Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Enchentes, deslizamentos e... o gerenciamento de comunicações

Em muitos casos não há como escapar das tragédias climáticas que estão em nosso caminho.

Mas nos casos em que há atitudes possíveis que podem prevenir ou minorar as consequências negativas deste tipo de evento, deixar de aplicá-las por desconhecê-las, ou mesmo por achar que esse tipo de coisa não aocontece com você, é no mínimo um desperdício.

O interesse crescente neste tema me levou, há 2 anos, a começar a buscar bibliografia. Não sei quantos artigos e sites li, mas aqui na estante é fácil contar 14 livros sobre a gestão pessoal e familiar de desastres que adquiri desde então - todos eles publicados no exterior, em países onde catástrofes naturais e não-naturais são ainda mais frequentes e intensas que as daqui, e frequentemente causam menos vítimas e danos mesmo assim.

A pequena enchente que aconteceu no meu bairro no final de semana passado (até um jacaré da reserva próxima apareceu na minha rua...) forneceu a inspiração que faltava e também o tempo livre para finalmente começar a colocar em prática a ideia de escrever um livro a respeito, que já está com 8 capítulos (sobre a preparação, provisões, refúgio em casa, deslocamentos, proteção de valores, go-bags e mais) e será lançado on-line em breve (provavelmente publicado por mim mesmo).

Da teoria à prática

Aplicar as áreas da minha formação acadêmica (sou graduado em Administração e pós-graduado em gerenciamento de projetos) à prevenção das consequências das tragédias climáticas cada vez mais frequentes é uma ideia que venho acalentando desde as enchentes do verão de 2009 em Santa Catarina, marcadas por uma série de trágicos deslizamentos em todo o meu estado natal, e cujas consequências são sentidas até hoje por inúmeras famílias.

Já estive próximo a várias destas situações, e felizmente elas nunca se converteram em tragédias pessoais para mim. Mas devo destacar: meu enfoque sobre o tema não é o mesmo que deve vir à sua cabeça quando se fala em "prevenção de desastres naturais".

Em especial, não é nada relacionado a desocupação de encostas ou replantio da mata ciliar ao longo dos cursos d'água (também excelentes ideias!), mas sim às providências que podem ser tomadas no âmbito familiar e até mesmo pessoal para evitar que você, sua família e as pessoas próximas "virem estatística" de desabrigados ou desalojados, e também para que cada enchente ou ciclone extratropical possa passar pela sua vida apenas como um grande aborrecimento e oportunidade de ajudar os necessitados, e não como uma catástrofe familiar irrecuperável.

A ideia é manter os conceitos e técnicas da Administração nos bastidores, onde mal são percebidos conscientemente - mais ou menos como já faço aqui no Efetividade - e evitar ao máximo fugir da compatibilidade plena com as recomendações oficiais dos órgãos brasileiros de Defesa Civil, onde couber, nem adentrar no território perigoso da paranóia de tentar juntar em um mesmo assunto a preparação para as enchentes nossas de cada verão e as fantasias apocalípticas e desastres incomuns, como vulcões, terremotos, dinossauros clonados, terrorismo nuclear ou uma epidemia de zumbis.

Como espero contar com o apoio de vocês para a divulgação necessária para que esta obra de prevenção chegue às pessoas que têm interesse em se precaver, resolvi compartilhar com vocês um preview: a versão de trabalho do capítulo do sub-tema que mais me agradou escrever, pois nele as questões científicas e técnicas da gestão ficam muito próximas da superfície do assunto, embora não cheguem a ser protagonistas da narrativa.

Conto com seus comentários, sugestões e - por que não? - dicas para o livro, nos comentários.

Darei notícias sobre o andamento da obra aqui e no twitter @efetividadeblog. Fiquem agora com o capítulo 6 na sua versão inicial (atualmente ele já foi convertido em 2 capítulos complementares, com um pouco mais de detalhes práticos):

6 - Contatos, encontros e planos de fuga

Depois que um evento climático já está em andamento, pode ser tarde demais para coordenar a reação dos familiares.

A família pode estar separada, com uma parte em casa e outra espalhada pelo trabalho e escola, isolada por engarrafamentos, por estradas inundadas, pontes caídas, etc.

Não há como evitar grande stress nessa situação, mas o efeito é bastante pior quando não há o alívio de um contato para saber a situação dos demais, ou para avisar que não vai dar de chegar, mas está tudo bem.

Dependendo do grau da tempestade, se houver grande destruição da infra-estrutura e necessidade de partes da família se deslocarem para abrigos isoladamente, podem transcorrer dias até que o contato entre os familiares seja reestabelecido - algo que no tempo de nossos avós era usual, mas que gera pânico a uma geração acostumada a contato permanente e instantâneo.

Em uma situação de emergência que tenha início quando os membros da família não estão juntos, é importante que todos tenham a tranquilidade necessária para poder dar prioridade a cuidar da sua segurança e dos que estão consigo, sabendo que há um plano para garantir seu contato posterior - exceto quando há na família uma pessoa incapaz de prover seu próprio cuidado (uma criança, uma pessoa doente, etc.), caso em que deve ser claro para todos quem é o responsável por acudi-la em cada situação.

É importante, portanto, ter um plano de comunicação estabelecido com a família, e que não dependa de todos manterem acesso a seus celulares e à Internet - basta que um aparelho se molhe ou que uma bateria acabe, e aquele SMS tão importante poderá ser lido apenas na semana que vem.

3 pontos de contato

Uma tática simples (desde que combinada a tempo com todos os envolvidos) é definir 3 pontos de contato e 1 ponto de encontro.

Todos os familiares precisam decorar o telefone dos 3 contatos (a agenda do celular ou em papel pode estar indisponível...) e estes contatos devem ser escolhidos assim:

  1. Um amigo ou parente morador da mesma região, que não seja vizinho mas cuja casa seja acessível a pé, e ao qual todos procurarão avisar onde estão e como podem ser encontrados, ao evacuar a casa ou ao visitá-la e perceber que não está acessível ou não há ninguém nela;
     

  2. Um amigo ou parente morador da mesma cidade, ao qual todos também telefonarão para avisar quando estiverem abrigados fora de casa ou não conseguirem acesso a ela, explicando como podem ser encontrados;
     

  3. Um amigo ou parente morador de uma cidade distante o suficiente para não ser atingido pelas mesmas condições climáticas que as da sua cidade, que servirá como estepe caso os outros 2 também sejam atingidos pelo mesmo problema (por exemplo, ficando sem telefone ou inacessíveis).

É importante combinar de antemão (ou seja: meses antes de haver previsão da tragédia) estes contatos, para evitar desencontros e porque as comunicações durante e após situações de desastre ambiental ficam difíceis, escassas e pouco confiáveis, razão pela qual pode ser impossível executar algum procedimento do tipo "ligar para todos os familiares, amigos e locais de trabalho, e visitar todos os vizinhos".

Estes mesmos contatos devem concordar previamente em fazer este papel (talvez sua família possa fazer o papel correspondente para eles), podem ter uma lista de outros familiares seus para avisar que tudo está bem com você, e também devem constar naquelas etiquetas do tipo "Em caso de emergência, avisar..." que se encontram em muitos documentos e valises.

Casos especiais: Crianças pequenas precisam saber desde cedo recitar o nome e número de telefone de algum responsável, bem como seu nome completo, permitindo assim o registro, a identificação e a comunicação em caso de separação acidental. Os animais de estimação também se beneficiam de uma coleira firme com medalha de identificação que traga um telefone de contato.

Ponto de encontro e cartão de fuga

Complementando, a comunicação por celular (voz, SMS e dados) costuma operar bem até mesmo quando a eletricidade já foi cortada, mas em emergências logo fica sobrecarregada, e sai do ar quando acabam as baterias e combustível dos geradores que alimentam os equipamentos da operadora. Portanto, se você vai tentar se comunicar pelo celular, faça-o o quanto antes e combine um meio alternativo de contato, pois o celular fica indisponível subitamente, de forma desigual entre as regiões, e pode demorar bastante para voltar.

Já o ponto de encontro tem uma função complementar (é útil quando há colapso completo de comunicações) e é muito mais simples de definir: deve ser um local razoavelmente abrigado e seguro (inclusive quanto a inundações), próximo, acessível e público (como a bilheteria de um terminal de ônibus, ou a entrada principal de um supermercado), no qual os familiares se esforçarão para comparecer, em horários previamente combinados (por exemplo: 4 horários no primeiro dia, 2 por dia nos próximos 2 dias, 1 por dia a partir daí) enquanto houver familiares ausentes, para poder se encontrar caso tenham se abrigado em locais diferentes e perdido o contato.

Além disso, sempre que possível, ao abandonar a casa da família ou o local de trabalho, é importante deixar pregado à porta (ou onde for possível, desde que visível) um bilhete dizendo quando isso ocorreu, para onde você foi, e como pode ser encontrado.

Como complemento ao plano de comunicações, a identificação de abrigos alternativos (como as casas de familiares), roteiros de fuga - a pé ou de carro - e planos de retorno do local de trabalho ou da escola para casa são boas ideias e evitam dúvidas sobre se é melhor aguardar ser buscado ou se colocar em movimento o quanto antes, ou se é melhor ir para o centro ou para a periferia, mesmo que seja impossível se comunicar.

Todas estas informações (pontos de contato, pontos de encontro e planos de fuga) idealmente devem ser impressos em cartões, plastificados e levados na carteira de todos os familiares, juntamente com os tipos sanguíneos, informações de alergias e medicamentos, e o telefone da Defesa Civil (199), das ambulâncias do SAMU (192), e dos Bombeiros (193).

Fuja da complicação desnecessária

Um erro lamentável e comum na condução de projetos e empreendimentos em geral ocorre quando o líder rejeita soluções simples e completas com um questionamento triste: "ah, mas assim qualquer um faz", que às vezes também surge de maneira alternativa e ainda mais lamentável "ah, mas assim fica fácil demais".

Subitamente a equipe se vê tendo de não apenas ganhar a corrida, mas também dar um salto mortal na linha de chegada, após ter largado de ré e usando chinelos de dedo - porque o líder acha que se limitar a correr mais rápido "qualquer um faz".

Quando este líder estiver lhe ouvindo, lembre-se que as atuais disciplinas de Gerenciamento de Projetos podem ser suficientes para apoiar você na tarefa de convencê-lo do contrário: essencialmente, um plano viável que vá gerar o que foi combinado atendendo os requisitos de custo, prazo, qualidade e escopo é um bom plano, e quanto mais simples e eficiente ele for, melhor: significa menos risco, menos gargalos e conflitos, menos chance de errar nas comunicações, etc.

Mas se você precisar de um argumento a mais, pode recorrer a um clássico da Estratégia (e da Administração, por que não?), A Arte da Guerra, escrito no século 4 a.C. pelo general chinês Sun Tzu e que você deveria ler (e reler regularmente, se atuar na tomada de decisões com impacto estratégico). Segundo ele:

O que os antigos chamavam de um general inteligente era aquele que não somente vencia, mas que primava por vencer com facilidade.

Parece óbvio, não? Mas há um obstáculo que muitas vezes fica no caminho de uma vitória sem desperdício de esforços.

O ego do líder não pode ser obstáculo

Quando os fatores de eficiência, competitividade e diferenciação estratégica ficam em segundo plano e os critérios para definição das ações passam a depender primariamente do desejo do gestor por brilhar, ou por superar seus pares, muitas vezes o processo corporativo deixa de ser objetivo e passa a ser um tipo de gincana no qual a equipe compete por prêmios para o líder.

Quando isso acontece, os planos simples e eficientes podem começar a ser vistos como insuficientes ("isso aí qualquer um faz"), porque o líder deixa de perceber a questão crucial que Sun Tzu já havia percebido, e que se reflete nos critérios de planejamento tático e operacional desde então: as vitórias pela inteligência parecem mais fáceis, do ponto de vista de quem observa.

Mas elas parecem fáceis porque em geral são a consequência de bem mais planejamento e preparação realizados antes da batalha (ou de o cliente chegar a fazer seu pedido) - esforços que o observador casual não percebe, ou não associa à vitória que observou. E isso não serve quando o objetivo número 1 do gestor é brilhar.

Cuidado com o gold plating!

Gold plating é o ato de colocar em um produto ou serviço características adicionais que o cliente não pediu e não são necessárias para atender o que foi combinado.

Uma tradução literal seria "banhar a ouro". É uma iniciativa do prestador de serviço ou criador do produto que busca uma maneira "fácil" (do jeito errado) de tentar agradar seu cliente ou se diferenciar da concorrência.

O jeito certo, naturalmente, seria colocar essas características adicionais na especificação oficial, se possível como opcional, para que o cliente possa escolher se tem interesse ou não - fazendo sua própria análise dos impactos possíveis sobre riscos, prazos, custos, qualidade, etc.

E o gold plating é o refúgio mais frequente dos gestores que deixam seu ego ficar no caminho das decisões: incontáveis horas extras, atritos de equipe, retrabalhos e riscos nascem justamente de um gestor que quer "deixar sua marca" em um aspecto secundário e não solicitado (nem planejado...) do que lhe cabia gerenciar.

Ou seja: se o cliente não queria nada mais complexo, ele não chegou a você esperando que você complique ou coloque em risco o combinado em troca de algo a mais que ele não pediu.

O certo... é fazer do jeito certo

Já tive minha cota de madrugadas e finais de semana de stress trabalhando de forma imprevista porque algum gestor mudou as especificações (porque "assim está fácil demais") para acrescentar seu toque pessoal ao que o cliente queria e assim não apenas prejudicou o projeto, como ainda colocou em risco desnecessário todas as entregas.

Hoje tenho condições de argumentar que quando se conhece o objetivo da organização, uma “vitória fácil” que a deixe mais perto de sua missão, ou que libere mais cedo os recursos para continuar a realizar sua visão, é algo desejável e reflete positivamente sobre a imagem do gestor que consegue isso - bem mais do que se ele incluir uma camada extra de açúcar ao redor de seus produtos.

Um pouco mais difícil seria ter condições de dizer claramente a um líder organizacional que abrir mão de um plano vitorioso pela preocupação de que vai parecer, ao observador externo, uma vitória fácil demais pode ser sintoma de insegurança, ou de fogueira das vaidades, colocando seu próprio ego acima dos objetivos da organização.

Mas eventualmente fazer essa mensagem ser percebida ou intuída por ele pode ser o único jeito de evitar que ele continue a gastar uma série de recursos que seriam desnecessários, para atender a alvos secundários (mas vistosos), que acabam ficando (sob o ponto de vista do gestor) mais importantes do que o objetivo original.

Ser a pessoa a quem cabe passar essas mensagens a um gestor acaba colocando você em um papel de liderança também, com todos os os riscos associados. Mas se você perceber que este papel cabe a você, aqui está mais um trecho de A Arte da Guerra que você pode encaixar na sua reflexão:

Se não for do interesse da Instituição, não aja. Se não tiver condições de vencer, não recorra ao conflito armado. Se não estiver em perigo, não desencadeie as hostilidades.

Afinal, continuar optando intencionalmente pelos caminhos difíceis é uma maneira segura de desperdiçar recursos e esforço, e acaba levando a derrota, ou no mínimo a uma sequência de vitórias de Pirro que terão o efeito oposto ao pretendido pelo seu gestor - e toda a equipe pagará o preço!

Por que devemos te contratar?

Entrevistas de emprego e as dinâmicas de seleção parecem seguir ondas, e ultimamente parece que uma tendência forte é perguntar ao candidato a uma vaga (ou pedir que ele exponha em uma redação) uma questão aparentemente simples: "por que devemos contratar você?"

Ao participar desse tipo de processo seletivo é preciso ter sempre em mente que muitas vezes o entrevistador está mais interessado na sua atitude do que na resposta em si. Ele quer saber se você vai hesitar, se vai parar para pensar, se vai afirmar algo que ele sabe que não é verdade, se reage bem a situações incertas, se defende agressivamente o produto que está oferecendo (que, nesse caso, é você mesmo), se prefere apontar os pontos fracos dos outros ou os seus pontos fortes, etc.

Talvez o mais importante: neste momento sua objetividade vai ser posta à prova, e o entrevistador vai:

  • destacar aqueles que afirmaram seus diferenciais competitivos, pontos fortes e motivos pelos quais se consideram adequados para a vaga, e
  • dar pontuação baixa para aqueles que perderam tempo expondo histórias tristes sobre quantas vezes já tentaram, como sempre foram rejeitados sem receber resposta, como estão quase perdendo a confiança nesse negócio de entrevistas, e até pedindo desculpas por não estar tão preparados como os demais candidatos, mas mesmo assim pedir uma chance.

Não concorra sem acreditar

Em qualquer concorrência que você for participar na sua vida - seja como vendedor, oferecendo um serviço ou procurando um emprego - a pessoa que vai fazer a seleção tenderá a sentir maior empatia pelos candidatos que demonstrarem que confiam no que estão oferecendo.

Se for um selecionador profissional, a questão não para na empatia: ele vai avaliar objetivamente a capacidade de cada candidato demonstrar essa confiança na sua oferta, comparando com a avaliação dele mesmo sobre o que está sendo oferecido, e tirando uma conclusão sobre a forma como candidato se posiciona.

Essa conclusão varia de acordo com a vaga, naturalmente. Se for para vendas, um posicionamento competitivo pode cair bem. Para uma vaga de atendente ou recepcionista, é possível que a clareza e a postura sejam melhor avaliadas, e assim por diante, de acordo com a especialidade e o cargo desejados.

Portanto não esqueça: enquanto se prepara para uma entrevista, concentre-se em estar pronto para aproveitar todas as chances para destacar objetivamente características pessoais suas que o tornam uma boa opção (ou "a melhor opção", especialmente se a vaga for para vendas) para a seleção, e também para em hipótese nenhuma achar que o entrevistador quer saber do seu histórico negativo em entrevistas e processos seletivos!

Preparando sua resposta: discurso de elevador

O "discurso do elevador" é um conceito muitas vezes já abordado aqui no Efetividade.net e que - na minha opinião - todo mundo deveria ter e desenvolver.

A ideia é simples: é uma frase curta, que possa ser dita em não mais do que 30 segundos, sintetizando quem é você e quais os seus diferenciais estratégicos - aquilo que você deveria dizer se um dia encontrasse no elevador a pessoa que tem condições de lhe contratar (ou de ser o seu maior cliente) e precisasse se apresentar no tempo que leva para ele chegar ao seu andar.

Não necessariamente o discurso do elevador é um "papo de vendedor" - é muito mais um descritivo do que uma oferta. Se você tiver oportunidade de fazer o seu discurso de elevador para alguém, ele saberá quem você é e o que você tem a oferecer.

Assim, um discurso de elevador bem preparado é a resposta perfeita para a pergunta "Por que devemos lhe contratar?". É curto, mantém a atenção do ouvinte, pode ser dito sem hesitar (porque você pensou nele previamente) e destaca os seus principais pontos fortes.

E os pontos fortes, no caso, podem vir:

  • do seu histórico profissional,
  • da sua formação,
  • das suas habilidades específicas para alguma vaga,
  • da sua experiência de vida,
  • de grandes projetos que você tenha participado
  • de referências
  • etc.

Até alguma realização que você tenha obtido ao trabalhar em casa pode servir como um ponto forte do seu discurso.

Mas selecione os pontos fortes considerando sempre a expectativa de quem vai ouvir o discurso, colocando em destaque o que é mais importante para eles, e não apenas o que você tem mais orgulho de mostrar.

Para ver um exemplo prático de discurso de elevador, basta você rolar esta página até o final. No rodapé das páginas do Efetividade.net incluo um campo "Expediente" cujo primeiro parágrafo é o discurso de elevador do site: são breves 6 linhas destacando o que um leitor pode esperar daqui, a popularidade do site e seu argumento principal.

O meu próprio discurso de elevador também está publicado no meu site pessoal onde, no campo "Currículo resumido", apresento também em 6 linhas a minha formação, o que faço profissionalmente e a minha atuação on-line.

O essencial é preparar antecipadamente o seu discurso de elevador, e até praticar a forma de dizê-lo em voz alta ou colocá-lo por escrito (por exemplo, se for o caso de fazer uma redação) - mas não faça parecer decorado, a apresentação do seu discurso deve ser natural e casual.

Cuidado com os adjetivos vazios!

Os modelos de currículos aqui do Efetividade.net não têm esse vício, mas se você procurar por outros na web ou mesmo em guias publicados por jornais de emprego, verá que há algumas palavras que constam em todos eles.

São os adjetivos vazios, tantas vezes empregados que não significam mais nada, pois hoje quase todo candidato se descreve como sendo possuidor dessas qualidades.

Alguns exemplos a evitar:

  • esforçado
  • disposto a aprender
  • comunicativo
  • pontual
  • disciplinado
  • confiável
  • motivado
  • competente
  • criativo
  • organizado
  • flexível

Não é que sejam más qualidades - pelo contrário, muitas delas são qualidades essenciais para qualquer integrante de equipe.

Mas o fato é que essas são as palavras recomendadas (indevidamente, na minha opinião) a quem vai escrever escrever um currículo ou participar de uma entrevista e não tem experiência ou formação para mencionar.

Ou seja: se você disser que o seu diferencial são esses adjetivos, a conclusão (correta! ao menos com base no que você disse) do selecionador vai ser que você acredita estar no mesmo nível que todos aqueles candidatos sem experiência e que não têm nada de positivo e diferente a dizer sobre si mesmos para demonstrar que são a melhor opção.

Portanto, se você já teve alguma experiência relevante, se a sua formação é adequada, se já fez um curso sobre uma habilidade que é importante para a vaga pretendida, se já participou de um projeto bem-sucedido nessa mesma área, etc., comece suas respostas por estes detalhes, e deixe os adjetivos para quem não tem nada de substancial para dizer.

Concluindo

Entrevistas de seleção não são os jogos olímpicos: não há garantia de que o melhor candidato será o selecionado, e nem mesmo de que o processo será justo e equilibrado: a empresa e o selecionador aplicarão os seus critérios e classificarão como desejarem.

Embora não tenham como garantir uma contratação, entretanto, as entrevistas conseguem muito bem ter o efeito oposto: um mau desempenho nas respostas pode ser a garantia de que a última frase que você vai ouvir de uma empresa será a famosa "obrigado, e agora é só aguardar a nossa ligação" (que nunca acontecerá).

Portanto, se você vai participar de um processo seletivo, vale a pena se preparar. Para isso, recomendo a leitura dos artigos abaixo:

E desejo sucesso!

Entrevista de emprego: prepare-se!

O resultado de uma entrevista de emprego pode mudar radicalmente quando o candidato se prepara com alguns passos simples.

Já atuei muitas vezes como integrante de processos de seleção para empregos, e entrevistei muitas pessoas que acabaram sendo contratadas, e outras que desde os primeiros momentos já demonstravam que não seriam bem-sucedidas no processo.

Isso acontece porque a entrevista não se resume a um conjunto de perguntas e respostas: tudo o que o candidato faz (muitas vezes desde a sala de espera!) é observado, avaliado e comparado, ajudando a compor o quadro de quais as pessoas mais adequadas para as vagas disponíveis.

Nunca conduzi uma entrevista com "pegadinhas" ou perguntas com propósitos ocultos, mas também nunca me furtei a analisar mais do que as simples respostas dos candidatos às questões. A forma como entram, como se apresentam, como organizam seus pensamentos antes de responder, e tantos outros aspectos ajudam a estabelecer a comunicação.

Vale lembrar que processo seletivo não é uma modalidade olímpica: não necessariamente as regras e os critérios de pontuação são de conhecimento de quem está disputando, e muitas vezes o jogo ocorre também fora do campo - nos contatos marcando o horário da entrevista, na sala de espera, etc.

Estar preparado ajuda muito - você não terá uma segunda chance de impressionar bem ao entrevistador ou à banca. As dicas a seguir explicam o que fazer para ter condições de mostrar o melhor de si na hora H!

Informe-se

É impressionante (negativamente, claro) quando chega um candidato sem a menor noção do que a empresa faz, de qual é a vaga ou mesmo de quais os requisitos. Essas informações são essenciais para você saber o que destacar ao dar suas respostas, e precisam ser identificadas previamente.

Mesmo que você esteja comparecendo a uma série de entrevistas, tire um tempo para pesquisar sobre as empresas (ou os mercados em que elas atuam, quando o nome da empresa for sigiloso no processo), sabendo no mínimo a sua missão, a forma como a vaga pretendida afeta esta missão, seus principais concorrentes, projetos recentes que foram notícia, oportunidades e ameaças.

Não se limite ao site da empresa: consulte notícias e, se possível, fale com algum colega que atue no mesmo mercado. Pouca coisa impressiona melhor os entrevistadores do que um candidato que demonstra ter não apenas o interesse, mas também a capacidade de compreender o básico do mercado em que a empresa atua.

Seja coerente

Mudar versões e se explicar demais ao perceber uma reação negativa dos entrevistadores geralmente piora a sua situação.

De modo geral, você não deve dizer nada que não tenha condições de sustentar e manter - especialmente porque a cara feia ou os longos silêncios após alguma resposta sua podem ser as famosas "pegadinhas de entrevista" só para ver como você reage.

Em especial, não diga nada diferente do que constava no currículo que você enviou à empresa. Se alguma das informações que constava nele tiver mudado e você for fazer referência a ela, destaque essa mudança, caso contrário você pode causar a péssima impressão de estar inventando e maquiando dados após ter percebido quais os requisitos da vaga.

Seja pontual

Não há desculpas para chegar atrasado a uma entrevista que o livrem da impressão negativa que isso irá causar. Compromisso anterior que se alongou, condução que quebrou, passar mal, etc. - a justificativa até pode ser aceita, mas o estrago estará feito.

Vale então a dica: se a vaga é importante para você, esforce-se para dormir bem na véspera, para não ter um compromisso imediatamente antes, para não comer nenhum alimento "arriscado", saia mais cedo, planeje a rota para chegar pelo menos 20 minutos mais cedo, etc. - ou seja: pratique a cautela.

É difícil saber antecipadamente, mas muitas vezes você será entrevistado pelos próprios profissionais que trabalharão com a pessoa selecionada para a vaga, e eles podem ter feito grandes esforços de agendamento para estarem todos ao mesmo tempo disponíveis para a sua entrevista. Respeite o tempo deles, e eles o respeitarão mais.

A seleção pode começar na sala de espera

Muitos processos de seleção começam na sala de espera. No meu caso, quando estou selecionando em um processo coletivo, eu costumo chegar 15 a 20 minutos antes, me identificar claramente como selecionador aos candidatos que tiverem chegado mais cedo, pedir que digam seus nomes (ostensivamente para que possam ser entrevistados antes, já que chegaram antes), deixando uma pilha de revistas e jornais como cortesia, e avisando que voltarei no horário correto para dar início ao processo e ver se eles têm perguntas.

Alguns minutos antes do horário marcado eu retorno à sala de espera e sento casualmente em alguma das cadeiras, para ver o que acontece - quem puxa papo, quem continua o que já estava fazendo, quem pegou alguma revista relacionada à atividade profissional da seleção, quem faz perguntas inteligentes, etc.

No horário de início do processo, eu faço uma rápida (2 minutos!) apresentação sobre as vagas em disputa, sobre como serão as entrevistas (sempre individuais), a ordem em que serão conduzidas, antecipo as informações que todo candidato quer saber (sim, lemos seu currículo; o horário de expediente é tal; a vaga é em tal endereço; o início esperado é na data tal) e abro o espaço para perguntas.

Durante todo este tempo, os candidatos já estão sendo avaliados, e a opinião do entrevistador sobre eles já está sendo formada. E há quem vá bem além disso: já conversei com selecionadores que "plantam" um falso candidato na sala de espera, e ele fica observando os papos (sem jamais provocá-los, segundo me informou) durante todo o tempo, bem como a reação de todos a cada vez que alguém sai da sala de entrevista. Identifica quem critica os outros pelas costas, quem "entrega" alguma informação diferente da que foi dita na sala de entrevistas, quem provoca os demais, etc.

Seja educado e cuide da sua imagem

Civilidade é essencial, e polidez vale a pena. Não masque chiclete, não fume em ambiente fechado, não fique olhando para o relógio, desligue o celular.

Não se justifique nem se desculpe previamente por nada - nervosismo, despreparo, dicção, etc. - isso só atrai mais atenção a uma situação que possivelmente o entrevistador acha bastante natural.

Não abuse do cafezinho, nem da paciência de ninguém. Esforce-se para responder de forma direta e cortês tudo que for perguntado, sem ironias nem mensagens ocultas.

Não fale mal de ninguém: nem da sua antiga empresa, nem dos antigos colegas e chefes, nem dos demais concorrentes à vaga. O assunto da entrevista é apenas você. Não conte segredos alheios, não use expressões ofensivas, não seja discriminatório.

Vista-se com bom senso, preferencialmente observando previamente com quais trajes os futuros colegas de quem for selecionado se dirigem ao trabalho. Mostre que você se dedicou para escolher uma roupa adequada a um ambiente profissional e à imagem da organização.

Pratique e treine

Peça para que alguém de sua confiança faça o papel de entrevistador e, a partir de uma lista de perguntas comuns em entrevistas, coloque você à prova.

Se possível grave e depois ouça, para descobrir se você hesita, se gagueja, se fica se repetindo, se começa cada resposta com um "aaaaaah...", "ééééé...", "bom...", se faz longas pausas, etc.

Mas não exagere: não é para decorar nada, nem se precipitar e responder o que não foi perguntado.

Reflita após cada pergunta, responda ao que foi perguntado destacando seus pontos positivos, não seja monossilábico nem tagarela. Interaja, mostre que tem conteúdo, mas não seja chato!

Se há alguma pergunta sobre a qual você tem medo (por que deixou seu último emprego, quais os seus pontos fortes, por que está procurando um emprego nessa idade, etc.), dê atenção especial a ela, planejando respostas e argumentos adicionais caso necessário - mas cuidado com o nervosismo e agressividade! Neste caso a lista de respostas para perguntas comuns também pode ajudar.

Saiba se apresentar e se despedir

Ao chegar, cumprimente como faria em uma situação de trabalho, apertando mãos, dizendo "bom dia", "é um prazer", etc. - como for o hábito e costume em sua região, se possível acompanhado de um sorriso confiante.

Não inicie nenhum discurso - não é necessário justificar sua presença, e todos sabem por que você está ali. Aguarde indicarem onde você deve sentar (se não for óbvio), posicione-se e aguarde com atenção o início do processo de perguntas e respostas.

Ao final, se for aberto espaço para perguntas, é correto fazer alguma pergunta inteligente sobre a empresa, o clima organizacional, a razão da contratação. Perguntar sobre a vaga pode ser um risco (de os entrevistadores entenderem errado de que você está colocando condições para a contratação), e perguntar se eles irão entrar em contato sobre o resultado é um pouco ineficaz: eles têm o seu contato, e não podem se comprometer com algum prazo ou horário. Infelizmente muitos selecionadores só ligam para os aprovados, deixando os outros sem um ponto final em sua dúvida, mas mesmo esses não irão assumir isso para você na entrevista, e dirão apenas o óbvio: "aguarde nosso contato".

Ao final, despeça-se com a mesma cortesia com que entrou, agradeça a oportunidade, se achar necessário afirme que os dados de contato que constam em seu currículo permanecem atualizados, e saia com a certeza de que fez o seu melhor!

Leia também:

Como ser mais pontual

A pontualidade é uma virtude, e ajuda a formar a imagem que os outros têm de você.

Chegar na hora, ou um pouco mais cedo, tem várias vantagens. Participar das discussões preliminares, rever a pauta e seus apontamentos, escolher o lugar mais favorável, ter um tempo para pensar, etc.

Quem chega cedo tem melhores condições de participar ativamente das discussões da reunião, e ganha uma chance a mais de estabelecer contato com a pessoa central do evento.

Administrar a agenda é difícil, e fazê-lo com a maestria necessária para poder chegar 3 minutos antes (ou 5, ou 15...) da hora marcada para cada compromisso com outras pessoas é um desafio quase intransponível para alguns, mas é recompensador de várias maneiras, além de reduzir o stress depois que você passa a se permitir as medidas necessárias para que isso ocorra.

A pontualidade dos líderes é contagiosa. Note que não estou falando apenas dos chefes, mas também das lideranças informais. Quando os integrantes de um grupo percebem que o líder costuma chegar na hora, tendem a se esforçar para fazê-lo também.

Se a pessoa mais importante para o sucesso na reunião chega na hora, a pontualidade dos demais deixa de ser mera cortesia, e passa a ser obrigação.

E nada é mais danoso à cultura da pontualidade de um grupo do que a certeza de que o início (seja o formal ou o real) do evento será adiado até que todos estejam presentes.

Por isso, atenção às 7 dicas do Efetividade.net para ser mais pontual:

1 - Pare com o falso otimismo de horários

Em nome de uma ilusão de eficiência, há quem marque todas as reuniões na agenda como se elas fossem ser objetivas e rapidamente chegar a uma conclusão, e todos os deslocamentos como se o elevador fosse instantãneo, os engarrafamentos não existissem e a oferta de vagas de estacionamento fosse inesgotável.

Quando isso acontece, basta um mínimo atraso e o dia inteiro será comprometido, num efeito dominó que acaba com o seu humor e com a eficiência, agora em um sentido bem prático.

Faça o oposto: considere sempre a chance de algum diretor ou cliente resolver fazer um discurso de abertura, de alguma avenida estar fechada e de o elevador estar lotado.

Pare de planejar contando com uma tolerância de 15 minutos das outras pessoas, e lembre-se de inserir na sua agenda os horários realistas - todo mundo sai ganhando com a pontualidade.

2 - Marque na agenda tudo que tem horário

Agendas em computadores, na web ou em smartphones têm a vantagem de facilitar a marcação de compromissos repetidos (toda semana, todo mês, etc.), além de oferecerem vários recursos para ativamente lembrá-lo, com a antecedência necessária, dos compromissos que você agendou.

Um bom agendamento também impede que você marque 2 compromissos para a mesma hora, mas apenas se você realmente marcar tudo na agenda e acompanhá-la todos os dias, e não ficar com soluções pela metade, em que parte dos seus horários vai para a agenda e outra parte fica por conta do improviso.

3 - Use as palavras mágicas da pontualidade

Ser pontual implica em estar confortável para dizer várias frases, tais como:

  • "Infelizmente não posso agendar para esta data, podemos marcar para o dia seguinte?"
  • "Infelizmente já estouramos o horário desta reunião, podemos sumarizar agora e agendar a continuação?"
  • "Lamento, não poderei comparecer por já ter outro compromisso previamente agendado."
  • "2 horas é muito tempo, podemos fazer em 45 minutos?"

Claro que muitas vezes a situação não estará sob seu comando, e aí o máximo que você poderá fazer é se adaptar.

Mas quando o líder é você, a responsabilidade de identificar o momento de usar as frases acima é sua!

4 - Prioridades

Conhecer seu planejamento estratégico pessoal é essencial para avaliar com clareza o que é prioritário, e não aceitar se atrasar para um compromisso importante em nome de outro que seja supérfluo.

Se a sua emrpesa não tem a mesma visão de prioridade e regularmente exige que você cometa este atentado ao bom senso, tente mudar a situação - caso contrário, o esforço para ser pontual acaba se tornando um desperdício. Mas repense se vale a pena continuar nesse emprego, afinal essa situação pode se refletir na sua imagem profissional.

5 - Faça surgir mais tempo

A melhor maneira de criar tempo disponível é se livrar dos compromissos que não trazem valor. O que não é bom para você, nem para sua família, nem para sua equipe, nem para sua empresa é o que deve ser riscado permanentemente da agenda, deixando espaço para o restante.

Fora isso, as técnicas associadas à ideia de eficiência pessoal são aliadas: otimizar trajetos, delegar mais tarefas, repensar procedimentos, aprender a usar melhor as ferramentas, etc.

6 - Se não vai dar certo, avise o quanto antes

Se você descobriu hoje que o almoço agendado para amanhã está comprometido pela reunião marcada para as 11h30, remarque o almoço desde já, e dê tempo para as demais pessoas refazerem suas agendas - não deixe para "se virar" na hora assumindo um risco de causar danos muito maiores.

Da mesma forma, evite os efeitos dominó que atrasam todos os compromissos do dia: se um deles atrasou e comprometeu todos os demais, escolha um que esteja sob seu controle e transfira-o, usando o horário que seria dele para se readequar.

7 - Assuma sua postura

Uma das razões que explicam por que as pessoas marcam compromissos em horários impossíveis de cumprir é a incapacidade de tomar e manter decisões.

Aí se sucedem as decepções seguidas de desculpas, até o limite da tolerância, até que sua imagem fique comprometida a ponto de deixar de ser levado a sério.

Se o seu filho vai fazer uma apresentação na escola e é importante que você esteja lá, agende isto corretamente. Se necessário, entre em acordo antecipadamente com o seu chefe sobre como lidar com esta ausência do trabalho. Uma vez fechado o acordo, não aceite nenhum outro agendamento para o mesmo horário, e saia a tempo!

Quando você não assume os seus compromissos, passa uma imagem (justificada!) de desorganização e de desrespeito às pessoas que você deixa esperando.

Concluindo

Ninguém quer ser neurótico quanto a chegar atrasado, ou obsessivo com o relógio. Mas lidar bem com os compromissos e horários é uma característica das pessoas eficientes – e aproveitar bem o tempo que se ganha ao chegar cedo nos compromissos é um sinal de Efetividade.

Dormir bem

A busca por remédios para dormir, ou por médicos especializados nos distúrbios do sono, é um assunto campeão de audiência na Internet, e muitas vezes resultado de longos períodos de má qualidade de sono.

Só quem já viveu um caso clínico relacionado ao sono sabe o quanto pode ser desesperadora uma rotina de noites mal dormidas e os consequentes dias mal vividos. Saber os motivos de roncos excessivos, da temida apneia do sono ou outras condições similares podem mesmo ser temas que você deve levar a um especialista.

Mas dormir bem nem sempre é uma questão médica: há várias técnicas que você pode colocar em prática para conseguir ter uma boa noite de sono, sem medicamentos nem contra-indicações.

Lidei com insônias frequentes ao longo de muitos anos, e pesquisei bastante a respeito. Hoje a situação está superada para mim, e chegou o momento de compartilhar, na forma de 7 dicas, um resumo do que aprendi ao longo deste processo de libertação de um inimigo tão perverso.

1 - Deixe o sono para a hora certa

Tirar um breve cochilo depois do almoço é um hábito saudável, pode fazer maravilhas pela concentração e pelo humor, além de ser muito agradável - para quem pode praticá-lo.

Mas este cochilo não pode ser extenso: estamos falando de uma soneca de cerca de 20 minutos, suficiente para produzir os efeitos acima. Dormir mais do que isso durante o dia, para quem tem dificuldades em dormir à noite, pode dificultar bastante o equilíbrio do ciclo diário do sono, e ser um fator a mais na sua insônia diária - além de uma tentação causada pela insônia da noite anterior.

2 - Tenha hora certa para dormir e acordar

Plantonistas e outros trabalhadores em escalas sem horário fixo podem lhe explicar melhor como é difícil conciliar a necessidade diária do sono quando os horários disponíveis para isso variam completamente a cada dia.

Felizmente não é o caso da maioria dos insones, mas mesmo assim muitos deixam a hora de dormir e acordar ser definida a cada dia pela programação da TV, pela disponibilidade de conteúdo interessante no computador, ou pelo horário do primeiro compromisso da manhã seguinte.

E quando resolvem ir deitar, em um horário diferente a cada dia, se surpreendem pela ausência de sono. Não deveriam, já que um dos aspectos básicos para combater a insônia é respeitar o ciclo diário do nosso corpo, tendo hora certa para dormir e acordar, mesmo que nossa rotina pudesse nos oferecer mais liberdade.

Ter hora certa para ir deitar e cessar as demais atividades (leitura, reflexões conscientes, videogame, TV, smartphone, etc.) durante algumas semanas (não menos do que 3) pode ser o suficiente para alterar o seu ciclo.

Mas cuidado: não precisa cronometrar, nem transformar isso em obsessão, senão o efeito acabará sendo o oposto: a tensão do esforço para acabar tudo para poder deitar na hora certa vai ajudar a mantê-lo acordado.

3 - A hora de acordar "puxa" a hora de dormir

Pouco adianta esperar que o súbito respeito a um horário de dormir produza efeito positivo se você continuar acordando em horários variados, conforme o conforto esperado considerando a hora em que realmente conseguiu pegar no sono.

É duro, mas é realidade: para conseguir estabilizar um ciclo de sono pode ser necessário sair da cama cedo mesmo sem ter compromissos, e passar o dia sem sonecas e tentando ter vida normal, apesar de ter dormido mal na noite anterior.

Claro que sem exageros: nada de tentar isso por muitos dias seguidos, nem colocar a si próprio ou a outros em risco por tentar permanecer alerta nessas condições em qualquer atividade em que esta situação possa gerar risco.

Mas se você continuar acordando tarde para compensar a hora em que o sono resolveu surgir na noite anterior, a tendência maior naturalmente será perpetuar os horários do ciclo atual. (nota: infelizmente o inverso não é verdadeiro: muitas vezes não basta começar a acordar cedo para passar a ter sono à noite... mas deixar de fazê-lo é uma forma segura de dificultar as coisas.)

4 - Bons hábitos

Fazer refeições pesadas antes de dormir é um erro, assim como tomar estimulantes (café, refrigerantes e chás com bastante cafeína, etc), realizar atividades intelectuais intensas, procurar emoções fortes, etc.

Há quem tenha dificuldade em dormir e mesmo assim jogue um videogame de terror com latas de Coca-Cola espalhadas ao redor, e ainda prepare a agenda do dia seguinte e feche o planejamento de despesas da semana imediatamente antes de ir deitar - e aí nem deveria se surpreender porque o sono se recusa a vir logo.

Sou bastante cético quanto a propostas do tipo "emagreça dormindo", mas um bom hábito de alimentação (que nossos avós já conheciam e recomendavam) é favorável tanto para as dietas quanto para o sono: "tomar café da manhã como um rei, almoçar como um nobre e jantar como um mendigo" - inverter o sinal e fazer do seu jantar a principal refeição do dia pode fazer com que seu corpo esteja ocupadíssimo com a digestão bem na hora em que você gostaria que ele já estivesse relaxando para dormir bem. Mas sem exageros na interpretação do "jantar como um mendigo": somos gratos por ter condições de escolher o que jantar, mas o ideal é escolher um prato ou lanche que seja de fácil digestão e evite sentir fome ao ir deitar - o que seria mais um fator contra o sono.

Fazer exercícios físicos regulares (durante o dia, e não perto da hora de dormir!) também pode ajudar a fazer surgir o sono reparador à noite.

Além disso, o hábito de tomar um banho agradável cerca de 45 minutos antes da hora de ir deitar, e a partir dele evitar tarefas que possam despertar, pode ser um bom amigo do seu sono.

5 - Ambiente propício

O ideal é associar a cama ao sono. Enquanto durar sua fase de dificuldade para dormir, evite levar livros, revistas, smartphones, notebooks, etc. para ela, evite assistir TV nela, evite usá-la para qualquer coisa que estaria melhor associada à sala ou ao escritório.

Um quarto confortável facilita o sono. Use os recursos ao seu alcance para controlar a temperatura, elimine desníveis e ruídos do colchão, tenha um despertador que permita dormir sem preocupação de perder a hora, instale uma boa cortina ou blackout para barrar a iluminação desnecessária.

Se você tem aparelhos eletrônicos no quarto, pode valer a pena fazer uma ronda neles colocando fita adesiva para tapar os leds e outras fontes de iluminação (tomando cuidado para não danificá-los nem tapar orifícios de ventilação). Se eles produzem algum tipo de ruído, talvez seja o caso de certificar-se de desligá-los antes de dormir (geralmente um bom hábito!) ou movê-los para outro lugar da casa.

Relógios visíveis durante a noite também podem atrapalhar muito, pois quem está insone acaba olhando para eles como se fosse um placar no qual seu time está permanentemente perdendo.

Ter uma fonte contínua de ruído branco (como o produzido por um ventilador apontado para a parede, ou ouvir baixinho um CD new age com som de chuva, de cachoeira, etc.) também pode ser muito útil quando o seu sono é atrapalhado por outros ruídos da casa ou da rua: depois que você se acostuma ao ruído branco, ele ajuda a abafar os demais sons, e não atrapalha o seu sono.

6 - Não transforme seu travesseiro em um moinho de problemas

Se você é do tipo que fica remoendo problemas e situações desagradáveis enquanto o sono não vem, lembre-se de ter sempre um bloco e caneta na cabeceira. Antes de dormir, já anote os problemas que estão na sua cabeça, para ter a segurança de que irá lembrar deles no dia seguinte, e não ter de ficar remoendo-os.

Caso aconteça de, mesmo sem querer, ter um lampejo de criatividade inconsciente durante o sono e identificar uma nova solução para o seu problema, anote-a imediatamente também, e permita-se não ficar pensando em como refiná-la ou em como lembrar dela na manhã seguinte.

E se tiver algo que você gostaria de ter dito a alguém mas não disse, não fique repassando esta cena na sua cabeça também: use o mesmo bloquinho para escrever um bilhete para essa pessoa, ainda que jamais vá entregá-lo.

O simples ato de escrever torna concreta a situação do problema que está pendente ou da mensagem que não foi dita, dá a segurança de que ela poderá ser lembrada no dia seguinte, e permite à sua mente olhar para alguma outra coisa menos desagradável e mais apropriada à chegada do repouso.

7 - Saiba quando fazer uma pausa

Pouco adianta ficar na cama indefinidamente quando o sono se recusa a vir. Cada pessoa tem seu limite de tolerância ( o meu é de cerca de 1h) a partir do qual a frustração por não conseguir dormir passa a ser um motivo a mais que impede o sono de chegar.

Levante-se, saia do quarto e escolha alguma atividade relaxante ou tediosa. Para mim, tomar um banho quente funciona bem, mas para outras pessoas o banho está associado ao ato de acordar, e deve ser evitado.

Leia um livro, dobre roupas, ouça música calma, faça um chá calmante (o ato de esperar a água ferver, sem ter mais nada para fazer, pode ajudar também). Resista à tentação de tocar na agenda ou no smartphone, ligar a TV ou o computador.

Concluindo: diário do sono

Estima-se que 30 a 40% da população enfrenta dificuldades relacionadas ao sono, muitas vezes sem perceber – com efeitos sobre a capacidade de memorização, o nível de stress em geral, e várias outras áreas afetadas pelo seu metabolismo.

Se você suspeita de que sua situação está relacionada a um problema de saúde ou é, ela mesma, um distúrbio clínico, o seu médico é a pessoa mais indicada para lhe orientar.

Mas se você vem encontrando dificuldades para dormir que classifica como normais, não há razão para deixar de tentar reduzir ou evitar o incômodo.

As técnicas acima funcionam bem para mim, e são relatadas de forma similar por muitos outros autores. Em adição a elas, sugiro que você dê início a um diário (ou log) do seu sono, anotando as datas em que deu início a cada uma das medidas acima, detalhes sobre suas atividades noturnas, a hora em que foi deitar, a hora em que pegou no sono, as interrupções do sono e a hora em que acordou e levantou no dia seguinte.

Este tipo de registro pode ajudar, a médio prazo, a encontrar correlações menos evidentes entre as suas atitudes e o que acontece com o seu sono.

E, se tudo o mais falhar, as suas anotações serão um instrumento importante para ajudar o seu médico a indicar o melhor tratamento para a sua condição!

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