoa que não participa das deliberações da reunião em si (embora esteja presente), mas fica encarregada de secretariá-la.

O papel do secretário é simples, mas exige atenção: ele deve ficar encarregado de acompanhar os pontos da pauta, para certificar-se de que serão todos discutidos, tomar notas sobre as decisões relacionadas (interrompendo imediatamente caso note que não entendeu com clareza absoluta qual foi a decisão tomada) e gerar uma ata ou resumo sumarizando-as – logo após a reunião.

Idealmente, antes de encerrar a reunião o secretário deve ser convidado a ler suas anotações sobre as decisões tomadas, para certificar-se de que todos os presentes têm o mesmo entendimento (naturalmente eles terão outra oportunidade para confirmar se concordam também com a ata ou registro, após sua produção).

O ideal é haver um mecanismo previamente definido sobre a forma de divulgar esta ata: Quem precisa assinar? É um documento público ou não? Quanto mais firme for esta política, mais automática será a difusão das informações da reunião. Como um bônus adicional, o secretário pode ficar encarregado de propor fazer a pauta avançar ao perceber que está sendo dedicado muito tempo a algum problema secundário.

Modelo de ata de reunião

O modelo de ata do Efetividade.net está à disposição, mas sabemos que em reuniões de equipe nem sempre é necessário seguir o velho modelo formal de ata: um registro simples (ou o chamado “resumo executivo”), com uma descrição informal em texto livre, é suficiente para preservar a memória da reunião.

Mas, seja qual for o modelo, os itens abaixo não podem faltar na sua ata ou registro de reunião:

  • Tema da reunião
  • Motivo da sua realização
  • Data, horário, duração e local em que se realizou
  • Quem a coordenou (se for o caso), quem secretariou e quem esteve presente
  • Tópicos discutidos e decisões tomadas
  • Para cada decisão registrada, idealmente deve constar qual será a próxima ação e quem entre os presentes é o responsável por ela

 

Leia também:

O que é Ética no Trabalho: guia rápido com 10 mandamentos essenciais

Ética é um conjunto de regras relacionadas aos valores e conceitos morais de um indivíduo ou grupo social. A ética está diretamente conectada aos princípios que disciplinam, orientam ou mesmo distorcem o comportamento humano.

Ética no trabalho é algo profundamente necessário para um ambiente saudável. Mesmo quando não há um Código de Ética formalmente definido para a sua empresa ou profissão, em geral há um conjunto de aspectos que são considerados "bom senso" (mas deixam espaço para interpretações variadas) em uma tentativa de delimitar o que é o "comportamento ético", incluindo os que representam integridade e comprometimento e separando os que ferem os princípios e assim são inaceitáveis (e assim considerados anti-éticos no âmbito pessoal ou do grupo).

Um código de ética definido formalmente é positivo porque remove dúvidas que possam surgir por divergências de opinião de cunho moral ou valorativo, já que as definições do "bom senso" nem sempre são compartilhadas. Um exemplo é o Código de Ética Profissional do Administrador, definido pelo Conselho Federal de Administração e ao qual me obrigo quando exerço minha profissão.

Mas nem toda profissão ou empresa conta com este luxo, portanto segue uma pequena lista de 10 itens que podem ajudar a pautar a confecção do seu código de ética pessoal ou mesmo as discussões a respeito no seu grupo de trabalho.

Eles usam conceitos abertos (como "honestidade") e são baseados na observação de comportamentos identificados como éticos, mas naturalmente exprimem um determinado conjunto de valores, portanto interprete-o e adapte-o à sua realidade!

E lembre-se sempre: embora o comportamento ético não vá constar no seu curriculo, ele será reconhecido e associado à sua personalidade e identidade profissional, e o oposto também é verdadeiro. Seja reconhecido como um profissional ético, e você sempre levará consigo esta poderosa referência!

Código de Ética no trabalho: 10 mandamentos essenciais

1. Seja honesto, honrado e digno em qualquer situação

2. Nunca faça algo que você não possa assumir perante sua equipe, seus superiores, seus subordinados ou o público

3. Seja humilde, tolerante, flexível e disposto a ouvir críticas e sugestões.

4. Críticas e repreensões devem ser feitos primeiro à pessoa a quem se referem, cara a cara. Se houver o dever de levá-los a mais alguém, que não seja pelas costas.

5. A privacidade do colega, do cliente e de todos os demais é inviolável. Independentemente de questões de propriedade corporativa, mexer na mesa, gaveta, informações ou documentos alheios exige autorização (de norma ou da pessoa envolvida) em qualquer circunstância.

6. Em ações e discussões internas, assuma sempre seus valores e princípios e as consequências dos atos a que eles conduzirem, mesmo que isso signifique ficar contra a maioria – mas jamais procure obstruir o direito de expressão e voto no posicionamento alheio.

7. Fique longe de fofocas e comentários maldosos, mesmo que pareçam fazer parte da cultura do grupo. Muitas vezes, o simples fato de dar ouvido a elas pode ser suficiente para identificá-lo com o rótulo de fofoqueiro.

8. A relação hierárquica e de equipe não deve considerar amizades nem antipatias. O subordinado amigo deve ao seu chefe o mesmo tratamento que os demais, e o chefe amigo precisa cuidar para jamais privilegiar o subordinado que lhe é próximo. Da mesma forma, antipatias pessoais não têm espaço no ambiente profissional. Reserve-as para seu íntimo e procure oportunidades para superá-la. No trabalho, trate o colega com o respeito comum, mantenha distância se possível, e não comente com outros a antipatia que sente.

9. Sempre dê crédito a quem merece, sem jamais aceitar elogios ou recompensas pelo mérito alheio

10. Ao errar, reconheça, sem exageros. A atitude esperada é "não foi um erro intencional, vou providenciar para que não ocorra de novo e vou remediar o acontecido".

O fato essencial é que ser ético significa, muitas vezes, renunciar a oportunidades de obter dinheiro, status e benefícios. Se os seus princípios e valores estiverem ajustados, a decisão ética será sempre a correta, mas a existência de um Código de Ética aceito por todos do grupo pode reduzir os conflitos e facilitar a resolução dos casos em que houver dúvida.

Porta-garrafas de R$ 2 que encaixa no gargalo e prende na mochila: truque do dia

Da série de produtos simples e úteis mas que você poderia passar a vida inteira sem saber que existem, hoje veremos este genial porta-garrafas PET que prende na mochila, na cintura, na bolsa, no carro ou onde você quiser, cujo encaixe de metal agarra uma garrafa plástica firmemente pelo gargalo e é fácil de soltar na hora de trocar de garrafa ou levar à boca para beber.

De modo geral as garrafas plásticas de água, suco e refrigerante têm o gargalo padronizado por questões industriais, e assim você pode usar este acessório para levar desde uma garrafinha de suco de 200ml até uma garrafa de mais de 1l de água ou refrigerante, dependendo das suas circunstâncias.

Eu uso há pelo menos um ano quando a bolsa ou mochila é pequena e não tem seu próprio porta-garrafas, e nunca tive problemas com ela se soltando ou não sendo compatível com alguma garrafa. Também já usei para embarcar em aviões (vôos nacionais) com garrafas de 500ml de água plenamente visíveis, sem nenhum problema – acredito que em vôos internacionais isso pode ser vedado.

A praticidade dela fica ainda mais evidente pelo número de pessoas que me conhece e, ao ver o acessório em uso preso ao lado de fora da minha bolsa de trabalho, me enche de perguntas sobre como conseguir um.

Como é muito barato, de vez em quando eu compro meia dúzia no DealExtreme para dar de presente aos amigos (posso até verificar se tenho alguma disponível pra sortear para vocês...), e o fato de eu ver que eles de fato as usam diariamente em suas mochilas e bolsas (pelo lado de dentro ou de fora) é um testemunho a mais da sua utilidade prática.

Vários familiares também as adotaram como acessórios de viagem, pois o número de caminhadas (e longos deslocamentos) nestes períodos aumenta bastante, e nem sempre há água disponível no momento em que precisamos dela.

Em resumo, é um truque simples, saudável e muito útil que minha família adotou entusiasticamente, e que recomendo a vocês. No DealExtreme sai por ~R$ 4,20 o par, mas recentemente eu vi o mesmo produto à venda em uma loja de utilidades e materiais de construção aqui em Florianópolis por cerca de R$ 7, o que indica que talvez você consiga encontrar no seu mercado local.

E se você não encontrar, mas for dotado de habilidade manual suficiente, este nó especializado pode ser uma alternativa mais ao seu alcance!

Entrevista de emprego: cuidado com a pegadinha do silêncio!

Entrevistas de emprego são o próximo desafio a ser enfrentado por quem teve um currículo selecionado, e são a primeira grande chance de expor o seu potencial, procurando deixar em primeiro plano os seus pontos positivos.

Mas as entrevistas, processos seletivos e dinâmicas, quando mal conduzidas ou massificadas às vezes parecem seguir um verdadeiro roteiro, quase como as danças juninas. O entrevistador diz “olha a cobra!”, o entrevistado experiente diz “é mentira!”. E a quadrilha prossegue: “Olha a chuva!”, “Já passou!”, e assim por diante, enquanto fazem evoluções que o avaliador viu inicialmente em uma fita de videocassete que já era velha, e que o candidato já sabe que não levam a lugar algum, mas precisa tolerar.

O entrevistador que se cala após sua resposta

Um truque mais velho do que a prática das entrevistas de emprego, nascido nos interrogatórios e provas orais e usado com sucesso há séculos para colocar candidatos sob pressão sem muito esforço e tentar levá-los a se contradizer sozinhos é a chamada armadilha do silêncio.

O funcionamento é simples: logo após alguma pergunta "complicada", como a famosa "por que devemos lhe contratar?" ou a não menos comum "qual o seu maior defeito?", o entrevistador não dá qualquer feedback, simplesmente fica mudo, sem alterar a expressão.

Ele não faz uma nova pergunta, não faz aquela cara de "o que mais?", não faz que sim nem que não com a cabeça – apenas permanece encarando você, com a mesma expressão que estava enquanto você respondia. Acredite, em aulas de técnicas de negociação e mediação, essa expressão vazia é ensinada e praticada (e tem vários usos bem reais).

Não morda uma isca que nem mesmo está lá

Em uma entrevista de avaliação, essa ausência de mensagem, confirmação ou validação é uma "pegadinha", um truque comum que também pode ser bem usado mas muitas vezes é apenas algo que o entrevistador aprendeu a usar porque, de fato, costuma funcionar para ver a solidez da postura do candidato, quando o avaliador sabe interpretar o que acontece logo a seguir.

Isso porque ao perceber a situação inesperada, apesar de não haver nenhuma pressão objetiva presente, muitos entrevistados entram sozinhos em um modo de stress, e aí expõem algo que de fato tentariam esconder: a sensação de que o entrevistador os "pegou na mentira", considerou a resposta insuficiente, esperava algo mais e ainda está dando uma chance, etc.

Também é comum que a "vítima" da pegadinha demonstre neste momento como se comporta quando se percebe sendo avaliada, e tenta se defender (se exaltando, se encolhendo, tentando esconder a "culpa", etc.) de uma acusação que – objetivamente falando – não foi feita: a de que a resposta dada era errada, mentirosa, insuficiente, ridícula, infantil, despreparada ou qualquer outro adjetivo negativo.

O grande erro a evitar neste caso, portanto, é deixar de perceber que isso é um teste, e aí começar a tentar “consertar” ou "emendar" a resposta, o que muitas vezes traz resultados desastrosos para si mesmo, porque o entrevistador aproveitará para fazer ainda mais pressão procurando conflitos entre as duas respostas. Lembre-se que a intenção muitas vezes é mesmo criar uma situação de potencial intimidação e stress, embora sem violência e até mesmo "negável", para ver como o candidato se sai.

Como lidar com o entrevistador

Se tentarem isso com você, saiba entrar no jogo. Aguarde também alguns segundos calmamente, e em seguida não afirme nada, apenas pergunte: “há algo mais que eu possa esclarecer sobre este ponto?”

Se o entrevistador responder com outra pergunta ("Por que, você tem algo mais a a acrescentar? Quer corrigir algo?"), simplesmente diga que não e que permanece à disposição.

Se o entrevistador continuar em silêncio , simplesmente aguarde silenciosamente também, em atitude respeitosa e séria, prestando atenção a ele, como se estivesse dando a ele tempo para pensar, até que ele perceba que você não se intimidou e nem vai “se entregar”. A não ser que seja uma dinâmica com objetivos específicos, é um fato bem claro que em uma entrevista a bola está com ele, e é ele que precisa fazer a próxima pergunta ou indicar o que espera que você faça a seguir.

Aí aguarde o próximo teste torcendo para que o entrevistador esteja mesmo apto a interpretar o seu comportamento a partir das situações que provoca, e não apenas repetindo truques de almanaque!

Leia também:

Apartamentos pequenos: manual do usuário

Apartamento pequeno é um assunto sempre em voga, até porque aqueles imóveis espaçosos dos prédios de décadas passadas se transformam cada vez mais em exceções. O leitor @NarradorWW, após ver o post recente sobre homeoffice em apartamentos pequenos, pediu um post específico sobre o tema apartamentos pequenos, e assim voltamos à questão!

Você mora ou já morou em um apartamento pequeno? Compartilhe suas dicas e opiniões também nos comentários ou pelo @efetividadeblog!


É o quarto? A copa? Ou a cozinha?

A "classe média apertada" é uma realidade cada vez mais comum - estudantes solteiros, grupos de amigos, pequenas e médias famílias, cada vez mais gente vive em espaços que vão se tornando mais restritos, e às vezes o apartamento do neto cabe inteiro dentro da área social do apartamento da avó...

Algumas pessoas gostam e preferem os espaços pequenos, enquanto para outras isso é uma escolha imposta, ou mesmo um compromisso entre a realidade desejada e a possível no momento.

Mas as opções de organização e decoração de apartamentos pequenos disponíveis permitem ter conforto, e com um pouco de planejamento (evitando alguns erros comuns) seus habitantes podem garantir a adaptação que permita maximizar o conforto possível.

Mas escrever sobre como melhor se adaptar a um apartamento pequeno é um desafio quase tão grande quanto falar sobre técnicas alternativas de churrasco: como a realidade de cada interessado é bem diferente e única, é preciso ter em mente desde o princípio que sempre vai haver alguém que refutará as sugestões, chamará de impossíveis, etc.


O apartamento do neto hoje pode ser menor que a área de jantar da casa da avó...

E a causa do fenômeno é fácil de entender: a definição de "apartamento pequeno" é difusa. Há quem more em 30m2 e acharia um luxo morar em um apartamento de 50m2, assim como há quem more com família e cachorro em apartamento de 60m2 e ache - com razão - minúsculo. Da mesma forma, lidamos com situações variadas:

  • há quem pode furar as paredes, e também há quem não pode;
  • há quem precise se conformar em ter a cama servindo como sofá,
  • a cozinha no mesmo ambiente do quarto é uma realidade para muitos;
  • substituir as portas ou a mobília pode ser um sonho contratualmente impossível.

E assim por diante. Portanto, fica desde já o aviso: escrevo com base em uma realidade que conheci e vivi por bastante tempo (durante a graduação) - um condomínio enorme, ao lado da universidade, projetado para estudantes que não podem pagar aluguel alto, com paredes fininhas, conforto mínimo e aperto máximo. Mas era bom - tinha até parede separando o espaço da "sala", da "cozinha" e do "quarto".

E na época a minha experiência ficou melhor com algumas das dicas abaixo - poderia ter melhorado mais ainda, se eu tivesse possibilidade, interesse ou disposição de aplicar as restantes - mas faltava orçamento, permissão e perspectiva de longo prazo, pois eu não pretendia ficar lá mais do que o tempo necessário.

E vamos desde já combinar que as dicas de vocês, adequadas à situação que vocês conhecem e vivenciam, serão muito bem-vindas nos comentários, ok?

Começando pelo que NÃO fazer

Dois erros comuns, se cometidos, são difíceis de reverter sem prejuízo:

1. Menos é mais: Na hora da mudança para um apartamento pequeno, resista à tentação de "fazer caber" toda a mobília, os ambientes, as louças, as roupas, os livros, os DVDs ou os recursos de que você dispunha em um ambiente anterior. É possível até que tudo caiba, mas o excesso de itens em um espaço menor vai dar sensação de aperto, vai atrapalhar o uso e cedo ou tarde vai levar à necessidade de replanejar e reorganizar o espaço, descartando os itens cujo uso se provou impossível.

Não comece com um objetivo errado que o condenará ao aperto. Ao invés disso, planeje antes, e descarte (ou reaproveite em outro lugar, reuse, recicle, doe ou venda) os itens que não vão se adequar ao novo espaço, e aí nem os leve. Fazer uma lista de todos os itens candidatos a descarte e deixar todos os familiares colocarem em ordem (do mais desejado ao menos necessário) do quanto gostariam que ele fosse levado ao novo apartamento pode ajudar a tomar as decisões.

 


Deixe isso para o camping...

 

2. Lugar de mobília em miniatura é no camping: Ao planejar a ocupação de espaço, resista à tentação de coisas que podem parecer uma grande ideia na loja mas não servem para a prática do dia-a-dia: mesas em que não cabem ao mesmo tempo os pratos e as travessas, fogões minúsculos, geladeiras e outros eletrodomésticos em proporções absurdas, etc.

Se for um produto que você testou, conhece, já experimentou e viu que serve, considere sem medo. Mas a mera sensação de "se eu colocar esse fogão a gás de uma boca só e com forno reduzido conjugado com geladeira de 30 litros, vai sobrar espaço pra pendurar também o meu violoncelo atrás da pia" não deve levar a decisões de compra das quais você vai se arrepender em todas as refeições futuras.

A dica fundamental: projeto, orçamento, cronograma e qualidade

Roma não foi construída em um dia, e raras pessoas tem a felicidade de contar com bolsos fundos o suficiente para deixar um novo apartamento exatamente do jeito que desejam já no momento da mudança.

O importante é não fazer disso um motivo para aceitar se mudar "de qualquer jeito", ou fazer investimentos impensados limitados pela disponibilidade de caixa no momento da mudança.

O ideal é ter um projeto pensado a médio prazo, adquirindo inicialmente apenas o mínimo necessário para a mudança, e ir complementando com os itens planejados ao longo dos meses, considerando o orçamento disponível.

Isso exige uma adaptação especial no começo, mas equivale a não condenar a si mesmo a continuar vivendo indefinidamente em um apartamento que foi montado de maneira limitada devido a se priorizar apenas a questão do tempo.

A dica essencial vem da disciplina Gerenciamento de Projetos: a chamada Tripla Restrição, em que na prática devemos equilibrar 4 fatores que interferem uns nos outros: escopo (ou seja, a definição do que se deseja fazer), prazo, custo e qualidade. Concentrar-se apenas em um deles (tipicamente no prazo, ou no custo) leva os demais a perderem o controle.

Apartamento pequeno: 10 dicas práticas

  1. Troque funcionalidades desnecessárias pelas que você usa: morei bastante tempo em um apartamento projetado para estudantes, em que o espaço era mínimo, e ainda por cima era mal dividido. Mas eu tinha um espaço confortável para usar como sala de TV e escritório (desrespeitando, por impossibilidade prática, a regra de separar entretenimento e home office), escrivaninha, armário, sofá e duas poltronas até grandes. O segredo? Reconheci cedo o suficiente que não precisaria de uma mesa de refeições para ser feliz, e abri mão de poder receber pessoas para jantar em casa, a não ser que fossem comer no sofá.


    Iluminação, disposição, uso das paredes - tudo pode ser usado a seu favor.

    Hoje, acostumado a preparar e fazer refeições em casa, tudo seria diferente, mas naquele tempo a realidade de estudante me permitiu fazer esta escolha. Outras pessoas podem descobrir que não precisam ter microondas e forno elétrico, máquina de lavar, poltronas adicionais, 4 cadeiras na mesa de refeições, rack para o aparelho de som, violão, e assim por diante. Não é porque estes objetos já estão lá ocupando o seu espaço que eles deverão ser mantidos indefinidamente - se o ato de livrar-se deles for aumentar a sua qualidade de vida, desapegue!

  2. Menos mobília - mas não minúscula: O ideal é usar menos móveis, mas em tamanho normal (sem exageros, claro!). Um sofá apertado e 3 poltroninhas empilháveis geram sofrimento diário – melhor ter um sofá confortável (não escolha um modelo com braços muito largos!), e um plano para alojar visitantes adicionais na cadeira do computador e nas banquetas da mesa de refeições ;-) Mas sempre meça bem antes de comprar, para não ficar com um trambolho que não cabe direito e toma espaço de outras utilidades.

  3. Mobília multifuncional: Quem escolhe aqueles pequenos móveis que mais parecem apropriados a uma barraca de camping muitas vezes acaba se arrependendo - são frágeis, muitas vezes seu uso exige montar e desmontar, e mesmo desmontados eles ocupam precioso espaço. Como já vimos, o ideal é ter menos, e com qualidade - mas se você puder acrescentar o componente da multifuncionalidade, melhor ainda. Assim, a sua mesa de centro servirá também como baú para guardar louças, a cama terá gaveteiro, a escrivaninha terá estante para os livros de estudo, o sofá servirá como cama de hóspedes, a máquina de lavar também será secadora e assim por diante.
     

  4. Salve a cozinha: minha experiência com a cozinha de um apartamento pequeno foi péssima: a exaustão era complicada (fritura em casa, nem pensar), e o espaço era apertadíssimo - o microondas ia em cima da geladeira, contra todas as recomendações, a pia era apenas uma cuba, sem espaço para um escorredor, havia apenas 2 gavetas e um paneleiro mínimo, com porta única, e um fogão de 4 bocas. Meus compromissos na época exigiam almoçar e jantar na rua, mas eu sentia a dificuldade nos finais de semana...

    Cada caso é um caso, mas um suporte de parede como o da foto acima teria me adiantado muito. Até mesmo um escorredor simples de parede já ajudaria. Ou tirar a porta convencional da cozinha, que ocupava muito espaço (ou substituí-la por uma porta de correr, ou sanfonada), e assim ter condições de ter um armário vertical. Mas lembre-se: só faça alterações para as quais você tenha permissão, e antes de deixar o profissional escolhido furar paredes em que possam passar canos ou fiação, consulte a planta!
     

  5. Subindo pelas paredes: se o apartamento for seu, ou se você tiver permissão para furar, faça um bom projeto de uso das paredes e chame um profissional para colocá-lo em prática (dê a ele a planta elétrica e hidráulica para evitar acidentes!). Dependendo do caso, você pode fixar a TV e o som em uma parede, "economizando" o espaço do rack; pode colocar prateleiras ao longo de diversas paredes e corredores, altas o bastante para não bater com a cabeça nelas, mas baixas o suficiente para alcançar o conteúdo delas sem ter de subir no banquinho ("economizando" o espaço de armários e estantes) e assim por diante. Planeje cores e posicionamento para não errar na mão, evitando que isso faça o espaço parecer menor.

    Ao fixar, você abre mão de flexibilidade, mas ganha muito em espaço útil, e também na sensação de espaço que a área livre no nível do chão proporciona. E se houver algum vão ou nicho (no corredor, em algum canto ao lado de coluna, etc.), fique ligado - pode ser sua oportunidade de fazer um armário embutido que não rouba espaço útil!
     


     

  6. E o escritório? É perfeitamente possível ter um home office em um apartamento pequeno, embora possa exigir abrir mão de mais coisas do que quando há mais espaço para ele. Já tratamos do assunto antes, por isso recomendo os artigos "Home office: fazendo caber em apartamentos pequenos" e "Homeoffice no quarto, com uma escrivaninha e um balcão: para apartamentos pequenos".
     

  7. Acessórios inteligentes: a boa notícia é que, como há cada vez mais gente vivendo em apartamentos pequenos, o comércio está cheio de opções voltadas a este contingente. A má notícia é que nem todas elas são de boa qualidade, e mesmo as que são não necessariamente servem para você. Mas quando o espaço é um fator limitante, a qualidade dos acessórios (de cama, mesa, aparelhos, etc.) faz diferença considerável na qualidade de vida. Para as utilidades, visite um hipermercado ou uma loja especializada (eu gosto de fazer uma expedição a algum atacadão como a rede Leroy Merlin para isso), e para o restante vá escolhendo aos poucos o que se adequar ao seu estilo de vida.
     

  8. Considere a vida sem papel e sem discos: Muito do espaço ocupado nos lares modernos é pelo que hoje se convencionou chamar de "conteúdo": livros, coleções de revistas, música em CDs, filmes em DVDs, arquivos de documentos, etc. Alguns deles são absolutamente necessários ou valiosos e devem ser levados ao novo endereço, mas para outros já há alternativas de digitalização ou mera transferência para meios de armazenamento mais eficientes que você pode considerar. Mas leve em conta também os aspectos jurídicos e da segurança dos dados!

     

  9. Iluminação e cores: privilegie a luz natural sempre que possível, e capriche também em uma boa iluminação artificial. A luz pode fazer o espaço parecer maior, além de mais vivo. Um espelho bem colocado também pode fazer mágicas. Jogar com as cores também ajuda - consulte alguém da área da decoração e interiores, mas já adianto que é comum dizer que um esquema de cores em que o piso é mais escuro, as paredes são mais claras e o teto é bem mais claro dá a sensação de que o espaço é maior. A cor da mobília também pode ser importante, jogando bem com o contraste em relação às paredes, ou mesmo procurando uma cor parecida com as delas, você pode obter a impressão desejada - mas para tirar a dúvida, recorra a um profissional ;-)
     

  10. Decoração funcional: além das dicas de pintura mencionadas acima, consulte alguém versado nas artes e técnicas do design de interiores para ver como decorar para tornar o espaço mais vivo sem ocupar muito espaço nem dar a impressão de que o ambiente está "lotado". Espelhos - como o da foto acima, por exemplo - são a dica mais frequente para dar a impressão de espaço ampliado (e funciona mesmo - você acha que os espelhos nos elevadores estão lá só para dar oportunidade para o pessoal conferir seu visual?), e peças verticais, como abajures ou mesmo pôsteres, podem ser colocadas parcimoniosamente para ajudar a compor.

Leia também as minhas outras dicas em "Usabilidade em casa: 7 dicas para mais efetividade na sua organização doméstica".

Agora é a sua vez. Você mora ou morou em um apartamento pequeno e tem dicas sobre como sobreviver melhor neles? Compartilhe conosco!

Homeoffice no quarto, com uma escrivaninha e um balcão: para apartamentos pequenos

Home office também cabe em apartamentos pequenos! O que você mudaria no projeto abaixo?

Em muitos posts anteriores já mencionamos a importância de que toda forma de trabalhar em casa ocorra em um ambiente dedicado a isso, isolado de distrações e das áreas em que os demais habitantes possam querer desempenhar suas próprias atividades no mesmo período.

Ter o home office instalado no quarto nem sempre é a melhor opção, porque torna mais difícil desligar-se das atividades profissionais quando o "expediente" acaba, e também porque mantém muita proximidade de distrações como a possibilidade de uma soneca – além de naturalmente só se aplicar bem a quartos individuais.

Devido a um projeto em andamento, tenho pesquisado bastante sobre disposições de homeoffice para espaços pequenos, e este home-office em um quarto de apartamento pequeno me atraiu a atenção porque aproveitou muito bem o espaço de duas paredes, preservando uma janela e usando apenas uma mesa de tampo simples, uma cadeira e um balcão.

O essencial do mobiliário de qualquer homeoffice organizado é ter um espaço de trabalho (a mesa), uma área para acessórios como multifuncional, caixa-arquivo, etc. (o tampo do balcão), espaço para armazenar os instrumentos de trabalho (as gavetas do balcão) e espaço para os materiais de expediente e referência (os armários do balcão).

Veja mais fotos com os detalhes. Gavetas na escrivaninha, algumas prateleiras aéreas e espaço para deixar os arquivos à mão sem se deslocar enquanto está na escrivaninha seriam grandes bônus que eu procuraria acrescentar, mas a forma como este profissional estruturou a organização do seu homeoffice preservando espaço para o quarto parece funcional o suficiente para merecer a menção aqui, e dar uma ou outra boa ideia a quem estiver projetando o seu!

O que vocês acham?

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