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Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Acabe com o spam SMS no celular

Mensagens SMS indesejadas trazendo avisos comerciais ou promocionais enviadas pela operadora de telefonia celular e seus parceiros (que, para abreviar, chamaremos neste artigo de "Spams SMS") são um problema que assola muitos de nós: verdadeiros torpedos apontados para a nossa paciência, principalmente quando chegam ruidosamente na manhã de domingo ou em outro horário impróprio em que tiram você do sono ou da concentração.

A solução ideal para este problema quase surreal causado pela empresa que contratamos para nos prover comodidade (e pelos seus parceiros ou clientes de divulgação) seria simplesmente pedir para a operadora parar de enviar spam SMS, e ela atender de forma rápida e definitiva.

Entre os casos que conheço, entretanto, o sucesso dessa solução é raro, o pedido via SMS não funciona, e muitas vezes o pedido por telefonema envolve tolerar longas esperas no atendimento (é incrível como a ligação tende a cair depois dos primeiros 40 minutos!), invocar o nome da Anatel ou do Procon, ou mesmo receber atendimentos parciais, que duram pouco, ou que excluem os spams SMS da operadora e não os dos parceiros dela, ou vice-versa.

Clientes de algumas operadoras ou regiões são mais respeitados por elas e não recebem esse tipo de marketing invasivo.

Mas se você está entre os infelizes do caso oposto, e não aguenta mais pedir para a operadora parar de mandar avisos sobre

  • leilões de centavos,
  • sorteios de carros e videogames,
  • promoções de assinaturas de revistas,
  • de pacotes de mensagens SMS ou ringtones,
  • etc., etc., etc.

este artigo traz uma dica simples para você sofrer menos.

Bloqueando o spam de torpedos SMS

A minha operadora me manda todos os exemplos acima, e mais. Minhas tentativas decancelar via SMS ou telefonar para ela e pedir gentilmente para parar nunca se completaram, e a situação quase chegou ao ponto de justificar abrir mão de outras vantagens do meu plano e migrar para outra prestadora.

Mas há alguns meses saiu uma versão nova do sistema operacional do meu celular que permitiu uma solução parcial suficiente para esses spams SMS nunca mais me acordarem nem interromperem minha linha de raciocínio.

E é uma solução bem simples, que (no caso do meu aparelho, que é um iPhone) não exige instalar nada: basta cadastrar, no aplicativo de Contatos, todos os números estranhos que a operadora e seus parceiros usam para enviar suas mensagens indesejados - preferencialmente todos eles como telefones de um mesmo contato.

Depois, usando o recurso de toques de SMS personalizados (nos contatos do iPhone o nome do campo é "som mensag.", que aparece na tela "Editar" de cada contato), defina para este contato o toque mais discreto e baixo que você conseguir encontrar, ou (no caso do iPhone), use a opção "Nenhum".

E pronto: a partir deste momento, os spams SMS só vão chegar ao seu conhecimento quando você olhar para a tela, pois eles serão recebidos silenciosamente. A exceção é quando a operadora inventa outros números, algo que no meu caso não acontece com muita frequência mas sempre é seguido por novo cadastramento no contato correspondente.

Bônus extra

Pode ser que você tenha outros contatos que mereçam um toque à parte: por exemplo, eu recebo algumas mensagens de atualização do meu home banking, e avisos quando alguém perdeu uma ligação para mim - quero ter o aviso sonoro delas, mas de forma diferenciada das mensagens "de verdade", enviadas por humanos, e um toque discreto (e não silencioso) resolve isso.

O mesmo truque simples serve também para telefonemas indesejados: vá além de definir um toque personalizado (como o tema de Psicose ou de Tubarão, sempre favoritos nessas horas) para as ligações dos chatos: silencie-os desativando de vez seus toques.

E na sua plataforma?

O procedimento acima é para iPhone, mas imagino que outras plataformas de celulares antigos e modernos, como Symbian e Android, tenham recursos similares, ou até mesmo apps de 'listas negras' implementadas de forma mais completa em aplicativos de terceiros, indo além do simples ato de silenciar a chegada das mensagens (algo que a mim não agrada tanto, mas sempre há quem prefira poder remover completamente as mensagens sem nem olhar para elas).

Não tenho como testar o funcionamento nestes sistemas no momento, e já adiei a publicação dessa dica tão simples por tempo demais, portanto conto com as dicas e informações de vocês - que certamente serão melhores do que as minhas memórias dos meus tempos pré-históricos com Symbian ou qualquer coisa que eu possa pesquisar on-line sobre o Android - nos comentários para complementar!

Vença a bagunça hoje!

Arrumar a casa pode ficar bem mais simples quando você identificar o principal obstáculo que fica entre você e a organização.

Assim como na propaganda daquele iogurte estranho que diz resolver problemas de prisão de ventre, o acúmulo também é um grande inimigo da organização doméstica, de empresas, home offices e até do interior dos nossos carros.

Felizmente não é de um material tão desagradável: o acúmulo que atrapalha a ordem e limpeza destes locais é o de itens desnecessários, inservíveis ou que por qualquer razão não estão no local em que deveriam estar.

Assim como as cracas que, ao se multiplicar na parte submersa dos cascos, prejudicam a velocidade dos navios, a presença destes acúmulos nos nossos ambientes reduz nossa eficiência ao trabalhar, estudar ou mesmo conviver.

Embora a solução para isso não seja tão simples quanto tomar aquele iogurte da propaganda, também não é nada difícil remover o acúmulo dos nossos ambientes, e você pode resolver isso hoje mesmo, de maneira definitiva, seguindo estes passos:

1 - Reconheça o acúmulo do seu ambiente

Objetos inservíveis têm muitas faces. Alguns exemplos simples podem ser

  • revistas de notícias e jornais já lidos,
  • cabos e conectores para aparelhos que você não usa mais,
  • a apostila que você já desistiu de estudar mas não quer admitir,
  • suprimentos que você mantém à mão "para o caso de..." mas este caso nunca acontece,
  • aquelas roupas que não são usadas há 3 invernos,
  • o talão de estacionamento do ano retrasado que continua atrás do pára-sol do carro,
  • moedas que deveriam estar circulando mas estão ocupando espaço num pote,
  • as ferramentas que deveriam ter sido devolvidas pra área de serviço mas acabaram pernoitando e se instalando na gaveta do quarto,
  • aquele tempero que você provou, detestou e mesmo assim guardou o pote,
  • etc., etc., etc.

Reconhecer que há acúmulo geralmente conduz à imediata constatação de que na verdade muito acúmulo, e à conclusão de que removê-lo tornará muito mais simples manter seu ambiente organizado, e deixará este ambiente muito mais agradável e espaçoso.

2 - Identifique os 4 destinos

Nem todo acúmulo é inservível. Parte do que você encontrar só precisará ser guardado de volta no lugar de onde foi retirado. Para outra parte você precisará encontrar lugares adequados, melhores do que os atuais. Estes são os 2 casos em que é relativamente simples encontrar destinos.

Um destino mais trabalhoso, mas que costuma ser o mais recompensador, é encontrar pessoas (ou entidades) para as quais aquilo que para você é um trambolho acumulador de pó e ocupante de espaço nobre será de grande utilidade, ou até mesmo um luxo.

Às vezes é possível vender, em muitas outras é preferível doar - e mesmo itens total ou parcialmente danificados podem encontrar alguém disposto a colocar em prática aquele conserto que você vem adiando há anos.

Recentemente doei, para pessoas diferentes, uma impressora com alguns anos de uso, um videogame de uma geração passada, e um monitor CRT - todos os 3 ocupavam um espaço enorme na minha casa (incluindo um serpentário de cabos e acessórios!), e não eram usados há mais de 1 ano, e agora estão nas mãos de pessoas para as quais ainda terão anos de uso pela frente.

E, ao menos quando se trata de coisas que até recentemente estavam ocupando espaço nobre na casa, geralmente o quarto destino é o mais doloroso: a lata de lixo reciclável. Pode doer o ato de jogar fora algo que estava guardado, mas se não serve para ninguém, reciclar é bem melhor do que manter indefinidamente.

3 - Zere o seu saldo negativo

Com o acúmulo reconhecido e os 4 destinos identificados, é hora de atacar a sua casa, um cômodo por vez (incluindo o carro!).

Normalmente a estratégia de vitórias parciais não é boa para arrumações domésticas, mas esta é uma exceção: uma boa caça aos acúmulos mais visíveis em cada ambiente da casa, sem gastar mais do que 15 minutos em cada cômodo, vai dar uma cara nova a tudo, e potencialmente estimular a que você repita a dose nos dias seguintes, mais detidamente em cada ambiente, até zerar o acúmulo completamente.

Antes de começar cada rodada (seja a da casa inteira, ou a detalhada em cada cômodo), separe 3 caixas e escreva em cada uma delas: GUARDAR, DOAR e RECICLAR. Leve-as consigo e assim poderá se concentrar na tarefa de remover o acúmulo propriamente, deixando as ações posteriores (guardar, doar, reciclar) só para o final do período.

A ideia do período curto (15 minutos) é para ajudar a manter o foco, pois não é nada difícil se distrair com o conteúdo acumulado em gavetas e prateleiras.

Ter um timer ou despertador à mão e programá-lo para tocar pode ajudar muito: recomendo o método organizacional da Galinha Temporal (similar à conhecida técnica Pomodoro) para que você mantenha o ritmo e a motivação até zerar o acúmulo da casa.

4 - Impeça novos acúmulos

Tire da pilha de leituras a revista de notícias e o jornal assim que tiverem sido lidos. Desenvolva o hábito de jogar imediatamente no cesto de reciclagem todos os papeis cuja utilidade não seja bem clara. Não mantenha no guarda-roupas as roupas que não têm perspectiva de voltar a servir, ou que estão com um defeito que você já sabe que nunca vai consertar.

De modo geral, acostume-se a não ver mais o ato de "guardar" como se fosse um substituto light para "adiar a hora de jogar fora", e nem confunda mais "guardar" com "colocar onde ninguém vê para parecer tudo organizado".

Este passo também inclui repensar as estruturas de armazenamento da sua casa. Alguns organizadores de gavetas e bancadas, umas prateleiras discretas e caixas bem planejadas podem mudar a realidade dos ambientes.

5 - Inclua na sua rotina

Mesmo que você atinja a perfeição na hora de impedir novos acúmulos, eles ainda ocorrerão: é da natureza humana mudar de opinião sobre os objetos ao seu redor, e o que hoje é bonito e prático amanhã será aquele objeto que fica no seu caminho.

Se você não lembrar disso, em breve precisará recomeçar desde o passo 1. Mas se incluir na sua agenda semanal meia hora para uma revisão geral dos seus ambientes, ou passar a dar atenção específica a isso enquanto trata de outras tarefas de organização doméstica, vai dar para adiar o novo ciclo completo por mais algum tempo ;-)

Enchentes, deslizamentos e... o gerenciamento de comunicações

Em muitos casos não há como escapar das tragédias climáticas que estão em nosso caminho.

Mas nos casos em que há atitudes possíveis que podem prevenir ou minorar as consequências negativas deste tipo de evento, deixar de aplicá-las por desconhecê-las, ou mesmo por achar que esse tipo de coisa não aocontece com você, é no mínimo um desperdício.

O interesse crescente neste tema me levou, há 2 anos, a começar a buscar bibliografia. Não sei quantos artigos e sites li, mas aqui na estante é fácil contar 14 livros sobre a gestão pessoal e familiar de desastres que adquiri desde então - todos eles publicados no exterior, em países onde catástrofes naturais e não-naturais são ainda mais frequentes e intensas que as daqui, e frequentemente causam menos vítimas e danos mesmo assim.

A pequena enchente que aconteceu no meu bairro no final de semana passado (até um jacaré da reserva próxima apareceu na minha rua...) forneceu a inspiração que faltava e também o tempo livre para finalmente começar a colocar em prática a ideia de escrever um livro a respeito, que já está com 8 capítulos (sobre a preparação, provisões, refúgio em casa, deslocamentos, proteção de valores, go-bags e mais) e será lançado on-line em breve (provavelmente publicado por mim mesmo).

Da teoria à prática

Aplicar as áreas da minha formação acadêmica (sou graduado em Administração e pós-graduado em gerenciamento de projetos) à prevenção das consequências das tragédias climáticas cada vez mais frequentes é uma ideia que venho acalentando desde as enchentes do verão de 2009 em Santa Catarina, marcadas por uma série de trágicos deslizamentos em todo o meu estado natal, e cujas consequências são sentidas até hoje por inúmeras famílias.

Já estive próximo a várias destas situações, e felizmente elas nunca se converteram em tragédias pessoais para mim. Mas devo destacar: meu enfoque sobre o tema não é o mesmo que deve vir à sua cabeça quando se fala em "prevenção de desastres naturais".

Em especial, não é nada relacionado a desocupação de encostas ou replantio da mata ciliar ao longo dos cursos d'água (também excelentes ideias!), mas sim às providências que podem ser tomadas no âmbito familiar e até mesmo pessoal para evitar que você, sua família e as pessoas próximas "virem estatística" de desabrigados ou desalojados, e também para que cada enchente ou ciclone extratropical possa passar pela sua vida apenas como um grande aborrecimento e oportunidade de ajudar os necessitados, e não como uma catástrofe familiar irrecuperável.

A ideia é manter os conceitos e técnicas da Administração nos bastidores, onde mal são percebidos conscientemente - mais ou menos como já faço aqui no Efetividade - e evitar ao máximo fugir da compatibilidade plena com as recomendações oficiais dos órgãos brasileiros de Defesa Civil, onde couber, nem adentrar no território perigoso da paranóia de tentar juntar em um mesmo assunto a preparação para as enchentes nossas de cada verão e as fantasias apocalípticas e desastres incomuns, como vulcões, terremotos, dinossauros clonados, terrorismo nuclear ou uma epidemia de zumbis.

Como espero contar com o apoio de vocês para a divulgação necessária para que esta obra de prevenção chegue às pessoas que têm interesse em se precaver, resolvi compartilhar com vocês um preview: a versão de trabalho do capítulo do sub-tema que mais me agradou escrever, pois nele as questões científicas e técnicas da gestão ficam muito próximas da superfície do assunto, embora não cheguem a ser protagonistas da narrativa.

Conto com seus comentários, sugestões e - por que não? - dicas para o livro, nos comentários.

Darei notícias sobre o andamento da obra aqui e no twitter @efetividadeblog. Fiquem agora com o capítulo 6 na sua versão inicial (atualmente ele já foi convertido em 2 capítulos complementares, com um pouco mais de detalhes práticos):

6 - Contatos, encontros e planos de fuga

Depois que um evento climático já está em andamento, pode ser tarde demais para coordenar a reação dos familiares.

A família pode estar separada, com uma parte em casa e outra espalhada pelo trabalho e escola, isolada por engarrafamentos, por estradas inundadas, pontes caídas, etc.

Não há como evitar grande stress nessa situação, mas o efeito é bastante pior quando não há o alívio de um contato para saber a situação dos demais, ou para avisar que não vai dar de chegar, mas está tudo bem.

Dependendo do grau da tempestade, se houver grande destruição da infra-estrutura e necessidade de partes da família se deslocarem para abrigos isoladamente, podem transcorrer dias até que o contato entre os familiares seja reestabelecido - algo que no tempo de nossos avós era usual, mas que gera pânico a uma geração acostumada a contato permanente e instantâneo.

Em uma situação de emergência que tenha início quando os membros da família não estão juntos, é importante que todos tenham a tranquilidade necessária para poder dar prioridade a cuidar da sua segurança e dos que estão consigo, sabendo que há um plano para garantir seu contato posterior - exceto quando há na família uma pessoa incapaz de prover seu próprio cuidado (uma criança, uma pessoa doente, etc.), caso em que deve ser claro para todos quem é o responsável por acudi-la em cada situação.

É importante, portanto, ter um plano de comunicação estabelecido com a família, e que não dependa de todos manterem acesso a seus celulares e à Internet - basta que um aparelho se molhe ou que uma bateria acabe, e aquele SMS tão importante poderá ser lido apenas na semana que vem.

3 pontos de contato

Uma tática simples (desde que combinada a tempo com todos os envolvidos) é definir 3 pontos de contato e 1 ponto de encontro.

Todos os familiares precisam decorar o telefone dos 3 contatos (a agenda do celular ou em papel pode estar indisponível...) e estes contatos devem ser escolhidos assim:

  1. Um amigo ou parente morador da mesma região, que não seja vizinho mas cuja casa seja acessível a pé, e ao qual todos procurarão avisar onde estão e como podem ser encontrados, ao evacuar a casa ou ao visitá-la e perceber que não está acessível ou não há ninguém nela;
     

  2. Um amigo ou parente morador da mesma cidade, ao qual todos também telefonarão para avisar quando estiverem abrigados fora de casa ou não conseguirem acesso a ela, explicando como podem ser encontrados;
     

  3. Um amigo ou parente morador de uma cidade distante o suficiente para não ser atingido pelas mesmas condições climáticas que as da sua cidade, que servirá como estepe caso os outros 2 também sejam atingidos pelo mesmo problema (por exemplo, ficando sem telefone ou inacessíveis).

É importante combinar de antemão (ou seja: meses antes de haver previsão da tragédia) estes contatos, para evitar desencontros e porque as comunicações durante e após situações de desastre ambiental ficam difíceis, escassas e pouco confiáveis, razão pela qual pode ser impossível executar algum procedimento do tipo "ligar para todos os familiares, amigos e locais de trabalho, e visitar todos os vizinhos".

Estes mesmos contatos devem concordar previamente em fazer este papel (talvez sua família possa fazer o papel correspondente para eles), podem ter uma lista de outros familiares seus para avisar que tudo está bem com você, e também devem constar naquelas etiquetas do tipo "Em caso de emergência, avisar..." que se encontram em muitos documentos e valises.

Casos especiais: Crianças pequenas precisam saber desde cedo recitar o nome e número de telefone de algum responsável, bem como seu nome completo, permitindo assim o registro, a identificação e a comunicação em caso de separação acidental. Os animais de estimação também se beneficiam de uma coleira firme com medalha de identificação que traga um telefone de contato.

Ponto de encontro e cartão de fuga

Complementando, a comunicação por celular (voz, SMS e dados) costuma operar bem até mesmo quando a eletricidade já foi cortada, mas em emergências logo fica sobrecarregada, e sai do ar quando acabam as baterias e combustível dos geradores que alimentam os equipamentos da operadora. Portanto, se você vai tentar se comunicar pelo celular, faça-o o quanto antes e combine um meio alternativo de contato, pois o celular fica indisponível subitamente, de forma desigual entre as regiões, e pode demorar bastante para voltar.

Já o ponto de encontro tem uma função complementar (é útil quando há colapso completo de comunicações) e é muito mais simples de definir: deve ser um local razoavelmente abrigado e seguro (inclusive quanto a inundações), próximo, acessível e público (como a bilheteria de um terminal de ônibus, ou a entrada principal de um supermercado), no qual os familiares se esforçarão para comparecer, em horários previamente combinados (por exemplo: 4 horários no primeiro dia, 2 por dia nos próximos 2 dias, 1 por dia a partir daí) enquanto houver familiares ausentes, para poder se encontrar caso tenham se abrigado em locais diferentes e perdido o contato.

Além disso, sempre que possível, ao abandonar a casa da família ou o local de trabalho, é importante deixar pregado à porta (ou onde for possível, desde que visível) um bilhete dizendo quando isso ocorreu, para onde você foi, e como pode ser encontrado.

Como complemento ao plano de comunicações, a identificação de abrigos alternativos (como as casas de familiares), roteiros de fuga - a pé ou de carro - e planos de retorno do local de trabalho ou da escola para casa são boas ideias e evitam dúvidas sobre se é melhor aguardar ser buscado ou se colocar em movimento o quanto antes, ou se é melhor ir para o centro ou para a periferia, mesmo que seja impossível se comunicar.

Todas estas informações (pontos de contato, pontos de encontro e planos de fuga) idealmente devem ser impressos em cartões, plastificados e levados na carteira de todos os familiares, juntamente com os tipos sanguíneos, informações de alergias e medicamentos, e o telefone da Defesa Civil (199), das ambulâncias do SAMU (192), e dos Bombeiros (193).

Fuja da complicação desnecessária

Um erro lamentável e comum na condução de projetos e empreendimentos em geral ocorre quando o líder rejeita soluções simples e completas com um questionamento triste: "ah, mas assim qualquer um faz", que às vezes também surge de maneira alternativa e ainda mais lamentável "ah, mas assim fica fácil demais".

Subitamente a equipe se vê tendo de não apenas ganhar a corrida, mas também dar um salto mortal na linha de chegada, após ter largado de ré e usando chinelos de dedo - porque o líder acha que se limitar a correr mais rápido "qualquer um faz".

Quando este líder estiver lhe ouvindo, lembre-se que as atuais disciplinas de Gerenciamento de Projetos podem ser suficientes para apoiar você na tarefa de convencê-lo do contrário: essencialmente, um plano viável que vá gerar o que foi combinado atendendo os requisitos de custo, prazo, qualidade e escopo é um bom plano, e quanto mais simples e eficiente ele for, melhor: significa menos risco, menos gargalos e conflitos, menos chance de errar nas comunicações, etc.

Mas se você precisar de um argumento a mais, pode recorrer a um clássico da Estratégia (e da Administração, por que não?), A Arte da Guerra, escrito no século 4 a.C. pelo general chinês Sun Tzu e que você deveria ler (e reler regularmente, se atuar na tomada de decisões com impacto estratégico). Segundo ele:

O que os antigos chamavam de um general inteligente era aquele que não somente vencia, mas que primava por vencer com facilidade.

Parece óbvio, não? Mas há um obstáculo que muitas vezes fica no caminho de uma vitória sem desperdício de esforços.

O ego do líder não pode ser obstáculo

Quando os fatores de eficiência, competitividade e diferenciação estratégica ficam em segundo plano e os critérios para definição das ações passam a depender primariamente do desejo do gestor por brilhar, ou por superar seus pares, muitas vezes o processo corporativo deixa de ser objetivo e passa a ser um tipo de gincana no qual a equipe compete por prêmios para o líder.

Quando isso acontece, os planos simples e eficientes podem começar a ser vistos como insuficientes ("isso aí qualquer um faz"), porque o líder deixa de perceber a questão crucial que Sun Tzu já havia percebido, e que se reflete nos critérios de planejamento tático e operacional desde então: as vitórias pela inteligência parecem mais fáceis, do ponto de vista de quem observa.

Mas elas parecem fáceis porque em geral são a consequência de bem mais planejamento e preparação realizados antes da batalha (ou de o cliente chegar a fazer seu pedido) - esforços que o observador casual não percebe, ou não associa à vitória que observou. E isso não serve quando o objetivo número 1 do gestor é brilhar.

Cuidado com o gold plating!

Gold plating é o ato de colocar em um produto ou serviço características adicionais que o cliente não pediu e não são necessárias para atender o que foi combinado.

Uma tradução literal seria "banhar a ouro". É uma iniciativa do prestador de serviço ou criador do produto que busca uma maneira "fácil" (do jeito errado) de tentar agradar seu cliente ou se diferenciar da concorrência.

O jeito certo, naturalmente, seria colocar essas características adicionais na especificação oficial, se possível como opcional, para que o cliente possa escolher se tem interesse ou não - fazendo sua própria análise dos impactos possíveis sobre riscos, prazos, custos, qualidade, etc.

E o gold plating é o refúgio mais frequente dos gestores que deixam seu ego ficar no caminho das decisões: incontáveis horas extras, atritos de equipe, retrabalhos e riscos nascem justamente de um gestor que quer "deixar sua marca" em um aspecto secundário e não solicitado (nem planejado...) do que lhe cabia gerenciar.

Ou seja: se o cliente não queria nada mais complexo, ele não chegou a você esperando que você complique ou coloque em risco o combinado em troca de algo a mais que ele não pediu.

O certo... é fazer do jeito certo

Já tive minha cota de madrugadas e finais de semana de stress trabalhando de forma imprevista porque algum gestor mudou as especificações (porque "assim está fácil demais") para acrescentar seu toque pessoal ao que o cliente queria e assim não apenas prejudicou o projeto, como ainda colocou em risco desnecessário todas as entregas.

Hoje tenho condições de argumentar que quando se conhece o objetivo da organização, uma “vitória fácil” que a deixe mais perto de sua missão, ou que libere mais cedo os recursos para continuar a realizar sua visão, é algo desejável e reflete positivamente sobre a imagem do gestor que consegue isso - bem mais do que se ele incluir uma camada extra de açúcar ao redor de seus produtos.

Um pouco mais difícil seria ter condições de dizer claramente a um líder organizacional que abrir mão de um plano vitorioso pela preocupação de que vai parecer, ao observador externo, uma vitória fácil demais pode ser sintoma de insegurança, ou de fogueira das vaidades, colocando seu próprio ego acima dos objetivos da organização.

Mas eventualmente fazer essa mensagem ser percebida ou intuída por ele pode ser o único jeito de evitar que ele continue a gastar uma série de recursos que seriam desnecessários, para atender a alvos secundários (mas vistosos), que acabam ficando (sob o ponto de vista do gestor) mais importantes do que o objetivo original.

Ser a pessoa a quem cabe passar essas mensagens a um gestor acaba colocando você em um papel de liderança também, com todos os os riscos associados. Mas se você perceber que este papel cabe a você, aqui está mais um trecho de A Arte da Guerra que você pode encaixar na sua reflexão:

Se não for do interesse da Instituição, não aja. Se não tiver condições de vencer, não recorra ao conflito armado. Se não estiver em perigo, não desencadeie as hostilidades.

Afinal, continuar optando intencionalmente pelos caminhos difíceis é uma maneira segura de desperdiçar recursos e esforço, e acaba levando a derrota, ou no mínimo a uma sequência de vitórias de Pirro que terão o efeito oposto ao pretendido pelo seu gestor - e toda a equipe pagará o preço!

Por que devemos te contratar?

Entrevistas de emprego e as dinâmicas de seleção parecem seguir ondas, e ultimamente parece que uma tendência forte é perguntar ao candidato a uma vaga (ou pedir que ele exponha em uma redação) uma questão aparentemente simples: "por que devemos contratar você?"

Ao participar desse tipo de processo seletivo é preciso ter sempre em mente que muitas vezes o entrevistador está mais interessado na sua atitude do que na resposta em si. Ele quer saber se você vai hesitar, se vai parar para pensar, se vai afirmar algo que ele sabe que não é verdade, se reage bem a situações incertas, se defende agressivamente o produto que está oferecendo (que, nesse caso, é você mesmo), se prefere apontar os pontos fracos dos outros ou os seus pontos fortes, etc.

Talvez o mais importante: neste momento sua objetividade vai ser posta à prova, e o entrevistador vai:

  • destacar aqueles que afirmaram seus diferenciais competitivos, pontos fortes e motivos pelos quais se consideram adequados para a vaga, e
  • dar pontuação baixa para aqueles que perderam tempo expondo histórias tristes sobre quantas vezes já tentaram, como sempre foram rejeitados sem receber resposta, como estão quase perdendo a confiança nesse negócio de entrevistas, e até pedindo desculpas por não estar tão preparados como os demais candidatos, mas mesmo assim pedir uma chance.

Não concorra sem acreditar

Em qualquer concorrência que você for participar na sua vida - seja como vendedor, oferecendo um serviço ou procurando um emprego - a pessoa que vai fazer a seleção tenderá a sentir maior empatia pelos candidatos que demonstrarem que confiam no que estão oferecendo.

Se for um selecionador profissional, a questão não para na empatia: ele vai avaliar objetivamente a capacidade de cada candidato demonstrar essa confiança na sua oferta, comparando com a avaliação dele mesmo sobre o que está sendo oferecido, e tirando uma conclusão sobre a forma como candidato se posiciona.

Essa conclusão varia de acordo com a vaga, naturalmente. Se for para vendas, um posicionamento competitivo pode cair bem. Para uma vaga de atendente ou recepcionista, é possível que a clareza e a postura sejam melhor avaliadas, e assim por diante, de acordo com a especialidade e o cargo desejados.

Portanto não esqueça: enquanto se prepara para uma entrevista, concentre-se em estar pronto para aproveitar todas as chances para destacar objetivamente características pessoais suas que o tornam uma boa opção (ou "a melhor opção", especialmente se a vaga for para vendas) para a seleção, e também para em hipótese nenhuma achar que o entrevistador quer saber do seu histórico negativo em entrevistas e processos seletivos!

Preparando sua resposta: discurso de elevador

O "discurso do elevador" é um conceito muitas vezes já abordado aqui no Efetividade.net e que - na minha opinião - todo mundo deveria ter e desenvolver.

A ideia é simples: é uma frase curta, que possa ser dita em não mais do que 30 segundos, sintetizando quem é você e quais os seus diferenciais estratégicos - aquilo que você deveria dizer se um dia encontrasse no elevador a pessoa que tem condições de lhe contratar (ou de ser o seu maior cliente) e precisasse se apresentar no tempo que leva para ele chegar ao seu andar.

Não necessariamente o discurso do elevador é um "papo de vendedor" - é muito mais um descritivo do que uma oferta. Se você tiver oportunidade de fazer o seu discurso de elevador para alguém, ele saberá quem você é e o que você tem a oferecer.

Assim, um discurso de elevador bem preparado é a resposta perfeita para a pergunta "Por que devemos lhe contratar?". É curto, mantém a atenção do ouvinte, pode ser dito sem hesitar (porque você pensou nele previamente) e destaca os seus principais pontos fortes.

E os pontos fortes, no caso, podem vir:

  • do seu histórico profissional,
  • da sua formação,
  • das suas habilidades específicas para alguma vaga,
  • da sua experiência de vida,
  • de grandes projetos que você tenha participado
  • de referências
  • etc.

Até alguma realização que você tenha obtido ao trabalhar em casa pode servir como um ponto forte do seu discurso.

Mas selecione os pontos fortes considerando sempre a expectativa de quem vai ouvir o discurso, colocando em destaque o que é mais importante para eles, e não apenas o que você tem mais orgulho de mostrar.

Para ver um exemplo prático de discurso de elevador, basta você rolar esta página até o final. No rodapé das páginas do Efetividade.net incluo um campo "Expediente" cujo primeiro parágrafo é o discurso de elevador do site: são breves 6 linhas destacando o que um leitor pode esperar daqui, a popularidade do site e seu argumento principal.

O meu próprio discurso de elevador também está publicado no meu site pessoal onde, no campo "Currículo resumido", apresento também em 6 linhas a minha formação, o que faço profissionalmente e a minha atuação on-line.

O essencial é preparar antecipadamente o seu discurso de elevador, e até praticar a forma de dizê-lo em voz alta ou colocá-lo por escrito (por exemplo, se for o caso de fazer uma redação) - mas não faça parecer decorado, a apresentação do seu discurso deve ser natural e casual.

Cuidado com os adjetivos vazios!

Os modelos de currículos aqui do Efetividade.net não têm esse vício, mas se você procurar por outros na web ou mesmo em guias publicados por jornais de emprego, verá que há algumas palavras que constam em todos eles.

São os adjetivos vazios, tantas vezes empregados que não significam mais nada, pois hoje quase todo candidato se descreve como sendo possuidor dessas qualidades.

Alguns exemplos a evitar:

  • esforçado
  • disposto a aprender
  • comunicativo
  • pontual
  • disciplinado
  • confiável
  • motivado
  • competente
  • criativo
  • organizado
  • flexível

Não é que sejam más qualidades - pelo contrário, muitas delas são qualidades essenciais para qualquer integrante de equipe.

Mas o fato é que essas são as palavras recomendadas (indevidamente, na minha opinião) a quem vai escrever escrever um currículo ou participar de uma entrevista e não tem experiência ou formação para mencionar.

Ou seja: se você disser que o seu diferencial são esses adjetivos, a conclusão (correta! ao menos com base no que você disse) do selecionador vai ser que você acredita estar no mesmo nível que todos aqueles candidatos sem experiência e que não têm nada de positivo e diferente a dizer sobre si mesmos para demonstrar que são a melhor opção.

Portanto, se você já teve alguma experiência relevante, se a sua formação é adequada, se já fez um curso sobre uma habilidade que é importante para a vaga pretendida, se já participou de um projeto bem-sucedido nessa mesma área, etc., comece suas respostas por estes detalhes, e deixe os adjetivos para quem não tem nada de substancial para dizer.

Concluindo

Entrevistas de seleção não são os jogos olímpicos: não há garantia de que o melhor candidato será o selecionado, e nem mesmo de que o processo será justo e equilibrado: a empresa e o selecionador aplicarão os seus critérios e classificarão como desejarem.

Embora não tenham como garantir uma contratação, entretanto, as entrevistas conseguem muito bem ter o efeito oposto: um mau desempenho nas respostas pode ser a garantia de que a última frase que você vai ouvir de uma empresa será a famosa "obrigado, e agora é só aguardar a nossa ligação" (que nunca acontecerá).

Portanto, se você vai participar de um processo seletivo, vale a pena se preparar. Para isso, recomendo a leitura dos artigos abaixo:

E desejo sucesso!

Entrevista de emprego: prepare-se!

O resultado de uma entrevista de emprego pode mudar radicalmente quando o candidato se prepara com alguns passos simples.

Já atuei muitas vezes como integrante de processos de seleção para empregos, e entrevistei muitas pessoas que acabaram sendo contratadas, e outras que desde os primeiros momentos já demonstravam que não seriam bem-sucedidas no processo.

Isso acontece porque a entrevista não se resume a um conjunto de perguntas e respostas: tudo o que o candidato faz (muitas vezes desde a sala de espera!) é observado, avaliado e comparado, ajudando a compor o quadro de quais as pessoas mais adequadas para as vagas disponíveis.

Nunca conduzi uma entrevista com "pegadinhas" ou perguntas com propósitos ocultos, mas também nunca me furtei a analisar mais do que as simples respostas dos candidatos às questões. A forma como entram, como se apresentam, como organizam seus pensamentos antes de responder, e tantos outros aspectos ajudam a estabelecer a comunicação.

Vale lembrar que processo seletivo não é uma modalidade olímpica: não necessariamente as regras e os critérios de pontuação são de conhecimento de quem está disputando, e muitas vezes o jogo ocorre também fora do campo - nos contatos marcando o horário da entrevista, na sala de espera, etc.

Estar preparado ajuda muito - você não terá uma segunda chance de impressionar bem ao entrevistador ou à banca. As dicas a seguir explicam o que fazer para ter condições de mostrar o melhor de si na hora H!

Informe-se

É impressionante (negativamente, claro) quando chega um candidato sem a menor noção do que a empresa faz, de qual é a vaga ou mesmo de quais os requisitos. Essas informações são essenciais para você saber o que destacar ao dar suas respostas, e precisam ser identificadas previamente.

Mesmo que você esteja comparecendo a uma série de entrevistas, tire um tempo para pesquisar sobre as empresas (ou os mercados em que elas atuam, quando o nome da empresa for sigiloso no processo), sabendo no mínimo a sua missão, a forma como a vaga pretendida afeta esta missão, seus principais concorrentes, projetos recentes que foram notícia, oportunidades e ameaças.

Não se limite ao site da empresa: consulte notícias e, se possível, fale com algum colega que atue no mesmo mercado. Pouca coisa impressiona melhor os entrevistadores do que um candidato que demonstra ter não apenas o interesse, mas também a capacidade de compreender o básico do mercado em que a empresa atua.

Seja coerente

Mudar versões e se explicar demais ao perceber uma reação negativa dos entrevistadores geralmente piora a sua situação.

De modo geral, você não deve dizer nada que não tenha condições de sustentar e manter - especialmente porque a cara feia ou os longos silêncios após alguma resposta sua podem ser as famosas "pegadinhas de entrevista" só para ver como você reage.

Em especial, não diga nada diferente do que constava no currículo que você enviou à empresa. Se alguma das informações que constava nele tiver mudado e você for fazer referência a ela, destaque essa mudança, caso contrário você pode causar a péssima impressão de estar inventando e maquiando dados após ter percebido quais os requisitos da vaga.

Seja pontual

Não há desculpas para chegar atrasado a uma entrevista que o livrem da impressão negativa que isso irá causar. Compromisso anterior que se alongou, condução que quebrou, passar mal, etc. - a justificativa até pode ser aceita, mas o estrago estará feito.

Vale então a dica: se a vaga é importante para você, esforce-se para dormir bem na véspera, para não ter um compromisso imediatamente antes, para não comer nenhum alimento "arriscado", saia mais cedo, planeje a rota para chegar pelo menos 20 minutos mais cedo, etc. - ou seja: pratique a cautela.

É difícil saber antecipadamente, mas muitas vezes você será entrevistado pelos próprios profissionais que trabalharão com a pessoa selecionada para a vaga, e eles podem ter feito grandes esforços de agendamento para estarem todos ao mesmo tempo disponíveis para a sua entrevista. Respeite o tempo deles, e eles o respeitarão mais.

A seleção pode começar na sala de espera

Muitos processos de seleção começam na sala de espera. No meu caso, quando estou selecionando em um processo coletivo, eu costumo chegar 15 a 20 minutos antes, me identificar claramente como selecionador aos candidatos que tiverem chegado mais cedo, pedir que digam seus nomes (ostensivamente para que possam ser entrevistados antes, já que chegaram antes), deixando uma pilha de revistas e jornais como cortesia, e avisando que voltarei no horário correto para dar início ao processo e ver se eles têm perguntas.

Alguns minutos antes do horário marcado eu retorno à sala de espera e sento casualmente em alguma das cadeiras, para ver o que acontece - quem puxa papo, quem continua o que já estava fazendo, quem pegou alguma revista relacionada à atividade profissional da seleção, quem faz perguntas inteligentes, etc.

No horário de início do processo, eu faço uma rápida (2 minutos!) apresentação sobre as vagas em disputa, sobre como serão as entrevistas (sempre individuais), a ordem em que serão conduzidas, antecipo as informações que todo candidato quer saber (sim, lemos seu currículo; o horário de expediente é tal; a vaga é em tal endereço; o início esperado é na data tal) e abro o espaço para perguntas.

Durante todo este tempo, os candidatos já estão sendo avaliados, e a opinião do entrevistador sobre eles já está sendo formada. E há quem vá bem além disso: já conversei com selecionadores que "plantam" um falso candidato na sala de espera, e ele fica observando os papos (sem jamais provocá-los, segundo me informou) durante todo o tempo, bem como a reação de todos a cada vez que alguém sai da sala de entrevista. Identifica quem critica os outros pelas costas, quem "entrega" alguma informação diferente da que foi dita na sala de entrevistas, quem provoca os demais, etc.

Seja educado e cuide da sua imagem

Civilidade é essencial, e polidez vale a pena. Não masque chiclete, não fume em ambiente fechado, não fique olhando para o relógio, desligue o celular.

Não se justifique nem se desculpe previamente por nada - nervosismo, despreparo, dicção, etc. - isso só atrai mais atenção a uma situação que possivelmente o entrevistador acha bastante natural.

Não abuse do cafezinho, nem da paciência de ninguém. Esforce-se para responder de forma direta e cortês tudo que for perguntado, sem ironias nem mensagens ocultas.

Não fale mal de ninguém: nem da sua antiga empresa, nem dos antigos colegas e chefes, nem dos demais concorrentes à vaga. O assunto da entrevista é apenas você. Não conte segredos alheios, não use expressões ofensivas, não seja discriminatório.

Vista-se com bom senso, preferencialmente observando previamente com quais trajes os futuros colegas de quem for selecionado se dirigem ao trabalho. Mostre que você se dedicou para escolher uma roupa adequada a um ambiente profissional e à imagem da organização.

Pratique e treine

Peça para que alguém de sua confiança faça o papel de entrevistador e, a partir de uma lista de perguntas comuns em entrevistas, coloque você à prova.

Se possível grave e depois ouça, para descobrir se você hesita, se gagueja, se fica se repetindo, se começa cada resposta com um "aaaaaah...", "ééééé...", "bom...", se faz longas pausas, etc.

Mas não exagere: não é para decorar nada, nem se precipitar e responder o que não foi perguntado.

Reflita após cada pergunta, responda ao que foi perguntado destacando seus pontos positivos, não seja monossilábico nem tagarela. Interaja, mostre que tem conteúdo, mas não seja chato!

Se há alguma pergunta sobre a qual você tem medo (por que deixou seu último emprego, quais os seus pontos fortes, por que está procurando um emprego nessa idade, etc.), dê atenção especial a ela, planejando respostas e argumentos adicionais caso necessário - mas cuidado com o nervosismo e agressividade! Neste caso a lista de respostas para perguntas comuns também pode ajudar.

Saiba se apresentar e se despedir

Ao chegar, cumprimente como faria em uma situação de trabalho, apertando mãos, dizendo "bom dia", "é um prazer", etc. - como for o hábito e costume em sua região, se possível acompanhado de um sorriso confiante.

Não inicie nenhum discurso - não é necessário justificar sua presença, e todos sabem por que você está ali. Aguarde indicarem onde você deve sentar (se não for óbvio), posicione-se e aguarde com atenção o início do processo de perguntas e respostas.

Ao final, se for aberto espaço para perguntas, é correto fazer alguma pergunta inteligente sobre a empresa, o clima organizacional, a razão da contratação. Perguntar sobre a vaga pode ser um risco (de os entrevistadores entenderem errado de que você está colocando condições para a contratação), e perguntar se eles irão entrar em contato sobre o resultado é um pouco ineficaz: eles têm o seu contato, e não podem se comprometer com algum prazo ou horário. Infelizmente muitos selecionadores só ligam para os aprovados, deixando os outros sem um ponto final em sua dúvida, mas mesmo esses não irão assumir isso para você na entrevista, e dirão apenas o óbvio: "aguarde nosso contato".

Ao final, despeça-se com a mesma cortesia com que entrou, agradeça a oportunidade, se achar necessário afirme que os dados de contato que constam em seu currículo permanecem atualizados, e saia com a certeza de que fez o seu melhor!

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