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Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Como ser promovido preparando-se para ser demitido: 5 dicas

As oportunidades aparecem para quem está preparado, e precaver-se para uma situação indesejada como uma demissão muitas vezes envolvem reforçar as suas características que podem impulsionar sua próxima promoção ou o surgimento de uma nova vaga de seu interesse.

Muitas das situações que levam a uma demissão estão além do poder de influência de qualquer empregado - dificilmente dá de evitar perder o emprego quando a empresa fecha as portas, por exemplo. Mas na maioria das outras, algum gestor acaba tendo de fazer a terrível escolha: quem vai para a rua primeiro?

Existe uma série de características que você pode buscar e que podem afastá-lo do topo da fila do facão, ao menos sob o ponto de vista de boa parte dos gestores éticos e responsáveis. E o melhor: a maioria delas também coloca você em posição de vantagem para procurar nova oportunidade, ou para promoção caso a crise não se confirme.

As medidas propostas são mudanças de comportamento, e só terão efeito preventivo se surtirem efeito (e forem percebidas) a tempo. E se você pensa que isso não é grande consolo na situação internacional corrente, pense no quanto é pior a situação de quem vai concorrer na mesma fila contra essas pessoas que têm algum diferencial a seu favor.

Como não estar no caminho do facão

Mesmo o funcionário mais exemplar da empresa pode se deparar com situações em que uma falência, fusão, aquisição ou fechamento de filial levem ao desaparecimento do seu emprego atual.

O alvo das 5 dicas a seguir não é estar apto a não depender em nada do seu emprego atual. Estamos falando de medidas relativas, que reduzam o choque após uma eventual demissão, e facilitem a busca de uma nova colocação – com o bônus adicional de que elas podem ampliar suas oportunidades de promoção.

1. Capriche na postura profissional

Lembre-se de que existem comportamentos que ajudam você a ser levado mais a sério como profissional.

Mantenha a palavra, cumpra o que anuncia, saiba o limite entre a vida profissional e pessoal (sua e da equipe), não dê desculpas esfarrapadas, mantenha a atitude. Desenvolva a sua influência, sem recorrer à autoridade, e saiba como não ser vítima da política do seu escritório.

Na hora fatídica em que seu superior for chamado a reduzir em 25% a despesa dele com pessoal, ele não vai considerar apenas a produção de cada um, ou o quanto é importante a tarefa que cada um desempenha.

Se o gestor for bom nisso, ele vai parar para pensar na qualidade da interação do grupo que restará após a saída dos demais, e aí são as atitudes e a forma de se relacionar com os colegas que contam. Não é absolutamente necessário se destacar como um líder, mas por motivos óbvios você deve evitar ser apagado ("não fará falta pra ninguém") ou detestado ("vão até comemorar").

2. Fortaleça e expanda seu círculo de contatos - antes de precisar

Um sábio conselho, que ouvi há tempo, acredito e pratico, é que a melhor forma de obter um bom emprego é ter amigos bem empregados.

O chamado networking funciona bem, mas só para quem se dedica a ele também quando não está precisando, e desde que não o use como se fosse outro nome para falsidade e chatice por interesse.

Manter contato é fácil e pode ser até bastante espontâneo, envolvendo lembrar do aniversário dos amigos e mandar mensagens pessoais (nada de mensagens enlatadas no Facebook!), um telefonema ocasional, um e-mail curto e original a cada 3 ou 4 meses, e uma agenda de contatos bem organizada.

Fazer cursos e participar ativamente da sua comunidade local e profissional também são maneiras de expandir seu círculo de contatos, mas não pense que simplesmente obter uma lista com os telefones e e-mails de todos ao final da reunião já conta a seu favor. É preciso usá-la tratando cada integrante individualmente.

Assim, você não vai se ver na situação terrível de se ver sem ter a quem recorrer para obter indicações e dicas na hora em que precisar procurar trabalho, e nem vai fazer aquelas ligações chatas que ninguém gosta de receber, de pessoas que não nos procuram há 20 anos, e só surgem quando têm um problema.

O ideal também é acompanhar ativamente os eventos (mesmo online) da profissão em que você atua, buscando fortalecer contatos com pessoas da mesma atividade que atuem em outras empresas (do mesmo ramo ou não), parceiros, fornecedores, consultores.

No caso das organizações maiores, é possível fazer isso até internamente. Se sua empresa tiver CIPA (comissão interna de prevenção de acidentes), brigada voluntária de incêndio, clube do livro ou outras atividades não-remuneradas e voluntárias, considere esta razão a mais para participar, e se possível integrar a diretoria - especialmente se não houver fricção política contra a administração da empresa. Se você fizer bem-feito e com foco na sua carreira, isso faz o seu nome aparecer localmente, abre caminhos e oportunidades, e ainda pode ser um item a mais no seu currículo.

3. Mantenha atualizado seu currículo

E não é pelo motivo que você pensou: sair distribuindo currículos imediatamente no dia seguinte ao da demissão nem é algo que você deveria fazer.

A razão de manter atualizado o seu currículo é que assim você fica sempre consciente sobre quais são seus diferenciais e o quanto você é um profissional atualizado. Recomendo revisões trimestrais!

Tenho visto recentemente vários casos de profissionais que subitamente precisaram procurar emprego, e só aí foram perceber que não faziam nenhum curso há 12 anos, não eram especializados em nada, suas experiências profissionais dignas de menção eram sobre práticas há muito descontinuadas, e as habilidades que os levaram a ser contratados para o seu emprego anterior hoje têm pouco valor.

Começar a manter atualizado o currículo pode evitar esta surpresa na hora errada, pois estimula a encontrar o que mencionar.

Para ter o que dizer no seu currículo, além de procurar se envolver em projetos e atividades profissionais relevantes, você pode participar do centro comunitário, de alguma ONG ou de iniciativas que possam tirar proveito das suas aptidões, e nas quais você possa desempenhar algum papel cujo valor seja evidente num contexto profissional (como bônus, assim você também pode aumentar seu networking, além do óbvio benefício de contribuir com a sua comunidade).

Em complemento, procure fazer cursos de extensão (mesmo que online e gratuitos, mas registre provas de sua participação, e prefira os de instituições reconhecidas), aprenda algo que o mercado valoriza (como um idioma, informática, estatística, técnicas de vendas, resolução de conflitos, matemática financeira, ou o que for) ou dê um jeito de obter uma graduação ou pós-graduação - hoje dá para fazer isso até via Internet.

Em paralelo, para que seu nome apareça no Google associado a algo profissional, uma forma simples é participar ativamente de grupos ou comunidades relacionados à sua profissão, ou buscar contribuir com revistas ou sites da área.

4. Pé de meia: Forme sua reserva financeira

Quem tem reservas que permitam reduzir o baque financeiro da interrupção dos salários amplia sua capacidade de assumir riscos no trabalho, resistir a conflitos éticos e ao assédio moral, e desenvolver várias outras características que podem ajudar seu atual empregador a manter-se interessado em você.

Para este tipo de situação, investimentos de baixa liquidez (como terrenos, por exemplo) podem não ajudar muito. O ideal é planejar a longo prazo para sempre ter condições de tornar imediatamente disponíveis, ou facilmente conversíveis, recursos em dinheiro equivalentes a 3 meses do seu salário líquido, para ter segurança de que as contas continuarão sendo pagas normalmente no primeiro mês, e que um eventual aperto de cintos posterior possa ser feita com razoável grau de controle.

Se você tem investimentos sem liquidez, pense em futuramente converter uma parte deles para uma alternativa como a descrita acima, mesmo que ela renda bem menos que o restante.

Se você não tem nenhuma poupança, essa pode ser uma razão a mais para começar o fundo de reserva, e dessa vez a sério.

Buscar ter uma fonte de renda adicional na família também conta a favor do mesmo objetivo. Há várias possibilidades: aluguel de um imóvel, prestação de serviços (que não concorram nem interfiram no do empregador!), o salário de outro familiar, revenda de produtos, dividendos e tantos outros. Nenhum é fácil ou rápido de obter, mas são fatores importantes de segurança profissional, e podem ser o pára-quedas necessário na hora do aperto. Na hora de escolher seus investimentos, considere este fator quando for definir seu mix.

Se a crise chegar, abrace os momentos difíceis

Resiliência é o nome dado à característica dos profissionais que mantêm seu desempenho e capacidade de operar, mesmo nos momentos de crise.

Um traço que eles têm em comum é que não vão para o canto e ficam reclamando que isso é injusto, é errado, não devia ser assim, etc. Eles encaram a mudança e buscam adequar seu papel (e suas habilidades e pontos fortes) a ela.

Se sua empresa estiver passando por um momento muito complicado, e especialmente se a responsabilidade por isso não for sua, sua filial subitamente tiver que receber a carga de trabalho de outra que fechou, ou subitamente diversos recursos deixarem de estar disponíveis, e a carga de trabalho de todo mundo aumentar, não seja um dos que vão para o canto resmungar - reveja seu papel e abrace a novidade, já que ela é um fato real.

E, independentemente de sua posição no organograma, busque oportunidades de encontrar o seu caminho e até de liderar nos momentos difíceis.

o medo da demissão às vezes leva o profissional a tomar as decisões erradas. Cautela sempre é bom, mas você precisa saber calcular riscos e assumir responsabilidades. Quem lidera precisa fazer muitas escolhas, mas quem atua em equipe também faz as suas.

Esquivar-se delas, fugir à responsabilidade e buscar apenas as alternativas isentas de risco torna você um integrante preferencial na lista dos que serão descartados em qualquer corte, pois sua ausência fará pouca diferença ou falta.

É melhor correr um pouco mais de riscos, bem calculados, e assim poder ser visto como peça-chave na hora em que alguém for escolher onde o facão vai passar!

Wunderlist 2: nova versão do melhor app para gerenciar minhas tarefas e pendências

Nova versão trará os recursos do Wunderkit e outros solicitados pelos usuários do Wunderlist original.

Atualização: o WunderList 2 já foi lançado. Veja os detalhes!

A lista de tarefas e pendências é o elemento central da minha estratégia de produtividade pessoal, e o Wunderlist é o meu aplicativo preferido para mantê-la: é leve, sincroniza automaticamente entre o computador, a web, o tablet e o telefone, tem todas as funcionalidades que eu preciso (e pouco mais do que isso), e ainda por cima é grátis.

Há alguns meses descrevi como uso o Wunderlist e o método ZTD para capturar, processar, planejar e executar as minhas pendências, em um dos artigos cuja escrita me deu mais prazer em todo o ano: não apenas por compartilhar uma prática pessoal minha que funciona bem, mas também pelo retorno positivo que este texto tem recebido dos leitores desde então.

A soma do método ZTD (ou do GTD) com a ferramenta Wunderlist permitem manter com facilidade os 2 focos essenciais à execução das tarefas: uma visão completa (e priorizada) de todas as pendências, e outra visão complementar e específica das que são "Pra Hoje", que são as que convertem planos em realidade.

Para saber em detalhes como eu faço isso (e continuarei fazendo na próxima versão, detalhada a seguir), leia "Na prática: como eu uso o ZTD e o Wunderlist para ter mais produtividade pessoal".

Um interlúdio descompassado: Wunderkit

Mas poucas semanas após a publicação da notícia acima, recebi uma notícia que me deixou dividido: os autores do Wunderlist lançaram e anunciaram que passariam a dar ênfase a outro app para a mesma função: o Wunderkit, que não era grátis, suportava menos plataformas mas oferecia alguns recursos extras, como separação das tarefas em projetos e a integração de atividades executadas por grupos de pessoas.

Na ocasião prometi um review completo da ferramenta, mas não cumpri: satisfeito com a simplicidade e versatilidade do Wunderlist, resolvi continuar a usá-lo enquanto fosse possível, e aí avaliar se o meu futuro seria o Wunderkit mesmo, ou a ferramenta de algum concorrente.

Wunderlist 2 vem aí

Mas na semana passada tudo mudou de novo: os 36 integrantes da equipe anunciaram que iam desistir do Wunderkit e voltar a dar ênfase ao Wunderlist.

A razão é essencialmente simples: não fui o único fã do Wunderlist que não migrou. Eles tiveram a amarga surpresa de descobrir que o seu segundo produto conseguiu atrair a atenção de quem havia gostado do primeiro, mas não o seu interesse: o Wunderkit foi "app da semana" em uma série de sites e mercados, os usuários instalaram mas... não usaram.

Mas a constatação amarga foi parcialmente adoçada pelo fato de que o número de usuários do Wunderlist, seu primeiro produto, continuava a ser contado na casa dos milhões.

O tempo passou e eles acabaram tomando a decisão difícil: o Wunderkit é que precisava ser abandonado, e agora seu foco é criar uma versão evoluída do Wunderlist, para atender à base de usuários que eles já têm, ao invés de se esforçar para criar uma nova ou deslocá-la.

E o Wunderlist 2 promete: além de incorporar as funcionalidades que nasceram no Wunderkit e outras solicitadas pelos usuários, estão mapeadas melhorias (ainda não reveladas) em áreas como simplicidade, usabilidade e confiabilidade – exatamente os pontos fortes do produto.

O Wunderlist 2 deve sair para Web, iOS, Mac, Windows e Android, e uma versão beta deve ser disponibilizada em breve. Aguardaremos atentos!

Como começar um dia efetivo: aos poucos ou pela tarefa mais difícil?

A dúvida clássica sobre qual a melhor forma de começar o dia pode ser resumida pelos pontos positivos de cada alternativa:

(1) começar pela tarefa mais difícil aproveitando a energia do início do dia e gerando ao completá-la um sentimento de satisfação que vai motivar as demais, ou

(2) começar por tarefas mais leves ajudando a tomar impulso enquanto fazemos a transição entre repouso e trabalho, e construindo aos poucos um sentimento de satisfação que vai motivar na hora de encarar as tarefas mais difíceis.

Não vou desconsiderar que em tempos recentes tenho visto em publicações do ramo da produtividade pessoal a sugestão frequente de uma terceira possibilidade, mas a mim parece algo a fazer antes do início propriamente dito (que continua a ter as 2 alternativas básicas mencionadas acima), embora seja boa ideia mesmo assim: antes de olhar a lista de tarefas, cuidar com atenção de construir sua energia para o dia, tratando da alimentação, um exercício adequado, informação, tudo permeado de reflexão sobre os objetivos do dia.

Nem sempre dá para escolher como começar o dia de atividades, mas é uma pena quando deixamos de fazê-lo bem pelos motivos errados. E veremos a seguir como escolher entre as 2 alternativas mencionadas.

Existe hora boa para engolir um sapo?

Estamos lidando com avaliações subjetivas, e até a definição do que é "a tarefa mais difícil" varia para cada pessoa.

Mas algo não muda: todos os dias temos algumas tarefas mais fáceis do que outras, e algumas que preferiríamos não encarar. São os sapos da nossa lista de pendências, que até quem trabalha com o que gosta precisa engolir regularmente como parte de uma dieta produtiva.

Deixar uma tarefa desagradável para depois não é procrastinar se teremos melhor condição prática de resolvê-la mais tarde. Quando chega o momento de encarar uma das 2 alternativas acima (que se resumem a engolir o sapo logo no início do dia ou deixá-lo para algumas horas depois) há aspectos práticos a considerar, baseados na sua forma de digerir o sapo.

O primeiro aspecto é a sua energia: se você começa o dia com mais disposição do que terá ao longo dele, é uma razão forte para optar por se livrar logo da tarefa mais difícil da sua lista. Mas se você começa sonolento e só depois pega embalo, dedicar a hora inicial às tarefas mais simples é uma forma de ir acordando enquanto faz algo útil ao seu alcance no momento.

Além da questão da energia, considere também o humor: quem começa o dia ranzinza fará bem se escolher como primeira tarefa algo tão simples e isento de contato humano quanto possível.

Já quem começa o dia tranquilo e vai se estressando conforme as atividades se desenrolam deve levar a sério a ideia de encarar suas tarefas mais difíceis enquanto ainda não ultrapassou seu limite, ou seja, no começo do dia.

O sapo à espreita

Na minha rotina pessoal, uma situação se repete com frequência, em especial no início do dia quando não tive o controle consciente de por onde começar: um stress crescente sem relação com o que estou fazendo no momento.

No momento em que a ficha cai, tudo fica claro: a causa é uma pendência importante e complicada que eu estou deixando para o fim da fila sem perceber – e, conforme o tempo passa, ela vai ficando mais iminente e ameaçadora.

Pode ser aquele telefonema que eu preferiria não fazer, um relatório que preciso escrever com dados que não serão fáceis de obter, uma burocracia necessária mas claramente inútil, ou alguma tarefa doméstica chata, como limpar a geladeira.

Num caso como este, a pendência já foi identificada antes, talvez até anotada, não poderá ser deixada para amanhã, mas mesmo assim eu percebo que estou adiando.

No momento em que percebo isso, a solução para salvar o resto do dia é simples: mover esta tarefa para que vire a próxima da fila (ou para ser a primeira do dia, quando percebida a tempo).

Depois que eu faço isso, e resolvo a pendência, o sapo terá sido engolido, estarei livre, e a partir daí é como se o resto da agenda ficasse mais leve: simples e acessível.

Não comece pelo e-mail

A não ser que sua lista de pendências esteja vazia, que suas prioridades não sejam definidas por você ou que os seus resultados sejam avaliados primariamente pelo fator "tempo de resposta", eu sugiro não começar o dia lendo o e-mail (ou qualquer meio de comunicação pelo qual novas tarefas e pendências chegam a você).

A razão é simples: considerando que você tem uma lista de pendências registradas (e revisadas regularmente), é provável que você já tenha identificado na última revisão (no final do dia anterior ou antes de começar o novo dia) algumas prioridades que podem se beneficiar do período de foco no início do dia, antes de as interrupções se intensificarem.

Aproveite o momento, e não provoque você mesmo o início das interrupções e da distração: escolha tarefas que não seriam prejudicadas por algo que possa estar na sua caixa de entrada, confie que algo urgente será comunicado a você por outro meio, e deixe para fazer a primeira leitura de e-mail do dia uma hora depois, após ter tomado impulso, para tornar mais fácil resistir à distração das comunicações.

Os sapos da sua dieta

O que descrevi acima é a minha solução, mas não existe uma resposta certa única: a literatura sobre produtividade pessoal tem conselhos conflitantes, todos válidos em seus contextos.

Alguns autores recomendam iniciar pela tarefa com resultado mais importante, outros sugerem começar pela tarefa inadiável mais indesejada ou difícil, e outros ainda sugerem começar por tarefas fáceis e rápidas, para “ganhar impulso” e se motivar.

Se tudo o mais falhar, lembre-se do critério universal (e meio mecânico...) de seleção da próxima tarefa descrito no capítulo do Processamento no método GTD de David Allen: considerando que não há razão específica (hora marcada, prioridades, etc.) para escolher uma tarefa determinada, corte o esforço de reavaliar tudo antes de começar cada nova tarefa, e simplesmente pegue sempre a primeira da pilha, até esvaziar a pilha inteira ツ

Leia também: What Successful People Do With The First Hour Of Their Work Day, para saber o que várias pessoas produtivas fazem no início de suas atividades diárias.

Engarrafamento: como reduzir o stress e ganhar produtividade... no trânsito

Se os engarrafamentos são inevitáveis na sua rotina, que tal dedicar um pouco de planejamento e esforço a torná-los mais toleráveis, por meio de algumas providências simples?

Os problemas de mobilidade urbana afetam muitas cidades do nosso país, e não são nada raras as pessoas que gastam horas todos os dias em deslocamentos entre sua residência e os locais de suas atividades.

Algumas encontram condições melhores para isso, outras estão sujeitas a bem menos conforto, mas todas compartilham entre si algum nível de stress, e o eventual desejo de (enquanto não conseguem se livrar do problema) aproveitar este tempo para realizar algo positivo que vá além da contemplação, meditação e reflexão, sempre bem-vindas.

Pessoalmente passei por uma mudança de endereço há poucos meses justamente para trocar cerca de 90 minutos diários de deslocamento engarrafado (ou, raramente, 35 minutos de trânsito livre) por breves 10 minutos de caminhada, mas antes de poder fazer isso pratiquei a maior parte das dicas a seguir.

Passageiros: o paralelo com as salas de embarque

Para quem transita nos engarrafamentos como passageiro, seja em transporte coletivo ou individual, muitas das dicas que já tratamos anteriormente ao falar sobre o que fazer no caos das salas de embarque e vôos a serviço se aplicam, especialmente no que diz respeito à redução do stress por meio de entretenimento e distração.

É saudável, ainda que de modo paliativo, usar essas oportunidades para se manter em dia com as pendências, mas em alguns momentos é interessante dispor de uma alternativa que conduza ao relaxamento e à distração – mesmo quando você não deseja, ou não pode, tirar uma sonequinha.

Quando é carona em carro próprio, dá até pra pensar em economizar para colocar um DVD ou media player (quem sabe um suporte para tablet que se prende ao encosto do banco dianteiro?) no banco de trás e passar a ter um aproveitamento cultural maior a cada deslocamento, mas nem sempre é necessário ir tão longe: há inúmeras alternativas de entretenimento que você pode levar consigo em qualquer lugar, sendo que possivelmente a mais portátil delas é um bom livro ou revista, que eu recomendo. Pode ser até uma revista de passatempos, como um Sudoku ou palavras cruzadas, se o transporte for compatível com sua escrita...

Acredito que esta seja a maior razão da popularidade dos jogos portáteis, especialmente para quem se desloca usando transportes suficientemente seguros. Eu costumava recorrer ao PSP para uma partidinha ou outra, mas já faz uns 2 anos que o celular engoliu completamente essa fatia do mercado por aqui.

O celular também é a minha escolha atual para levar uma seleção de músicas, e eventualmente até algum filme ou seriado na memória. Basta estar em um transporte suficientemente seguro, colocar os fones de ouvido (ligando ou não a atenuação de ruídos externos, dependendo da ocasião), e relaxar, tentando esquecer do desconforto e do stress do trânsito ao meu redor.

Quem anda em transporte coletivo que não ofereça o mesmo grau de segurança ao patrimônio individual vê suas opções de forma mais restrita, mas além da boa e velha música em aparelhos de MP3, e dos audiobooks que mencionaremos mais além, a Internet nos traz uma variada gama de opções de podcasts e outros conteúdos em áudio, alguns educativos (incluindo cursos de idiomas), outros informativos (incluindo atualizações diárias de notícias sobre os mais variados temas), vários opinativos, e outros de entretenimento. É só lembrar de baixar e copiar para o player antes de sair de casa.

Sempre que puder, leve também uma garrafa de água e algum alimento: barras de cereal, biscoitos, frutas, ou o que você puder consumir enquanto se desloca, sem correr o risco de vazamentos, derretimentos ou outros acidentes alimentares causados pelas condições ambientais.

E se a sua mochila não tiver um compartimento externo adequado para levar (e prender bem) a garrafa de água, volto a recomendar o versátil porta-garrafas de R$ 5 que encaixa no gargalo das garrafas PET e prende na sua mochila.

Como você pode notar, as mesmas dicas valem também para quem se desloca a pé, ou de bike. Mas cuidado com a segurança, fones de ouvido podem ser um fator de risco no ciclismo ou mesmo nas calçadas.

Para concluir, para mim a ferramenta suprema para esquecer que estou em deslocamento pelos engarrafamentos da cidade é um bom livro (ou revista atualizada) ou, na ausência deles, um celular com bom acesso à Internet. Mas o primeiro é compatível com bem mais ambientes!

E o motorista?

O motorista precisa, em primeiro lugar, respeitar a legislação de trânsito, o bom senso, a segurança da sua condução e dos demais.

Quando isso tudo estiver resolvido, às vezes sobra uma oportunidade para entretenimento ou cultura. A mais básica delas costuma ser o aparelho de som do próprio carro, que pode tocar seus CDs (ou pen drives, ou conexões bluetooth, etc.) prediletos, ou a programação musical e de notícias das emissoras de rádio.

Cidades que contam com jornalismo especializado no trânsito dão ao motorista uma opção extra muito efetiva, porque podem inclusive ajudá-lo a evitar pontos de congestionamento e ficar menos tempo no trânsito.

Pessoalmente prefiro ouvir minha própria coleção de músicas, um eventual podcast, e de vez em quando variar com o rádio - às vezes com noticiário, outras com humor e variedades, mas geralmente com música.

Uma alternativa que uso com frequência me dá oportunidade de abstrair as quentes filas do asfalto florianopolitano são os audiobooks (ou audiolivros). Agora é fácil encontrar, nas livrarias ou online, vários títulos em português – gostei bastante da biografia do Tim Maia ("Vale Tudo") narrada pelo autor Nelson Motta, por exemplo. Para uma variedade de títulos em inglês, recomendo procurar na Audible.com.

Quando o trânsito pára mesmo, e eu chego a desligar o motor, aí recorro (mantendo alguma atenção) às mesmas opções que os passageiros têm: joguinho ou internet no celular, livro, revista ou qualquer coisa que tire minha mente do stress ao meu redor.

Ser produtivo não muda

O que muda são as ferramentas, demandas e oportunidades. Há quem não sinta falta de produzir algo no tempo que gasta em deslocamento, seja porque há tempo suficiente em outras situações melhores, seja porque reconhece a necessidade da higiene mental praticada durante os deslocamentos, ou mesmo porque não deseja se transformar em uma máquina de produzir.

Simpatizo com estes argumentos, e longe de mim querer me transformar em uma máquina de produção - como eu já disse, o que eu quero mesmo é ganhar eficiência para que sobre mais tempo para jogar videogame ツ Minha abordagem no trânsito, como geralmente sou o motorista, é a da higiene mental e entretenimento, embora às vezes eu lembre de repassar alguma lista de pendências antes de sair de casa, para ir pensando em alternativas de algum projeto, ou compondo mentalmente algum documento ou relatório enquanto espero os engarrafamentos andarem. Funciona muito bem, especialmente porque é um processo não totalmente consciente, e sem foco nos detalhes específicos.

Só que às vezes algum detalhe específico surge, e é necessário registrá-lo. Já aconteceu com você de um carro de um prestador de serviço que você precisava mas não conseguia encontrar parar na sua frente, e você não ter como anotar o telefone dele, exposto na lataria? Comigo acontecia sempre, e parou de acontecer depois que eu me habituei a lembrar que o celular tem gravador de voz justamente para este tipo de situação.

Aí só preciso memorizar o telefone (ou a idéia que tive, ou o que for) até a primeira oportunidade em que seja seguro e legal fazer uso deste recurso e gravar a informação, e quando chego ao meu destino, basta transcrever a nota verbal para o local adequado.

Se o gravador de voz do seu celular for bom em captação e em memória (e se você andar sozinho!), dá pra ir além: se precisar compor um documento ou uma apresentação, pode deixar o app de gravador ligado no banco do carona, e ir falando, falando, falando, falando... Quando chega ao final do engarrafamento, já terá registrado todos os principais pontos do documento, e aí é só aguardar a oportunidade de ouvir e completar com os dados e a redação.

Outro recurso usado tradicionalmente é o de aproveitar para se informar. Quem precisa ler jornais ou relatórios no começo do dia pode fazê-lo no trânsito, se não estiver dirigindo. Mesmo o motorista frequentemente pode contar com emissoras de rádio especializadas em noticiário.

Os notebooks e tablets com 3G e mesmo os smartphones também permitem cada vez mais oportunidades de produtividade móvel a quem tem acesso a eles, e ao seu uso seguro quando em deslocamento. Já escrevi muitos artigos (alguns integralmente) enquanto estava em trânsito, mas acharia torturante viver em uma situação que me obrigasse a isso diariamente.

E, claro, os passageiros sempre podem ter acesso às suas agendas, blocos de anotações, materiais de referência e tudo o mais que quiserem levar consigo!

Melhor é evitar

Como estamos falando de efetividade, não podemos deixar de mencionar que muitas vezes o melhor a fazer é evitar o obstáculo, ao invés de ficar tentando encontrar maneiras de sofrer menos com ele.

Alternativas como home office, teletrabalho e escritório remoto são cada vez mais procuradas, e uma das razões é a redução ou eliminação dos deslocamentos constantes.

Quando está ao alcance, mudar os horários dos deslocamentos também pode ajudar a reduzir o impacto, mas é necessário pesar os demais inconvenientes da decisão. Mas mesmo quando não podemos mudar o horário regular, às vezes vale a pena encontrar alternativas.

O bom é que aí dá pra ser mais produtivo em casa ou no escritório mesmo, ao invés de ficar procurando alternativas na rua ツ

E você, tem dicas adicionais? Compartilhe conosco nos comentários!

Programa de trainees do Citibank para 2013

Um programa de trainees em uma empresa conceituada pode ser uma das melhores alternativas para resolver o dilema de quem resolveu bem a sua formação acadêmica mas se preocupa com a empregabilidade imediata devido a não ter experiência (como vimos em "Emprego sem experiência? Existe solução").

De vez em quando publico notícias sobre programas de trainees aqui no Efetividade, e em geral as situações unem 2 características: o programa em si parece bom, e a empresa em questão tem interesse suficiente a ponto de atrair a minha atenção para a demanda dela por divulgar a oportunidade, e é o caso.

O programa de trainees do Citibank no Brasil para 2013, cujas inscrições já estão abertas (e vão só até 20 de setembro), valendo para quem se formou há no máximo 2 anos (de 12/2010 em diante), ou se forma até o final de 2012, e fala inglês fluentemente.

O programa de trainee é em São Paulo, tem início marcado (para os selecionados, claro) para janeiro de 2013 e deve durar um ano, composto basicamente por 1 mês de treinamento e depois 4 rotações por áreas do banco, realizando projetos acompanhados por tutores.

Haverá várias peneiras no processo seletivo, incluindo testes online, dinâmica em grupo, entrevistas individuais (uma com o RH, outra com gestores) e mais. Os aprovados (entre 30 e 40 pessoas) reberão – além da preparação para desempenho de função gerencial – 14 salários de R$ 4.700,00, além dos benefícios que o banco oferece aos funcionários.

O programa de trainees do Citibank tem 42 anos de história, e já foi a porta de entrada de diversos executivos da empresa. Mesmo para quem não prossegue com o banco após o término do programa, trata-se de uma oportunidade valiosa de enriquecer o currículo com experiências e capacitação.

Esse tipo de oportunidade costuma ser bastante concorrido, e não sem razão. Prepare-se e faça surgir a sua chance!

Como escolher a fila certa no supermercado

Depois que o carrinho está cheio de itens bem escolhidos (sem deixar o supermercado nos enganar com suas armadilhas!), normalmente ainda restam 3 passos potencialmente chatos: aguardar na fila para sair, levar as compras até em casa, e desempacotá-las.

Para todos eles há maneiras de aumentar a eficiência (ou simplesmente diminuir a chatice), mas hoje o nosso tema irá se concentrar no primeiro: a fila.

Comecemos pelo aspecto da natureza da chatice envolvida: além da insatisfação de, após já ter passado por todas as escolhas de produtos, ser obrigado a aguardar para poder consumar a compra e a despesa, temos que lidar com o fator tédio.

Os fatores que agravam a chatice da espera em uma fila costumam incluir o tédio que ela provoca, a incapacidade de perceber que ela está andando, a incerteza sobre se ela vai continuar andando num bom ritmo até chegar a nossa vez, e a dúvida sobre ter pego a fila mais rápida ou não.

Despachando o tédio

Para se aproveitar do tédio (ou, às vezes, da mera sensação de estar desperdiçando tempo que poderia ser dedicado a algo prazeroso ou útil) que induz, o supermercado normalmente nos oferece itens do interesse dele: guloseimas, revistas de variedades e outros itens com margem de lucro elevada.

Note que usei a palavra induz: o supermercado não tem o poder de provocar o tédio, apenas de criar as condições gerais para que ele ocorra. Você pode impedi-lo (sem recorrer às revistas da semana passada que estão ali à venda) de muitas formas, e eu pratico várias delas para tornar menos inútil ou reduzir o desprazer daquela espera forçada:

  • Repassando e complementando (mentalmente, no papel ou no celular) agendas e pendências do dia seguinte
  • Aproveitando para realizar alguma outra tarefa chata para a qual nunca temos tempo, como fazer uma limpa na agenda de contatos, ou fazer aquele telefonema necessário mas indesejado para alguém
  • Lendo algo à minha escolha no celular (notícias, se tiver conexão, ou um ebook instalado nele para essa finalidade, nos demais casos)
  • Ouvindo uma música à minha escolha, com fones de ouvido que eu estrategicamente levei comigo [afinal a música suave do supermercado não está lá para nos fazer sentir satisfeitos]
  • Se tudo o mais falhar, repassando mentalmente algo que desejo fazer, ou alguma história vivida - qualquer coisa que remova a minha mente daquele estado de espera indefinido e fora do meu controle.

Peguei a fila certa?

Além do tédio, os outros 3 fatores de chatice mencionados são relacionados à escolha da fila, ou à reanálise contínua sobre a escolha de fila já realizada.

Vamos começar isolando situações em que isso não é exatamente um problema:

  • Quando você sabe um lado da loja em que as filas são menores ou mais rápidas
  • Quando você tem um caixa preferido
  • Quando você consegue ver todas as filas de uma só vez e se julga em condições de ter certeza sobre qual a melhor delas
  • Quando todas as filas são suficientemente curtas

Algumas das situações acima podem ter sua probabilidade aumentada já no ato de escolher o supermercado ou a data/horário das compras, e outras estão completamente fora do nosso controle, mas quando alguma delas ocorre, a escolha da fila torna-se natural e até óbvia.

Mas quando a escolha não é óbvia e desejamos realizá-la objetivamente, às vezes ela é também um problema mais complexo do que julgamos à primeira vista, pois há diversas variáveis envolvidas: o número de pessoas na fila, a agilidade dessas pessoas, a quantidade de itens nos seus carrinhos, a natureza destes itens (se podem ser apenas contados ou precisam ser pesados, se exigirão embalagem especial, ...), etc.

Algumas delas são fáceis de estimar, outras não. E há mais um fator contra-intuitivo: o ato de pagar a compra, depois de totalizado, demora um tempo desproporcional ao tamanho do carrinho de cada pessoa, e que dificilmente pode ser estimado a priori.

Por exemplo, aquela jovem atlética que só tinha 4 iogurtes naturais e um pacote de rúcula na cestinha pode querer fazer o pagamento com um cheque que ela demorará a preencher e o caixa terá que verificar com a supervisora, enquanto o senhor com cara de distraído e um carrinho cheio de legumes para pesar no caixa pode ter pago com um cartão refeição (e lembrado da senha imediatamente).

A conclusão é: embora possamos identificar parte dos fatores que fazem uma fila demorar, a ideia de que podemos avaliar qual fila demora menos, ou qual está andando mais rápido, geralmente é uma ilusão, uma peça que nossos sentidos e impressões nos pregam, e que nos geram insatisfação porque queremos otimizar tudo.

Com base nisso, minha sugestão é: a não ser que você tenha alguma razão para sair percorrendo todos os caixas em uma avaliação que gera mais esforço e gasto de tempo (e sem garantias de, ao concluir que deve retornar a uma das primeiras filas verificadas, ela ainda não terá crescido), você pode simplesmente escolher (pelos critérios da sua preferência) a mais promissora entre as que estão perto de você.

E depois que tiver escolhido, a não ser que algo inesperado (como a abertura de um caixa novo ao lado, ou problemas no seu) aconteça, resigne-se: a sensação de que as outras estão andando mais rápido geralmente se baseia em informações incompletas, e mesmo se corresponder à realidade, não é garantia de que continuarão assim.

Para completar, além de relembrar das dicas acima para combater o tédio, cuidado com a insatisfação que surge de uma expectativa geralmente infundada: de que o tempo que você pode ganhar escolhendo a fila perfeita ou trocando de fila durante o trajeto será gigantesco. Raramente é.

E se o tempo que você pode ganhar investindo esforço adicional na escolha da fila realmente for considerável no seu caso, a minha sugestão seria que você aplicasse o mesmo critério de racionalidade para escolher outro local, horário ou situação para fazer suas compras no futuro ツ

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