Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Não votou nem justificou? Instruções oficiais explicam o que fazer

Para acabar com diversas lendas urbanas sobre o que fazer (ou não fazer) quando se deixa de cumprir a obrigação legal do voto, fui ao TRE de Santa Catarina perguntar quais os procedimentos.

A resposta foi bastante completa, inclui até um modelo do pedido de justificativa, e reproduzo na íntegra:

Procedimentos para justificar a ausência no dia da votação

Após o dia da votação (5 de outubro), o eleitor tem o prazo de até 60 dias (até o dia 4 de dezembro) para formalizar a justificativa de ausência à eleição, encaminhando requerimento de justificativa eleitoral ao juiz da zona eleitoral em que for inscrito.

Esse requerimento pode ser entregue em qualquer cartório ou posto de atendimento eleitoral, ou, na impossibilidade, encaminhado, por via postal, ao cartório da zona eleitoral onde é inscrito o requerente.

Onde houver segundo turno, o eleitor que não puder comparecer terá também 60 dias (até 26 de dezembro) para justificar a ausência.

O requerimento de justificativa deverá ser preenchido e instruído com o comprovante do impedimento à votação, como, por exemplo, cópia de atestado médico, passaporte, entre outros. O acolhimento ou não das alegações apresentadas ficará a critério do juiz da zona eleitoral em que o eleitor estiver inscrito. Se a justificativa for indeferida, o eleitor estará sujeito à penalidade de multa.

Eleitor que estava fora do Brasil no dia da eleição

O eleitor que estiver em país estrangeiro nos dias das votações deverá também justificar o não-comparecimento à urnas. Ele, entretanto, tem o prazo de 30 dias após a data do retorno ao Brasil para fazer a justificativa junto ao cartório eleitoral, bastando estar de posse de seu título e alguma prova material de que estava no exterior, como passaporte, passagem, etc.

Se deixar de votar em três eleições consecutivas e não justificar, o eleitor terá seu título cancelado.

Se o eleitor não votou no primeiro turno, pode votar no segundo?

Sim. O eleitor que não votou no primeiro turno, mas que possa votar no segundo, deve fazê-lo, mesmo que não tenha ainda feito a justificativa, uma vez que ele tem, por direito, até 60 dias para justificar. Assim como aquele que votou no primeiro, mas que, por algum motivo, não pode comparecer às urnas em eventual segundo turno tem o direito de justificar a ausência.

Se o eleitor deixou de votar no primeiro e no segundo turno da eleição, terá dois prazos para justificar suas ausências. Um de sessenta dias, contado da data de realização do primeiro turno e outro, com a mesma duração, com início a partir do dia em que ocorrer o segundo turno.

Regularização da situação eleitoral

O eleitor que não justificar a ausência à eleição ou que tiver sua justificativa indeferida deverá comparecer perante qualquer cartório eleitoral para regularizar sua inscrição, a partir de 10 de novembro de 2008.

Top 5: dicas para sair melhor em fotos casuais

Por mais que você se esforce, acaba sempre aparecendo torto e fazendo careta nas fotos do churrasco da turma ou do fim de ano em família?

Algumas pessoas são naturalmente fotogênicas, enquanto outras acabam sempre virando uma atração à parte nos álbuns da família e dos amigos, por sempre aparecer - sem querer - fazendo careta, despenteado, ou todo torto.

Se você está neste último grupo, o roteiro abaixo tem 5 dicas que você pode seguir para conseguir aparecer melhor nas fotos casuais de agora em diante.

1 - Arrume-se e dê uma olhada no espelho!

Se você sabe que vão tirar fotos, lembre-se disso na hora de se vestir. Além de escolher uma roupa bonita, evite as que saem mal em fotos (como listas horizontais, listas finas em geral, quadriculados, padronagens berrantes, excesso de brilho, etc.). A não ser que você seja um gênio das cores e da fotografia, opte por cores neutras e que combinem naturalmente com sua pele, cabelo e acessórios. Na hora em que as fotos forem começar, dê uma rápida olhada no espelho: corrija os cabelos despenteados, verifique se não tem nada nos seus dentes, limpe bem os óculos, e evite assim os problemas mais embaraçosos que você já viu em tantas fotos ao longo da vida!

2 - Cuidado com o brilho próprio

Quando falamos da personalidade, ter brilho próprio sempre é bom. Mas na hora de fotografar, o brilho da sua face só atrapalha. Se sua pele for muito oleosa ou se você estiver suado, recorra a uma toalha de papel ou mesmo a uma toalha levemente umedecida. Ou ao pano limpo que estiver à mão, em último caso.

3 - Postura de vencedor

Se você aparece naturalmente relaxado e bem posicionado nas fotos, continue usando a posição que já adota naturalmente. Mas se você é uma daquelas pessoas que sempre parece rígida demais, torta ou jogada nas fotos, existem duas posturas fáceis de adotar em fotos tiradas em pé. A primeira delas é ficar de frente para a câmera, colocar um dos pés à frente do outro (com o peso concentrado em um deles), braços naturalmente caídos ao longo do corpo, ombros naturalmente relaxados, e inclinar-se um pouco (pouco!) para trás - você vai se sentir estranho, mas fica legal na imagem.

A outra é posicionar o corpo em um leve ângulo em relação à câmera (não exagere - 60 graus já é demais), e aí virar a cintura e o pescoço para encarar o alto da testa do fotógrafo (ou a lente, se você preferir sair igual a todo mundo) exibindo 3/4 do rosto, sem mover os pés.

Pratique ambas com uma câmera digital, e nunca mais pareça o Tropeço (da família Addams, lembra?) nas fotos.

4 - Encarando a lente da verdade - sem sorriso amarelo

Nada de pescoço de ganso nem de cara torta! Na postura em ângulo (ver item acima), aproveite para esticar o pescoço e depois inclinar a cabeça de volta para baixo apenas parcialmente. Isso ajuda a evitar que você pareça ter queixo duplo (especialmente se a câmera estiver pouco acima da altura dos seus olhos), e corrige o achatamento da face. Aproveite e escolha qual o seu melhor ângulo, eventualmente escondendo algum aspecto que você prefira não mostrar em destaque! Se desejar isso muito arduamente, você pode praticar ângulos diversos sozinho com uma câmera digital (coloque-a na altura certa!), até aprender quais ângulos prefere usar em público.


Pescoço esticado, rosto ligeiramente inclinado, e nada de queixo duplo

Evite expressões congeladas e sorrisos forçados - eles pioram qualquer foto casual, e não mostram quem você realmente é. A meta é sorrir com os olhos e a face inteira, e não apenas com os lábios. Pense em alguma coisa engraçada ou alegre, e se fotos deixam você nervoso, tente não se concentrar nelas. Se a foto for posada e não for em grupo (e assim você tiver certeza de que o fotógrafo está prestando atenção em você e não vai tirar a foto com seus olhos fechados), feche os olhos e inspire. Após alguns segundos, expire, abra os olhos e sorria. Assim o sorriso não parece um modelo prét-a-porter comprado em liquidação, nem aquelas máscaras de gesso em forma de sorriso deformado! Uma dica extra, se você não gosta da forma como seu sorriso aparece nas fotos porque parece mostrar um pedação das gengivas ou excesso de dentes, é praticar para sorrir só parcialmente, sem deformar a expressão.

5 - Locação, horário e equipamento

Tudo isso depende bem mais do fotógrafo do que de você, se as fotos forem casuais. Mas se você puder influenciar, escolha sempre o amanhecer e o pôr-do-sol para as fotos ao ar livre. Se precisar ser fotografado ao ar livre no meio do dia, faça-o à sombra, a não ser que o fotógrafo saiba muito bem o que está fazendo! Escolha sempre um fundo regular (padrões confusos ou muito detalhados costumam atrapalhar bastante) ou neutro, e evite o flash, a não ser que esteja sendo controlado por alguém que domine o equipamento.

Relaxe!

Como tudo que é humano, essas dicas podem variar, e alguns profissionais podem sugerir fazer exatamente o oposto. A chave é experimentar, praticar, e - na hora da verdade - relaxar. As melhores fotos casuais mostram quem você é, e não uma pose ou postura forçada.

Recomendo estes artigos adicionais: Ten Ways To Look Fabulous in Pictures, How to Be Photogenic, 5 Ways to Look Better in Pictures.

Leia também:

Mochila para notebook Targus Grove Sling: 1 alça só, em um modelo "ecológico"

A mochila Targus Grove Sling é bem menor que as outras mochilas de notebook que já analisei por aqui, tem bem menos "cara de notebook" do que alguns modelos cheios de brilhos e destaques, e a presença de apenas uma alça diagonal, ao invés das tradicionais 2 alças de mochilas comuns, é o seu ponto mais forte, como apresentarei a seguir.

Mas antes, uma pausa para criticar: sou 100% favorável à preservação do meio-ambiente (embora prefira um ambiente inteiro!), mas este tipo de marketing ecológico que a Targus adotou nesta linha não me convence em nada. Tudo bem que ter uma estrutura interna em plástico reciclável e o uso de materiais (metálicos e não-metálicos) que poluem menos no seu processo de fabricação é melhor do que usar os mais poluentes, mas entre duas oportunidades de consumo que no mínimo beiram o supérfluo, creio que o saldo ecológico a favor de uma mochila que não emprega níquel em sua fabricação é marginal, se tanto.

Só que, felizmente, a Targus Grove Sling não tem só isso a seu favor. Ela só tem um compartimento grande interno, ao contrário dos modelos usuais da marca, que têm 2. Por isso fica mais leve e mais fina, e não tem aquela tradicional "cara de notebook" que todo ladrão de oportunidade já reconhece (embora ainda não seja suficiente para começar a enganar os especializados, especialmente se você usá-la vestindo um paletó...). As cores também ajudam, com um design moderno e diferenciado.

Estou usando uma mochila dessas há 3 meses, e o que mais me agrada nela é a alça única, diagonal. Tanto o formato da costura quanto os acolchoados dela (na alça e nas costas) são muito bem planejados, mantendo a carga equilibrada no ombro direito. Imagino que se você colocar muito peso, isso deve fazer mal para a coluna do mesmo jeito - mas se você carrega muito peso, deveria escolher uma mochila maior e com duas alças, mesmo ;-)

É fácil colocar e tirar a mochila do ombro usando apenas uma mão, em um único movimento, e sem se despentear nem derrubar os óculos ;-) E o mais legal: por ser com uma alça só, é muito fácil colocá-la na lateral ou mesmo à frente do corpo, em elevadores lotados ou no transporte coletivo. Basta um movimento, sem nem mesmo tirar a alça.

O compartimento interno maior é dividido, por dentro, em 2 espaços, sendo que o mais interno (mais próximo às suas costas) é totalmente acolchoado, pronto para abrigar com alguma proteção contra impactos o seu notebook de até 15,4 polegadas. A abertura dele é pela lateral da mochila, e não por cima - e na tampa que se abre, há um pequeno bolso para guardar alguns acessórios - eu levo nele um cabo USB e o modem 3G.

Nas duas laterais tem bolsos abertos (um deles expansível com um zíper) para colocar a garrafa de água ou latinha de chá, e na face frontal tem um grande bolso fechado com zíper, com compartimentos internos para cartões, anotações, canetas e outras miudezas. Para completar, a alça tem um bolso para colocar um MP3 player ou um celular (cabe até um gigantesco Treo), com passador para o fone de ouvido.

Fora isso, é aquilo que já conhecemos das mochilas da Targus: material durável, espaços bem distribuídos, garantia válida no Brasil (desde que você compre nos representantes autorizados), e preço bem mais alto do que uma mochila com qualidade regular ;-)

Eu estou usando a minha (comprei na livraria Saraiva) e gostando. Serve para trabalhar e para ir à aula, mas não dá para levar nada extra - nem uma muda de roupa, um casaco ou o skate. Recomendo, mas com essa ressalva importante ;-)

Leia também:

Varrepratic: a solução contra a poeira chata nos cantos do quarto e escritório

O preço da liberdade é a eterna vigilância, e o preço de uma casa arrumada é a eterna atenção aos detalhes. Eu moro sozinho, e mesmo mantendo boa disciplina de limpeza semanal (às vezes duas vezes por semana) completa (aquelas com aspirador, pano, vassoura, produtos de limpeza e demais acessórios) no quarto e no escritório, isso não me livra de ocasionalmente ver surgir um pequeno acúmulo de poeira em algum canto.

Nada que comprometa a higiene ou o conforto, mas sempre foi chato perceber que a sujeira estava ali, me encarando, e eu não poderia fazer nada contra ela, a não ser que interrompesse completamente o que estava fazendo, e fosse até o armário da área de serviço buscar as ferramentas contra ela.


Varrepratic: só 16 x 19cm

Mas há umas 3 semanas esse panorama mudou. Em uma ida ao supermercado, acabei encontrando o kit Varrepratic, da Condor - aquele ali da figura acima.

Não é nada de revolucionário, mas para mim foi inovador: medindo 16 x 19cm (bem menos do que um espanador e pá comuns), e com um mini-espanador que encaixa na pá, ele cabe em qualquer gaveta, permitindo assim ter um no quarto e outro no escritório, sempre ao alcance da mão e pronto a recolher definitivamente até aquelas poeiras persistentes que ficam perto dos cabos do monitor.

E como custou menos de R$ 9, não chegou a comprometer o orçamento doméstico. Venho usando desde então, e recomendo!

Vagas de emprego: trabalho temporário é alternativa para os próximos meses

Que tal se candidatar a milhares de vagas de emprego no país? Estas vagas de emprego em trabalho temporário podem ser uma boa alternativa para sair do sufoco ou mesmo para começar a ter experiência a registrar no seu currículo - seja em um primeiro emprego ou um retorno ao mercado de trabalho.

E a maior oportunidade de trabalho temporário no Brasil costuma ocorrer no período de final de ano, com aquecimento das vendas de Natal ao mesmo tempo em que surge o pico do turismo. O período de contratação já começou, e costuma prosseguir até a primeira quinzena de dezembro.

As funções que geralmente abrem mais vagas são fiscais de loja, empacotadores, atendentes, estoquistas, etiquetadores, operadores de telemarketing, auxiliares e analistas de crédito, vendedores, demonstradores, repositores, caixas, seguranças, motoristas e Papai Noel.

Segundo o G1, a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) prevê a abertura de 113 mil vagas temporárias no país - número 8% maior em relação a 2007, quando 105 mil oportunidades foram abertas, segundo a entidade. Além disso, a associação projeta que 42 mil pessoas – 37% do total – sejam efetivadas após as festas de final de ano – no ano passado o índice foi de 34%.

Na maioria das oportunidades são exigidos experiência na função, ensino médio completo e facilidade para lidar com o público, mas há chances também para quem está em busca de um primeiro emprego sem experiência. Ter grande disponibilidade de horários (inclusive nos finais de semana) pode aumentar a sua probabilidade de conseguir uma vaga.

As vagas se distribuem por todo o país. Segundo a agência Gelre, 54% estão na região Sudeste, sendo 40% para o estado de São Paulo - capital, interior e Grande São Paulo - e 14% nos demais estados do Sudeste - Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Na região Sul, são 20%, Norte/Nordeste, 19%, e Centro-Oeste, 7%. Na área dos temporários, dos 32 mil, 76% dessas vagas são para varejo, 16% para a área de promoção e 8% para demais áreas, como administrativa e logística, entre outras. A remuneração varia entre R$ 600,00 e R$ 1.200,00, dependendo do cargo e região do país.

Como se sabe, a experiência temporária é uma das raras oportunidades em que os aspirantes a um primeiro emprego podem competir em boas condições, e estas vagas de final de ano certamente complementam o orçamento anual de muitas famílias.

Leia também:

Negociação: não aceite conversa mole no lugar da sua resposta

Eu tenho um hobby estranho: me divirto acompanhando com muita atenção as picaretagens que existem no mercado das "ofertas de trabalho em casa" (um dia ainda publico um catálogo dos absurdos desse meio). E nele encontro o exemplo perfeito das asserções vagas oferecidas (e aceitas) no lugar de respostas objetivas.

Antes de prosseguir, um parênteses importante: claro que existem várias ofertas sérias neste espaço, incluindo algumas que não são tão "em casa" assim - me vêm à cabeça os programas da Avon e Natura, vários exemplos de revenda por catálogo ou sacola, bons programas de afiliados e de publicidade contextual na Internet, algumas franquias virtuais, e até mesmo alguns raros sistemas multinível.

Mas minha análise quantitativa não-científica indica que para cada oferta séria neste mercado, existem várias outras que são pura picaretagem: esquemas em pirâmide, fraudes contra anunciantes, e propagandas que não correspondem ao serviço que de fato está sendo oferecido. Muitos são claramente subterrâneos e informais, mas outros se revestem de legitimidade, com contratos, CNPJ, telefonistas e tudo o mais.

E no que eles se baseiam para se expandir tanto? No meu entender, é simples: na expectativa de impunidade e na razoável certeza de que é quase infinito o número de pessoas curiosas e crédulas a ponto de entregar uma pequena quantia (já vi desde "ofertas" de R$ 5 até R$ 90) a um desconhecido em troca de uma promessa vaga e antes mesmo de saber o que ele está sendo "recrutado" para fazer. Mais ou menos como a frase célebre de P. T. Barnun: "Nasce um otário a cada minuto".

E como alguns destes artistas conseguem operar até mesmo de forma legítima? Simples: além de se basear na credulidade alheia, eles têm certeza de que um número suficiente de pessoas, ao analisar suas ofertas, lerão o que desejam ler, e não o que está escrito. Por isso, substituem afirmações objetivas por assertivas vagas, e o seu público alvo "come com farinha", como se diz por aqui.

E esse fenômeno é comprovado por boa parte dos mais de 1400 comentários no nosso artigo anterior "Trabalho em casa: como encontrar um emprego e escapar das armadilhas"...

O que são essas asserções vagas?

Simples: são afirmações amplas que tocam no assunto que o interlocutor quer ouvir, mas não dizem o que ele de fato precisa saber, no seu interesse.

Por exemplo: em uma oferta do tipo "ganhe dinheiro em casa", ao invés de se comprometer a pagar uma quantia em troca de um serviço prestado, o anúncio diz algo como "você pode ganhar até R$ 2.200 por mês" (sem dizer quem pagará, e geralmente sem esclarecer em troca de quê). Do mesmo modo, ao invés de oferecer uma estatística sobre percentual de sucesso entre as pessoas participantes, ele oferece apenas um ou 2 exemplos (verdadeiros ou não) de pessoas que realizaram compras luxuosas (um carro importado, uma casa) ou alcançaram símbolos de status após aceitarem a mesma oferta (mas sem dizer nem mesmo que a causa disso foi ter aceito a oferta).

Você aceitaria algo assim? Creio que não. Mas centenas de pessoas todos os dias depositam R$ 30 na conta de estranhos para "dar início à sua contratação", ou aceitam trabalhos estranhos em que tudo o que têm a fazer é ficar clicando em anúncios, sem lê-los, na web. Apesar de todos os alertas sobre as fraudes envolvendo anúncios de "ganhar dinheiro com malas diretas", ou envelopando ofertas, ou via "sistemas de trabalho em casa" dos mais variados, isso continua dando certo, porque as pessoas estão dispostas a acreditar no que nem mesmo está escrito.

Na prática (fora das ofertas de "trabalho em casa")

Claro que a questão das ofertas de trabalho em casa está aqui apenas para ilustrar. Acontece que nos treinamentos de negociação para vendas e contratação, muitas vezes os profissionais acabam sendo treinados para fazer algo parecido com seus clientes: ao redigir suas peças publicitárias ou responder a perguntas inconvenientes, tocar no assunto que interessa ao interlocutor de forma que o satisfaça, mas que não necessariamente informe o que ele de fato queria saber - o que não necessariamente envolve alguma indução ou propaganda falsa, mas certamente não é um exemplo de ética e transparência nos negócios.


Chega de conversa mole

Vamos a um exemplo: um comerciante está interessado em abrir uma filial de sua loja, e considera abri-la em um shopping no centro da cidade, especialmente porque acredita que vai poder se beneficiar do investimento constante em marketing que o shopping realiza. Visita o diretor do empreendimento, e seu diálogo inclui o seguinte trecho:

- A razão principal do meu interesse é o investimento constante que o shopping realiza em marketing. Posso acreditar que este investimento continuará assim?

- O senhor está fazendo uma excelente escolha, lembra como nosso estacionamento lotou durante a campanha de Natal do ano passado? E no dia das mães deste ano tivemos até mesmo que ampliar emergencialmente as instalações elétricas para evitar sobrecargas. Nos últimos 4 anos o shopping investiu mais de R$ 300.000,00 por ano em publicidade, e a clientela vem crescendo de forma constante - somos exatamente o que o senhor precisa.

Você já sabia o que procurar no texto, e deve ter percebido que o que o diretor respondeu não era o que o comprador estava perguntando. Ele queria um indicativo ou um compromisso, e recebeu apenas informações sobre o histórico. Como são positivas e exatamente no sentido em que ele gostaria, é completamente plausível que ele considere sua pergunta foi respondida. Mas não foi, e neste caso específico, o diretor havia acabado de vir de uma reunião em que foi levantada justamente a possibilidade de cortar em 40% as verbas de publicidade para o semestre seguinte.

Quando uma pergunta objetiva é respondida com uma asserção vaga, muitas vezes o interlocutor empático percebe que a outra pessoa não está querendo tocar neste assunto, e acaba permitindo que isso ocorra. Este tipo de cortesia é bem-vindo em relações sociais, mas não nas profissionais - se você está negociando, precisa prosseguir nos seus questionamentos até receber uma resposta suficientemente concreta e objetiva.

"Conversa mole"

Portanto, na próxima vez que você estiver em busca de uma afirmação ou um compromisso, e receber apenas "conversa mole", lembre-se das regras da negociação efetiva, e continue insistindo em sua questão, até ter uma resposta objetiva, ou uma admissão da impossibilidade de se comprometer!

Artigos recentes: