Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Estudante: seu currículo futuro depende do que você fizer agora

Currículo é um documento em que se reúnem dados relativos à identificação, formação, experiência profissional e atividades anteriores de um profissional ou candidato a uma oportunidade, e por natureza, ao menos na maioria dos casos, ele reflete com fidelidade algumas das principais realizações do histórico de uma pessoa, no que tange à sua empregabilidade.

Fila do emprego...

O Efetividade tem uma série de artigos explicando como fazer seu currículo, boa parte deles com modelos baseados na minha própria experiência da época em que eu selecionava pessoas para estágios e vagas de emprego, via processos seletivos que começavam pela coleta e análise de currículos.

Vi muitas barbaridades em currículos nessa época, e decidi fazer algo a respeito escrevendo meus próprios artigos sobre currículos e disponibilizando meus próprios modelos de currículo, que alcançaram certo grau de sucesso - incluindo aí o uso pela revista Veja em texto sobre o tema.

De vez em quando também algum leitor aprovado em processos seletivos aparece para agradecer, e é por aí que efetivamente meço o sucesso da iniciativa.

Tem outro lado

Mas há outro lado nessa história, como ilustra um recente comentário de um leitor em um artigo que escrevi para ajudar o pessoal que quer um curriculum para primeiro emprego.

O artigo apresenta o básico, com truques para evitar a aparência de folha vazia, e para valorizar a experiência acadêmica extra-curricular, como participação em eventos, envolvimento em empresa júnior e diretório, estágios e atividades voluntárias, na hora de ir ao mercado e tentar se diferenciar de outras pessoas batalhando as mesmas vagas. O mesmo artigo ainda apresenta um exemplo de preenchimento do mesmo currículo por uma pessoa que está cursando o segundo grau.

 

Note, entretanto, que o comentário a que me referi acima não desejava nada disso. Ele queria algo mais, e acredito que seja uma orientação que eu não acredito que alguém possa oferecer eticamente: um modelo de preenchimento que possa fazer com que pareça bom o currículo de alguém que tenha apenas se formado na área em que quer atuar, com pouca ou nenhuma experiência a relatar.

Existe algo que pode fazer um currículo destes parecer bom, e é simples de exemplificar: basta que haja um processo seletivo em que o requisito principal seja a formação na área, e não tenha aparecido número suficiente de outros candidatos formados.

Fora isso, o que ocorre é da natureza do processo: o currículo de quem não tem experiência ou formação complementar naturalmente parecerá mais vazio do que o de seus concorrentes que possam agregar alguma informação sobre realizações profissionais anteriores, ou mesmo sobre realizações acadêmicas complementares.

Fica a dica

O que mais me surpreendeu no comentário a que me referi foi a natureza da indignação expressa pelo seu autor.


Este é o modelo em questão

Explico: ele não estava lamentando a sua própria situação de ausência do diferencial profissional que desejava possuir. Na opinião dele, o problema é que o modelo de currículo apresentado no artigo (e reproduzido na imagem acima) era de "um profissional com uma vasta formação e grande experiência".

Acredito mesmo que quando a pessoa descreve desse jeito alguém como o personagem daquele currículo (a "vasta formação" era a graduação completa e a "grande experiência" era ter feito 2 estágios), possa ser bem mais difícil escrever um currículo sem ficar com a sensação de "folha vazia".

Mas a solução pra isso é fazer a escolha de aproveitar oportunidades de experiência complementar durante a formação, ou em paralelo a outras atividades profissionais, mesmo que isso custe um alto preço em termos de horas dedicadas ao lazer ou a outras atividades mais prazerosas a curto prazo.

Nada de mentir no currículo

Se a escolha for outra, ou se for impossível colocar isso em prática (e às vezes é), não tem jeito: seu currículo precisa refletir a sua realidade.

As alternativas seriam o popular "encher linguiça" (que o recrutador logo percebe e avalia negativamente), auto-elogio sem evidências (que levam à pergunta: se este candidato é tão bom, como não consegue apontar nenhum exemplo do uso dessas qualidades que diz ter?), ou o pior pecado: mentir no currículo (como estas "top 5" mentiras de currículos, elencadas pela revista Info. Nada disso ajuda, e o melhor ainda será ficar com um currículo modesto e verdadeiro.

Como fazer para enriquecer um currículo

Se você é estudante, não deixe passar em branco nenhuma oportunidade de ter algo a inserir no seu currículo daqui a alguns anos para estar em posição de vantagem em relação a quem se limita a assistir aulas e fazer provas. Saiba que isso não garante vaga a ninguém, mas pode aumentar bastante a sua chance quando o processo seletivo for razoavelmente equilibrado.

Algumas das oportunidades às quais você deve dar atenção já foram mencionadas aqui: atuar em empresas-júnior ou empresas-modelo mantidas pela instituição de ensino, participar ativamente na gestão do diretório acadêmico, ser o tesoureiro da comissão de formatura, monitor/bolsista em laboratórios, participar de eventos relacionados ao seu mercado de trabalho, publicar artigos, realizar estágios e outras atividades que permitam que um futuro avaliador perceba que você tem iniciativa, sabe se virar, é esforçado e já teve alguma experiência de vida que permitiu aprender a trabalhar em equipe, comunicar-se e outros atributos que muita gente menciona no currículo, mas não consegue convencer (e nem chega a ser chamado a uma entrevista para poder demonstrar).

Um modelo de currículo do Efetividade.net

Outras alternativas (que valem também para quem não é estudante) foram mencionadas no nosso artigo "Emprego sem experiência? Existe solução" e permitem sair da situação paradoxal em que ninguém lhe dá oportunidade porque você não tem experiência, e você não consegue ter experiência porque ninguém lhe dá oportunidade. Todas elas exigem alguma dose de dedicação, portanto o melhor é começar cedo.

Finalmente, para quem já está no mercado de trabalho e busca melhorar a sua empregabilidade, mirando no avanço da carreira ou em uma possível recolocação futura, vale aproveitar o ensejo e consultar as nossas 12 dicas rápidas de estabilidade e empregabilidade - que também passam pela atenção ao que colocar no currículo.

Afinal de contas, a conclusão é simples: nenhuma dica de formatação pode ajudar a criar valor no currículo de quem não tem diferencial em relação a outros concorrentes. Como geralmente o único diferencial que está ao nosso alcance obter são a formação e a experiência, é nisso que podemos nos concentrar para ter uma reação positiva.

Dois suportes de mesa para seu celular - estilo faça você mesmo

Na minha escrivaninha, em casa, eu tenho um suporte para o celular que inclui um conector para carregá-lo e sincronizá-lo, e ainda o mantém em pé em local visível e acessível. Não foi feito em casa, nem custa caro (dependendo do modelo e fabricante, claro), e é também uma boa solução, que recomendo.

Suporte feito com uma folha A4 recortada e dobrada

Só que infelizmente a minha escrivaninha do home office não é o único lugar em que o celular descansa (minha vida seria muito mais simples, certo?), e mantê-lo em uma posição em que as informações da sua tela fiquem visíveis é sempre bem-vindo - pra isso, recorro a suportes mais simples, feitos em casa, e que hoje comaprtilharei com vocês.

Até recentemente eu usava em outros locais (até mesmo para assistir a um filme na bandeja do avião) um suporte como o da foto acima, feito com poucos recortes e dobras em uma folha A4 de gramatura típica de cartões de visita - note que ela tem até espaço para passar o cabo de alimentação/sincronização do telefone.

Claro que eu não fui o artista que bolou o esquema - é tudo construído a partir de um molde em PDF bem simples, impresso com os pontos para corte e dobra, e trazendo junto as instruções.

Reuso é palavra da moda

Mas tudo mudou quando visitei este artigo do Lifehacker, que ensina a reaproveitar um item que boa parte dos proprietários de IPhone (ao menos dos que adquiriram o aparelho diretamente de um distribuidor oficial) possui e não usa: um pedaço da caixa do aparelho.

As embalagens dos produtos da Apple costumam ser caprichadas, e a do IPhone não é exceção, inclusive quanto ao molde plástico em que o próprio aparelho vem deitado, separando-o dos manuais, cabos e adesivos.

E é este suporte que, com um corte simples (mas sem erro, porque não haverá segunda chance) se transforma no suporte acima, que mantém o celular firme na posição horizontal, adequada a mantê-lo carregando, com o ITunes rodando no modo CoverFlow, ou mesmo assistindo a um vídeo na bandeja do avião.

Como você pode ver, a foto (© Nathan Barry) mostra um corte realmente simples.

Não sei dizer se as caixas de fones com Android, modelos da Nokia e outros favoritos possuem materiais que possam ser reaproveitados da mesma forma, mas fica a dica pros usuários do IPhone - e os demais podem aproveitar o modelo dobrado em papel cartão, que também é bem prático.

O papel da personalidade na escolha de sua carreira

Conforme avisei no dia 12, a excelente recepção que a série de artigos sobre Competências, da autora convidada Patrícia Wolf conduziu ao surgimento de frutos adicionais, pelo interesse que empresas do ramo têm em falar a este mesmo público.

A idéia de posts patrocinados, publieditoriais e similares não me agrada como leitor, por isso resisto a recorrer a ela nos blogs que mantenho. Talvez eu perca receita potencial com isso, mas imagino que vocês prefiram que seja assim.

E é nisso que se baseia minha política de aceitar material enviado por empresas interessadas: não há nenhum pagamento envolvido, eu publico o texto na íntegra, mas preciso concordar que seu tema é interessante e está dentro dos temas aqui do site.

É o caso do texto a seguir, enviado pela equipe do Emprego Certo (do UOL) e dirigido ao pessoal que está acompanhando a série da Patrícia para ajudar a evoluir conscientemente sua empregabilidade.

Eu li, gostei e aprovei, e agora compartilho com vocês. Claro que todo posicionamento que divide a humanidade em pequenos grupos (aventureiros, idealistas, racionais, etc.) é limitado por natureza e não necessariamente deve ser tomado ao pé da letra - somos humanos, e cada um de nós é uma exceção ambulante em potencial a qualquer classificação em pequenos grupos.

Mas como sabemos que parte considerável dos processos formais de recrutamento se baseia neste tipo de fundamento teórico, avalio que ter conhecimento deles pode interessar até mesmo a quem discorda dos "Tipos Psicológicos" de Jung e suas decorrências.

Com vocês, o texto enviado pela equipe do Emprego Certo:

Que carreira combina com a minha personalidade?

Escolher uma profissão que combine com seus traços de personalidade pode ser um atalho interessante para a felicidade

O mercado de trabalho exige muito de todos nós. Desafios como jornadas cada vez mais longas, funções acumuladas e necessidade constante de aperfeiçoamento estão na lista de profissionais de todas as áreas. Neste cenário, só uma coisa pode nos deixar mais equilibrados: fazer o que se gosta.

Um primeiro passo é descobrir o que, afinal, você gosta de fazer. De preferência antes de iniciar a faculdade. Uma boa maneira para descobrir que linha profissional seguir é fazer testes vocacionais. Eles dão alguns direcionamentos e tipos de carreira.

A teoria

A teoria por trás deste tipo de teste está baseada nos estudos de Carl Jung no início do século XX, sobre as Teorias da Personalidade. Já em 1927, no livro “Tipos Psicológicos”, Jung afirmava a personalidade humana pode ser composta por diversos fatores, que combinados tipificariam a personalidade de cada um.

Agora, percebam que curioso: a obra de Jung foi retrabalhada nos anos 50, quando Katherine Briggs Myers e sua filha Isabel Briggs Myers, donas de uma fábrica nos Estados Unidos, utilizaram seus fundamentos para seleção de pessoal.

Elas notaram, contudo, que os dois critérios iniciais para classificação de personalidades soavam incompletos e a eles somaram mais dois. O que começou com uma brincadeira entre mãe e filha tornou-se um estudo sério, sendo a base para do Indicador Myers Briggs dos Tipos de Personalidade.

Segundo este indicador, o tipo de personalidade pode ser identificado por meio de quatro critérios excludentes. Ou seja, a cada critério ou você é um ou outro. O primeiro é se você é Extrovertido ou Introvertido; o segundo se é Sensorial ou Intuitivo; o terceiro se é Pensador ou Sentimental e o quarto se é Julgador ou Perceptivo.

A identificação do tipo de personalidade pela seleção destes critérios, em tese, daria ao candidato um panorama mais realista do tipo de profissão que se encaixaria em seu modo de ver o mundo. Alguns exemplos:

Pessoas com personalidades mais racionais são mais determinadas e com forte raciocínio lógico. Vão curtir muito trabalhar em ambientes onde vale mais o raciocínio conceitual, orientando projetos, por exemplo. Gostarão de planejar e terão como diferencial a comunicação entre seus parceiros. Pessoas com este tipo de personalidade costumam se dar bem em carreiras como administração, comércio exterior, desenho industrial, engenharia, entre outras.

Mas se você é do tipo idealista, não desanime. Profissionais com este tipo de personalidade estão sempre pensando no futuro e adoram ajudar os outros. Seu diferencial é um entendimento acima da média das “coisas do mundo”. Por isso, acabam quase sempre se dando muito bem em funções intelectuais. Gostam muito de examinar os fatos e buscar a razão das coisas. Seu local de trabalho ideal é aquele com uma atmosfera amigável e cooperativa, sem burocracia e com muita liberdade criativa. Busca criar coisas novas e se cansa de locais onde a repetição é a regra. Dentre as profissões que encaixam com este tipo de personalidade estão Arquitetura, Propaganda, Jornalismo, Letras, entre outras.

Existem também os guardiões. Pessoas com este tipo de personalidade são as sérias e trabalhadoras, além de muito confiáveis. Se você acha que a vida não é uma festa e deve ser levada a sério, você é um guardião! Um das qualidades mais fortes é fazer as pessoas se sentirem seguras ao seu lado. Em função disso o ambiente de trabalho ideal para este tipo de profissional é aquele que priorize o trabalho em equipe, com certa dose de rotina e organização. Direito e Química estão entre as profissões que fazem a felicidade dos guardiões.

O quarto tipo de personalidade básica é a dos artesãos. São os aventureiros que procuram sempre por prazer e ação. O que para a maioria é loucura, para eles é pura adrenalina e diversão. Eles se dão bem em ambientes colaborativos, informais e que permitam o contato direto com pessoas. São artistas-plásticos, biólogos, cineastas e professores de educação física.

E você? Qual seu tipo de personalidade?

Este texto foi produzido pelo Emprego Certo, o site de empregos do UOL, com exclusividade para o Efetividade.net.

Revisão de texto: a coragem de cortar

Você escreve relatórios, artigos, trabalhos escolares e outras obras com alguma frequência? E, ao revisá-los, prefere manter um texto desconjuntado, ou mesmo incluir mais explicações, do que apagar os parágrafos iniciais e substituí-los por algo mais curto e que remova as dúvidas?

O desejo de aproveitar o que já escrevemos é comum e fácil de entender. Mas eu perco a conta do número de vezes que vejo autores se esforçando muito mais do que o razoável para tentar "salvar" um trecho de texto que não deveria mais estar ali, ou reescrevendo infinitas vezes um parágrafo que não tem salvação.

Hoje, após ter removido um capítulo inteiro de um texto técnico que estou compondo, recebi por e-mail um texto acadêmico para comentários, feito por alguém que nitidamente tentou "salvar" tudo que chegou a escrever - tem parágrafos claramente fora de contexto, conclusões de capítulos que não casam com suas introduções, e similares.

Adaptar não vai resolver, muito melhor faria o autor se revisasse alguns parágrafos com uma boa tesoura. Mas há um lado bom: pelo menos me deu a inspiração para um novo artigo por aqui!

A prática do desapego é difícil

Quando escrevi o artigo "Como começar um texto ou apresentação com mais efetividade", em 2007, compartilhei com vocês uma convicção minha: o autor precisa saber quando cortar profundamente seus textos de modo a remover os trechos que não agregam valor a seus leitores.

Na ocasião, registrei:

"Eu escrevo todos os dias, e muitas vezes sigo o exemplo dos grandes autores de best-sellers policiais: ao terminar uma coluna curta, é freqüente eu decidir cortar os 2 primeiros parágrafos inteiros, sem remorso. Em artigos maiores, às vezes a primeira página desaparece integralmente, sem prejuízo nenhum ao conteúdo."

Já no artigo "Revisão de texto: 5 dicas para aumentar a qualidade dos seus artigos", fui um pouco mais longe: duas das 5 dicas estavam relacionadas ao tema da reescrita. Cito a mim mesmo, grifando:

"4. Não se apegue ao material: às vezes você não conseguirá salvar justamente aquele trecho que deu mais trabalho em pesquisar, ou mais prazer em compor. Conforme-se, não fique tentando dar um jeito de forçar a permanência de uma parte que não se encaixa. Guarde em um outro arquivo e tente usar em um trabalho futuro, ou mesmo compor um novo trabalho a partir deste trecho.
5. Se necessário, reescreva. Se um capítulo está muito abaixo do seu nível de qualidade, ou se o artigo ficou sem pé nem cabeça, às vezes vale mais a pena reescrevê-lo do zero do que tentar consertar. Novamente: conforme-se e faça o que tem que ser feito.
"

O dilema da revisão: produtividade X qualidade

O culto à produtividade muitas vezes acaba colocando-a acima de outros atributos tão ou mais importantes, entre os quais destaco a qualidade.

Aí, por reflexo formado pela natural rejeição às permanentes tentativas de clientes (internos e externos) que desejam mudar as especificações e requisitos de um trabalho já pronto (a popular "refação"), muitas vezes quem escreve não percebe que exercer, com o vigor necessário, seu próprio poder de corte sobre um texto em andamento não é necessariamente a mesma coisa.

Para usar o mesmo paradigma acima, o corte causado por uma revisão não significa necessariamente que as especificações e requisitos mudaram - a conclusão mais comum é que os requisitos iniciais não foram atingidos. Portanto a palavra "refazer" nem se aplica tão completamente: você vai é recomeçar a fazer, porque na tentativa anterior não fez.

Produtividade em atividades criativas, como escrever, muitas vezes é um conceito difícil de aplicar objetivamente de forma ampla. Quem escreve e ganha apenas por produção (número de folhas ou toques escritos) são os digitadores, que não têm a atribuição de criar; para os autores, a produtividade da criação de texto pode ser medida apenas de maneiras agregadas ou secundárias: índice de cumprimento de prazos, de atingimento do volume mínimo necessário, etc.

Corte sem medo

Portanto, renovo minha sugestão dos artigos anteriores: corte seus textos sem medo. Quem publica muito sabe que precisa escrever muito mais do que os leitores chegarão a ver, e feliz do autor que tem a percepção de que determinados parágrafos, capítulos e artigos serão mais interessantes para o leitor se forem cortados do que se forem mantidos.

Reescrever, reordenar e recomeçar textos são tarefas que fazem parte desta arte e técnica, e você precisa estar disposto a isso todos os dias, sob pena de expor seus leitores a textos bem inferiores à qualidade que você teria condição de oferecer a eles.

Para inspirar, sugiro algumas leituras relacionadas à revisão de textos praticada com tesoura na mão:

Use o Dropbox e pare de perder arquivos entre múltiplos computadores!

Trabalhar em mais do que um computador é a tendência, portanto deve ser comum para muitos de vocês: o desktop de casa, o laboratório da universidade, o micro do trabalho, notebooks, netbooks - cada pessoa tem seu cenário, mas indubitavelmente a complexidade tecnológica deles todos vem aumentando de forma vertiginosa.

Cadê a versão final daquele artigo?

Comigo também é assim, e o profissional de administração de sistemas que continua existindo no meu subconsciente (mesmo eu tendo parado há anos de exercer a profissão) quase diariamente me adverte dos desafios extras que esta complexidade gera para manter o sincronismo, o backup e a disponibilidade destes arquivos.

Trocando em miúdos: é comum estar no micro da universidade e descobrir que a versão corrente do relatório em que iríamos trabalhar está no PC de casa. Ou "matar" um dia inteiro de atualizações de um arquivo, copiando sem querer a versão que estava no notebook. Ou tantos outros desastres similares, que a esta altura já podem ter vitimado alguém próximo a você várias vezes.

Mil alternativas

Assim como existem infinitos cenários, também há infinitas soluções, cada uma com suas vantagens e pontos fracos. Há, por exemplo, quem se proponha a levar um disco rígido externo a todo lugar - o que é uma idéia razoável, se descontarmos a fragilidade inerente deste meio de armazenamento. E azares acontecem: uma amiga minha fez isso com sucesso por muito tempo, e um dia um assaltante levou embora todos os arquivos dela.

Pen drive retrátil, ideal para chaveiros e crachás

Há soluções mais prosaicas, como o meu hábito de andar com um pen drive retrátil preso ao crachá funcional, garantia de que sempre terei CONDIÇÕES de copiar para ele arquivos que produzir quando estiver em atividade profissional - se eu vou lembrar disso, é outra história (confesso - nem sempre acontece, e às vezes saio em desabalada carreira quando percebo, antes que alguém apague o arquivo que esqueci em algum computador).

Talvez bem mais comum seja o hábito (sadio, embora com preocupações quanto à disponibilidade a longo prazo e a privacidade) de enviar para uma conta de webmail uma cópia dos arquivos gerados, fazendo com que eles sempre estejam disponíveis, bastando um download.

Para os blogueiros e outros indivíduos bem supridos de serviços on-line, aproveitar a conta do provedor de hospedagem do site para servir como backup e compartilhamento de dados também pode ser uma opção interessante, embora requeira um pouco mais de disciplina e configuração. Eu faço isso no Dreamhost, que além do espaço para hospedagem oferece 50GB adicionais exclusivamente para backup em rede a partir do plano básico de ~US$ 8 mensais, mas hoje só recomendo para quem tenha familiaridade com as tecnologias envolvidas.

A minha alternativa favorita: Dropbox

Eu vinha me virando bem com minhas cópias de arquivos em e-mail, pen drive e rsync para o servidor de hospedagem, até que há alguns meses um profissional com muitos anos de experiência a mais, e que trabalha na mesma empresa que eu, surgiu lá e pediu que todos os membros de sua equipe para que criassem contas no Dropbox, para lidar com o compartilhamento na própria equipe, o backup e a questão do trabalho em múltiplos computadores, que vinha os atrapalhando bastante.

Ele recebeu esta dica dos gestores de rede da sua empresa, que também o alertaram para não confiar integralmente neste serviço (um backup adicional inteiramente sob seu controle é recomendado), e para não colocar em serviços on-line nenhum arquivo cujo conteúdo seja secreto, apesar de confiarem na criptografia empregada no tráfego e armazenamento dos arquivos do DropBox.

Fazia meses que eu ouvia falar do Dropbox, mas creditava isso a marketing bem feito e um pouco de hype. Mas uma semana depois, quando vi a revolução que o sistema havia causado naquele grupo de trabalho, percebi que ali havia algo a ser experimentado, e também aderi. Desde então venho usando, feliz da vida, e meu grupo de trabalho também aderiu, com sucesso, em Windows, Linux e Mac OS X.

Para mim, a razão de funcionar bem é similar aos fundamentos do sistema de coleta típico do GTD: colocar os arquivos nas pastas do DropBox é cômodo e natural - e quando ele está instalado, daria mais trabalho recorrer às alternativas, como inserir um pen drive ou mandar um e-mail com o arquivo anexado.

Como funciona

Após inscrever-se no site e instalar o sistema do DropBox (em Windows, Linux, Mac ou IPhone), é criada automaticamente uma pasta "DropBox" em seu disco.

Minha pasta do Dropbox no Mac
 

Você pode lidar com os arquivos dela como se fosse qualquer outra pasta do seu computador, mas há um bônus: o que você grava ou altera nela se reflete automaticamente no sistema on-line, e estará disponível na SUA pasta DropBox em todos os outros computadores em que você instalar o sistema.
 

Acesso também via web
 

Mas não é só isso: os arquivos estarão disponíveis também via download (com seu login e senha, claro) no site do DropBox, mesmo que você esteja em um computador em que não quer, ou não pode, instalar o sistema. O mesmo recurso pode ser usado para enviar arquivos ao DropBox.
 

Minha pasta do Dropbox no Ubuntu
 

E a razão principal para adotar o DropBox em um grupo de trabalho unido via Internet: é possível criar, dentro do seu DropBox, pastas compartilhadas, cujo conteúdo pode ser acessado ou modificado por outros usuários do DropBox à sua escolha.

 
A máquina do tempo - de volta para o futuro
 

Ao contrário do que ocorre em sistemas de armazenamento compartilhado "comuns", o DropBox gerencia versões de documentos, permitindo assim que as alterações que você faz (ou que outros usuários fazem em suas pastas compartilhadas) sejam revertidas ou gerenciadas da forma desejada sem você precisar ficar renomeando - dá inclusive para reverter exclusões de arquivos. O histórico é mantido por 30 dias na versão gratuita.
 

Minha pasta do Dropbox no terminal, para quem gosta
 

Além disso, usuários tecnologicamente inclinados provavelmente gostarão de saber que o DropBox usa os serviços de computação em nuvem da Amazon para armazenar todos estes dados, que ficam lá usando criptografia AES, são transmitidos usando SSL, e a transmissão é no estilo delta: só as alterações são transmitidas, e não o arquivo inteiro.

Planos grátis e planos pagos

O DropBox hoje oferece 2GB de armazenamento gratuitamente a quem desejar (e com os termos de serviço e política de privacidade divulgados por ele).

Não é pouco para um serviço de armazenamento e compartilhamento de arquivos - daria de armazenar uns 400 volumosos arquivos MP3 da minha coleção, por exemplo, e bem mais arquivos de texto comuns que costumo manipular.

Mas para quem precisa de mais espaço, é possível fazer o upgrade da conta, passando ao plano de 50GB (por cerca de US$ 10 mensais) ou ao de 100GB (por cerca de US$ 20 mensais) - e aí de fato usar o DropBox para backup de arquivos em geral, e não apenas daqueles usados correntemente para trabalho.

Mas há um detalhe interessante: o DropBox oferece diversas maneiras de ampliar o seu espaço de armazenamento. O mais simples dele é completar o "desafio" oferecido a todo novo usuário cadastrado, assistindo ao tour de apresentação do sistema, instalando o DropBox em um segundo computador, colocando alguns arquivos na conta pela primeira vez, etc. - ao completar 5 passos, você ganha 250MB adicionais.

A outra maneira é convencendo outros usuários a se cadastrar no sistema - para cada novo usuário que você traz ao sistema, você ganha 250MB extras (até um limite de 8GB adicionados).

E o melhor: os usuários que chegam ao DropBox trazidos pot outro usuário também ganham 250MB adicionais aos seus 2GB iniciais. A esta altura você já adivinhou que quem se cadastrar no sistema usando os links deste artigo estarão me dando estes 250MB adicionais (e eu os agradeço desde já por isso), mas isso também significa que eles (e você, espero) estarão recebendo estes 250MB extras para sua conta!

Portanto, eis aí um motivo adicional para se cadastrar e testar o DropBox desde já. Só não esqueça do que eu mencionei acima: toda alternativa tem vantagens e pontos fracos, e o DropBox pouco adiantará no dia em que você não tiver uma conexão à Internet disponível. Backups adicionais vão bem, e felizmente a ausência de conectividade é cada vez mais rara em muitos cenários.

Eu estou gostando, e espero que você também tenha uma ótima experiência!

Aumente sua efetividade com: Assertividade, Networking e Gestão do Tempo

por Patricia Wolff, autora convidada para a série "Competências"

Antes de seguirmos em frente com mais conteúdo gostaria de fazer uma reflexão sobre as três primeiras competências que já discutimos aqui no Efetividade: Assertividade, Networking e Gestão do Tempo.

Você já pensou nas inter-relações que existem entre estas três competências?

  1. É possível desenvolvermos todo e qualquer comportamento desde que tenhamos o desejo de desenvolvê-lo e a dedicação: treinar, treinar e treinar.
  2. Antes de desenvolver cada uma das competências eu preciso ter, cada vez mais claro, o que é verdadeiramente importante para mim, quais são os meus objetivos, quais são meus valores, qual o legado que quero deixar, pois é isso que irá me ajudar tomar decisões, como por exemplo da minha gestão do tempo, sobre a abrangência do meu networking, etc.
  3. Tanto para a assertividade como para o networking eu preciso, antes de mais nada, prestar muita atenção no outro e estabelecer uma comunicação de mão dupla. Para isso preciso treinar os meus ouvidos para escutar ativamente, isto é, sob o referencial do outro e não do meu. É desta forma que consigo maiores chances de atingir um resultado que satisfaça ambas as partes.
  4. Para que eu realize o networking com eficácia eu preciso ser assertivo quando conversar com alguém (ser capaz de expressar minhas necessidades, opiniões, sentimentos, sem ignorar e respeitando o outro).
  5. Da mesma forma que o que diferencia um remédio de um veneno é a dose, o uso de qualquer uma dessas competências em excesso é prejudicial, principalmente do Networking.
  6. Quanto mais assertivo eu for em meus relacionamentos (dizer a coisa certa, na hora certa, para a pessoa certa no lugar certo), mas tempo eu ganho para me dedicar a tudo aquilo que considero importante para mim.

Nenhum dos três comportamentos são naturais pois o ser humano tem uma necessidade natural de ser apreciado e com isso tende a não ser Assertivo com o outro pelo receio de magoá-lo, o que não é uma verdade. Para fazer a minha gestão do tempo tenho que ser capaz de romper com meus impulsos primitivos que busca economia de energia (ficar parado) e AGIR! Para fazer Networking preciso sair do piloto automático (rotina) e focar naquilo que realmente importa para mim.

Estágios em busca da excelência

Vale ressaltar que para chegarmos no nível de excelência de alguma coisa, ou seja, de fazermos bem feito e com qualidade, a nossa mente passa por quatro processos de aprendizagem distintos, que são:

  1. Incompetência inconsciente: quando desconhecemos algo, portanto não desejamos e nem sabemos como fazer pois nem sabemos que existe (a pessoa não sabe que não sabe).
  2. Incompetência consciente: quando sabemos que existe algo, desejamos possuir ou ter aquela determinada competência mas não sabemos o que fazer (a pessoa sabe que não sabe).
  3. Competência consciente: quando começamos a treinar a nova competência, mas agimos de forma lenta, robotizada pois estamos pensando para fazer – consciente (a pessoa sabe que sabe).
  4. Competência inconsciente: é quando aprendemos a fazer de forma natural, sem pensar em como fazer, de forma automática. O diferencial deste estágio é que fazemos acontecer sem esforço. (a pessoa sabe fazer e faz muito bem sem pensar).

Como funciona na prática?

Vamos pegar uma competência, por exemplo, assertividade:

  1. Incompetência inconsciente: desconheço que existe uma forma assertiva de me comportar
  2. Incompetência consciente: vejo uma pessoa sendo efetiva (modelo de referência) em uma reunião e descubro que ela obteve este resultado pois possui uma grande habilidade, Assertividade ! Eu chego a conclusão que eu ainda não me comporto assim mas esse é o meu objetivo agora.
  3. Competência consciente: começo a treinar o comportamento assertivo, em alguns momento sou mais direta, julgo muito menos e não generalizo e começo a ser mais clara em instruções e pedidos que faço para as outras pessoa. Ajo desta forma pensando em cada comportamento meu.
  4. Competência inconsciente: é quando eu já não preciso pensar em que devo ou não fazer e o resultado do meu comportamento já é Assertivo naturalmente (o sucesso vem do natural).

Para finalizar gostaria de lembrar que recaída no comportamento anterior faz parte do processo de aprendizagem, principalmente quando sobem os níveis de estresse ou surge uma crise inesperada.

Para garantir regularidade, os astronautas utilizam uma lista de verificação onde estão anotando todos os procedimentos, com vistas a garantir os melhores resultados. E você, como pretende fazer?

Compartilhe suas idéias e contribuía com o desenvolvimento de muitas outras pessoas.

Um abraço e até o próximo artigo.

A autora convidada da série de artigos sobre Competências, Patrícia Wolff, atua como coach executivo e de equipe, conferencista em Desenvolvimento Humano e é diretora da Quantas Consulting.
 

Artigos recentes: