Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Faxina eficiente para solteiros e gente com mais o que fazer

Ninguém quer uma casa suja, mas estamos no Século XXI, aprendemos logística e temos mais o que fazer!

Já estamos em 2015, e ainda não foram cumpridas as promessas do desenho dos Jetsons, como carros voadores e um robô que limpava a casa inteira sem reclamar – exceto em subconjuntos ainda insuficientes e bem caros.

Mas um pouquinho de preparação e planejamento permitem fazer a faxina periódica da casa bem mais rapidamente e com menos esforço. Assim ainda sobrará tempo e energia para uma partida de videogame antes da visita chegar!

É a periódica, e não a Grande Faxina de quem está preocupado com cheiros estranhos e o surgimento de uma nova fauna nativa.

Não estou falando daquela Grande Faxina de quem deixou a casa sair do controle por tempo demais e agora está preocupado com cheiros estranhos e o surgimento de uma nova fauna nativa, nem daquela rotina regular de deixar a casa inteira tão brilhante e esterilizada que qualquer superfície poderia ser usada como mesa de operação.

Estou falando daquela faxina periódica que evita que o caos prospere, e que devolve a casa às condições de limpeza alcançadas a duras penas na Grande Faxina anterior. Daquela reorganização necessária após receber uns amigos para um esquenta no final de semana, no qual não tenha ocorrido nenhum ritual maligno e ninguém tenha jogado futebol na sala. Em suma, daquela faxina que pode devolver a ordem à casa inteira quando você só tem 1 hora, não 6.

Parte 1 - Material

Tarefas obrigatórias e desagradáveis merecem ser tratadas com um grau de planejamento e preparação que maximize a eficiência, e aqui isso significa ter (e manter!) um kit de material, idealmente armazenado em um balde que fique reservado só pra isso, e que deve ser levado por você de cômodo em cômodo.

O balde deve ter todos os produtos de limpeza que você usa, e a reposição desses produtos precisa ser incorporada à sua rotina normal de compras da casa.

Uma sugestão de mix de produtos básicos para seu balde:

  • Desinfetante
  • Limpa-vidros
  • Limpador para banheiro/box
  • Removedor de gordura
  • O limpador de uso geral de sua preferência (podem ser 2: leve e pesado)
  • Lustra móveis.

E os materiais que os complementam:

  • Esponja/escova para cada natureza de local1
  • Panos separados para retirar pó, remover sujeira e lustrar
  • Pano especial para vidros e superfícies delicadas (microfibra, ou esponja específica)
  • Muitos sacos de lixo
  • Saco de perfex ou toalha de papel similar
  • Luvas, se for seu estilo.

O modo de usar é simples:

  1. Ligue uma música ativa que possa ser ouvida na casa inteira (ou use fones que não te atrapalhem)
  2. leve o balde a cada cômodo que você for atacar, e deixe-o bem no meio do espaço.
  3. Abra um dos sacos de lixo (ou continue a usar o do cômodo anterior), e deixe ao lado dele.

Aí é só limpar usando a sequência genérica a seguir.

Passo 1: do caos à ordem

Começando do ponto mais próximo ao balde, vá percorrendo o ambiente no sentido do relógio, com foco apenas em colocar no lugar o que estiver fora dele:

  1. Jogue o lixo no saco de lixo
  2. Largue perto da porta do cômodo (mas do lado de fora) tudo que não deveria estar nele
  3. Ajuste almofadas, decorações, guarde os controles remotos, revistas e tudo o mais que estiver fora do lugar.
  4. Nos quartos, esse passo inclui arrumar a cama. Roupas sujas devem ser largadas próximas à porta para ao final do Passo 1 serem levadas a seu destino.
  5. Na cozinha, esse passo inclui arrebanhar toda louça suja e largá-la na pia ou máquina e, ao final do Passo 1 lavá-las.

O passo 1 também inclui a preparação química: onde houver algum produto especializado a ser aplicado que se beneficia do tempo de agir (em especial os limpadores de banheiro e box e os removedores de gordura da cozinha), eles devem ser aplicados assim que se entra no cômodo, para agirem por mais tempo até chegar ao Passo em que serão complementados ou removidos.

Ao final do Passo 1 o ambiente deve estar visualmente em ordem e pronto para a limpeza propriamente dita.

Passo 2: limpeza das áreas expostas superiores

A sequência geral é a mesma: começa do ponto mais próximo ao balde de produtos e vai se deslocando no sentido horário. Mas agora você terá instrumentos nas mãos, em especial o produto de limpeza geral e os panos, mas também o limpa-vidros, lustra-móveis e os panos/esponjas adequados a cada superfície e ambiente.

Vá aos poucos descendo até o chão, como se fosse um pagode dos anos 90 – mas não limpe o próprio chão neste passo.

Em cada parte do cômodo, comece do alto (prateleiras, tampos, molduras, puxadores, interruptores, etc.) e vá aos poucos descendo até o chão, como se fosse um pagode dos anos 90 – mas não limpe o próprio chão neste passo. O balde estará sempre próximo, troque os produtos e panos de acordo com a superfície e situação.

Manchas difíceis na parede saem com um pouco de bicarbonato de sódio em uma esponja úmida.

Na cozinha e banheiro, os produtos químicos que você deixou agindo no passo 1 já estarão prontos para serem complementados ou removidos (e enxaguados, e secos!), e aqui é um bom ponto para considerar o uso de toalhas descartáveis – ou ao menos tomar muito cuidado para não misturar os panos daqui entre si, nem com os do restante da casa. Pontos sensíveis, como ao redor de torneiras, de ralos e nos trilhos e cantos dos tampos, precisam de atenção extra. Vidros temperados de portas do box podem receber uma dose de vinagre diluído de vez em quando, para voltarem ao brilho original.

Superfícies brilhantes (janelas, espelhos, metais) ou que atraiam o foco dos olhares (a tela da TV!) precisam de atenção especial, porque são campeãs em dar aparência de empoeirado a ambientes que não estão.

Ao terminar o Passo 2, todas as áreas expostas superiores estarão limpas.

Passo 3 - Chão! Chão! Chão!

Sua bisavó já sabia que quem tenta limpar o chão antes de terminar de arrumar e limpar as demais superfícies trabalha em dobro.

Quando terminar o Passo 2, aí sim você estará pronto para limpar o chão, e aqui vai usar materiais que não estarão no balde, nem precisam estar no ambiente até este momento, porque atrapalhariam: a vassoura e pá, ou aspirador.

Para resultados mais do que apenas aparentes, é importante alcançar as áreas abaixo dos móveis quando possível, e até atrás dos que possam ser movidos – neste caso, comece por essas áreas, senão voltará a sujar onde já varreu. Dependendo da sua regularidade e padrões, essa etapa pode acontecer sempre, ou a cada X faxinas (você define o valor de X).

Fora isso, o truque é começar dos cantos em direção ao centro desimpedido do ambiente, e dele em direção à porta.

Antes de entrar no próximo cômodo

Com o passo 3, o seu trabalho em um cômodo estará encerrado. Antes de entrar no próximo, leve até o cesto ou máquina as roupas sujas que você acumulou perto da porta, e dê um destino adequado aos objetos que você deixou fora do cômodo no Passo 1: os que forem de cômodos que você já tenha limpado devem ir diretamente para seus lugares, e os que forem de cômodos pendentes devem ser colocados perto da porta destes, para serem recolocados quando você for fazer o Passo 1 neles.

E ainda vai dar tempo de jogar uma partida de videogame antes da sogra ou da visita que gosta de julgar os padrões da casa alheia chegar para sua avaliação!

Se você quiser mesmo organizar, pode aperfeiçoar a sequência, limpando sempre em profundidade a cozinha, o banheiro e um terceiro cômodo (que você alterna), e superficialmente os demais. A periodicidade e o critério de alternância você escolhe!

 
  1.  A da cozinha e a do banheiro jamais podem ser compartilhadas...

Crise: preparar-se para uma possível demissão ajuda também a manter o emprego atual

Quem tem atitude profissional, investe na empregabilidade e abraça cedo as mudanças vai para o fim da fila das demissões - ou encontra nova vaga antes.

Quando a crise econômica alcança o mercado de trabalho, muita gente revê pela primeira vez em muitos anos a sua empregabilidade, e começa a temer pelas suas oportunidades de encontrar nova vaga caso a atual seja atingida pelo facão voador que fica cada vez mais à solta.

O instinto tentará dizer que é tarde demais para fazer alguma coisa, mas neste caso é melhor não ouvi-lo: nas crises os cortes vêm em ondas sucessivas, e várias das medidas de aumento da empregabilidade futura também contribuem para o atual empregador deixar você cada vez mais para o fim da lista de quem ele pode vir a precisar demitir.

O gestor que precisa preencher uma lista de demissões não considera só a produção – também vai pensar na atitude da equipe que vai restar.

Afinal, na hora da desagradabilíssima tarefa de montar e colocar em ordem uma lista de demissões, um gestor não olha apenas para a produção e as competências técnicas: ele vai parar para pensar na qualidade do grupo que restará após a saída dos demais, e aí são as atitudes e a forma de se relacionar com os colegas que contam. Não é absolutamente necessário se destacar como um líder, mas por motivos óbvios você deve evitar ser apagado ("não fará falta pra ninguém"), detestado ("vão até comemorar") ou derrotado ("esse está só esperando a hora de sair").

O primeiro passo: foco na postura profissional. Você deve fazer isso sempre, mas é especialmente importante quando estiver se preparando alguma avaliação com critérios pouco objetivos (típica da composição de listas de demissão e das consultas informais a histórico profissional).

Não é só a questão da aparência (que pode ser mais importante do que deveria), mas especialmente da atitude, em aspectos amplos: manter a palavra, cumprir o que anuncia, saber o limite entre a vida profissional e pessoal (sua e da equipe), não dar desculpas esfarrapadas,exercer positivamente sua influência, não ser vítima nem manipulador da política do seu escritório.

A seguir, pense a tempo no seu networking. Se você deixar para tentar formar ou reavivar laços só quando já estiver precisando de ajuda, todo ~amigo~ que não tinha notícias suas há 15 anos vai perceber a motivação egoísta e interesseira do ato.

Mas o momento da crise já percebida mas ainda não desencadeada é uma situação em que há oportunidades diversas a explorar, e você pode melhorar suas chances e sua autoconfiança por meio de atitudes simples de aproximação:

  • Um telefonema ou e-mail curto ocasional (não mais do que um a cada 2 meses!) sem pedir nada, apenas contando algum fato interessante e perguntando como o amigo ou contato próximo está.
  • Fazer cursos e participar ativamente da sua comunidade local e profissional.
  • Acompanhar (em fóruns online, blogs, publicações) o que acontece no seu mercado de trabalho, para estar em dia e eventualmente buscar aproximação profissional com pessoas que estejam atuando de maneiras interessantes.
  • Participar ativamente em alguma organização interna da sua empresa ou categoria profissional (CIPA, associação atlética, etc.) que reúna pessoas de diversas áreas.
  • Enviar mensagens pessoais (não enlatadas!) no aniversário de amigos e contatos profissionais próximos.

Se você caprichar, tudo isso faz o seu nome aparecer no seu âmbito profissional, abre oportunidades, e ainda pode gerar algum item a mais no seu currículo.

A pergunta “Por que devo contratar você e não os outros 15 que cumprem os requisitos da vaga?” está embutida em toda entrevista e toda análise de currículo.

Antes de ela ser feita por quem estiver analisando a sua carreira e o seu potencial, ela precisa ser feita por você mesmo, e demanda uma resposta clara. Itens como formação específica e saber trabalhar em equipe são apenas o essencial, e o que define a ordem de classificação é o que vem além disso, para o bem ou para o mal.

Por exemplo: eu sou Administrador, mas atuei profissionalmente também na área técnica do desenvolvimento de software, o que me habilita a desenvolver simulações e modelos estatísticos de cenários (econômicos, financeiros, etc.), bem como relatórios de acompanhamento, que vão além do que um colega que conhece "apenas" o uso intermediário de planilhas de cálculo1 pode fazer. Ao planejar a minha formação continuada, eu sempre procuro equilibrar os investimentos em ambas as áreas, para não deixar o diferencial enferrujar.

Não descubra tarde demais que você não tem nada dos últimos 10 anos para mencionar num novo currículo.

Essa é uma visão a ser perseguida continuamente, para não se descobrir subitamente um demitido desatualizado que não tem nada mais recente do que 2 décadas atrás para mencionar no currículo, e cujas razões que levaram à contratação anterior não têm mais valor de diferencial.

Se essa ficha cair e você já estiver em uma crise, é hora de um plano intensivo: inscrever-se em cursos presenciais e on-line, verificar se o seu nome aparece associado a atividades profissionais ao pesquisar por ele em sites de busca e redes sociais, participar de um grupo comunitário ou ONG nos quais possa se envolver em habilidades complementares valorizadas no mercado (gerenciar equipes, obtenção de patrocínios, divulgação, etc.), matricule-se em uma pós-graduação, tente emplacar um artigo em um site ou revista técnica da sua área, e assim por diante.

A atitude confiante é importante tanto para a manutenção de uma posição existente, quanto para superar a transição e ter sucesso na luta por uma nova colocação.

Algumas pessoas encontram dentro de si toda a confiança de que precisam, outros precisam desenvolvê-la. Uma maneira de desenvolver a confiança é criar a sua própria rede de proteção, na forma de uma redução de despesas, criação2 de um fundo de reserva, busca de uma fonte de renda adicional, incentivo à profissionalização de outros membros da família, etc.

Um bom alvo a perseguir é manter disponível3um valor financeiro equivalente a duas a três vezes a renda mensal familiar, o que garante que as contas do primeiro mês após uma interrupção súbita possam ser pagas e que haja algum fôlego para a reestruturação logo a seguir.

Fontes de renda adicionais podem ser o aluguel de um imóvel, a prestação de serviços que não concorram com o do empregador, a revenda de produtos, rendas de capital, etc. Não são fáceis de desenvolver e manter, mas podem formar o pára-quedas que lhe dará a confiança necessária para render o seu melhor.

A tendência natural do ser humano é demorar a aceitar as consequências de um momento difícil. Os estágios usuais envolvem a negação, a ira, a tentativa de negociar com a realidade, e só depois a aceitação chega.

Só que a aceitação da crise é requisito para lidar melhor com ela. Quem a abraça mais cedo e começa a agir na direção certa estará em vantagem em relação aos que insistirem em negá-la ou em manter expectativas que não mais se justifiquem.

Assim, caso a sua empresa passe por um momento complicado, especialmente se a causa for uma crise nacional ou do setor, ou seu setor subitamente tiver que receber a carga de trabalho de outro que foi cortado, ou subitamente diversos recursos deixarem de estar disponíveis e a carga de trabalho de todo mundo aumentar, não seja um dos que vão para o canto resmungar - abrace a novidade e reveja seu papel para melhor se ajustar a ela, já que ela é um fato real.

Negar a nova realidade, esquivar-se das novas responsabilidades e buscar apenas as alternativas isentas de risco torna você um integrante preferencial na lista dos que serão descartados em qualquer corte, pois sua ausência fará pouca diferença ou falta.

É melhor correr um pouco mais de riscos, bem calculados, e assim poder ser visto como peça-chave na hora em que alguém for escolher aonde o facão vai passar, mantendo assim o controle sobre a escolha do momento certo de sair ou ficar!

 
  1.  O que já é, em si, também um diferencial em vários mercados...

  2.   Mesmo que tardia, mas preferencialmente a tempo.

  3.   Ou seja: não alocados em algum investimento de baixa liquidez, como um imóvel que não possa ser vendido rapidamente.

Liderança: os comportamentos que multiplicam o rendimento da equipe

O líder sabe esclarecer onde se quer chegar, assume a responsabilidade pelas suas decisões, valoriza a confiança, a comunicação e a iniciativa.

Liderar está mais ligado à capacidade de influenciar do que ao poder formal de chefiar.

O líder faz muito mais do que apontar caminhos e reduzir incertezas: ele ouve, toma decisões claras, permite que cada um saiba seu papel nelas, e evidencia sempre a sua confiança na equipe – mesmo sem ser chefe!

As questões da confiança e da valorização da equipe são centrais ao comportamento do líder. Afinal, como já disse Tom Peters, um bom líder não cria seguidores, cria mais líderes.

Você pode transformar seu grupo (social, familiar, de trabalho, etc.) em uma equipe em que todos colaboram de bom grado e alcançam os objetivos comuns, se observar as principais características da liderança eficaz:

  1. Reconhecer que a confiança é uma via de mão dupla.
  2. Saber observar o ambiente e ouvir as pessoas, valorizando as perspectivas alheias - internas e externas.
  3. Aceitar a responsabilidade de tomar a tempo as decisões que lhe cabem.
  4. Definir o objetivo e as metas, evitando micro-gerenciar a execução.
  5. Comunicar sempre à equipe e aos envolvidos o que está em andamento e aonde se vai chegar, evitando a incerteza.
  6. Foco nas soluções: incentivar a ação que transforma positivamente a situação a favor dos objetivos.
  7. Valorizar a equipe, promovendo a iniciativa e a colaboração.

Saiba mais no artigo Como liderar: saber os conceitos não é o suficiente, que publiquei originalmente em 2007.

Sexta é dia de revisar o que foi produzido e escolher os alvos da próxima semana!

O esquema básico é: rever as tarefas e compromissos concluídos, avaliá-los pelos resultados, ajustar e escolher os itens principais da próxima.

Um elemento essencial para os passos acima são os objetivos. Pare para identificar claramente quais são os seus1, porque eles são o termo de comparação não só para avaliar os resultados da semana anterior, mas também para priorizar os itens da próxima.

Se você não tem clareza dos seus objetivos, possivelmente está organizando suas prioridades com base puramente nos objetivos de outras pessoas, e isso raramente aproximará você de um nível elevado de rendimento e satisfação pessoal.

Veja mais detalhes sobre como eu faço a avaliação semanal em: “ZTD minimalista: mais efetividade com revisões semanais”.

 
  1.  Ou o seu – se você conseguir identificar claramente 01 objetivo pessoal, já estará melhor do que quem não identifica nenhum...

Não é só um sonho: Suas reuniões PODEM terminar rápido e com resultados objetivos

A dica: distribua antes para todos a lista de tópicos, e na hora nomeie alguém para acompanhá-la e registrar as conclusões. Vai parecer mágica!

Não estude MAIS, estude MELHOR

Eu gosto de aprender, muito mais do que gosto de estudar – mas estudar é geralmente um requisito, então o melhor é saber maximizar o retorno desse esforço.

Eu estudo porque quero aprender. Não me importo muito com as notas, desde que sejam suficientes para a aprovação; mas, se eu aprender, sempre confio que minhas notas refletirão isso, sem um esforço adicional para "tirar nota alta" – embora elas costumeiramente compareçam ;-)

As técnicas de estudo que eu usei no ensino médio e na faculdade continuam sendo as que eu uso agora nas especializações, mas elas foram sendo refinadas porque os tempos mudaram: agora estudar próximo ao computador traz vantagens que nos anos 90 não existiam ainda, por exemplo. E fazer trabalhos em grupo depois da existência do WhatsApp como fenômeno de popularidade também mudou várias regras do jogo.

Vamos, portanto, revisitar as dicas do Efetividade para estudar melhor, atualizando-as para a segunda metade da década de 10 ;-)

Saiba a razão de estar estudando. Para motivar o esforço do estudo, é importante ter clareza do que se pretende alcançar com ele. Eu estudo para aprender, outras pessoas estudam para conseguir nota para aprovação ou mesmo para conseguir uma nota melhor que a de outros participantes de algum certame. Ter clareza disso ajuda a vencer a tentação de deixar para amanhã ou desistir de algum tópico mais chato.

Escolha e adeque seu ambiente. Se você vai estudar fazendo uso de um computador ou de um smartphone, ao menos desative os programas de mensagens e as redes sociais. Não estude em um local que sua mente associa ao lazer ou ao descanso (as associações que o cérebro faz podem ser muito úteis ao estudo, mas neste caso são um inimigo perigoso), nem em um local desconfortável, barulhento ou mal iluminado. Estude com música, se desejar: se a música não lhe distrair, ela pode ativar mecanismos de memorização positivos, do tipo "essa eu lembro, quando vi esse capítulo estava tocando uma música do Nirvana".

Estudar é mais do que ler. Leia o material sim, tantas vezes quantas forem necessárias para um entendimento abrangente e com a profundidade desejada. Mas não pare na leitura: resolva exercícios com consulta, depois sem consulta, identifique e corrija seus erros, e produza (sem consulta) uma lista estruturada dos títulos dos principais tópicos do material, para ter certeza de que consegue lembrar deles mesmo sem contar com alguma pista que venha a (não) ser dada pelo texto da prova.

Não memorize, entenda. Para algumas coisas, como os nomes dos afluentes do Rio Amazonas, não há alternativa além da memorização. Mas a maior parte do conhecimento relevante pode ser compreendido, e não apenas memorizado. A grande vantagem da compreensão, em relação à memorização, é que geralmente o conteúdo pode ser lembrado sem grande esforço na hora em que for demandado.

Faça bom uso das pausas. O melhor é estudar um pouco a cada dia, sempre no mesmo horário. Não sendo viável, e sendo necessário estudar por algumas horas a fio, use um timer ou despertador para coordenar um esquema de pausas de 10 minutos, a intervalos fixos que sejam adequados à sua capacidade de absorver conteúdo. Na pausa, ofereça a si mesmo uma recompensa: uma olhadinha no chat ou no Facebook, uma partida de jogo, um bom café, etc. Recomece o estudo pontualmente, com suas capacidades de memorização e compreensão renovadas.

Saiba quando parar. Eu tenho uma métrica para identificar o ponto de parar: quando já me sinto apto a preparar um plano de aula sobre o assunto que estou estudando, mencionando em uma página A4 manuscrita todos os tópicos, seus conceitos-chave e definições básicas. Às vezes preciso parar de estudar antes (por acabar o tempo ou a energia), mas acho desperdício continuar a estudar depois deste ponto, a não ser que a meta seja competitiva.

Busque imagens vívidas para associar os conceitos entre si, ou em relação a experiências da sua vida, e você conseguirá lembrar deles a partir das imagens.

Ensine para aprender mais. Uma boa consequência da dica acima é que você pode compartilhar seu plano de aula (ou resumão, mas escrito sem consulta ao material) com outros colegas, ou mesmo ensinar a algum deles os conceitos que ele não entendeu. Além do karma positivo, a atividade contribui para a sua própria fixação, e para mantê-lo fiel ao nível de qualidade exigido no resumão.

Aproveite que seu cérebro é uma máquina de associar. Procure sempre encontrar padrões e pontos em comum entre os tópicos do seu estudo, e associe-os (diretamente entre si, ou então com aspectos da sua realidade pessoal) a imagens claras e vívidas. Se você fizer estes relacionamentos, fica mais fácil relembrar cada um dos tópicos, pois na hora de usar a informação você pode seguir a cadeia de ligações, como no exemplo acima, em que um conceito foi associado à música que estava tocando no momento em que foi estudado.

Aprender é algo que acontece dentro da sua cabeça, e não nas folhas do caderno.

Escreva menos palavras e mais conteúdo. O importante não é quantas páginas você escreve, mas sim o quanto estas anotações conseguirão ajudá-lo na hora de rever ou estudar o conteúdo. Gravar ou transcrever a aula inteira pode ter alguma utilidade, mas com certeza não ajuda tanto quanto entendê-la e resumi-la em um bilhete. Dizer muito em poucas palavras é uma habilidade valiosa para toda a vida.

Experimente tomar notas à mão. Escrita não é sinônimo de edição de texto. Por mais que notebooks ou tablets sejam cada vez mais comuns na sala de aulas, tenha um bloco ou caderno para anotações livres, acostume-se a anotar nele os conceitos interessantes, e coloque data, título e matéria no topo de cada página. Não arranque páginas deste caderno. A escrita manual, e simultânea ao momento em que você adquiriu o conhecimento, pode ser um poderoso estímulo à memorização imediata e definitiva dos conceitos. Dica extra: o método Cornell de anotações adapta-se a qualquer caderno, e facilita a consulta posterior.

Não confunda material e aprendizado. Continuidade da dica acima. Aprender é algo que acontece dentro da sua cabeça, e não nas folhas do caderno; rabisque, rasure, faça o que for necessário para entender e registrar os conceitos. Não adianta ter 16 canetas diferentes e o caderno mais completo da turma, se você não entender o que está escrito, ou se apenas copiar algo que não compreendeu.

Uma exceção: se você já fez tudo errado e só tem meia hora para estudar para uma prova na qual deseja tirar nota suficiente, pode pular todas as dicas acima (cujo foco é o aprendizado) e ler as Dicas para estudar em emergências escolares.

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