Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Bullying no escritório

Quem tem paciência para ser tolerante com o bullying no ambiente de trabalho? Eu certamente não. Como se não bastassem os compromissos e as dificuldades do trabalho em si, você acaba tendo de lidar também com a intimidação do colega valentão, o manipulador, os formadores de quadrilhas (que pensam estar fazendo networking), e tantos outros personagens e estereótipos que encontramos como obstáculo a um trabalho bem feito e a uma equipe coesa.

Mas, gostando ou não, se você está em uma organização em que isto ocorre, terá que encarar as 3 opções apresentadas no agora já quase vintage filme Tropa de Elite I: ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra.

Se omitir em geral é fácil - é só ir abrindo mão aos poucos das coisas até não ter mais nada que os valentões desejem, e aí ser visto como ultrapassado e ficar no ponto pra ir pra rua na próxima reestruturação.

Se corromper neste contexto não é tão comum, mas ir para a guerra é - e nesta situação significa encarar de frente a política da intimidação, mesmo que não seja com as mesmas armas e nem na forma de um contra-ataque.

Identificando o bully

Normalmente não é difícil identificar um valentão mas, se você estiver precisando de uma confirmação, aqui estão alguns comportamentos comuns para colocar na sua checklist.

O típico valentão do escritório, inseguro e controlador, pratica pelo menos 4 dos comportamentos abaixo:

  • Remove arbitrariamente opções, de modo a deixar abertas só as alternativas que lhe convêm pessoalmente
  • Coloca a equipe contra a parede e sob pressão desnecessária
  • Tenta sabotar a possibilidade de discussão objetiva quando as suas preferências estão em jogo
  • Manobra nos bastidores para transferir suas culpas para os colegas e ficar com os créditos pelas vitórias deles
  • Eleva o tom de voz quando seu argumento não é o vencedor
  • Usa subterfúgios para fazer com que propostas que não lhe sejam convenientes nem cheguem a ser conhecidas por quem deveria analisá-las
  • Descarta (ou tenta desvalorizar) dados e fatos que não condizem com sua própria visão
  • Se esforça para evitar que o "outro lado da história" possa ser apresentado
  • Mascara o seu comportamento com eufemismos: "sou autêntico", "falo pela frente", "sou competitivo", "promovo o debate", etc.

Como se vê, não é requisito que o valentão do escritório seja grosseiro, se vista mal, critique inapropriadamente a aparência e o comportamento alheio, fale palavrão e pratique formas evidentes de assédio moral: na política corporativa é perfeitamente possível praticar a violência com luvas de seda.

Lidando com o valentão

Não é fácil se livrar deles. Assim como as baratas, os valentões existem desde os primórdios, e desenvolveram técnicas de adaptação que praticamente garantem que sobreviverão até mesmo a um holocausto nuclear - eles só não se adaptam a pessoas preparadas para não ter medo de discurso nem de cara feia.

Qualquer estudioso de táticas de combate poderá lhe confirmar que, do ponto de vista de uma estratégia primária de manutenção da integridade de quem é um alvo de perseguição, a evasão (ou seja, não ser percebido como alvo) é muito mais vantajosa do que o confronto ou a fuga.

Assim, se o que você quer é apenas cuidar da sua vida, procure evitar ser um alvo preferencial, pois os valentões geralmente escolhem alguns alvos repetitivos e os usam como vítimas para exibir seu poder aos demais da "manada".

Se você já for um alvo, e não puder agir direto na causa (por exemplo, remover o bully ou você mesmo ir para um ambiente mais saudável), aí o ideal passa a ser resistir ativamente.

Lembre-se sempre que tentativas de intimidação verbal são muito comuns, dentro e fora do escritório, mas a eficácia delas é limitada pela capacidade de as pessoas reagirem.

Se você se encolhe, certamente será intimidado de novo. Mas se mantiver a calma, pagar para ver, e sustentar sua posição, é bastante provável que acabe descobrindo que o intimidador não tinha nenhuma outra arma além da voz alta e da atitude ameaçadora - e aí será mais fácil resistir na próxima vez, até deixar de ser um alvo preferencial.

Durante o assédio

Assédio moral é questão séria, e se você for uma vítima, a recomendação é buscar orientação jurídica ou na sua entidade classista, pois pode haver muitos cursos de ação que sejam do seu interesse tanto na prevenção quanto na reparação.

Vale lembrar que, durante a intimidação verbal, a meta do valentão é fazer sua vítima perder o controle, para melhor poder ser manipulada. Se a vítima chorar, gaguejar, erguer a voz, tanto melhor - ele saberá como lidar com a situação e explorá-la. Portanto, se você retiver sua consciência, lembre-se que a SUA meta é manter o controle emocional e físico - se possível, encarando de frente o valentão e demonstrando que não se comove com o show dele. Revidar geralmente não é uma opção, ao contrário do que acontece no pátio da escola.

Mas na ausência desta providência, aqui estão algumas sugestões sobre como agir durante os ataques infundados do valentão:

  • Não perca a calma nem a postura: o assédio do valentão é uma situação que ele conhece bem, sabe controlar e tem como meta mostrar a você e aos outros que ele controla você. É uma armadilha, uma teia de agressões (expostas ou veladas) construída para fazer você perder o seu controle, se expor, e com isso fazer com que o valentão seja visto como o dono da situação.
    Assim, se você tentar falar e for interrompido, não tente de novo - avise (de forma que outras testemunhas lhe ouçam) que nessas condições não há diálogo, e aí ignore-o, ou comece a fazer outra coisa, mas deixe claro que gritos e grunhidos não servem como comunicação com você. Essas são respostas pelas quais ele não espera e, ainda que ele cante vitória pela sua "fuga", são percebidas pelos demais como um ato de superioridade de quem não precisa participar deste tipo de abuso.
     

  • Saiba o que falar no momento certo: já vimos que um dos comportamentos do valentão é evitar que o "outro lado" possa contar sua versão. Ainda que você tenha um discurso a fazer que o demoliria, ele não vai deixar você falar mais do que a primeira frase.
    Portanto, aproveite bem esta única frase, encare-o de frente e use-a de forma que o público do valentão também ouça, bem no momento em que ele estiver atraindo a atenção de todos. Uma que já usei com sucesso, com um "orientador motivacional" que perdeu seu foco, foi "Pode continuar falando! Não vou fazer, e quero ver quem me obriga" - aí prolongar o discurso só aumentava a derrota dele.

    Em outra ocasião, quando usei uma frase mais longa ("Se estou em falta, denuncie - estou em dia, tranquilo e ocupado, e esse teu discurso todo não convence nem comove"), só cheguei até a palavra "discurso" antes de ele começar a vociferar de novo pra plateia, mas aí eu já estava olhando pra uma planilha e o público perdeu o interesse.
     

  • Bloqueie o acelerador: se o valentão tiver autoridade - por exemplo, se for em uma reunião de investigação ou auditoria e estiver pressionando para fazer você responder só o que ele deseja que seja dito - e você for obrigado a responder a ele, cuidado com a tática do acelerador: ele faz uma pergunta, você começa a responder e, no momento em que já disse o que ele queria ouvir, ou quando começa a falar o que ele não quer ouvir, ele o interrompe com a próxima pergunta, não se deixe intimidar.
    O que você precisa responder é "responderei a esta nova pergunta também, mas depois de terminar a resposta anterior". A reação natural dele será dizer "Já está respondida e avancei para a próxima". Responda "Avançaremos sim, mas só quando eu terminar a anterior" tantas vezes quantas forem necessárias, a não ser que alguém presente tenha real autoridade para fazê-lo parar.

    Mas controle a emoção. Nada de elevar a voz ou demonstrar desrespeito. Ele vai continuar querendo cortar e acelerar, e pode usar o seu desrespeito para justificar o fim antecipado da sessão.
     

  • Documente: Na ausência de testemunhas confiáveis, o que se pode fazer é documentar (quanto mais cedo melhor) na forma de um relato assinado e datado que descreve o ocorrido, inclui a lista de evidências (se houver) e pede providências de prevenção de repetições, encaminhá-lo formalmente à autoridade responsável (seja a área de gestão de pessoas, o chefe da equipe, o seu chefe, ou o que for) e pegar o comprovante de recebimento aplicável à sua organização. Se a sua empresa for daquelas em que impera uma lei do silêncio ("bom cabrito não berra" e similares), isso pode lhe trazer problemas adicionais, portanto aja conscientemente e já com orientação jurídica neste ponto.

Não seja você também um brigão

Quem é vítima da política do escritório em geral não o faz por opção, mas esta é a escolha que resta, além de brigar ou fugir.

Só que uma consequência imprevista (além das óbvias que se manifestam na produtividade e motivação) é que ao resistir ao bullying, você pode acabar sendo visto como o "criador de caso" e brigão - exatamente como acontece no pátio das escolas há séculos - porque o bully tem simultaneamente a iniciativa e a experiência em parecer a vítima, e você é um mero amador.

Portanto, lembrando o exposto, se você não quer participar, o melhor é evitar se colocar na posição de alvo: não correr para tomar partido em discussões que não o envolvam (se o envolverem, aí ter uma posição passa a ser necessário, claro), manter o foco nos objetivos (os seus e os da organização), e cuidar para não misturar o que é pessoal e o que é profissional, mesmo que os outros estejam misturando.

Isso não significa que você precisa engolir desaforos (releia os parágrafos acima), mas sim que não precisa deixar os outros imporem a sua forma perniciosa de fazer política demarcando território!

Acompanhe o Efetividade no Twitter

O @efetividadeblog é o perfil do Efetividade no Twitter e, ainda que sem periodicidade definida, é o veículo pelo qual publico muito material que complementa e expande o que sai no site.

Ontem e anteontem, por exemplo, sairam por lá uma dica de review de aparelhos Blu-ray disponíveis no Brasil, um acessório para churrasqueiros, jogos para smartphones, uma dica sobre qual é o post que sai amanhã, uma dica de evento legal em SP e muito mais.

Além disso, lá no @efetividadeblog são anunciados os novos posts, surgem dicas enviadas pelos leitores, e muitas vezes consigo pesquisar preferências, engatar um diálogo ou bate-papo legal com vocês - coisa que pelo feed RSS não tem como acontecer ;-) Assine e recomende aos amigos!

Aliás, estão convidados a acompanhar também o meu próprio perfil, que é o @augustocc - onde também comento sobre produtividade pessoal, código aberto, Mac, churrasco, a superioridade evidente da Coca-Cola em garrafinhas de vidro, o dia-a-dia do home office e mais. Sejam bem-vindos!

Como assinar revistas importadas no seu computador

Morar no Brasil e ser assinante de revistas internacionais é um desafio constante: além de descobrir como assinar as revistas importadas que você deseja, é preciso se expor aos constantes atrasos na entrega, eventuais exemplares que não chegam, e ao preço escorchante (ou mesmo abusivo, no caso de algumas distribuidoras oportunistas).

Para completar, é comum passar pela suprema humilhação de um assinante: encontrar a revista na banca (bem!) antes de receber em casa seu exemplar. No caso das revistas de assinaturas do exterior isto é até relativamente comum, porque o seu exemplar vem por alguma modalidade econômica dos Correios, e o distribuidor que atende as bancas pode importar em lotes mensais que chegam por vias expressas.

Eu sou assinante de grande número de revistas estrangeiras (de Mac, de Linux, de tecnologia em geral, de software, etc.), mas no caso de várias delas estou na transição das assinaturas em papel para as assinaturas digitais, devido às vantagens abaixo, em ordem de importância:

  • chega na data do lançamento original (na assinatura em papel, as minhas edições de Natal costumam chegar em fevereiro...)
  • zero extravio (com as assinaturas internacionais em papel, até você ter certeza do extravio, solicitar reenvio e recebê-lo, 4 ou 5 meses se passaram)
  • geralmente cada edição está disponível bem antes de você encontrá-la na banca
  • o preço por exemplar é bem mais barato do que o da assinatura internacional em papel.

Existem pelo menos 2 enfoques diferentes para a questão da transição das revistas em papel para um novo modelo digital: o da simples conversão (em que a revista digital é um equivalente, quanto ao conteúdo, do mesmo exemplar em versão impressa) e o da "revista virtual", em que o exemplar digital tem "complementos" como infográficos animados, vídeos e links internos - os quais, francamente, dispenso.

Mas não vou deixar de ser claro quanto a isso: sou fã das revistas em papel, e para mim, ler o seu conteúdo em uma tela é um substituto muito pobre para toda a experiência sensorial de folhear e apreciar um exemplar bem produzido, impresso e encadernado.

Só que se a edição em papel chega irregularmente, sempre atrasada e bem mais cara, ter uma forma alternativa de garantir o acesso (ainda que restrito ao conteúdo) acaba compensando abrir mão dos atrativos adicionais do veículo impresso.

E se essa forma alternativa vier acompanhada da variedade quase insana de revistas encontradas no mercado internacional, melhor ainda!

Assinando revistas importadas com o Zinio

Existem várias maneiras de ler e assinar o conteúdo de revistas importadas. Eu já experimentei várias delas, mas minha simpatia recai sobre o Zinio.

Uma metáfora batida explica bem o que o Zinio faz: é uma banca de revistas on-line. Mas não uma banca qualquer: é como se fosse uma grande banca de aeroporto internacional, ou uma banca cultural que nem toda capital tem, em que se pode encontrar revistas importadas de todos os tipos.

O acervo do Zinio (acima você vê algumas edições em destaque da semana em que escrevo este artigo) inclui as edições correntes e as mais recentes das publicações de uma variedade de editoras de diversos países, com muitos títulos em inglês, espanhol e italiano, mas também revistas de países mais distantes, como Vietnã e China. Você pode comprar uma edição específica, ou fazer a assinatura (por períodos de tempo variáveis) de alguma delas para garantir o acesso facilitado (e geralmente com desconto) às próximas edições.

Um ponto interessante a favor do Zinio é que, assim que você se cadastrar no sistema, recebe acesso a uma estante de amostras grátis: artigos de edições recentes de revistas em vários idiomas, disponibilizados na íntegra, página por página iguais às versões impressas. No momento em que escrevo, a estante de amostras grátis em inglês conta com 37 artigos, e também há 9 amostras grátis em espanhol, 3 em italiano e uma em alemão.

Mas se os artigos oferecidos como amostras grátis servem para você entender melhor como é a conversão da revista para o formato digital antes de gastar algum dinheiro, na prática continuada o que interessa são as opções de compra de exemplares inteiros, e de assinaturas das revistas.

E o procedimento é bem simples: navega pelas categorias até encontrar a revista desejada (podendo filtrar por idioma), clica na capa da que interessar, e aí aparece um descritivo completo com o preço e duração da assinatura, além das opções de comprar apenas a edição corrente (cuja capa estiver em destaque), ou edições anteriores (as 4 capas mais recentes aparecem no rodapé, e há um link para exemplares mais antigos).

O pagamento é via cartão de crédito internacional ou PayPal; eu compro via PayPal, e a revista fica disponível para leitura imediata na minha biblioteca do Zinio ("my library", se você estiver usando em inglês, ou "meu zinio", se estiver em português) - tudo dentro do navegador.

E se você quiser ler offline no seu computador (com Mac, Linux ou Windows), pode fazer o download do conteúdo sem problemas, mas terá que usar (para download e para leitura) o Zinio Reader, disponível para download gratuito.

Como o Zinio exibe as revistas

Tanto a leitura direta no navegador, quanto usando o Zinio Reader 4, oferecem uma mesma interface, que coloca as páginas da revista (vistas duas a duas, como na edição impressa aberta, ou uma de cada vez) como as estrelas, mantendo um fundo escuro nas áreas não ocupadas da janela, e um menu de navegação e serviços na parte inferior.

A imagem acima (bastante reduzida após a captura para poder caber aqui, naturalmente) mostra uma visão de 2 páginas lado a lado, com o fundo preto ao redor e o menu na parte inferior. Mas para você poder ter uma ideia do grau de conforto para leitura, veja uma captura sem redução, da mesma visão que mostra 2 páginas inteiras simultaneamente no monitor:

Eu acho este modo apenas legível, mas não excepcional - serve apenas para folhear. Quando quero realmente ler um artigo, eu uso o recurso de zoom que o Zinio oferece (pela sua barra inferior), e aí a legibilidade fica assim:

Naturalmente dá para deixar bem maior, ou menor, variando o nível de zoom de acordo com o seu conforto visual, e da sua preferência quanto ao equilíbrio entre a área da página visível no monitor e o tamanho das letras.

Tanto o visualizador web quanto o Zinio Reader oferecem um confortável modo opcional em tela cheia (na imagem acima você vê a versão do Reader). O controle de zoom não é o único conforto: dá para selecionar a visão em 1 ou 2 páginas de cada vez, o índice da maioria das revistas é clicável (ou seja: você clica em um título de matéria e navega automaticamente para ela), e existe uma visão que mostra thumbnails das páginas:

Concluindo

Simplifico a conclusão dizendo que, embora não ache a leitura digital um substituto à altura para as minhas revistas em papel, acho a implementação do Zinio muito próxima do que se pode esperar de melhor deste tipo de substituto: uma soma de um grande acervo, comodidade para assinar e comprar exemplares isolados, e leitura com qualidade.

Se você está procurando assinar uma revista importada, o Zinio pode ser uma boa opção. Sugiro criar sua conta, experimentar a leitura de alguma das amostras grátis, e aí avaliar se ele serve ou não para você!

E guardei um detalhe interessante pro final: o Zinio também tem versão para o iPhone e iPad, e as revistas que você compra na web podem ser lidas nestes aparelhos, e vice-versa: veja os detalhes no post-gêmeo que preparei no BR-Mac.org.

Leatherman Skeletool CX: uma multiferramenta diet

Que tal uma ferramenta de bolso versátil e resistente, mas mais leve que a maioria de suas concorrentes?

O segredo é simples. Lembra do chocolate Suflair, que a Nestlé descreve como aerado, porque é preenchido por bolhinhas de ar, ao invés de ser totalmente preenchido como os demais concorrentes?

Não falta quem critique este chocolate por "vender ar e cobrar mais caro", mas nunca consegui concordar com este tipo de crítica: a consistência do Suflair é diferente, isso é parte da sua "receita", e o resultado final é bom - vale o preço, e a leveza é um diferencial interessante, ainda que surpreendente.

E o que acontece com o Leatherman Skeletool CX é um efeito nesta mesma linha, embora seja mais fácil perceber a vantagem: embora tenha dimensões similares às de outras ferramentas similares da Leatherman e da Victorinox, ele é bem mais leve, e isso se explica por sua estrutura também ser "aerada" - veja na foto a quantidade de furos nas partes não-estruturais do seu corpo.

Não é só isso que o deixa mais leve, entretanto: ele poderia ser chamado de uma versão diet das outras multiferramentas da Leatherman, trocando a usual quantidade avassaladora de ferramentas por uma seleção minimalista.

O Leatherman Skeletool tem "apenas":

  • alicate universal (com corte em 2 gradações: normal e duro)
  • suporte com trava para as ponteiras ("bits") intercambiáveis da Leatherman (chaves de fenda, philips, allen, etc.)

  • acompanham 2 bits, uma com chaves philips (#1 e #2) e outra com chaves de fenda (3/16 e 1/4) - uma vem inserida no suporte, pronta para usar, e a outra vem no compartimento para a bit extra, embutido no cabo
  • abridor de garrafas
  • prendedor tipo mosquetão/carabiner

  • uma bela lâmina lisa com trava (para não fechar na hora errada) e abertura com uma só mão

Para alguns usuários isso significa menos volume e peso no bolso (ou na cintura, para os aventureiros e profissionais que andam com ele acoplado ao cinto, usando uma bainha ou o clip removível embutido), mas para quem vive de maneira mais urbana, talvez possa significar menos peso na mochila, sem renunciar às ferramentas no dia-a-dia.

Eu desenvolvi o hábito de levar comigo multiferramentas há anos, e comecei com modelos bem mais "completos", que incluíam serras, réguas, descascadores de cabos, limas, lixas, etc.

Mas com o tempo fui percebendo que - embora sejam uma grande ideia para quando não se tem acesso a uma caixa de ferramentas tradicional - a multiferramenta para mim é mais útil como primeiro recurso, em nome da comodidade. Se eu precisar limar ou serrar alguma coisa, geralmente dá tempo de ir procurar a caixa de ferramentas completa.

Foi assim que, há algumas semanas, migrei de um modelo mais "parrudo" para o Skeletool CX que hoje descrevo.

E ele passou a ser útil desde o primeiro dia, e todos os dias desde então. A lâmina afiada e em formato bem pensado abre desde o saco de carvão até as mais diabólicas embalagens de eletrônicos (aquelas em plástico transparente rígido que parecem ter sido projetadas para nos causar frustração tentando descobrir como se abre!), as ponteiras de fenda e philips ajustam, abrem e apertam a cadeira do escritório, o suporte do monitor e o compartimento de pilhas do brinquedo mal projetado, e o abridor de garrafas... abre garrafas.

Como não é a minha primeira multiferramenta da Leatherman, eu já tinha um acessório que multiplica a utilidade da ferramenta: um kit de bits adicionais, que me permite apertar e soltar parafusos allen, torx e tamanhos de philips e fenda que não vêm inclusos no pacote da ferramenta em si.

Eu também ganhei de brinde promocional uma bainha de nylon como a da foto acima. A Leatherman vende grande variedade de bainhas, mas achei essa especialmente bem pensada porque conta com um bolso interno para levar um kit de bits, e 2 porta-acessórios externos (que também servem como porta-canetas, além de ter um diferencial interessante em relação a outros modelos da Leatherman: possui um orifício que permite embainhar a ferramenta mesmo quando aberta (ou seja, quando assume a forma de um alicate).

Sou fã de multiferramentas, e na nossa série sobre as mochilas dos leitores ficou claro que vocês também são. Recomendo, portanto, uma olhada no Skeletool CX, nem que seja para colocar na lista do Papai Noel no final do ano! ;-)

E leia também: Leatherman K502X: uma ferramenta de bolso que você pode usar de verdade

Senhas seguras, sem esquecer

Que tal uma forma simples de lembrar da senha de cada site ou software que você usa?

É inegável: a segurança e a comodidade do usuário são inversamente proporcionais, no que se refere ao controle de acesso a dados, sistemas e sites. Ter a mesma senha em todos é um risco grave, mas ter senhas diferentes e não lembrar de alguma quando precisar também causa prejuízos sérios.

Já compartilhei meu método simples de escolher senhas diferentes para cada serviço e nunca esquecê-las, que coloca você vários passos à frente da maioria da população - que, sabidamente, repete a mesma senha adivinhável em todos os serviços que usa.

Mas este é um assunto inesgotável, e agora o leitor Marcelo Toledo me escreveu para compartilhar a dica dele, que se baseia num software gerenciador (disponível para Windows, Mac OS X, Android, iPhone e iPad)

Separei um trecho do texto dele:

(...) O grande perigo de tudo isso, é que se torna muito simples ter acesso a tudo que você tenta proteger com essas senhas fracas. Uma vez descoberta, e o hacker, ou qualquer que seja a pessoa, terá acesso a tudo. Já parou para pensar o que essa pessoa poderia fazer de posse da sua senha padrão? Que dor de cabeça seria se isso acontecesse?

Solução

O ideal é simples, toda vez que você precisar de uma senha ela será diferente, conterá letras, números, maiúsculas, minúsculas e talvez até caracteres especiais, além disso, ela terá diversos dígitos, quanto maior melhor. Loucura, né? Nem um pouco! É exatamente assim que eu faço hoje em dia e quer saber? Eu não me recordo de 99% das minhas senhas. Nem preciso. Mas essa mágica não acontece sozinha, eu tenho um programa que gerencia todas as minhas senhas e a única senha que eu preciso lembrar é a deste programa, uma vez digitada e eu rapidamente tenho acesso a todas as senhas que eu preciso, de uma forma bem prática.

Eu utilizo um programa (…)

A versão completa do texto do Marcelo pode ser consultada aqui: Não aguenta mais tanta senha?

A solução dele, de usar um programa gerenciador, é boa e resolve vários pontos fracos da cadeira, embora acrescente também um potencial ponto fraco, e um ponto de dependência bastante real. Pessoalmente, entretanto, prefiro uma boa regra de memorização fácil de aplicar mas difícil de identificar, mesmo que alguém descubra várias de suas senhas!

E, como de hábito, aguardo que vocês compartilhem nos comentários as suas próprias soluções!

Entrevista sobre produtividade pessoal e lifehacking no dia-a-dia do Efetividade

Seiiti Arata, da Arata Academy conduziu uma longa entrevista comigo sobre minha visão a respeito de produtividade pessoal, lifehacking, e como eu aplico na prática do dia-a-dia.

A primeira parte da entrevista já está publicada, e compartilho com vocês as perguntas iniciais aqui, para que possam ir ler a versão integral se acharem interessante:

Seiiti Arata: Existem milhares de técnicas e inclusive softwares para aumentar a produtividade e gerenciar nosso tempo. Na sua experiência pessoal, o que é que funcionou bem para você, Augusto?

Augusto Campos: Eu comecei com o GTD, de David Allen, e a partir dele fui refinando o que se adapta bem a mim, e o que acabava virando mero overhead – por exemplo, eu não sinto necessidade de fazer revisões semanais de listas de tarefas de longo prazo, e manter uma caixa de entrada unificada é uma impossibilidade prática na minha rotina. Mas o GTD é flexível e estimula a personalização (embora insista, e eu reforce, que o melhor é iniciar de forma ortodoxa, e ir flexibilizando só depois).

Mas se eu estivesse avaliando alternativas hoje, acho que simpatizaria mais com o ZTD, do ZenHabits, cujos fundamentos parecem muito mais compatíveis com a minha forma de ver o mundo.

Seiiti: Até que ponto vale a pena investir esforços pra aumentar a produtividade?

Augusto: “Aumentar a produtividade” não é exatamente um objetivo ao qual eu me atenha muito. Eu quero é produzir melhor, produzir tudo o que preciso com menos aplicação de esforço e recursos, e considerando meus objetivos estratégicos e escolhas pessoais. Uma busca voltada diretamente ao aumento da produtividade pessoal não reconhece o limite em que o esforço empregado deixa de ser compensado pelo ganho nos resultados, e geralmente termina mal.

Seiiti: Augusto, acho que seria ótimo conhecermos um pouco mais da sua rotina: Antes de conhecer algumas das técnicas de efetividade, quanto tempo era desperdiçado? Como conseguiu otimizar pequenas tarefas do dia a dia… e tarefas relacionadas a seu blog? Você delega e terceiriza quais funções? Como decidir delegar, automatizar ou mesmo eliminar uma atividade?

(...)

Agradecimentos ao Seiiti Arata! E veja a versão completa da entrevista em Entrevista: Augusto Campos do Efetividade.net fala sobre produtividade pessoal.

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