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O que é Networking

Networking é a técnica de criar, desenvolver e manter uma rede de contatos informais, buscando criar condições para a satisfação de interesses mútuos. Trocando em miúdos, é uma espécie de toma-lá-dá-cá (mas assumido, bem resolvido e sem culpas), em que os participantes se mantêm em contato e buscam usar os recursos (essencialmente as informações ou a possibilidade de uma indicação ou apresentação) uns dos outros no momento da necessidade.

Como é um jogo de interesses assumido, e pouco tem de relação com amizade, você pode desenvolver sua rede de contatos com muito mais facilidade quando está em ascensão ou estabilizado em sua carreira, e um erro muito comum (que reduz muito as chances de sucesso) é preocupar-se ativamente com isso apenas no momento em que a necessidade surge, ou quando se atravessa uma situação difícil.

Criar e manter uma rede de contatos é uma atitude profissional racional, e não está relacionada a puxa-saquismo ou falsidade, a não ser que você confunda as coisas e tente mascarar como amizade os seus contatos cujo interesse é profissional - algo que tem grande chance de terminar mal.

Mas não coloque os pés pelas mãos: se você não tem uma rede pessoal estruturada, comece reforçando ou reatando os contatos com as pessoas que você já conhece em seu próprio âmbito de atuação, e busque, a partir delas, ir expandindo a malha, contando com as apresentações e recomendações delas. Fazer isso aos poucos, sem jamais pedir um favor nos primeiros contatos, nem deixar o contato "esfriar" e só retornar a ele no momento de necessidade, é o caminho certo a seguir. E usar recursos digitais, como o LinkedIn ou mesmo o e-mail, pode ser uma boa forma de agir, mas não pode ser a única!

E se você não conhece ninguém do âmbito em que gostaria de circular?

Se o seu interesse é legítimo, há duas estratégias básicas com grande possibilidade de acerto:

  1. encontrar pessoas que conheçam as pessoas do círculo que você quer freqüentar
  2. freqüentar lugares abertos ao público em que estas pessoas estejam presentes - como eventos, palestras, exposições, etc.

Não parece a estratégia típica do novo-rico ou do alpinista social? Parece sim, e é basicamente a mesma técnica. O que pode diferir é a legitimidade do propósito, apenas. E, se for bem executado, não pega mal. Se for mal feito, ou se você não estiver à altura de realizar o que tinha em mente, em geral todo mundo logo vai perceber, não vai dar certo, e é capaz de fazer mais mal do que bem.

O leitor Cícero Moraes me enviou o link para um texto dele sobre networking, fruto de uma palestra que ele conseguiu fazer usando o próprio networking. Ele descreve assim:

Fiz uma palestra esses dias para uma turma de administração, uma área bem diferente da minha, que é a computação gráfica. Decidi falar sobre networking, afinal, conheci os responsáveis pela instituição assim. Depois da palestra, ficou decidido que eu escreveria um artigo para o jornal local sobre o mesmo assunto. Como me permitiram compartilhar o conteúdo, estou disponibilizando o endereço do documento, caso você deseje publicar no Efetividade."

É um breve artigo sobre a importância de se fazer uma rede de contatos (networking) e como lançar mão da internet para se chegar a esse fim. Em tempos de excesso de oferta da informação e contatos interpessoais profissionais, é essencial saber filtrar os que melhor responderão às nossas necessidades. Levar um fardo sozinho pode ser sofrível, mas com ajuda de outros a tarefa pode se tornar além de mais tranquila muito mais divertida. Se o homem não é uma ilha e é nosso destino convivermos com os outros, por que não agregar as pessoas que melhor se encanixam em nossas aspirações pessoais e profissionais?

Boa leitura!

Como fazer gelo mais transparente para sua festa - e gelar a cerveja em 2 minutos

A primavera está chegando, a temperatura começa a subir, e até mesmo aqui no Sul do Brasil já tem havido manhãs em que valeu a pena colocar algumas pedras de gelo no suco de laranja matinal.

E naturalmente eu não me importo em nada se o gelo que coloco no meu suco 10 minutos depois de acordar é enevoado ou tem mais transparência. Mas consigo imaginar situações em que pedras de gelo bem mais transparentes que o normal poderiam ser interessantes, e eu até mesmo cheguei a testá-las e percebi que elas realmente chamam a atenção de quem as recebe em seu copo.

Claro que a partir da terceira caipirinha o efeito desaparece totalmente, e aí você pode voltar a servir o gelo normal do seu freezer ou máquina de fazer gelo, indistintamente ;-)


À esquerda, gelo transparente. À direita, para comparação, gelo comum.

Este tutorial do Instructables mostra, em vídeo, como fazer. E é muito fácil e barato: basta ter formas de gelo bem limpas (e secas), colocar a água na chaleira, ferver, deixar esfriar, ferver de novo, deixar esfriar de novo, e aí colocá-la nos cubinhos (sem sacudir antes) e deixar gelar de forma natural.

A dupla fervura reduz bastante a presença do ar dissolvido, do cloro, do flúor e de outros produtos embutidos na sua H2O que formariam bolhas e cristais dentro do gelo. Para resultados ainda melhores, se você tiver um desses filtros de cozinha, filtre e de-ionize a água antes.


E que tal um canudo feito de gelo?

E já que estamos falando de frescuras (em mais de um sentido), que tal um canudo feito de gelo no seu drink? Esta é outra daquelas idéias que só pode fazer algum sentido até a terceira dose, mas não há dúvida de que tem grande potencial de chamar atenção, e - dizem - não gruda nos lábios, e pode ser feito no sabor que você desejar, desde que seja um líquido que congele na temperatura do seu freezer - nada de canudos de vodka, portanto.

O Instructables também explica como fazer, a partir de um hack em uma bandeja de gelo da Ikea, que não deve ser fácil de encontrar por aqui. Se você gostou da idéia, terá que procurar bem, ou improvisar.


Como gelar em 2 minutos a cerveja quente

E para quem não gosta de frescura, vamos a um vídeo sobre um assunto sério: uma forma rápida e segura de gelar a cerveja ou refrigerante. Em 2 minutos, a latinha que estava em temperatura ambiente fica em boas condições de consumo imediato, sem recorrer a produtos químicos ou a ingredientes difíceis de encontrar.

Você precisa ter bastante gelo, água limpa e um pouco de sal. Misture tudo em um recipiente grande (para uma tigela onde caberiam 5 latas de cada vez, eu vi usarem com sucesso uma xícara de sal, 40% de gelo e 60% de água, aproximadamente), coloque as latinhas lá dentro imediatamente, e mexa com uma colher grande durante 2 minutos. Depois é só abrir as latas e consumir!

A quantidade de gelo disponível faz bastante diferença, pois a transferência de calor necessária para gelar as latinhas assim rapidamente eleva a temperatura da água bem mais rápido do que você imaginaria. A presença do sal reduz o ponto de congelamento da água, fazendo com que ela fique bem fria sem congelar, e assim o calor das latinhas se transfira para ela com bem mais rapidez. O movimento constante garante que a temperatura fique homogênea (e baixa) em todo o sistema, evitando que a água próxima a cada uma das latinhas se aqueça. Portanto, se você tiver mais gelo à mão, reduza a proporção da água colocada inicialmente na mistura!

No vídeo acima, as latinhas ficam a 6 graus, mas dá para baixar mais que isso (com gelo suficiente, e mexendo por mais de 2 minutos). E mesmo que seja a 6 graus (que é mais frio do que a cerveja servida a partir da geladeira), é bem melhor que tomar quente, e pode ser muito mais legal do que aguardar o tempo normal, ou gelar com produtos químicos perigosos. Mas beba com responsabilidade!

A Lei de Parkinson

Suas despesas se expandem até ocupar toda a receita disponível? E a melhor maneira de conseguir realizar algum projeto pessoal seu é nem tentar começá-lo antes da véspera da data de entrega? Cuidado, você pode estar sendo vítima da Lei de Parkinson ou de suas variantes!

Recebi, por cortesia dos editores, um exemplar da reedição do livro "A Lei de Parkinson", saborosa sátira da Administração (especialmente a Pública, com foco em relações humanas e desenvolvimento da carreira) escrita originalmente em 1958 por C. Northcote Parkinson.

Li pela primeira vez A Lei de Parkinson quando estava na primeira fase da minha graduação em Administração, e posteriormente tive oportunidade de reler. Como muitas sátiras de Administração (como o Princípio de Peter, ou os modernos trabalhos de Scott Adams com a turma do Dilbert), é impossível não ler o livro e perceber que as coincidências entre o livro e a realidade corporativa são abundantes.

O livro é composto de vários capítulos relativamente independentes entre si, e a lei de Parkinson, em si, ocupa apenas o rico primeiro capítulo. A lei é mais ampla do que isso, mas no meu entender pode ser definida assim:

O trabalho se expande para preencher o tempo disponível para sua realização.

E é por isso que se você der a uma pessoa qualquer uma atribuição X, com um prazo de 30 dias, ela tenderá a completá-la de uma forma que ocupe todo o prazo, mas se o prazo for de apenas 3 dias, é provável que ele a complete também, e se tiver que fazer em um dia só, também vai dar.

Também é por isso que pessoas desocupadas e com bastante tempo livre tendem a encontrar uma série de obstáculos e necessidades de decisões e consultas adicionais para realizar as tarefas que recebem, enquanto que uma pessoa ocupada possivelmente resolveria a tarefa de uma vez só, por ter menos tempo disponível a preencher.

E também é por isso que, quando queremos que algo seja completado rapidamente, o melhor é passar a tarefa (e a responsabilidade) a uma pessoa ocupada!

Uma conseqüência tecnológica da Lei é conhecida por todos nós, usuários de computadores: os arquivos tendem a se expandir para ocupar todo o espaço de armazenamento disponível. Também sabemos que as equipes tendem a se expandir até alcançar o limite do orçamento de pessoal.

A mesma lei também busca explicar, na visão de seu autor, a questão do inchaço das organizações excessivamente burocráticas (especialmente as públicas), devido a 2 fatores principais:

  1. a tendência dos gestores e funcionários de nunca requisitarem uma pessoa para ajudar a fazer suas tarefas, pois seria alguém em situação de igualdade, competindo por promoções e recursos. Ao invés disso, requisitam uma equipe de pelo menos 2 pessoas (para que compitam entre si, e não com o requisitante), que possam responder a ele - aumentando inclusive suas chances de promoção, pela responsabilidade.
  2. em conseqüência de (1), da tendência dos funcionários arranjarem trabalhos uns para os outros, e da própria Lei de Parkinson, o aumento da equipe gera mais tempo disponível, que para ser preenchido exigirá o surgimento de mais trabalho: mais formulários, mais carimbos, mais aprovações, trâmites e salamaleques. No limite, isto gerará a necessidade de ainda mais funcionários, reiniciando o ciclo.

Os outros capítulos tratam de mais aspectos da vida corporativa, incluindo o processo decisório em assembléias e reuniões, o funcionamento de diretores e conselhos, os processos de seleção de funcionários, o projeto arquitetônico das sedes das organizações, a idade ideal de aposentadoria, e as moléstias administrativas que paralisam as organizações, entre outros.

Não vou discorrer sobre todos os temas aqui num espaço tão curto, mas selecionei alguns para expor o que você poderá encontrar:

  1. Sobre recrutamento e seleção: no capítulo 5, o autor discorre sobre os métodos de seleção por apadrinhamento ou por sinais indicativos de prestígio social, fala sobre as origens e as falhas dos métodos baseados em testes escritos, propõe alternativas bem-humoradas para reduzir o esforço empregado nas seleções, considerando que elas são inerentemente falhas. É humor, mas faz pensar. E já em 1958 o autor criticava a subjetividade excessiva as seleções baseadas em dinâmicas de grupo.
  2. Sobre o projeto arquitetônico das sedes das organizações: aqui ele força a mão, mas talvez faça mais sentido se considerarmos que ele descreve épocas de recursos mais escassos, e prazos mais longos para a construção de edifícios. Mas, de modo geral, ele apresenta uma série de exemplos históricos buscando demonstrar que sedes suntuosas e luxuosas, capitais planejadas ou escritórios projetados de forma completamente adaptada ao trabalho que neles será desempenhado não são sinais de grandeza de organizações e governos, mas sim marcam o início de seu período de decadência. E que o trabalho que realmente faz a diferença é desempenhado nas instalações que estiverem disponíveis, e que o investimento que realmente produz frutos é na produção, e não nas divisórias e carpês do prédio da presidência. Faz sentido, embora não valha como generalização.
  3. Sobre a paralisia organizacional: lembro vagamente de ter escrito algum artigo acadêmico sobre este capítulo do livro, ainda nos tempos do Redator PC, da Itautec. Aqui o autor flerta brevemente com o Princípio de Peter, ao descrever como uma organização pode ser levada a uma paralisia duradoura a partir da chegada ao poder de uma pessoa com a dose certa de incompetência e ciúme. Ao longo de seu mandato, esta pessoa (devido ao que o autor classifica como ciúme) procurará afastar de todas as posições-chave os funcionários que estariam aptos a eventualmente brilhar mais do que ela ou tomar seu lugar, e devido à incompetência, não conseguirá levar a organização em qualquer direção certa. A organização começa a "correr atrás do próprio rabo", reagindo sempre a estímulos provocados internamente, e não ao que o mercado ou a sociedade buscam dela. O autor descreve os 3 estágios, que culminam em um estado de coma, em que não há mais nenhuma inteligência operando na organização, e todas as atitudes passam a ser governadas ou pela incompetência, ou pela reação à incompetência alheia, ou pelo ciúme, ou pela prevenção do ciúme dos superiores. Esse estágio pode durar anos, mas tem cura, descrita pelo autor.

A esta altura, você já deve ter percebido que sou fã do livro. Sou mesmo, e o recomendo - embora advirta que a leitura deve sempre levar em conta que se trata, no âmago, de uma sátira.

As notas do tradutor no rodapé são um show à parte. Não são muitas, mas ele dá um jeito de dialogar com o texto original, com o autor e com o leitor. E a tradução entrega a idade da obra: são citadas personalidades há muito falecidas, partidos extintos, situações políticas que deixaram de ser realidade a partir do fim do governo Figueiredo, entre outros anacronismos que temperam a reedição.

Em suma: vale a leitura. Recomendo! São 118 páginas, a edição é da Nova Fronteira, e o texto aparentemente é reprodução integral das edições anteriores.

Leia também nosso artigo anterior: Gerenciamento de projetos: cuidado com a Lei de Parkinson!

Usando como proxy a sua conta no provedor de hospedagem

Conheça uma forma fácil de usar o acesso SSH dado pelo seu provedor de hospedagem (como o Dreamhost ou o MediaTemple) como um proxy SOCKS, com criptografia e muito mais flexibilidade que os mais conhecidos (e limitados) túneis SSH - e sem instalar seu próprio servidor proxy (squid e similares).

O que fazer quando suspeitamos que nossa navegação está sendo monitorada? Quando os bytes deixam o seu computador e passam a trafegar em redes públicas (incluindo a do seu provedor, seu condomínio, sua empresa e sua escola), nunca se sabe o que pode acontecer com eles, ou quem vai interceptá-los ou monitorá-los.

Soluções definitivas e com alto grau de segurança geralmente envolvem o estabelecimento de redes virtuais privadas (VPNs) e investigações profundas de políticas de acesso.

Mas se tudo o que você quer é ter certeza de que os vizinhos do condomínio dos seus pais, durante uma visita que você fez a eles, não estão bisbilhotando os seus acessos à web, criar uma solução rápida para enviar um arquivo de forma mais segura que o usual, ou superar com urgência algum bloqueio errôneo na rede da sua faculdade, que tenha sido feito em desacordo com a política de segurança dela mesma, as soluções temporárias e com grau de efetividade razoável também existem, e estão ao alcance de usuários de Linux, Mac ou Windows.

A sua conta SSH no provedor de hospedagem pode ser providencial para a solução, como veremos a seguir.

Como funciona essa solução?

O básico é assim: você precisa dispor de um computador no qual você confie, permanentemente conectado à Internet e acessível remotamente.

Esse computador, que chamaremos de remoto (e pode ser o da sua conta SSH no provedor de hospedagem) vai mediar todas as suas conexões feitas a partir da rede em que você não confia, ou em que seu acesso estiver sendo incorretamente limitado. A conexão entre o computador em que você estiver e o computador remoto será criptografada, para aumentar a segurança.

Isso ocorre usando componentes simples e insuspeitos (como os populares OpenSSH e PuTTY - se você não os conhece, investigue!), que fazem com que todos os seus acessos locais passem a ser mediados (de forma criptografada) por este computador remoto.

Mas os túneis SSH também não fazem isso?

Sim, fazem o que eu descrevi acima, mas não vão muito além disso, nem oferecem grande flexibilidade - em geral você acaba precisando fazer um túnel para seus acessos web, outro para e-mail (POP3, IMAP ou SMTP), outro para FTP, e assim por diante. Dependendo do que você tem em mente, pode ser necessário instalar seu próprio servidor proxy para fazer uso dos túneis, também.

Para quem nunca ouviu falar no assunto: uma alternativa bastante conhecida para o problema do acesso seguro é a criação de túneis usando o serviço SSH, algo que pode ser feito com bem menos que meia dúzia de comandos - em junho de 2005 eu escrevi um pequeno artigo explicando como fazer.

Qual a vantagem de usar uma proxy SOCKS, então?

Na verdade são várias. Para começar, os softwares mais usados para criar os túneis SSH (o OpenSSH e o PuTTY, mencionados acima) também servem para fazer a proxy SOCKS.

E, quando o objetivo é o mencionado, uma proxy SOCKS é justamente a ferramenta certa, uma vez que elas foram criadas justamente para essa finalidade - levar sessões de protocolos diversos entre 2 pontos, de forma flexível e segura, usualmente atravessando uma firewall ou um filtro de pacotes.

E onde eu arranjo um computador permanentemente conectado?

Dependendo do caso, pode ser o seu computador de casa, conectado via banda larga - depende do tipo de conexão e dos termos de serviço do seu provedor, basicamente. De modo geral, basta você garantir que ele tenha, com segurança, o serviço SSH rodando com privilégio suficiente. Dá para fazer isso com vários sistemas operacionais, mas este tipo de configuração é basicamente a default de várias distribuições de Linux, por exemplo.

Mas, como você já viu no título do artigo, eu prefiro usar para isso a conta SSH de que já disponho em meu provedor de hospedagem. E é bem fácil!

Antes de prosseguir, um alerta: todo o tráfego que você gerar será contabilizado no seu limite estipulado pelo provedor, e você precisa olhar os seus termos de serviço e política de uso antes de testar - mesmo quando o provedor não bloqueia este tipo de acesso, ele pode ser contra os seus termos de uso, e levar a suspensão e até bloqueio da conta.

Como fazer para criar a conexão que servirá como proxy

Vamos imaginar, por exemplo, que eu tenha o domínio "meublog.com" hospedado no provedor MediaTemple, que meus termos de serviço lá permitam o uso planejado, e que eu tenha acesso SSH lá, com o usuário "augusto".

Usar um proxy SOCKS nessas condições é relativamente simples, envolvendo a criação do proxy em si, e a configuração do seu navegador (ou cliente FTP, ou programa de e-mail, bate-papo, jogo, etc.) para usá-lo.

A primeira parte, se você for usuário do OpenSSH (no Linux, Windows, Mac OS X ou outro sistema suportado), se resume a digitar o comando:

ssh -c 3des -D 10081 augusto@meublog.com

onde o parâmetro -c 3des define o tipo de criptografia, o -D 10085 define a porta local que será usada pelo seu proxy, e augusto@meublog.com correspondem ao nome de usuário e domínio para conexão ssh ao servidor hospedado no provedor.

Após completar o comando acima e se autenticar, o seu túnel já deverá estar no ar e pronto para uso pelos aplicativos, enquanto durar a sua sessão SSH. Se der erro, tente usar o parâmetro adicional "-v", antes do "-c", para aumentar a quantidade de informações de diagnóstico exibidas.

E se não gostar de fazer as coisas pela linha de comando, você pode fazer o mesmo via janelinhas, veja como fazer isso usando o PuTTY. Mas, para mim, complicado por complicado, a opção via linha de comando é mais fácil.

Como configurar o aplicativo para usar o proxy SOCKS

Cada aplicativo é diferente, e você terá que procurar nas configurações dele. No caso do Firefox que eu estou usando hoje, é nas preferências.

Antes de prosseguir, anote bem as suas configurações originais, para que saiba voltar a elas quando não quiser mais usar o proxy.

Veja como fica a tela já configurada para usar o proxy SOCKS:

E é realmente bem simples: como você vê acima, basta clicar em "Manual Proxy Configuration", preencher (sempre) 127.0.0.1 no campo "Socks Host", e no campo "Port" ao lado dele, preencher o número que você usou no parâmetro "-D" do comando que criou o seu proxy (no nosso caso, 10081). A opção "SOCKS v5" também precisa ser selecionada.

Em outros aplicativos que suportem SOCKS, os dados serão os mesmos: 127.0.0.1 e o número da porta - a questão é saber onde preenchê-los, e isso você vai ter de procurar.

Como posso ter certeza de que funcionou?

Se a navegação funcionar (teste isso visitando sites que você tenha certeza de que não estão no cache do navegador), simplesmente encerre o comando que criou a conexão criptografada com o seu provedor. O efeito natural é que a navegação pare de funcionar imediatamente, e assim você saberá que funcionou. Aí é só rodar o comando de novo, e usar.

Outra alternativa é usar o parâmetro "-v", como visto acima: quando ativado, ele mostra na tela cada nova conexão iniciada, embora não informe o endereço ou outros detalhes sobre ela.

E os riscos, perigos, problemas e aspectos legais e jurídicos?

Eu só posso afirmar que a solução acima funciona para mim. Cabe a você verificar se ela atende sua necessidade e não viola os termos de serviço de seu provedor de acesso, de hospedagem, da rede da sua empresa, da sua escola ou do seu condomínio, nem vai esgotar sua cota de acesso, de transferência, de CPU ou causar qualquer outro efeito adverso.

Note que esta não é uma solução com foco em alto grau de privacidade ou anonimato. Se você precisar de algo assim, procure saber mais sobre o sistema TOR.

Note também que nem todas as redes permitem a passagem de conexões SSH. Se a sua estiver bloqueando, os passos acima não funcionarão. Existem soluções (minha simpatia vai para o Ping Tunnel e para o DNS Tunneling), mas você vai ter de pesquisar um pouco mais.

Se precisar de suporte, entre em contato com os fornecedores das respectivas ferramentas ou serviços, e verifique se eles oferecem o apoio necessário, ou se indicam quem possa fazê-lo para você.

Onde posso saber mais sobre o funcionamento do SOCKS?

Tente este artigo da Wikipedia! Se quiser entender um pouco melhor como funcionam os túneis SSH, leia também este meu outro artigo.

Você levaria seus e-mails no pen drive?

Minha opinião pessoal é em favor dos clientes de e-mail on-line, modernos sucessores dos webmails. Embora eu ainda receba e armazene localmente os e-mails de algumas das minhas contas, para propósitos de arquivamento e backup, hoje 100% do meu uso de correio eletrônico é feito em clientes on-line, acessíveis de onde eu estiver conectado.


Um prato cheio para quem precisa de acesso off-line e não tem portátil?

Mas o Jonas pensa diferente, e para uma necessidade específica sua, desenvolveu o hábito de levar sua caixa de entrada em um pen drive, no qual também tem instalado o Thunderbird e uma série de outros aplicativos, que usa nos 3 contextos diferentes em que acessa computadores diariamente (doméstico, profissional, acadêmico).

No seu post "E-mails no pen drive", ele trata dos PortableApps, que já analisamos anteriormente aqui no Efetividade.net, e explica como usou o Thunderbird distribuído pelo projeto para colocar em prática seu plano.

O que atrai na alternativa descrita é justamente a facilidade maior de trabalhar quando off-line - por exemplo, dentro do avião. Como diz o Jonas,

"podemos salvar nossos e-mails no pen drive e levá-lo a qualquer lugar! Podemos ler os e-mails off-line, respondê-los e quando tiver acesso a internet, enviá-los. Tudo muito prático e acessível de onde você estiver."

Não satisfeito, ele escreveu ainda um segundo artigo, intitulado "Aplicações no pen drive", em que fala um pouco mais sobre sua experiência com os e-mails, e acrescenta detalhes sobre o Portable Apps e como ele ampliou as funcionalidades do sistema.

De qualquer modo, eu não levaria meus e-mails no pen drive. Mas para quem precisa do acesso offline e não dispõe de computador portátil, pode ser um prato cheio.

Aproveite e leia também: 24 Killer Portable Apps For Your USB Flash Drive, incluindo diversos softwares livres que eu uso diariamente ;-)

Discurso com efetividade: como escrever e apresentar para ser entendido

Discurso pode deixar de ser um fantasma. Com algumas dicas práticas, seus discursos e apresentações podem ficar muito mais vivos e ricos em conteúdo - passando melhor a mensagem em formaturas, cerimônias ou mesmo nos palanques políticos.

Nesta época eleitoral, em que milhares de candidatos a prefeituras e câmaras de vereadores do Brasil inteiro disputam a atenção dos eleitores em discursos (seja em eventos públicos, ou mesmo pela televisão), a demanda por bons discursos só aumenta, e a qualidade geral do que ouvimos mostra o quanto todos teríamos a ganhar se os autores e apresentadores destes discursos (sejam eles políticos, paraninfos, homenageados, pais de noivas ou tantos outros discursantes do dia-a-dia) dominassem melhor a arte de comunicar claramente uma idéia.

Usualmente se diz que um bom discurso se identifica por 3 fatores, que devem estar presentes em grau suficiente e adequado ao tema e à circunstância:

  1. brevidade
  2. leveza
  3. repetição

É isso mesmo: os critérios tradicionais não incluem a clareza ou a empatia. O discurso tradicional muitas vezes é escrito pensando em garantir que o público vai escutá-lo (associado ao conceito de eficácia), e não com a meta maior, que seria garantir que o público vai se convencer após ter entendido a mensagem que o autor desejava passar (que seria a idéia associada ao conceito de efetividade).

E é por isso que muitas vezes terminamos de ouvir o dicurso com a sensação de que não houve nenhuma novidade, e que a pessoa falou, falou e nada disse.

Já para um discurso efetivo, que leve o público a compreender e se convencer da mensagem, há duas condições essenciais, segundo Dan Pink - que foi redator-chefe dos discursos de Al Gore, famoso por saber se comunicar bem com as mais variadas audiências. São elas:

  1. Identificar claramente qual a mensagem que queremos passar
  2. Saber explicar por que essa mensagem é importante para o público

Parece simples, não? Mas a maioria dos discursos que ouvimos são gerais, sem foco, não têm um argumento central, e muito menos uma indicação clara de sua importância. Se você conseguir reunir as duas condições acima antes de escrever seu discurso, portanto, você já estará à frente da maioria de seus concorrentes e pares.

E é por isso que vamos aproveitar a experiência do redator de Al Gore (e de outros autores do mesmo ramo) para reunir uma série de dicas para discursos efetivos, que você lê a seguir.

Como escrever seu discurso

Não existe uma fórmula única, mas os 4 princípios gerais abaixo permitem planejar e estruturar seu discurso. Não deixe que os princípios o engessem: em comunicação informal, a maior parte das regras deve ser quebrada de vez em quando. Siga apenas de modo geral, adaptando-os à sua realidade.

Vamos às dicas:

  1. Encontre o início, o meio e o final: na hora de escrever e de apresentar, você pode se permitir fazer saltos, mudar a ordem das coisas, e desempenhar seu papel de forma criativa. Mas na hora de planejar o discurso, você precisa ter muito claramente o que será o princípio, o meio e o final do texto, para permitir que estes indicativos o guiem, evitando a inclusão de "cacos" desnecessários e digressões que não contribuam para o andamento.
  2. Acerte a composição dos ingredientes: Um bom discurso técnico sobre resultados financeiros não pode fugir de apresentar muitos e muitos números, taxas, indicadores e outros itens indigestos, certo? Mas um bom autor saberá como combiná-los a exemplos, histórias, ilustrações, projeções, conseqüências e outros elementos que facilitem a absorção da informação pelo público. Mas cuidado com os "cacos" e peças soltas que possam prejudicar a engrenagem: só inclua elementos adicionais que não prejudiquem a narrativa, e dê preferência aos que se integrem perfeitamente a ela.

  3. Corte 20% antes de começar: Li em um livro sobre apresentações ("Presentation Zen", que eu recomendo, assim como o clássico " Como Falar Corretamente e Sem Inibições", de Reinaldo Polito) que os japoneses têm um adágio que diz: "Coma só até estar 80% cheio". Estar satisfeito não significa necessariamente estar repleto, e muito menos ter comido todos os pratos que havia no menu. Não massacre sua audiência: ao planejar seu discurso, após ter mapeado todos os temas que gostaria de abordar, faça um exercício de priorização, e corte 20% dos temas.
  4. Não é a sua experiência que conta: o público pode até estar interessado em ouvir sobre a opinião, os motivos e os interesses do palestrante. Mas o que realmente os atrai são as suas próprias opiniões, motivações e interesses. Escreva pensando na perspectiva do público que irá ouvi-lo - e isso inclui leveza, brevidade e objetividade, mas inclui especialmente a empatia, a capacidade de colocar-se no lugar das pessoas da audiência e entender quais são suas necessidades e desejos naquele momento. O foco não deve ser "Votem em mim", e sim "Vejam o que farei de bom por vocês, o que eu já fiz de bom recentemente, e o que me diferencia dos meus concorrentes."

Como apresentar o discurso

Muito já se escreveu sobre isso (até mesmo aqui no Efetividade.net - veja no final uma lista de links), e não vou repetir tudo. Mas vou compartilhar os 2 conselhos que considero essenciais, e que giram ao redor da conhecida máxima da web: o conteúdo é o rei:

  1. O público é tolerante e aceita os maus apresentadores. O que eles não perdoam é uma mensagem falsa, ou insuficiente. Se a sua mensagem for nova, verdadeira e interessante, a sua cota de cacoetes de apresentação (falar "Hum" e "Ah" o tempo todo, gaguejar, ler transparências, etc.) aumenta bastante (mas não abuse, claro). Mas se você for o rei dos apresentadores, e seu discurso não trouxer novidade, for percebido como falso, ou não despertar interesse, toda a sua técnica pode ser insuficiente. Em síntese: para resultados duradouros, entre o conteúdo e a técnica, prefira investir no conteúdo, sempre.
  2. Seja autêntico: quando tiver o microfone em suas mãos, não tente emular o Sílvio Santos, o Enéas ou a Xuxa: se você tiver talento como apresentador, use-o. Caso contrário, simplesmente prossiga, consciente de suas limitações, e com atenção à dica acima: o público tolera as suas falhas como apresentador, mas não reage bem a um mau discurso.

Quais os erros mais comuns que você pode evitar

Dan Pink lista 3 erros graves:

  1. Não se dar conta de que discursar é um privilégio: Muitas pessoas não se dão conta de que todo mundo na platéia e audiência deixou de dar atenção a outras coisas para ter tempo de ouvi-las. Pelo contrário: elas partem do princípio de que sua posição ou condição lhes dá o direito de estar ali falando, e que de alguma forma o público é obrigado a ouvir e prestar atenção. Não é assim que funciona: você pode obrigar o cavalo a ir até a beira d'água, mas não há como obrigá-lo a beber; o máximo que você pode obrigar uma platéia livre a fazer é estar presente e fingir atenção. Saiba fazer com que a opção dela por ouvi-lo valha a pena.
  2. Esquecer da "regra de Lamott": Anne Lamott narrou em um livro as suas experiências com um editor, que costumava cortar longas passagens dos seus artigos. Um dia ela foi reclamar com ele sobre os cortes, e ele respondeu a ela: "Não é porque algo ocorreu a você que deve ser considerado interessante". Você não precisa contar tudo que lhe vem à cabeça; concentre-se no que precisa ser dito.
  3. Não fazer seu dever de casa: Nem sempre dá para reaproveitar discursos antigos, ou usar um mesmo discurso para vários públicos. É essencial se dar ao trabalho de entender melhor os anseios, necessidades e desejos de cada um dos seus públicos, e dirigir-se a eles diretamente, da maneira que eles melhor entendam e - sempre que possível - recorrendo a exemplos e contextualizações que façam sentido especificamente para eles. Faça seu dever de casa, e prepare um discurso adequado para cada platéia.

As ferramentas essenciais

Para fazer um bom discurso, você precisa de um meio para escrevê-lo e depois memorizá-lo.

Papel e caneta funcionam bem, fichas pautadas (tamanho 3x5, à venda em qualquer papelaria) podem ser ainda melhores, se você escrever um parágrafo ou tema por ficha - aí fica fácil reordená-las, descartá-las, juntá-las, complementá-las (tende a sobrar espaço em cada ficha) e manipulá-las como você quiser.

Se estiver trabalhando com discursos tradicionais (e não apresentações de slides), um editor de textos como o Writeroom (do Mac OS), que ocupa a tela inteira e não deixa espaço para distrações, pode ser uma boa opção também. Existem alternativas sem custo de aquisação, como o PyRoom. Lembre-se de que em um discurso que será apresentado exclusivamente de forma verbal, as marcações típicas de processadores de texto (variação de tamanho de fonte, negrito, itálico, etc.) têm bem menos demanda.

Ao praticar e ensaiar seu discurso, um bom cronômetro com números bem grandes (para você poder ver mesmo a alguma distância, sem esforço mental que o distraia) pode ser uma aquisição a considerar. Na falta dele, até mesmo o seu relógio de pulso, ou a tela do seu computador, podem ser usados para esta finalidade. Mas é essencial saber quanto tempo o seu discurso leva, na prática, e quais as partes dele que tomam mais tempo. Se você perceber que as partes acessórias tomam muito mais tempo que a principal, reescreva!

Um espelho e um bom gravador de voz também podem fazer muito em prol da melhoria do seu discurso! Você pode até mesmo recorrer a um MP4 player com gravador de voz, ou a um daqueles microgravadores com fita cassette, ou até mesmo ao gravador do seu celular ou PDA, mas o ideal deve ser um moderno gravador digital de voz, fácil de controlar e de usar. Veja a si próprio no espelho, ouça e re-ouça a gravação, pratique, e vá melhorando.

O essencial é que a sua platéia não seja a primeira a ouvir o seu discurso. Você mesmo, e seus assessores e apoiadores, já devem tê-lo ouvido várias vezes (melhorando continuamente) quando chega o momento de apresentá-lo pela primeira vez ao público.

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Em especial, leia também o post From Al Gore’s Chief Speechwriter: Simple Tips for a Damn Good Presentation (Plus: Breakdancing), no blog de Tim Ferriss, por intermédio do qual eu vim conhecer as idéias de Dan Pink.

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