Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Escape de 3 armadilhas da produtividade pessoal

A busca da produtividade pessoal como solução para as demandas do exigente mundo moderno é uma resposta positiva para muitos de nós, mas o caminho até ela está repleto de armadilhas e desvios capazes de transformar vício em virtude - nao importando se você é um empreendedor individual em seu home office, um executivo, estudante, professor, integrante de equipe ou uma mistura dos papéis que desempenhamos todos os dias.

 

Uma causa comum é a visão isolada do conceito de produtividade, sem considerar conjuntamente o alinhamento aos objetivos, a qualidade do processo e dos produtos, ou mesmo os efeitos sobre a qualidade de vida dos envolvidos.

Outra causa que também ocorre é esquecer que produtividade é uma relação entre produto e insumos, e passar a medi-la apenas pela quantidade de saídas produzidas - sem considerar o custo ou o possível esgotamento dos meios e insumos, que - especialmente no caso dos empreendedores individuais e gestores - muitas vezes incluem em grande parte da capacidade do próprio agente em realizar seu esforço criativo.

As 3 armadilhas que veremos hoje, parecidas entre si mas com elementos diferenciais importantes, são grandes vilãs não apenas quanto a - após um período de aparente eficiência redobrada - impedir a obtenção continuada dos resultados desejados e também conduzir ao esgotamento ou burnout dos profissionais e empreendedores envolvidos.

Abraçar o mundo

Tentar abraçar o mundo e resolver ao mesmo tempo mais problemas do que se é capaz de gerenciar é uma receita de fracasso e esgotamento em qualquer contexto, mas se torna especialmente lamentável quando ocorre como resposta a uma demanda de ampliar a produtividade pessoal dos envolvidos.

Defrontar-se com um conjunto de tarefas que exceda a sua capacidade de produção é uma razão comum para buscar um ganho de produtividade, mas raramente - ao menos no sentido da produtividade pessoal - uma solução real e com qualidade permitirá de fato abraçar todos os problemas, pessoalmente e simultaneamente, realizando um esforço heroico e gerando satisfação a todos os clientes, com entregas no prazo e com qualidade.


Demarque seu limite

Pelo contrário: grande parte do que se exige de um profissional aspirante ao sucesso é saber dizer não ao invés de aceitar tarefas e demandas que não acresçam aos objetivos da organização, que atrapalhem outras tarefas mais importantes ou urgentes, ou que poderiam ser executadas com mais eficiência de outra maneira.

Quando alguém tenta ir além da sua própria capacidade real de produção, usualmente tem sucesso nisso durante um período inicial de aceleração, enquanto equilibra toda a carga e ainda consegue continuar avançando.

Mas logo começa a ser necessário fazer malabarismos, descumprindo alguns prazos, renegociando outros sem apresentar o motivo real, entregando resultados com menos qualidade, deixando de lado algum cliente importante (ou a família, ou as atividades pessoais) - acreditando que nenhum deles está percebendo.

Mas na prática todos, ou ao menos os mais importantes, estarão percebendo sim. E quando o limite de tolerância deles se esgotar e eles tomarem alguma atitude, possivelmente o efeito será pior (e menos reversível) do que se você tivesse adequado seu volume de trabalho desde o princípio, mesmo dizendo não a alguém sem desejar.

Não delegar

Delegar, no sentido mais comum em ambientes corporativos, é transferir a outra pessoa uma tarefa ou projeto, e passar a compartilhar com ela a responsabilidade pelo resultado.

Saber delegar é uma habilidade importante, mas envolve vários desafios, tais como:

  • quem delegou ter consciência de que retém a responsabilidade pelo resultado;
  • quem recebeu a delegação entender que compartilha esta responsabilidade;
  • transferir juntamente com a tarefa o poder de decisão necessário para executá-la;

e muitos outros. Mesmo quando você sabe delegar, um desafio sempre presente é dispor de pessoas a quem delegar com confiança.

 

A delegação ocorre em estágios ou níveis, sendo que o desejável usualmente é dispor de pessoas às quais você possa delegar no estilo "eis a tarefa - vá em frente, entregue o resultado, me comunique quando tiver concluído".

Mas é raro dispor de uma equipe contendo pessoas assim que já chegam prontas - você precisa formá-las, começando pelo nível mais básico de delegação, que é o estilo "eis a tarefa, vamos ver isso juntos; me traga as informações e eu lhe orientarei passo a passo".

O artigo "Delegação: Uma Auto-análise", do GuiaRH, apresenta um modelo progressivo de 6 níveis de delegação que podem ajudá-lo a desenvolver este potencial na sua equipe.

Quando você não delega, ou delega só parcialmente, acaba retendo para si muitas tarefas repetitivas e menores que lhe tiram a possibilidade de dedicar mais tempo às tarefas mais importantes que contribuiriam muito mais para o resultado desejado.

E isso é muito mais triste quando ocorre pela preocupação oposta, que é a de que haja perda de produtividade se a tarefa não for concentrada integralmente em suas mãos.

No caso dos empreendedores individuais, a delegação propriamente dita pode ser impossível, mas da junção das 2 armadilhas ("não delegar" e "abraçar o mundo") podemos tirar uma solução unificada: saiba fazer parcerias estratégicas ou reconheça que é melhor contratar de terceiros os serviços auxiliares cuja execução lhe tomaria parte valiosa do tempo que você faria melhor em dedicar ao núcleo de suas atividades.

O que, inclusive, nos leva à terceira e última armadilha:

Ser o homem dos 7 instrumentos

Em inglês existe um adágio que não tem similar nacional: "Jack of all trades, master of none", que se aplica às pessoas que "conhecem" várias ferramentas, mas não dominam nenhuma delas.

Trabalhando com TI, muitas vezes encontrei este tipo de sujeito, que chega dizendo que "conhece de PHP", "conhece de Java", "já viu Oracle", aí você pergunta o que ele sabe fazer, e ele responde: "tudo". Aí pede pra ele fazer um aplicativo simples de cadastramento, dar manutenção num PC que não está dando boot, ou corrigir um erro de macro numa planilha de faturamento, e ele falha nos 3 testes, porque o conceito de "tudo" de quem pede e de quem oferece muitas vezes é diferente...


Essa seria sua escolha para fazer parte da sua orquestra?

Não há nada de errado em conhecer, acompanhar ou mesmo dominar múltiplas ferramentas, mas quando alguém que quer solicitar algo em que você tenha interesse for lhe perguntar o que você sabe fazer, é preciso haver uma resposta específica e que interesse a quem perguntou.

Mais importante do que isso, é preciso haver o domínio real das competências e ferramentas e necessárias para realizar esta atividade que está sendo proposta.

Ser generalista não é incompatível com isso, pois se refere muito mais à visão ampla ou ao entendimento dos diversos componentes de uma realidade, do que à capacidade de operar e realizar as atividades associadas a eles.

Há espaço no mundo para os homens dos 7 instrumentos, mas no que se refere à produtividade e ao desenvolvimento pessoal, todos saem ganhando quando eles atuam em projetos que exigem mais de um instrumento (metafórico, claro) ou técnica que eles realmente dominem, e aí chamem outras pessoas que dominem os demais 6 instrumentos.

Conclusão: Misturando tudo

A realidade, como de hábito, é mais difusa e imprecisa que qualquer descrição objetiva.

Considere o seguinte cenário e as alternativas abaixo, que se baseiam num exemplo real que conheço - mas no exemplo real, felizmente, os executivos em questão não caíram nas armadilhas, e souberam escolher alternativas que maximizaram o aproveitamento de suas habilidades:

Dois executivos, recém-saídos de uma grande empresa de distribuição de combustíveis, percebem a oportunidade de desenvolver um serviço on-line de cálculo de rotas para distribuição de cargas.

Um deles, que anteriormente atuou como Diretor Financeiro, fica responsável por nos próximos 30 dias obter financiamento bancário para a ideia, visitar as grandes empresas de logística da região para prospectar clientes, registrar uma empresa em nome de ambos, e desenvolver nome, marca, logotipo e website corporativo.

O outro, que foi Diretor de Engenharia, ficou responsável pelo desenvolvimento do serviço, e para isso comprou um servidor e um no-break, contratou a instalação de uma conexão dedicada em sua casa, e enquanto aguarda a entrega e instalação dos equipamentos e da linha, se dedica a aprender a gerenciar servidores Linux, administrar bancos de dados MySQL e programar em PHP, para poder começar a delinear seu aplicativo.

Em quais das armadilhas da produtividade os 2 personagens acima caíram?

a) Abraçar o mundo
b) Não delegar
c) Ser o homem dos 7 instrumentos

Acertou quem respondeu "as 3" - considerando a questão da delegação como ela foi mencionada acima em relação a empreendedores individuais, claro.

Muitas vezes é difícil encontrar os limites entre as armadilhas. Eles não estão claramente demarcados, mas procurar por eles pode ser desnecessário - o importante é saber que as armadilhas estão no seu caminho e, como o folclórico canto da sereia, sabem disfarçar-se de forma atrativa, levando o marujo incauto a aproximar demais das rochas o seu barco.

Desviar delas requer conhecimento de suas próprias habilidades, investimento em desenvolver competências específicas, atenção ao foco e aos objetivos, e muita disciplina. Mas vale a pena: a persistência geralmente se traduz em resultados melhores, redução de desperdício (especialmente de esforço) e mais qualidade de vida para você!

Quer ser mais criativo? Então desacelere...

por Patricia Wolff, autora convidada para a série "Competências"

“As mentes são como pára-quedas: só funcionam se estiverem abertas.” (Ruth Noller – Pesquisadora da Universidade de Buffalo)

Você está satisfeito com sua criatividade?

O que você faz quando precisa ser mais criativo?

Foto (c) 2005 Felipe T. Marques

A revista NewScientist publicou, no último dia 30 março, um estudo que avalia o funcionamento cerebral de 72 voluntários. Ele sugere que quanto mais lenta a comunicação entre algumas áreas do cérebro, mais criativa uma pessoa se torna. Esse ritmo mais lento permite conexões entre ideias muito diferentes.

Em uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Rex Jung, professor do departamento de Neurocirurgia da Universidade do Novo México (EUA), um dos autores desta pesquisa, disse:

“A ideia criativa é normalmente descrita como algo vindo de um processo lento (ao tomar banho, ao acordar de um sonho, etc.). Parece que esses pensamentos mais lentos permitem que mais ‘nós’ do cérebro sejam conectados em formas mais novas e úteis, em contraste com o processo rápido de raciocínio que permite a alguém ter rapidamente uma resposta ‘certa’: a que já é conhecida”.

Para entendermos como isso funciona na prática, basta olharmos para uma criança. Eu tenho um filho de seis meses, e esta semana brincando com ele no chão da sala observei quando ele viu o jornal que estava em cima do sofá. Imediatamente ele engatinhou, ou melhor rastejou, pois ainda não sustenta o peso do corpo nos joelhinhos, e esticou o braço direito para alcançá-lo mas perdeu o equilibrio e caiu. Logo comentei com meu marido, que assistia a cena, “Ele acha que irá pegar o jornal, vê se pode? ...” . Ele tentou uma, duas, três vezes sem sucesso, até que na quarta vez descobriu que esticando o braço esquerdo, que estava apoiado no chão, o direito poderia alcançar o jornal, e assim o fez.

O que pude aprender com essa situação foi:

  1. Para sermos criativos devemos ter claro o que queremos atingir.
  2. A necessidade fornece impulso positivo para o desenvolvimento de soluções criativas.
  3. Temos que ter muito cuidado com nossas crenças (Ele acha que irá pegar o jornal ...), pois as irracionais podem duvidar da capacidade de se atingir o objetivo e “cortar” o fluxo criativo do pensamento.
  4. Criatividade tem a ver com explorar o desconhecido, e para isso precisamos ter em mente que frequentemente podemos errar. Tentar e errar faz parte do processo criativo.

O que acontece é que muitas vezes pelo receio do fracasso, nós adultos, acabamos não insistindo diante uma falha, ou pior, às vezes nem tentamos.

Só que cada vez que temos um resultado malsucedido, mais enriquecemos nossa percepção pois estabelecemos mais ligações de causa e efeito e mais identificação de correlações. Thomas Edison dizia: “Eu não fracassei, apenas encontrei 10.000 maneiras que não funcionaram”.

Alguns obstáculos para a criatividade:

  • No ambiente competitivo e aceleradíssimo em que vivemos hoje, temos a tendência de ficar no piloto automático para decidir, quase tudo, de forma mais rápida;
  • Dificuldade em lidar com a frustração de errar antes de acertar;
  • Sair da zona de conforto se está tudo bem com meu trabalho. O ser humano tem a tendência de poupar toda e qualquer energia para se preservar.
  • Somos educados para não sermos criativos, ao longo de nossa vida, nos diversos ambientes ao nosso redor, nos deparamos com muitos bloqueios mentais que podem inibir a nossa criatividade: família, escola, empresas, etc

A boa notícia é que da mesma forma que fomos educados para não sermos criativos, podemos nos propiciar um caminho inverso. Para isso é importante que nos desafiemos continuamente e estejamos preparado para quebrar alguns paradigmas (e eventualmente a cara)...

De acordo com o professor Richard Florida, da Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburg na época atual a capacidade de realizar as tarefas corretamentes não é mais a mercadoria que os empregados vendem às empresas. Na era criativa, diz Florida, as pessoas vendem, acima de tudo, sua capacidade de pensar.

Então, vamos para a prática.

Como posso desenvolver mais a criatividade em meu dia a dia?

  • Seja curioso: evite reproduzir tarefas mecanicamente, isto faz parte dos papéis e responsabilidades de uma máquina. Busque as causas, os porquês, as implicações.
  • Dedique-se a algo para o qual não foi treinado. Fale com pessoas que não pertençam a seu círculo profissional para abrir seu ângulo de visão. Identifique uma habilidade extra-profissional que ajudará muito a interpretar as oportunidades de maneira diferente.
  • Questione. Não existe inovação sem as perguntas: Por que ? Por que não ? E se ?. Peter Drucker já dizia que o importante não é ter as respostas certas mas saber fazer as perguntas corretas.
  • Bom humor ajuda a olhar os problemas de maneira diferente
  • Seja ousado. Pense naquilo que deve ser feito para satisfazer as causas dos problemas e não no que é permitido ser feito. As conciliações, adaptações e concessões fazem parte de uma segunda etapa.
  • Invista em ter ideias: associe, combine, modifique, adapte, aumente, diminua, substitua, reorganize, inverta as ideias que você têm. As combinações são infinitas. Steve Jobs costuma falar “Criatividade é conectar as coisas”
  • Faça outra coisa quando as ideias de esgotarem. Um café, uma caminhada, um banho relaxante favorecem a mudança de foco, a busca de outra perspectiva.
  • Nunca se contente com a primeira ideia que lhe ocorrer. Busque outras, outras e muitas outras e escolha a melhor.
  • Estimule seu cérebro também nas horas de lazer. Leia bastante, frequente cinema, teatro, exposições, toque um instrumento musical, viaje para conhecer outras culturas e tenha um hobby que exige atenção constante (esporte radical, jogos de computador, etc...).

Lembre-se, o núcleo do processo de aprendizado é a transformação de ações inefetivas em ações efetivas. Para isso é preciso encarar de frente uma situação insatisfatória presente para transformá-la em uma oportunidade de desenvolvimento e AGIR para transformá-la em satisfatória. Este é o círculo virtuoso que me trará mais tranquilidade, confiança e CRIATIVIDADE!

E você o que fará para aumentar sua criatividade no dia a dia?

Um abraço e conte com meu apoio !

Para saber mais:

A autora convidada da série de artigos sobre Competências, Patrícia Wolff, atua como coach executivo e de equipe, conferencista em Desenvolvimento Humano e é diretora da Quantas Consulting.
 

Estudante: seu currículo futuro depende do que você fizer agora

Currículo é um documento em que se reúnem dados relativos à identificação, formação, experiência profissional e atividades anteriores de um profissional ou candidato a uma oportunidade, e por natureza, ao menos na maioria dos casos, ele reflete com fidelidade algumas das principais realizações do histórico de uma pessoa, no que tange à sua empregabilidade.

Fila do emprego...

O Efetividade tem uma série de artigos explicando como fazer seu currículo, boa parte deles com modelos baseados na minha própria experiência da época em que eu selecionava pessoas para estágios e vagas de emprego, via processos seletivos que começavam pela coleta e análise de currículos.

Vi muitas barbaridades em currículos nessa época, e decidi fazer algo a respeito escrevendo meus próprios artigos sobre currículos e disponibilizando meus próprios modelos de currículo, que alcançaram certo grau de sucesso - incluindo aí o uso pela revista Veja em texto sobre o tema.

De vez em quando também algum leitor aprovado em processos seletivos aparece para agradecer, e é por aí que efetivamente meço o sucesso da iniciativa.

Tem outro lado

Mas há outro lado nessa história, como ilustra um recente comentário de um leitor em um artigo que escrevi para ajudar o pessoal que quer um curriculum para primeiro emprego.

O artigo apresenta o básico, com truques para evitar a aparência de folha vazia, e para valorizar a experiência acadêmica extra-curricular, como participação em eventos, envolvimento em empresa júnior e diretório, estágios e atividades voluntárias, na hora de ir ao mercado e tentar se diferenciar de outras pessoas batalhando as mesmas vagas. O mesmo artigo ainda apresenta um exemplo de preenchimento do mesmo currículo por uma pessoa que está cursando o segundo grau.

 

Note, entretanto, que o comentário a que me referi acima não desejava nada disso. Ele queria algo mais, e acredito que seja uma orientação que eu não acredito que alguém possa oferecer eticamente: um modelo de preenchimento que possa fazer com que pareça bom o currículo de alguém que tenha apenas se formado na área em que quer atuar, com pouca ou nenhuma experiência a relatar.

Existe algo que pode fazer um currículo destes parecer bom, e é simples de exemplificar: basta que haja um processo seletivo em que o requisito principal seja a formação na área, e não tenha aparecido número suficiente de outros candidatos formados.

Fora isso, o que ocorre é da natureza do processo: o currículo de quem não tem experiência ou formação complementar naturalmente parecerá mais vazio do que o de seus concorrentes que possam agregar alguma informação sobre realizações profissionais anteriores, ou mesmo sobre realizações acadêmicas complementares.

Fica a dica

O que mais me surpreendeu no comentário a que me referi foi a natureza da indignação expressa pelo seu autor.


Este é o modelo em questão

Explico: ele não estava lamentando a sua própria situação de ausência do diferencial profissional que desejava possuir. Na opinião dele, o problema é que o modelo de currículo apresentado no artigo (e reproduzido na imagem acima) era de "um profissional com uma vasta formação e grande experiência".

Acredito mesmo que quando a pessoa descreve desse jeito alguém como o personagem daquele currículo (a "vasta formação" era a graduação completa e a "grande experiência" era ter feito 2 estágios), possa ser bem mais difícil escrever um currículo sem ficar com a sensação de "folha vazia".

Mas a solução pra isso é fazer a escolha de aproveitar oportunidades de experiência complementar durante a formação, ou em paralelo a outras atividades profissionais, mesmo que isso custe um alto preço em termos de horas dedicadas ao lazer ou a outras atividades mais prazerosas a curto prazo.

Nada de mentir no currículo

Se a escolha for outra, ou se for impossível colocar isso em prática (e às vezes é), não tem jeito: seu currículo precisa refletir a sua realidade.

As alternativas seriam o popular "encher linguiça" (que o recrutador logo percebe e avalia negativamente), auto-elogio sem evidências (que levam à pergunta: se este candidato é tão bom, como não consegue apontar nenhum exemplo do uso dessas qualidades que diz ter?), ou o pior pecado: mentir no currículo (como estas "top 5" mentiras de currículos, elencadas pela revista Info. Nada disso ajuda, e o melhor ainda será ficar com um currículo modesto e verdadeiro.

Como fazer para enriquecer um currículo

Se você é estudante, não deixe passar em branco nenhuma oportunidade de ter algo a inserir no seu currículo daqui a alguns anos para estar em posição de vantagem em relação a quem se limita a assistir aulas e fazer provas. Saiba que isso não garante vaga a ninguém, mas pode aumentar bastante a sua chance quando o processo seletivo for razoavelmente equilibrado.

Algumas das oportunidades às quais você deve dar atenção já foram mencionadas aqui: atuar em empresas-júnior ou empresas-modelo mantidas pela instituição de ensino, participar ativamente na gestão do diretório acadêmico, ser o tesoureiro da comissão de formatura, monitor/bolsista em laboratórios, participar de eventos relacionados ao seu mercado de trabalho, publicar artigos, realizar estágios e outras atividades que permitam que um futuro avaliador perceba que você tem iniciativa, sabe se virar, é esforçado e já teve alguma experiência de vida que permitiu aprender a trabalhar em equipe, comunicar-se e outros atributos que muita gente menciona no currículo, mas não consegue convencer (e nem chega a ser chamado a uma entrevista para poder demonstrar).

Um modelo de currículo do Efetividade.net

Outras alternativas (que valem também para quem não é estudante) foram mencionadas no nosso artigo "Emprego sem experiência? Existe solução" e permitem sair da situação paradoxal em que ninguém lhe dá oportunidade porque você não tem experiência, e você não consegue ter experiência porque ninguém lhe dá oportunidade. Todas elas exigem alguma dose de dedicação, portanto o melhor é começar cedo.

Finalmente, para quem já está no mercado de trabalho e busca melhorar a sua empregabilidade, mirando no avanço da carreira ou em uma possível recolocação futura, vale aproveitar o ensejo e consultar as nossas 12 dicas rápidas de estabilidade e empregabilidade - que também passam pela atenção ao que colocar no currículo.

Afinal de contas, a conclusão é simples: nenhuma dica de formatação pode ajudar a criar valor no currículo de quem não tem diferencial em relação a outros concorrentes. Como geralmente o único diferencial que está ao nosso alcance obter são a formação e a experiência, é nisso que podemos nos concentrar para ter uma reação positiva.

Dois suportes de mesa para seu celular - estilo faça você mesmo

Na minha escrivaninha, em casa, eu tenho um suporte para o celular que inclui um conector para carregá-lo e sincronizá-lo, e ainda o mantém em pé em local visível e acessível. Não foi feito em casa, nem custa caro (dependendo do modelo e fabricante, claro), e é também uma boa solução, que recomendo.

Suporte feito com uma folha A4 recortada e dobrada

Só que infelizmente a minha escrivaninha do home office não é o único lugar em que o celular descansa (minha vida seria muito mais simples, certo?), e mantê-lo em uma posição em que as informações da sua tela fiquem visíveis é sempre bem-vindo - pra isso, recorro a suportes mais simples, feitos em casa, e que hoje comaprtilharei com vocês.

Até recentemente eu usava em outros locais (até mesmo para assistir a um filme na bandeja do avião) um suporte como o da foto acima, feito com poucos recortes e dobras em uma folha A4 de gramatura típica de cartões de visita - note que ela tem até espaço para passar o cabo de alimentação/sincronização do telefone.

Claro que eu não fui o artista que bolou o esquema - é tudo construído a partir de um molde em PDF bem simples, impresso com os pontos para corte e dobra, e trazendo junto as instruções.

Reuso é palavra da moda

Mas tudo mudou quando visitei este artigo do Lifehacker, que ensina a reaproveitar um item que boa parte dos proprietários de IPhone (ao menos dos que adquiriram o aparelho diretamente de um distribuidor oficial) possui e não usa: um pedaço da caixa do aparelho.

As embalagens dos produtos da Apple costumam ser caprichadas, e a do IPhone não é exceção, inclusive quanto ao molde plástico em que o próprio aparelho vem deitado, separando-o dos manuais, cabos e adesivos.

E é este suporte que, com um corte simples (mas sem erro, porque não haverá segunda chance) se transforma no suporte acima, que mantém o celular firme na posição horizontal, adequada a mantê-lo carregando, com o ITunes rodando no modo CoverFlow, ou mesmo assistindo a um vídeo na bandeja do avião.

Como você pode ver, a foto (© Nathan Barry) mostra um corte realmente simples.

Não sei dizer se as caixas de fones com Android, modelos da Nokia e outros favoritos possuem materiais que possam ser reaproveitados da mesma forma, mas fica a dica pros usuários do IPhone - e os demais podem aproveitar o modelo dobrado em papel cartão, que também é bem prático.

O papel da personalidade na escolha de sua carreira

Conforme avisei no dia 12, a excelente recepção que a série de artigos sobre Competências, da autora convidada Patrícia Wolf conduziu ao surgimento de frutos adicionais, pelo interesse que empresas do ramo têm em falar a este mesmo público.

A idéia de posts patrocinados, publieditoriais e similares não me agrada como leitor, por isso resisto a recorrer a ela nos blogs que mantenho. Talvez eu perca receita potencial com isso, mas imagino que vocês prefiram que seja assim.

E é nisso que se baseia minha política de aceitar material enviado por empresas interessadas: não há nenhum pagamento envolvido, eu publico o texto na íntegra, mas preciso concordar que seu tema é interessante e está dentro dos temas aqui do site.

É o caso do texto a seguir, enviado pela equipe do Emprego Certo (do UOL) e dirigido ao pessoal que está acompanhando a série da Patrícia para ajudar a evoluir conscientemente sua empregabilidade.

Eu li, gostei e aprovei, e agora compartilho com vocês. Claro que todo posicionamento que divide a humanidade em pequenos grupos (aventureiros, idealistas, racionais, etc.) é limitado por natureza e não necessariamente deve ser tomado ao pé da letra - somos humanos, e cada um de nós é uma exceção ambulante em potencial a qualquer classificação em pequenos grupos.

Mas como sabemos que parte considerável dos processos formais de recrutamento se baseia neste tipo de fundamento teórico, avalio que ter conhecimento deles pode interessar até mesmo a quem discorda dos "Tipos Psicológicos" de Jung e suas decorrências.

Com vocês, o texto enviado pela equipe do Emprego Certo:

Que carreira combina com a minha personalidade?

Escolher uma profissão que combine com seus traços de personalidade pode ser um atalho interessante para a felicidade

O mercado de trabalho exige muito de todos nós. Desafios como jornadas cada vez mais longas, funções acumuladas e necessidade constante de aperfeiçoamento estão na lista de profissionais de todas as áreas. Neste cenário, só uma coisa pode nos deixar mais equilibrados: fazer o que se gosta.

Um primeiro passo é descobrir o que, afinal, você gosta de fazer. De preferência antes de iniciar a faculdade. Uma boa maneira para descobrir que linha profissional seguir é fazer testes vocacionais. Eles dão alguns direcionamentos e tipos de carreira.

A teoria

A teoria por trás deste tipo de teste está baseada nos estudos de Carl Jung no início do século XX, sobre as Teorias da Personalidade. Já em 1927, no livro “Tipos Psicológicos”, Jung afirmava a personalidade humana pode ser composta por diversos fatores, que combinados tipificariam a personalidade de cada um.

Agora, percebam que curioso: a obra de Jung foi retrabalhada nos anos 50, quando Katherine Briggs Myers e sua filha Isabel Briggs Myers, donas de uma fábrica nos Estados Unidos, utilizaram seus fundamentos para seleção de pessoal.

Elas notaram, contudo, que os dois critérios iniciais para classificação de personalidades soavam incompletos e a eles somaram mais dois. O que começou com uma brincadeira entre mãe e filha tornou-se um estudo sério, sendo a base para do Indicador Myers Briggs dos Tipos de Personalidade.

Segundo este indicador, o tipo de personalidade pode ser identificado por meio de quatro critérios excludentes. Ou seja, a cada critério ou você é um ou outro. O primeiro é se você é Extrovertido ou Introvertido; o segundo se é Sensorial ou Intuitivo; o terceiro se é Pensador ou Sentimental e o quarto se é Julgador ou Perceptivo.

A identificação do tipo de personalidade pela seleção destes critérios, em tese, daria ao candidato um panorama mais realista do tipo de profissão que se encaixaria em seu modo de ver o mundo. Alguns exemplos:

Pessoas com personalidades mais racionais são mais determinadas e com forte raciocínio lógico. Vão curtir muito trabalhar em ambientes onde vale mais o raciocínio conceitual, orientando projetos, por exemplo. Gostarão de planejar e terão como diferencial a comunicação entre seus parceiros. Pessoas com este tipo de personalidade costumam se dar bem em carreiras como administração, comércio exterior, desenho industrial, engenharia, entre outras.

Mas se você é do tipo idealista, não desanime. Profissionais com este tipo de personalidade estão sempre pensando no futuro e adoram ajudar os outros. Seu diferencial é um entendimento acima da média das “coisas do mundo”. Por isso, acabam quase sempre se dando muito bem em funções intelectuais. Gostam muito de examinar os fatos e buscar a razão das coisas. Seu local de trabalho ideal é aquele com uma atmosfera amigável e cooperativa, sem burocracia e com muita liberdade criativa. Busca criar coisas novas e se cansa de locais onde a repetição é a regra. Dentre as profissões que encaixam com este tipo de personalidade estão Arquitetura, Propaganda, Jornalismo, Letras, entre outras.

Existem também os guardiões. Pessoas com este tipo de personalidade são as sérias e trabalhadoras, além de muito confiáveis. Se você acha que a vida não é uma festa e deve ser levada a sério, você é um guardião! Um das qualidades mais fortes é fazer as pessoas se sentirem seguras ao seu lado. Em função disso o ambiente de trabalho ideal para este tipo de profissional é aquele que priorize o trabalho em equipe, com certa dose de rotina e organização. Direito e Química estão entre as profissões que fazem a felicidade dos guardiões.

O quarto tipo de personalidade básica é a dos artesãos. São os aventureiros que procuram sempre por prazer e ação. O que para a maioria é loucura, para eles é pura adrenalina e diversão. Eles se dão bem em ambientes colaborativos, informais e que permitam o contato direto com pessoas. São artistas-plásticos, biólogos, cineastas e professores de educação física.

E você? Qual seu tipo de personalidade?

Este texto foi produzido pelo Emprego Certo, o site de empregos do UOL, com exclusividade para o Efetividade.net.

Revisão de texto: a coragem de cortar

Você escreve relatórios, artigos, trabalhos escolares e outras obras com alguma frequência? E, ao revisá-los, prefere manter um texto desconjuntado, ou mesmo incluir mais explicações, do que apagar os parágrafos iniciais e substituí-los por algo mais curto e que remova as dúvidas?

O desejo de aproveitar o que já escrevemos é comum e fácil de entender. Mas eu perco a conta do número de vezes que vejo autores se esforçando muito mais do que o razoável para tentar "salvar" um trecho de texto que não deveria mais estar ali, ou reescrevendo infinitas vezes um parágrafo que não tem salvação.

Hoje, após ter removido um capítulo inteiro de um texto técnico que estou compondo, recebi por e-mail um texto acadêmico para comentários, feito por alguém que nitidamente tentou "salvar" tudo que chegou a escrever - tem parágrafos claramente fora de contexto, conclusões de capítulos que não casam com suas introduções, e similares.

Adaptar não vai resolver, muito melhor faria o autor se revisasse alguns parágrafos com uma boa tesoura. Mas há um lado bom: pelo menos me deu a inspiração para um novo artigo por aqui!

A prática do desapego é difícil

Quando escrevi o artigo "Como começar um texto ou apresentação com mais efetividade", em 2007, compartilhei com vocês uma convicção minha: o autor precisa saber quando cortar profundamente seus textos de modo a remover os trechos que não agregam valor a seus leitores.

Na ocasião, registrei:

"Eu escrevo todos os dias, e muitas vezes sigo o exemplo dos grandes autores de best-sellers policiais: ao terminar uma coluna curta, é freqüente eu decidir cortar os 2 primeiros parágrafos inteiros, sem remorso. Em artigos maiores, às vezes a primeira página desaparece integralmente, sem prejuízo nenhum ao conteúdo."

Já no artigo "Revisão de texto: 5 dicas para aumentar a qualidade dos seus artigos", fui um pouco mais longe: duas das 5 dicas estavam relacionadas ao tema da reescrita. Cito a mim mesmo, grifando:

"4. Não se apegue ao material: às vezes você não conseguirá salvar justamente aquele trecho que deu mais trabalho em pesquisar, ou mais prazer em compor. Conforme-se, não fique tentando dar um jeito de forçar a permanência de uma parte que não se encaixa. Guarde em um outro arquivo e tente usar em um trabalho futuro, ou mesmo compor um novo trabalho a partir deste trecho.
5. Se necessário, reescreva. Se um capítulo está muito abaixo do seu nível de qualidade, ou se o artigo ficou sem pé nem cabeça, às vezes vale mais a pena reescrevê-lo do zero do que tentar consertar. Novamente: conforme-se e faça o que tem que ser feito.
"

O dilema da revisão: produtividade X qualidade

O culto à produtividade muitas vezes acaba colocando-a acima de outros atributos tão ou mais importantes, entre os quais destaco a qualidade.

Aí, por reflexo formado pela natural rejeição às permanentes tentativas de clientes (internos e externos) que desejam mudar as especificações e requisitos de um trabalho já pronto (a popular "refação"), muitas vezes quem escreve não percebe que exercer, com o vigor necessário, seu próprio poder de corte sobre um texto em andamento não é necessariamente a mesma coisa.

Para usar o mesmo paradigma acima, o corte causado por uma revisão não significa necessariamente que as especificações e requisitos mudaram - a conclusão mais comum é que os requisitos iniciais não foram atingidos. Portanto a palavra "refazer" nem se aplica tão completamente: você vai é recomeçar a fazer, porque na tentativa anterior não fez.

Produtividade em atividades criativas, como escrever, muitas vezes é um conceito difícil de aplicar objetivamente de forma ampla. Quem escreve e ganha apenas por produção (número de folhas ou toques escritos) são os digitadores, que não têm a atribuição de criar; para os autores, a produtividade da criação de texto pode ser medida apenas de maneiras agregadas ou secundárias: índice de cumprimento de prazos, de atingimento do volume mínimo necessário, etc.

Corte sem medo

Portanto, renovo minha sugestão dos artigos anteriores: corte seus textos sem medo. Quem publica muito sabe que precisa escrever muito mais do que os leitores chegarão a ver, e feliz do autor que tem a percepção de que determinados parágrafos, capítulos e artigos serão mais interessantes para o leitor se forem cortados do que se forem mantidos.

Reescrever, reordenar e recomeçar textos são tarefas que fazem parte desta arte e técnica, e você precisa estar disposto a isso todos os dias, sob pena de expor seus leitores a textos bem inferiores à qualidade que você teria condição de oferecer a eles.

Para inspirar, sugiro algumas leituras relacionadas à revisão de textos praticada com tesoura na mão:

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