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D-Link DWL-G730AP: um roteador para redes sem fio completo e pesando apenas 50g

Leve na mochila um ponto de acesso sem fio menor que um sabonete comum, alimentado diretamente pela sua porta USB

O Efetividade.net testou o access point D-Link DWL-G730AP, um aparelhinho minúsculo (8 x 6 x 1,7cm) que pesa apenas 50g e que pode transformar em uma conveniente conexão sem fio qualquer ponto de rede físico a que você tenha acesso - num hotel, sala de convenções, sala de reuniões, etc.


Pelo tamanho do conector USB você pode estimar as demais proporções do D-Link DWL-G730AP

Há cerca de um mês eu já havia analisado o Linksys WRT54GC, um access point compacto, pouco maior que um maço de cigarros, que pode ser levado facilmente na mochila junto com o seu notebook, suporta alimentação via USB e transforma qualquer ponto de rede com fio em uma rede wireless instantaneamente.

E aquele modelo da Linksys é um verdadeiro gigante quando comparado ao modelo da D-Link que analisamos hoje. Ambos foram aprovados nos testes, mas cada um tem suas vantagens e pontos fortes. Vamos aos detalhes!

A maior vantagem: alimentação USB

O DWL-G730AP dispensa a presença de uma tomada, podendo ser alimentado diretamente via porta USB do seu notebook ou PC, o que é prático na maioria das situações, mas se torna uma vantagem imbatível em um caso especial: quando você está em um grupo e não dispõe de uma tomada livre nem mesmo para o notebook, mas pode contar com a bateria de um dos notebooks para alimentar o Access Point.

Para isto é necessário usar o cabo especial que acompanha o aparelho, que tem um plug de alimentação elétrica em uma ponta e um plug USB macho na outra ponta. Este cabo tem cerca de 40cm, o que pode ser suficiente para a maioria dos usos. Em situações especiais, talvez você precise de um cabo extensor USB, que não acompanha o produto mas custa uma ninharia em qualquer loja de acessórios.

Claro que em situações normais você pode ligar o aparelho diretamente na tomada, com o adaptador (100-240V automático) incluso.

A vantagem da mobilidade

Quando você opta por um access point compacto, está abrindo mão de uma característica bastante útil em aparelhos de maiores dimensões: o raio de alcance. Os modelos compactos em geral têm antenas internas e baixa potência, e não são a escolha certa para oferecer cobertura para sua casa inteira ou para um grande auditório.


O DWL-G530AP na minha escrivaninha

Em compensação, você passa a poder levar na mochila uma dose de conectividade sem fio na medida certa para uma sala de reuniões ou um quarto de hotel, ou qualquer lugar em que haja mais notebooks do que pontos de rede na parede. Um dos meus usos preferidos para um ponto de acesso sem fio são os quartos de hotel: quando há ponto de rede no quarto, geralmente ele está próximo a uma bancada desconfortável, e eu sinto falta de poder usar a mesa, ou mesmo digitar na cama, sem ter de andar com um cabo de rede de 10m (que no fim das contas ocupa mais espaço na mochila e pesa mais do que o DWL-G730AP).


O estojo e seu conteúdo

E o DWL-G730AP ganha pontos extras neste conceito por vir em um prático estojo com zíper, capaz de levar todos os seus acessórios de forma compacta e prática, e acrescentando uma camada extra de proteção contra impactos quando transportado na sua mochila.

Conectividade de gente grande

O DWL-G370AP tem 3 modos básicos de operação, selecionáveis por uma chave (física) localizada na sua base. Ele pode ser um ponto de acesso comum, um roteador sem fio ou um cliente para redes sem fio. Cada um dos 3 modos tem sua própria configuração independente, gerenciável via navegador e ativada automaticamente quando o usuário seleciona a posição correspondente da chave seletora já mencionada. Alterar a configuração de um dos modos não sobrepõe ou altera a dos outros.

O modo de cliente para redes sem fio é o mais sem graça dos 3, servindo basicamente como substituto para uma placa de rede sem fio para micros que não disponham de uma. Como ponto de acesso, o DWL-G370AP se conecta a uma rede local e dá acesso sem fio a ela para os micros e notebooks que estejam ao seu alcance. Mas é como roteador sem fio que o DWL-G370AP realmente brilha. Conectado a um modem ADSL, cable modem ou outra forma de banda larga, ele oferece acesso sem fio à Internet para os micros e laptops autorizados, com servidor DHCP incorporado, VPN Pass-through, firewall (incluindo NAT e filtro de endereços MAC).

Em qualquer um dos modos de operação, o aparelhinho suporta WEP de 64 e 128 bits e WPA-PSK, e os padrões 802.11B e G, até 54Mbps. O alcance nominal é 50m na velocidade máxima, e 200m a 6Mbps. A interface de administração via web é a mesma que em outros modelos da D-Link, mas mostra opções diferenciadas, dependendo de qual modo de operação esteja ativado.

Resultados dos testes

Eu coloquei um DWL-G370AP na minha seqüência de testes padronizada: tirar da caixa, ligar na tomada (em modo roteador) e a um cable modem, e ver o que acontece. E aconteceu o que devia acontecer: meu notebook (um HP Pavilion rodando Ubuntu Linux) reconheceu uma rede sem fio (cujo ESSID tem o nada criativo nome de "default"), pude acessar o assistente de configuração usando o Firefox (para preencher parâmetros como o fuso horário) e rapidamente estava navegando na Internet, a plena velocidade.


O diminuto painel de conexões

Em seguida fiz os testes "avançados": conectei a um modem ADSL (foi fácil ativar o PPPoE e configurar login e senha do provedor no roteador), depois ativei as opções mais comuns de criptografia, fiz alguns redirecionamentos de portas (para permitir o uso de serviços P2P e gaming). Sucesso total em todos os meus experimentos.

Testei ainda o alcance, e não era grande coisa, como esperado. Em uma sala de reuniões grande, a cobertura foi completa. Mas o sinal não ultrapassou paredes nem acompanhou curvas sinuosas da planta de uma casa como um access point D-Link doméstico, com antena aparente comum, faz com facilidade.

Conclusão

O DWL-G370AP é o menor ponto de acesso que eu já tive oportunidade de testar, e tem a forte vantagem de poder operar sem usar uma tomada extra, desde que esteja perto o suficiente de uma porta USB alimentada. Em compensação, ele perde do Linksys WRT54GC em um aspecto bastante importante: para ser tão pequeno, ele não inclui o switch 4 portas Ethernet que o modelo da Linksys (um pouco maior e sem alimentação USB) oferece.

Em compensação, ele é do tamanho de um sabonete gasto, pesa 50g e suporta todos os protocolos e recursos de rede que uma pessoa precisa para ser feliz. Ganhou nota 10 na análise do Efetividade.net. Se você viaja com freqüência ou sente falta de acesso sem fio em várias salas de reunião em que há pontos de rede fixos, pode ser sua chance de fazer algo a respeito - e ele é suficientemente barato para este tipo de uso esporádico.

Saiba mais

- Consulte o preço do D-Link DWL-G730AP no Submarino.
- Veja a página do produto (em inglês) no site da D-Link.
- Simulador da interface de administração.

Observação importante: Se configurações de rede local não são uma arte que você domina, e se você acredita que ler o manual técnico do equipamento pode não ser suficiente para que você o coloque em funcionamento, identifique desde já um amigo com pendores tecnológicos e convide-o para um churrasco na sua casa exatamente no dia em que o roteador chegar!

Aurelio.net: Ganhando dinheiro na Internet e com seus talentos geeks

O Aurélio Marinho Jargas, figura bastante conhecida na comunidade Linux brasileira, vem conseguindo há algum tempo viver confortavelmente naquilo que para muitos é a atividade ideal: uma carreira solo baseada quase puramente em seus talentos e habilidades geeks.

Claro que isso não aconteceu de uma hora pra outra. Ele escreveu alguns livros que vendem bem (3 deles eu comprei, e de um deles eu tenho até mesmo mais de um exemplar), ganha dinheiro com o Adsense, realiza trabalhos de programação (especialmente parsers, geradores, conversores de formato - fugindo do modelo do "sistemão" tradicional) freelance, e ainda por cima vende bem alguns outros materiais de documentação de sua autoria, diretamente e via Internet.

O modelo adotado por ele não serve para todo mundo, mas parece atendê-lo bem, já que segundo ele próprio, "não quero ser ProBlogger, nem escritor, nem programador. Quero poder fazer um pouco de cada e ainda assim ter uma vida livre, desfrutando dos prazeres das coisas simples, em contato com a natureza."

E ele resolveu sintetizar a lista das suas fontes de renda em um post em seu blog, sob o título de "Vamos falar de grana $$$". Talvez alguma das dicas dele inspire você a fazer algo parecido, para complementar suas demais atividades. Confira!

"Opinião de Aluguel"? Revista PC World brasileira compara PayPerPost e ReviewMe

"Opinião de Aluguel: Blogueiros são pagos - muitas vezes sem avisar seus leitores - para elogiar produtos em suas páginas". Assim começa a matéria da página 12 da edição corrente da PC World brasileira, que fala sobre 2 serviços on-line em que blogueiros participantes são pagos para escrever análises de produtos e serviços.

A generalização não me agradou. Especialmente a chamada na capa, que diz apenas "Blogs cobram para elogiar produtos". Mas não foi isto que me motivou a escrever, até mesmo porque acho que a PC World brasileira não consegue causar dano à imagem coletiva da "classe blogueira".

Ao mesmo tempo, se considerarmos verdadeiro o exemplo apresentado no artigo, do fulano que já publicou em seu blog artigos analisando (positivamente) itens tão variados quanto serviços de viagem, programas de TV, pisos laminados e lingerie, sempre motivado por sistemas de pagamento em troca de artigos, há espaço para refletir sobre a possibilidade de este modelo estar fazendo de bobo o anunciante ou o leitor, com análises tão artificiais quanto o lanche da foto acima.

Eu não sou completamente contra a idéia de intermediários unirem os anunciantes (dispostos a pagar para ter artigos de blogs gerando tráfego para seus sites) a blogueiros individuais (dispostos a oferecer espaço de análise em seu blog para estes anunciantes), mas acho que cabe ao blogueiro tomar algumas providências:

  1. Escrever apenas sobre produtos ou serviços que conheça ou tenha experimentado
  2. Ser sincero e equilibrado em sua análise, com a dose justa de elogios e críticas
  3. Jamais deixar de informar aos leitores quando uma análise estiver sendo paga
  4. Não deixar que os artigos patrocinados ocupem uma parcela muito grande do material do blog

Entre os 2 serviços mencionados no artigo da PC World, o ReviewMe (bastante conhecido no Brasil) parece ter as regras que mais dificultam os abusos - principalmente porque é necessário escrever em cada post que se trata de um artigo patrocinado, não há restrições editoriais contra análises negativas ou críticas. O que não significa que o Pay per Post favorece comportamento anti-ético, embora ele ofereça alternativas que dispensam a menção ao patrocínio no texto do próprio post, e permita que o anunciante tenha maior grau de controle ao definir o que espera que o blogueiro escreva sobre seu produto.

Como leitor, posso dizer que lembro de várias análises publicadas por John Chow, patrocinadas via ReviewMe, que me pareceram honestas e informativas, sobre produtos que me interessavam. Ao mesmo tempo, já li outras análises patrocinadas que eram puramente jabá (ou payola) e até mesmo me fizeram cancelar a assinatura do feed do blog que as publicou. Jabá do tipo "brodagem" (como indicar o escritório de contabilidade do seu irmão) é divertido, se for assumido, mas cobrar regularmente para escrever jabá sobre serviços que você nem mesmo usou é bem diferente.

Quem aceita publicar este tipo de material, sabe o risco a que está se expondo. Como em tudo na vida, a sabedoria está no equilíbrio, e a atitude ética é a chave e o critério que acaba diferenciando os que terão sucesso a longo prazo.

E os outros? Os outros ganham alguns trocados para levar revistas de tecnologia a escrever que "Blogueiros são pagos em sigilo para elogiar produtos", mas acredito que a longo prazo serão irrelevantes, pois sua opinião não será valorizada e até mesmo os sites de busca acabarão aprendendo a identificá-los. Eu não os leio. E você?

GTD: 4 dicas simples para facilitar a adoção deste método de produtividade pessoal

Já faz algum tempo que eu não publico nada por aqui sobre a metodologia GTD, de David Allen. Mas continuo aplicando boa parte dela ao meu dia-a-dia, e posso afirmar que ela vem funcionando bem para mim.

Se você não sabe ainda o que é GTD, leia os artigos do link acima, ou este resumo do GTD que eu publiquei em novembro passado. Segundo o próprio autor, a essência de GTD é:

"Tire tudo de sua cabeça. Tome decisões sobre cada coisa no momento em que toma conhecimento dela, sem esperar elas explodirem. Organize lembretes de seus projetos e das próximas ações em cada um deles em categorias apropriadas. Mantenha seu sistema atualizado, completo e analisado com uma freqüência suficiente para ter confiança em suas escolhas intuitivas sobre o que você está fazendo (ou deixando de fazer) a cada momento."

Implementar o GTD na sua vida pode ser visto como um ato de fé, ou uma conversão: o retorno só é maximizado se você adotar tão completamente quanto estiver ao seu alcance, e de uma vez só, para as diversas áreas da sua vida em que a produtividade importante: trabalho, faculdade, organização doméstica, etc. Mas é possível adotar algumas técnicas para facilitar esta transição.

Se você já andou lendo sobre GTD e está pensando em experimentar, eis 4 dicas que podem ajudar a experiência a dar certo:

  1. Comece com o que você já conhece: não torne tudo mais difícil ao se obrigar a se adaptar a novas ferramentas. Se você se dá bem com listas em papel, comece com listas em papel. Se já está bem adaptado a um palm, use-o. Se anda com um notebook em todo lugar, pode experimentar também. Mas não espalhe as informações em múltiplas ferramentas - o método GTD tem como um de seus fundamentos a unificação das caixas de entradas e listas de pendências.
  2. Popule seu sistema da forma mais completa possível, e revise regularmente: A idéia é que você possa se acostumar com a sensação de que não precisa manter uma lista de pendências paralela sempre na sua cabeça. Não sabote a si mesmo, deixe suas listas, fichas ou agendas sempre tão completas quanto possível, atualize o status de cada tarefa ao terminar, e revise tudo regularmente.
  3. Torne seu sistema portável: e carregue-o consigo! Se você estiver na loja de ferramentas e perceber que não sabe a bitola dos cabos que faltaram, e que eles estão anotados em uma agenda lá no escritório, você estará criando o reforço negativo que deveria evitar, e não conseguirá se convencer de que vale a pena tirar da memória as informações que registra nas fichas. Se sua agenda ou notebook não podem ser levados e consultados em qualquer lugar, você deveria repensar a ferramenta adotada.
  4. Dê a si mesmo o tempo de criar o hábito: É razoável esperar ao menos 4 semanas para transformar a intenção em hábito. Não desista no terceiro dia!

A dica vem da Kelly Forrester, que trabalha com David Allen, criador do método GTD - portanto ela deve entender do assunto ;-)

Empreendedorismo e blogs: a importância de um plano de negócios

A colega Nospheratt publicou em seu blog, cujo tema são as técnicas de monetização de blogs, um artigo que tende a interessar os leitores aqui do Efetividade.net. No artigo, George A. de Araújo defende a importância do plano de negócios como ferramenta básica para a estratégia de quem quer se posicionar como empreendedor, mesmo que seja no âmbito dos blogs. Como administrador, não posso deixar de concordar.

Leia o artigo, intitulado Fatores Importantes Para o Seu Plano de Negócios, e deixe por lá sua opinião.

Ou continue lendo por aqui para saber um pouco mais sobre o conceito de modelo de negócios e por que ele é tão importante para quem tem intenções de longo prazo.

A Nospheratt foi convidada para escrever um artigo aqui para o Efetividade, de um tema sobre o qual vou guardar surpresa. Em breve deve aparecer algum material dela por aqui.

O artigo do George não tem a intenção de apresentar as definições e técnicas relacionadas a planos de negócios, mas você pode considerar a seguinte definição, que tem o aval do SEBRAE:

Plano de negócio é um documento escrito que tem o objetivo de estruturar as principais idéias e opções que o empreendedor analisará para decidir quanto à viabilidade da empresa a ser criada. Também é utilizado para a solicitação de empréstimos e financiamento junto a instituições financeiras, bem como para expansão de sua empresa.

Numa visão mais ampliada, o plano de negócio tem as seguintes funções:

- Avaliar o novo empreendimento do ponto de vista mercadológico, técnico, financeiro, jurídico e organizacional;

- Avaliar a evolução do empreendimento ao longo de sua implantação: para cada um dos aspectos definidos no plano de negócio, o empreendedor poderá comparar o previsto com o realizado;

-Facilitar, ao empreendedor, a obtenção de capital de terceiros quando o seu capital próprio não é suficiente para cobrir os investimentos iniciais.

Nem todas as funções essenciais de um plano de negócios são importantes para quem pretende manter um blog (que raramente precisa de captação de recursos financeiros externos, por exemplo), mas mesmo assim as suas técnicas constituem uma boa forma de diagnóstico preliminar e planejamento.

Pessoalmente, não me vejo como blogueiro profissional - sou funblogger, embora meus blogs gerem bom faturamento. Mesmo assim, tracei um plano de negócios e procuro mantê-lo, atualizá-lo e utilizá-lo para comparar periodicamente o previsto com o realizado. Sei que vários dos profissionais da área adotam as mesmas técnicas, e não tenho dúvida de que isto é uma parte (ainda que pequena) da receita do seu sucesso.

Saiba mais sobre planos de negócios no site do Sebrae.

Programas de afiliados: o que podemos aprender com o "Efeito Buscapé"?

Parcerias duradouras e de sucesso precisam de bases sólidas e de vantagens proporcionais para todos os envolvidos. Saiba o que as tulipas do século XVII têm a ver com isto.

Até recentemente, o programa de afiliados do site Buscapé, especializado em comparação de preços, era tido em alta conta por muitos sites nacionais que buscam maneiras de obter faturamento a partir das visitas de seu público. Era um sucesso, pagava os editores bem e regularmente, gerava valor para os leitores dos sites, e se comunicava relativamente bem com os afiliados.

Por exemplo, neste post de dezembro do BrPoint pode-se perceber que o retorno do Buscapé chegava a ser comparável ao do internacional Adsense, para este caso em particular.

Mas de repente tudo mudou. A empresa resolveu virar a mesa, deixando uma impressão bastante clara sobre o conceito de parceria que ela adota com os sites que exibem seus anúncios a convite dela mesma. De uma semana para outra, eu - que estava pensando em experimentar os seus serviços como afiliado - decidi que certamente não mais me envolverei. E outros parceiros já estão cancelando seu envolvimento. Outros ficarão, mas certamente vêem o relacionamento com outros olhos.

Isto ocorreu devido a uma seqüência de decisões dignas de um filme dos irmãos Zucker. E, correndo os riscos que corre quem analisa uma situação ainda em desenvolvimento, vamos analisá-las para procurar tirar algumas lições.

O que aconteceu

Eis a seqüencia do que chama a atenção no novo posicionamento da empresa, sob a ótica dos parceiros e ilustrada por trechos da mensagem enviada por ela aos seus parceiros e divulgada por vários deles:

  1. Não ter evitado a "irregularidade" da qual agora impinge a culpa aos parceiros: A mensagem diz: "Notamos que várias páginas do BuscaPé com seu site_origem do Programa de Afiliados estão sendo indexados por mecanismos de buscas. Esta é uma prática considerada irregular (...)" - na verdade seria simples impedir que os links para o Buscapé fossem incluídos nos sites de busca: bastaria incluir neles o atributo "nofollow". Mas a ferramenta do próprio Buscapé que gera estes links não inclui o atributo, e nem foi pedido aos parceiros que o fizessem. Como considerar irregular que os parceiros publiquem os links da forma como são orientados a fazer?
  2. Não ter comunicado a medida de forma antecipada: A mensagem diz: "Comunicamos que cliques provenientes deste tipo de divulgação não mais serão contabilizados pelo sistema a partir de hoje.". Ou seja: a empresa resolveu alterar profundamente o modelo de remuneração que praticava até o dia anterior, e avisa a seus parceiros sem dar a eles prazo para se adaptar. "Mudei aqui. Se virem aí!" E o pior: os links já indexados por sites de busca continuarão gerando Cliques Premium, e certamente são os cliques mais valiosos para o próprio Buscapé, pois são originados por pessoas que estavam procurando o objeto do anúncio em sites de busca - pessoas que querem comprar o que o Buscapé quer ajudar a vender.
  3. Mudou a regra do jogo unilateralmente no meio da partida: a própria frase escolhida pelo Buscapé deixa claro que a empresa também considera uma mudança de regra, e não uma adequação. Veja o trecho: "O que não será mais permitido é a indexação de páginas do BuscaPé (link direto), com seu site_origem" (o grifo é meu).

Na minha opinião, o pior aspecto da medida é que a empresa continuará tendo vendas geradas por estes bons posicionamentos dos links criados pelos parceiros e indexados por sites de busca, e os responsáveis por este bom posicionamento não serão remunerados por isto. Ao mesmo tempo, os cliques gerados diretamente pelos parceiros continuam sendo remunerados como antes, pela mesma tabela de preços.

Julgando pelas diferenças de faturamento divulgadas por diversos parceiros do Buscapé após a medida, dá para perceber o tamanho do abismo: muitos parceiros relatam que seu faturamento com o Buscapé caiu 80 a 90% - ou seja, a fatia do leão, gerada por estes próprios parceiros, certamente continua gerando clicks para o Buscapé, mas ele optou por não pagar por elas. Será que ele continua cobrando dos anunciantes os resultados destes clicks? Não precisa responder.

Mas há outro aspecto que me desagrada profundamente, embora seja acessório: a forma como os parceiros foram comunicados, e a ausência de resposta imediata às suas críticas, questionamentos e contatos. Uma parceria não combina com mudanças unilaterais e imediatas, nem com ausência de comunicação, e muito menos com este tipo de "imposição de culpa".

Vendo de fora: Analisando o modelo de remuneração do Buscapé

Mantendo o foco na parte que nos interessa no momento: aparentemente o modelo de faturamento do Buscapé tem solidez, pelo menos em uma análise sob a ótica das origens de receitas e custos do próprio Buscapé: cada "clique Premium" pago a um afiliado é cobrado diretamente de um anunciante, exatamente como acontece com o Adsense.

Mas há uma pegadinha aí: como o afiliado é estimulado a criar o contexto do link do anúncio no próprio post que publica em seu blog, acaba havendo um terreno farto para estimular os cliques (e posterior navegação no site do Buscapé, que é a atividade que de fato gera a maior remuneração) motivados pela curiosidade ou mesmo entretenimento de leitores que não estão interessados em comprar nada, e que certamente reduzem o percentual de "cliques premium" que efetivamente geram vendas.

Sob a ótica do parceiro e os termos do acordo que ele tem com a empresa, não há nada de errado com isso, afinal este leitor de fato viu a propaganda e o anunciante teve uma chance de efetuar uma venda a ele. Entretanto, é bastante provável que o aumento dos "cliques premium" originados por leitores que não estavam interessados em comprar nada tenha alterado bastante as margens que deram origem aos cálculos originais de remuneração feitos pelo Buscapé.

Para contrastar, o mesmo fenômeno não acontece com o Adsense, em que os editores não interferem de maneira tão direta no contexto do anúncio. E é aí que reside a raiz do problema que o Buscapé deveria enfrentar, na minha opinião: como os bons editores têm a capacidade de gerar cliques de um número maior de pessoas que não estão interessadas em comprar nada, e os valores da remuneração estabelecidos pelo Buscapé não consideraram esta nova situação, subitamente os anunciantes (que em última análise pagam pelos cliques e esperam que eles correspondam a vendas) tiveram as suas margens de retorno prejudicadas, o que é ruim para eles e para o próprio Buscapé, mas é uma conseqüência do modelo do faturamento, e não da atitude dos editores - que estão fazendo sua parte, levando pessoas a olhar os anúncios com interesse.

Neste cenário, qual seria a atitude a esperar do Buscapé?

Na minha opinião, o que a empresa deveria fazer é algo muito simples de definir, mas complicado de executar: planejar a mudança de seu modelo de faturamento para melhor refletir a presença de cliques premium que não geram compra, mudar a tabela de remunerações de acordo, e dar um prazo suficiente (por exemplo, 2 meses) a todos os seus parceiros para que se adequassem às novas regras - eventualmente ajustando seus anúncios para que passassem a gerar maior retorno a eles segundo o novo modelo - e se preparando para eventualmente perder parceiros que não quisessem aceitar os novos termos de parceria.

Mas a empresa resolveu fazer diferente: sem atacar a situação acima, buscou uma medida artificial para pagar menos "cliques premium" de seus parceiros, notificou-os de que esta medida entraria em vigor imediatamente, e para completar, escreveu a eles dizendo que eles eram "culpados" por a empresa estar tendo acessos qualificados (os chamados "cliques orgânicos") originados por resultados de pesquisa em sites de busca que levavam os usuários a entrar no Buscapé diretamente, devido a links bem posicionados nos resultados de busca graças à habilidade dos editores parceiros, que usam as técnicas de otimização a seu favor.

Ou seja: ao invés de agradecer e estimular este comportamento, que gera um posicionamento valioso e o retorno de usuários que estão de fato querendo comprar, a empresa resolveu se apropriar dos resultados dos links já existentes, e desestimular a formação de outros.

Bolhas no mercado

O fenômeno das bolhas ocorre periodicamente nos mercados, e em geral é decorrência de um modelo de remuneração baseado em indicadores irreais, que atrai muitos interessados e vai inflando, até um ponto em que não se sustenta mais e estoura, como ocorre também com os esquemas de pirâmide, deixando os participantes na mão. Geralmente é associada a especulação, e necessariamente envolve grande quantidade de pessoas que investem de boa fé.

Historicamente já houve grande número de bolhas. A mais conhecida na área de informática é a bolha das empresas Ponto Com, que inflou e depois estourou com grande quebradeira no final da década de 90. Atualmente há indícios de uma bolha em curso no mercado imobiliário dos EUA, também. E este não é um conceito recente: a primeira bolha registrada pela História econômica foi a Mania das Tulipas, que ocorreu na Holanda no século XVII.

Às vezes os modelos de negócio ou a capacidade de gerenciamento de seus gestores não resistem ao volume e à popularidade. Dependendo de como são administrados, restaurantes que entram na moda muitas vezes precisam rever seus cardápios e preços, perdendo assim o seu público original - e ocasionalmente não conseguem continuar cativando os novos, fechando as portas meses depois. O crack da bolsa de Nova York em 1929 também ocorreu num momento em que este tipo de aplicação havia se tornado tão popular que até os jornaleiros e taxistas aplicavam diretamente, embora o volume em si não tenha sido a principal causa.

E parece que algo similar está acontecendo com o programa de afiliados do Buscapé. Em semanas recentes, conheci meia dúzia de casos de pessoas que inscreveram seus blogs e sites no programa e rapidamente estavam faturando 20 a 40 reais por dia graças aos links inseridos em seus posts. Conversando com alguns destes autores recentes, percebi que eles mesmos não tinham a sensação de estar gerando vendas - mas não havia nada de errado com isso, já que o modelo de seu acordo não era baseado em vendas, e eles tinham liberdade de estimular os clicks como desejassem.

O que aconteceu com o Buscapé não é propriamente uma bolha, porque não houve especulação. Mas as características são similares: o modelo de remuneração não está atrelado diretamente ao faturamento do principal interessado, o crescimento explosivo com remuneração fácil, e a explosão súbita, com grande redução da remuneração das pessoas que investiram de boa fé.

O que podemos aprender com a História é que dificilmente os níveis de remuneração retornam para os patamares de antes da explosão de uma bolha, e que a absoluta maioria dos investidores que não "quebram" com o estouro da bolha passam a investir em outros valores.

Felizmente a mudança súbita do Buscapé não deve ter "quebrado" ninguém, e acredito que para alguns parceiros a diferença nem deve ter sido tão expressiva - e eles continuarão lidando com o Buscapé, mesmo sabendo de tudo isto, porque para eles o retorno é bom.

E os outros? Os outros procurarão os concorrentes, como ocorre em qualquer mercado sadio.

O que podemos aprender com tudo isso?

Há várias lições a tirar de todo o episódio. A principal é para aqueles de nós que atuam como empreendedores: ao definir um modelo de faturamento e remuneração, busque o que tiver equilíbrio mais direto com a geração de valor para todos os envolvidos, e não atrele a um indicador que apenas pareça bom.

Se você for montar um programa de marketing baseado em afiliados, cuidado se for deixar as chamadas para os links fazerem parte do texto publicado pelo afiliado. Se optar por fazer isso, faça como a Amazon, o Submarino e o Mercado Livre: permita o link liberado, mas só remunere as vendas diretas, e não o clique em si. Não é por coincidência que ambos os programas são vistos como opções que rendem menos para o parceiro - o modelo do Buscapé, que rende mais, leva a distorções e termina assim. Ou então siga o modelo do Adesense, definindo de forma rígida que seus anúncios não podem fazer parte do texto, e remunere pelos cliques.

E se você for um autor de website parceiro de programas de afiliados, leve sempre em conta a questão da sustentabilidade do modelo de remuneração que lhe for oferecido, e os exemplos das bolhas. É possível ter retorno até mesmo com bolhas, desde que você saiba que elas não irão durar para sempre, e souber como participar (e sair) delas na hora certa. Mas isto não é uma receita de boa parceria, portanto saiba conviver com isso - ou procure sempre um modelo que considere sólido, se estiver em busca de uma parceria real.

De minha parte, já tive minha amostra do tipo de parceria que o Buscapé oferece, antes mesmo de consultá-los. E o tipo de publicidade que eles buscaram contra si ao longo da última semana, acredito nenhum concorrente deles poderia comprar...

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