Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Quero produtos "bons o bastante" - chega de me oferecer recursos que não me interessam!

Você já ouviu falar na revolução do "Good Enough"? Eu quero produtos que sejam suficientemente bons, chega de complicação e excesso de recursos.


Este luxuoso cortador de grama me inspirou a escrever este artigo

Há anos o "mercado" vem nos condicionando a associar a idéia de qualidade à impressão de que o produto tem uma quantidade maior de recursos, ou adere aos mais avançados padrões tecnológicos. Isto se aproxima de conceitos válidos de qualidade e de grau (saiba mais: "O que é qualidade"), mas está longe de ser o meu conceito preferido: eu prefiro identificar qualidade pelo conceito clássico de Juran, que a define como "adequação ao uso".


Um "MP12 dual chip" quadriband 11MP com TV, FM, bluetooth, compositor de melodias e muito mais! ;-)

Esta associação de qualidade ao número de recursos conduz até mesmo a contradições ambulantes, como é o caso dos aparelhos tipo "MP9" e alguns celulares clones: o aparelho vem com funções de player de áudio e de vídeo, gravação e edição de áudio e vídeo, jogos nativos e emulados, tira fotos, acessa a Internet, faz ligações como celular (com 2 chips!), conecta ao computador, à TV, à impressora, a periféricos variados, tem viva-voz, suporta jogos nativos e emulados, tem uma infinidade de conectores e cabos. O usuário tem trabalho para aprender a operar, passa por dificuldades nas conexões, no uso dos menus, nos manuais e até mesmo para alternar entre as diversas funcionalidades.

No final das contas, o produto é difícil, complexo, faz bem mais do que o usuário queria, às vezes nem faz muito bem o que o usuário queria, e mesmo assim vende bem, porque comunica bem a idéia de ser alta tecnologia a um preço acessível, mesmo sendo um exemplo da inflamação conhecida em inglês como featuritis: o inchaço causado pela adição de excesso de novos recursos e "vantagens".

Só que a mesma conclusão vale para diversos aparelhos que não passam pelo estereótipo do design clonado na China: grandes marcas também lançam aparelhos de DVD, celulares, notebooks, tênis, câmeras, carros e outros aparelhos que excedem em muito os recursos que seus clientes realmente desejam usar. Mas os clientes compram assim mesmo, inclusive porque associam esta "capacidade adicional" a qualidade superior, a distinção, a exclusividade (porque outras marcas não oferecem os mesmos recursos), sem perceber que a complexidade para instalar, configurar e operar o produto se deve muitas vezes apenas a estes recursos que não serão utilizados.

Entra em cena o "good enough"

Fiquei sabendo da idéia da "Revolução do good enough" ('suficientemente bom') lendo o longo artigo The Good Enough Revolution: When Cheap and Simple Is Just Fine ('A revolução do bom o suficiente: quando o barato e simples já está bom'), de Robert Capps, na Wired.


Este liquidificador a gasolina simboliza para mim o oposto da idéia de "good enough"

A idéia é complexa e foi apresentada através de exemplos, então acho difícil sintetizar aqui (leia o artigo da Wired, vale a pena!). Mesmo assim, vou apresentar a conclusão: cada vez mais consumidores optam por produtos e serviços que tenham estas 3 características:

  1. custam bem menos que os concorrentes
  2. são bem mais fáceis de usar
  3. estão disponíveis a qualquer momento e lugar

Em outras palavras: para os experts, profissionais e aficcionados, continuam a existir as opções premium em cada campo. Mas o restante do mercado vem optando cada vez mais pelos produtos que são apenas... suficientemente bons.

O princípio de Pareto, que já abordamos anteriormente (ao falar sobre arrumação de roupeiros, acredite!), usualmente leva a concluir que se escolhermos bem os recursos de um produto, podemos chegar a um grupo de 20% deles que será responsável por atingir 80% das necessidades de seus usuários.

Qual a fração dos aplicativos do seu celular que você já usou, descontando os primeiros dias com ele, quando você estava ainda experimentando tudo? E dos recursos do seu sistema operacional? E das opções do menu de preferências do seu navegador, ou do seu editor de textos?

Vamos aos exemplos

A tese do Good Enough pode ficar mais clara se exemplificarmos um pouco, e vou tomar emprestados alguns dos exemplos do autor.

Note que além de ter as 3 características acima, todos eles têm algumas desvantagens também, bem como a ausência de uma série de recursos presentes em seus concorrentes. Mesmo assim, sua adoção só cresce:

  • Formato MP3: a compressão causa perdas na fidelidade do som, mas é o preferido de toda uma geração - cabe nos nossos aparelhos de bolso, pode ser facilmente transmitido e obtido pela Internet, é fácil de manipular e usar, custa menos.
     

  • Netbooks: eles têm menos memória, menos armazenamento, tela menor, teclado apertado. Mas são fáceis de transportar e usar em qualquer lugar, resistentes, mais baratos... bons o suficiente. E vendem muito bem. Quem sabe não teremos em breve uma junção dos netbooks com os notebooks low-end, e aí estes aparelhos serão o único computador de muita gente que hoje tem o netbook como segunda opção?
     

  • Anúncios textuais: sem celebridades, sem jingles, sem mascotes. Mas vendem bem, são baratos, alcançam o consumidor em quase todos os lugares, etc. Bons o suficiente, e responsáveis por 45% dos anúncios na Internet nos EUA.
     

  • Google SketchUp: O SketchUp é uma ferramenta de modelagem 3D gratuita, com uma versão mais completa que custa $500. Faz muuuuuito menos que o seu concorrente supremo AutoCAD ($4000), e mesmo assim foi abraçado entusiasticamente por profissionais (arquitetos, engenheiros, artistas...) e amadores nos EUA, que fazem o layout de seus móveis, cômodos e outros projetos simples, repassando-os a um programa mais complexo apenas quando necessário - e nem sempre é. Meu home office foi inteiramente projetado no SketchUp (mas não é aquele da ilustração acima), mas depois a arquiteta se sentiu obrigada a refazer num sistema de CAD que ela adota - nos EUA consta que isso já começa a ser menos frequente, possivelmente porque o número de projetos simples é grande.
     

  • Google Docs e similares: cada vez mais gente usa. Os documentos estão disponíveis em qualquer lugar com conectividade à Internet, o uso do aplicativo é barato ou grátis, e costuma ser bem mais simples do que seus equivalentes desktop.
     

  • Nintendo Wii: Tem bem menos opções, botões, poder de processamento e definição de vídeo que seus concorrentes da mesma geração, custa mais barato, tem jogos tecnologicamente mais restritos, e mesmo assim atrai cada vez mais gente.
     

  • "Avião" Predator: Barato e não-tripulado, o veículo aéreo não-tripulado Predator voa até 20 horas consecutivas sobre áreas de combate, pode levar 2 mísseis, e faz tudo mais lentamente, e em menor proporção, que seus primos tripulados. Mesmo assim é cada vez mais usado, porque é mais barato, mais fácil e está sempre disponível.
     

  • Vídeos no Youtube: Muitos deles gravados com configurações como as da câmera abaixo. Bem abaixo da capacidade dos nossos monitores, mas acessíveis, fáceis de assistir, baratos para o usuário.
     

  • Flip Ultra: foi a câmera de vídeo digital mais vendida nos EUA nos últimos 2 anos, mesmo gravando apenas em formato VGA (640x480) quando suas concorrentes da Sony, Panasonic e Canon já gravavam em alta definição 1080p. Sua tela é pequena, os controles são poucos, não há ajustes de cores... e os consumidores adoram. É bem mais fácil de usar, e custa $150 (um modelo médio da Sony custa $800).
     

  • Telefonemas com Skype e similares: A qualidade varia, mas bastante gente usa e tem. O serviço custa pouco ou nada, a operação é fácil de aprender, e muitos dos seus contatos já têm e sabem usar.

A lista poderia continuar indefinidamente, e certamente em cada uma das categorias mencionadas há produtos "premium" que continuam sendo preferidos por muitos. A ênfase aqui é que estão também sendo oferecidos produtos só com os recursos básicos, e um nível de qualidade aceitável. Bons o suficiente!


Novo PS3 Slim, agora mais econômico e com MENOS recursos!

E mesmo os produtos "high end" e "premium" já começam a sentir a influência desta revolução, bastante adequada a um período econômico de recessão. A versão mais nova do iPhone não acrescentou muitos recursos à versão anterior, como era o costume. O recém-anunciado Playstation 3 Slim vai além, e remove recursos que a versão anterior tinha; o novo PSP também trilha o mesmo caminho. E não estamos falando aqui de empresas de design de fundo de quintal: tanto a Apple quanto a Sony são reconhecidas pela forma como atuam nesta área.

E eu com isso?

Faz algum tempo que venho trazendo à minha vida os produtos tecnológicos mais simples. Escolho as soluções mais com base no nível de conforto proporcionado e no problema que elas deverão resolver, do que na soma dos recursos e características que elas têm listados no manual e eu não usarei.

Nem sempre o componente "menos caro" da definição se aplica igualmente. Comprei um Mac Mini, com seu exterior relativamente espartano (quando comparado a outros Macs e similares, especialmente no campo de media centers) buscando as qualidades do "Good Enough", mas estou longe de considerá-lo propriamente barato, por exemplo.


Meu 'media center' - Mac Mini e seu controle sem fio

O problema é que em muitos casos ainda não encontrei alternativas, aqui no nosso mercado, que ofereçam apenas os recursos que eu valorizo. Mas isso não é motivo para que eu pare de procurar, ou que deixe de recomendar que vocês façam o mesmo. Nas que eu já encontro (como o Google Docs, os netbooks, o SketchUp e o Mac Mini), fico feliz - e nas que ainda não encontrei, continuarei procurando!

Feedback aos leitores, terceira rodada: os assuntos priorizados - e mais

Chegamos ao terceiro round deste diálogo produtivo. Deve ser o último post sobre o assunto neste momento, e na manhã de segunda voltaremos à programação normal, com novo post ;-) Mas se os comentários de vocês por aqui mudarem alguma conclusão, talvez voltemos ao assunto em breve!

Acompanhei ao longo do final de semana os comentários de vocês no primeiro e no segundo posts do nosso bate-papo sobre o Efetividade, e agora resumo mais uma vez as conclusões.


Diversos de vocês comentaram elogiando (obrigado!), outros escreveram sobre seu interesse em deixar de ser só recebedores de feeds e passarem a ser comentadores ;-) - obrigado também!

Outros atenderam sem demora ao meu pedido de classificar os assuntos do site que mais lhes agradam, com base no mapa mental abaixo:

As respostas colocam em destaque os temas:

  1. Gadgets,
  2. Home office e
  3. Atitude.

Fora do pódio, mas com menção honrosa, estão Carreira e Comunicação.

Os links acima levam a uma seleção de artigos sobre os assuntos mencionados, para você conferir o tipo de abordagem que é dado a eles por aqui ;-)

Isso não significa que os outros temas irão desaparecer - é apenas um critério para eu me guiar quando a pauta estiver em aberto, ok? E aguardo suas manifestações sobre este resultado da consulta, bem como as indicações de links quando vocês publicarem algo sobre estes assuntos nos seus próprios blogs e quiserem ver se dá para encaixar uma menção a eles nos mini-posts aqui do Efetividade!

Outros assuntos tratados:

  • A Bia fez uma distinção importante que também quero destacar: os 2 posts (+ 1 mini-post) semanais são uma meta, e não um compromisso. Como é uma meta combinada de comum acordo entre nós, vou me esforçar para atingi-la, mas naturalmente não tenho como garantir a disponibilidade e a inspiração todas as semanas ;-)
  • O Gabriel L. fez um acréscimo importante à já aprovada meta de 2 posts (+ 1 mini-post) por semana. Ele disse: "acho que o proposto por você (2 por semana) está ótimo :D Ex: Terça e sábado… e não 2 seguidos, pra não deixar o blog ‘morto’ o resto da semana…"
  • O Philemon chamou de "reunião" esse conjunto de 3 posts em que conversamos sobre as direções que o site pode tomar. Gostei da definição, embora eu tenha visto mais como um papo de cafezinho!
  • O Carlos Magno encaminhou o feedback de uma amiga arquiteta sobre o meu home office. Carlos, aé agora só mostrei o cantinho dele! Qualquer dia mostro e conto sobre o ambiente inteiro, aí conto com uma re-avaliação dela ;-)
  • O Saulo se adiantou e já está até falando em preço de um eventual livro do Efetividade.net. ;-) Vamos com calma!
  • O Luiz viu nos mini-posts a mesma possibilidade que eu. Ele disse: "Com posts curtos e links, há a possibilidade de conteúdo de outras pessoas e em maior quantidade, para aqueles ávidos por leitura e bom conteúdo."
  • O Anderson escreveu que "já demorou para algum veículo grande de mídia na internet lhe oferecer uma boa proposta por seu site/conteúdo" - mas propostas não faltam, Anderson, e eu até aceito algumas, como a parceria com o Yahoo. Mas a maioria não vale a pena, e creio que vocês sairiam perdendo se eu tivesse aceitado muitas delas.
  • O Rodrigo comentou positivamente sobre "o nível de pessoalidade e envolvimento do autor nos artigos do blog" (obrigado!), e aproveito para destacar que esta é mais uma razão que torna difícil para mim recorrer a estratégias que envolvam autores convidados regulares.
  • O Fernando Lima e o Rodrigo comentaram sobre o uso de mapas mentais. Funciona mesmo!
  • O StartingUp escreveu sobre a possibilidade de outros blogs conduzirem consultas similares à que estou fazendo. Para mim já está dando muito certo, desejo sucesso a quem mais tentar ;-) Mas é importante saber antes qual o problema que se quer resolver!
  • E o Rafael Ramos escreveu sobre a possibilidade de acompanhar por e-mail os comentários de um post. Por e-mail não dá, Rafael, mas agora coloquei mais destaque no link para a assinatura do feed dos comentários de qualquer post (agora aparece no quadro "Fique ligado", ao final dos comentários de cada post).

Feedback aos leitores: respostas, propostas, *novas perguntas* e um mapa mental

Conforme prometido ontem, seguem minhas respostas a quem respondeu ao meu pedido de feedback.


Eu pergunto, vocês respondem, eu pergunto mais, etc. ;-)

O pedido continua valendo, e podem responder lá mesmo ou aqui, tanto faz - leitores do final de semana, não se acanhem! Acrescentei mais algumas perguntas aqui neste novo post também.


Para quem não está interessado neste diálogo e prefere ver a programação normal do Efetividade, seguem os links pros posts "normais" desta semana:

Aos demais, agradeço a participação e vejam abaixo o que tenho a acrescentar - e a perguntar!

Sobre a "morte dos comentários"

Numerosos leitores comentaram que, além do fato de boa parte do público interessado reservar seus comentários aos seus próprios blogs e microblogs, o fato de muitos de vocês lerem os artigos apenas via feed RSS contribui para que não tenham ensejo de comentar - ampliando o fenômeno da hiperbólica e metafórica "morte dos comentários em blogs" que venho observando na web como um todo.

Se meu objetivo fosse ter grande número de comentários, isso me levaria a uma tentação pecaminosa: parar de publicar feeds completos ;-) Mas não me passa pela cabeça, e de fato tenho a consciência de que a maioria dos leitores interessados não comenta - é o fenômeno "read-only", como lembrou o Jonas Sousa. Eu mesmo raramente comento, e olha que leio muitos blogs, incluindo alguns que são de vocês. Como bem disse o Rafael Ramos, todos nós temos que nos acostumar com essa realidade da escassez crescente de comentários.

Podem continuar lendo pelo RSS à vontade, mas lembrem-se que seus comentários são muito bem-vindos, especialmente quando é para complementar meus textos, ou para dar um feedback sobre como as coisas funcionam nos contextos de vocês!

A quantidade de posts por semana

A absoluta maioria respondeu que 2 posts por semana são suficientes. Vou adotar isso como meta, ok? Não vou me comprometer, pois (como mencionei anteriormente) estou passando por uma situação que não permite garantir que vou dedicar a esta atividade o meu tempo disponível.

Pela mesma razão, não vou tentar seguir a sugestão do Phillip de ter dias da semana fixos para os posts - a idéia parece boa (assim como o exagero do Seiti, que propôs voltar ao tempo dos posts diários por aqui), mas a minha disponibilidade no momento impede. E vocês sempre podem torcer para em determinadas semanas haver mais do que 2 posts, como está sendo o caso da semana corrente ;-)

Eu teria interesse em pelo menos uma vez por semana fazer posts curtos, com links e comentários para outros artigos interessantes que vi por aí. A idéia agrada a vocês, ou não?

O feedback de vocês sobre a qualidade geral do site

Existem muitos conceitos de qualidade, mas eu prefiro o de Juran: "adequação ao uso". Pelo que eu li nos comentários de vocês no post de ontem, vocês encontram aqui o que gostariam de encontrar, e isso me deixa muito satisfeito. Vou tentar manter os mesmos tipos de conteúdo, portanto!

Preciso confessar que encontro um outro feedback que me diz muito: o fato de eu ser patrulhado simultaneamente por tribos tão distintas entre si como a dos eco-extremistas e a dos churrasqueiros fundamentalistas me dá a certeza de que estou conseguindo atingir vários públicos da forma como eu desejaria, e me permite acreditar que eu mesmo não estou praticando visões excessivamente monocromáticas ou unidimensionais.

Me ajudem a ordenar a relevância dos temas

Quanto à temática, notei nos comentários de vocês referências predominantes a GTD, home office, tecnologia/gadgets, currículo, planejamento financeiro e dicas de organização.

A figura abaixo mostra uma versão simplificada do mapa mental que uso para selecionar assuntos para o site, quando faço reuniões comigo mesmo para definição de pauta via brainstorm, na ausência de um assunto pré-selecionado:

Normalmente seleciono 2 temas por artigo - um atua como protagonista, e o outro faz o papel de contraponto ou o plano de fundo. Como a Carina descreveu, alguns temas predominam, e acredito que reflitam bastante meus próprios valores e escolhas pessoais - e isso não é algo que vá mudar ;-)

E agora convido vocês: se puderem responder, juntamente com as demais questões que abri neste post, quais os 3 temas gerais (escolhidos entre os que estão em caixas vermelhas no mapa acima) que cada um de vocês gostaria de ver mais frequentemente por aqui, vai me ajudar bastante quando faço estas "seleções livres".

Mas para evitar expectativas infundadas, já adianto: muitas vezes já chego ao editor de texto sabendo exatamente sobre o que quero escrever, e aí não há recurso ao mapa mental ou a priorizações ;-)

Outras questões que vocês mencionaram

Foram variadas: do conflito felinos X cabos até os méritos comparados de e-books e livros impressos, passando por automóveis e a criação de uma equipe de articulistas para o site. Vamos a elas:

  • O Jerônimo Medina Madruga perguntou sobre a possibilidade de transformar o Efetividade em livro. A idéia sobre o produto me parece boa, mas o processo em si não me atrai muito (especialmente neste meu momento de indisponibilidade). Quem sabe no futuro? E com material renovado, é claro.
  • O Bruno comentou sobre mudar o layout para aproveitar melhor o espaço em monitores wide, e isso é algo que tenho vontade de fazer há tempo. Mas com baixa prioridade, pois via Google Analytics eu sei que mais de 60% dos leitores aqui do site ainda usam resolução com largura de 1024 pixels, para a qual o site está voltado. Além disso, sei que vocês preferem que eu me dedique a escrever posts, não é? ;-)
  • O Erick Engelhardt falou sobre colocar outras pessoas para escrever aqui para o blog, mas a receptividade nas vezes que tentei isso não foi boa. Mesmo quando o conteúdo é de boa qualidade, aparentemente o pessoal estranha e rejeita. Vou tentar mais vezes, aos poucos. Mas a idéia de ter uma equipe de articulistas fixos não me agrada, pois para mim o Efetividade funciona muito bem como um canal para que eu escreva, e não apenas para que vocês tenham o que ler ;-)
  • A neuzalima tratou de algo interessante: como as pessoas ficam sabendo da existência do Efetividade.net, e como repassam a dica para seus familiares e colegas. Agradeço a disseminação, continuem assim ;-)
  • O Rodrigo deu uma de joão-sem-braço ;-) e perguntou sobre o que vale mais: ele publicar um livro tradicional ou um e-book. Além do que o Anderson Fortes já respondeu nos cometários, acrescento: depende do objetivo, Rodrigo - se for simplesmente para disseminar o seu conhecimento, creio que o e-book já é a melhor opção. Se for para obter retorno pessoal com isso, acredito que o livro impresso, mesmo com a audiência potencial bem menor, ainda leva vantagem. Mas as fronteiras entre os 2 universos estão ficando mais tênues a cada dia que passa, como você já deve ter percebido.
  • O Luiz falou uma frase que resumiu bem o que eu procuro atingir quando escrevo aqui: "Há muita coisa dos posts que no dia-a-dia não nos damos conta. Fazemos tudo ligados no automático. Então o blog nos proporciona um momento de reflexão." Ele também sugeriu alguns temas para posts futuros, que vou procurar lembrar. Mas sobre investimentos eu recomendo o vizinho Dinheirama!
  • O henriquezrx contou que vai tentar ser um comentarista mais assíduo. Eu vou retribuir, e passar a tentar responder mais frequentemente aos comentários de vocês nas notícias mais recentes!
  • O Fernando Lima sugeriu que eu passe a escrever mais sobre automóveis, mas aqui preciso confessar que é melhor não ;-) Não dirijo mal, mas me interesso tão pouco pelo assunto, que não sei dizer qual o ano do meu carro. E o segredo dos melhores artigos que publico por aqui é que tento escrever sobre assuntos que eu gosto!
  • O Otavio falou sobre os posts que tratam da organização de cabos, pois ele precisa recorrer a isso para evitar problemas com o bichano que tem em casa. Por aqui a situação é a mesma, Otavio! E vou tentar lembrar de mencionar os aplicativos que você citou, embora eu muitas vezes não o faça por preferir praticar GTD e organização pessoal baseados em papel e caneta!
  • O Cristiano Vieira falou sobre algo que também me incomoda: a separação pouco clara entre os artigos na capa do site, com distinção fraca entre subtítulos e títulos. Prominto resolver isso logo, Cristiano!
  • O Anderson Fortes cometeu um pecado gravíssimo ao confundir minha sugestão de dar opções aos vegetarianos nos churrascos com outra, muito mais radical e fora do meu próprio interesse, de fazer churrascos vegetarianos. Churrascos vegetarianos devem ser muito bons para quem gosta, mas não foi isso que eu sugeri, Anderson ;-)

Acho que abordei tudo que foi comentado até agora. As próximas rodadas acontecerão diretamente nos comentários desta notícia, ok? Fico no aguardo dos complementos, sugestões, reclamações e outras manifestações de vocês!

Saldo parcial da semana: 3 dias úteis, 3 posts. O que estão achando?

Na semana passada comentei sobre a razão da escassez de posts aqui no Efetividade, mas a própria menção da existência da situação acabou me dando um estímulo para tentar revertê-la, reduzindo o tempo dedicado a outras atividades eletivas para ter condições de escrever um pouco mais para vocês.

A "morte em andamento" dos comentários em blogs é um fenômeno que já descrevi antes, e as estatísticas de acesso comprovam: cada vez mais gente acessa os artigos aqui do site, e cada vez menos gente comenta. Isso é natural e esperado, até porque sei que grande parte da minha audiência escreve seus próprios blogs e microblogs, e faz seus comentários por lá.


A caixinha de sugestões está aberta

Mesmo assim pergunto aos que tiverem interesse em responder: estamos indo bem? Seria bom abordar outros assuntos? Dois posts novos por semana está bom? O que mais vocês gostariam de sugerir? (sem exageros, por favor!)

Quero aproveitar para registrar que, mesmo sendo cada vez mais raros, comentários como este da "Compradora Compulsiva", no post sobre o fluxograma para ajudar a frear o impulso da compra, assim como tantos que relatam sucesso nos posts sobre preparação para entrevistas de emprego, me ajudam a me manter motivado a continuar escrevendo.

Não estou aqui com o objetivo de resolver os problemas do mundo, mas perceber que ajudo algumas pessoas a ter o estímulo para tentar uma nova solução para seus problemas, e que várias delas acabam mesmo melhorando suas condições, como o conceito de efetividade indica, é o melhor estímulo.

Escritório em Casa não é Central de Entretenimento!

Todos nós conhecemos, e muitos invejamos, os ambientes de trabalho montados pelas grandes empresas de tecnologia, que para estimular a criatividade e a motivação dos seus funcionários envolvidos no desenvolvimento de produtos e oportunidades, oferecem confortos impensáveis em muitos outros ambientes de trabalho.

Nas reportagens sobre os centros de desenvolvimento do Google, ou da Microsoft, vemos videogames, mesas de ping-pong, sucos, ginástica e tantas outras atividades, que aparentemente funcionam tanto para reduzir o desgaste das pessoas quanto para estimular sua produção e mantê-las no emprego.

Mas será que o mesmo tipo de solução funciona quando trabalhamos em um home office auto-administrado? Eu acredito que não totalmente, mas que há possibilidade de soluções intermediárias. Explicarei os principais motivos a seguir, por etapas.

  1. A dificuldade de afastar outros interessados: raramente a atividade desempenhada em um home office pode funcionar bem em um ambiente em que outras pessoas estão presentes e usufruindo deste tipo de conforto. Por esta razão, é comum ver a dúvida de quem monta seu escritório na sala da família e não sabe como lidar com o interesse de outros familiares em usar o mesmo espaço (ou a TV, ou o computador, etc.) para lazer ou estudos no mesmo horário. Raramente há uma solução que deixe todo mundo satisfeito, neste caso, e se você investir no potencial de entretenimento de seu home office, o desafio só aumenta.
  2. A ausência do controle pela expectativa dos colegas: a consciência da necessidade de ser produtivo é algo que todos temos em algum grau (e nossos clientes ou chefes exercem externamente sobre nós, também), mas a "pressão dos pares", ou a mera percepção da expectativa dos colegas, acaba sendo uma grande ajuda extra para que os profissionais em um ambiente favorável como estes não acabem passando a tarde inteira jogando Wii Sports. Em um ambiente isolado como um home office, a tendência natural de procrastinar, deixando os prazos correrem, pode ser uma grande aliada do funcionamento inverso destes "incentivos", e aí não haverá pressão externa que nos ajude a perceber que estamos enganando a nós mesmos e aos nossos clientes.
     


    Não é preciso muita estrutura para ser produtivo - basta evitar as armadilhas e ter o essencial

     

  3. A importância dos mecanismos internos de incentivo: se você trabalha por conta própria, ou se usa o escritório doméstico para atividades não-profissionais (como escrever uma dissertação de mestrado, ou estudar para um concurso), não deve esquecer da riqueza motivacional representada por mecanismos internos de incentivo, na forma de uma recompensa auto-concedida ao cumprir determinadas metas ou completar desafios. Para muitos profissionais, isso se traduz em permitir a si mesmo brincar meia hora com os filhos, descer para um passeio, ligar a TV ou jogar uma partida de videogame - atividades que não seriam grande recompensa se pudessem ser desfrutadas a qualquer momento durante o expediente, sem falar no efeito negativo sobre a produtividade já abordado acima.
  4. Por falar nos filhos... Quando há crianças na casa em que está instalado o home office, o desafio das interrupções e da produtividade fica muito maior. Para elas, a própria presença dos adultos trabalhando, e dos seus instrumentos de trabalho (material de escritório, canetas, computador) já é atrativa o suficiente, mas a presença de outras formas de entretenimento (videogame, TV e outros "brinquedos") no mesmo ambiente torna a situação ainda mais inadministrável (veja também: "Home office: a convivência da família com o escritório doméstico")

Talvez os 4 motivos acima pudessem ser sintetizados assim: "evitar as interrupções e a tendência a procrastinar já é difícil o suficiente sem estas iscas adicionais"! Mas se disséssemos desta maneira, deixaríamos de poder explicitar que muitos de nós optaram por viabilizar alguma maneira de trabalhar em um home office justamente para poder se dar ao luxo de escolher aceitar algumas interrupções familiares e algumas oportunidades bem selecionadas de deixar o trabalho para depois.

E "se dar ao luxo" é uma expressão que vem mesmo a calhar, pois todas estas considerações só fazem sentido para quem pode se dar ao luxo de ter um ambiente à parte para seu home office. Quem precisa se contentar em trabalhar na mesma sala em que as crianças brincam ou os colegas assistem TV já sabe que sua escolha é se adaptar, ou encontrar regras de separação cuja implementação é custosa e frágil.

A minha solução

Tenho a felicidade de contar, desde 2008, com um escritório doméstico fisicamente separado do restante da casa - é um cômodo à parte, mobiliado de forma planejada para isso, e que assim acaba propiciando o grau adequado de separação, sem impedir o contato familiar.

Mesmo assim, as horas que disponho para fazer andar minhas iniciativas pessoais no home office são relativamente escassas, e certamente competem com o meu interesse no convívio familiar e até mesmo com as opções de entretenimento doméstico, das quais várias certamente teriam lugar para caber no espaço do escritório.


Escrivaninha do meu home office, em foto tirada logo após a mudança - qualquer dia destes eu detalho melhor as soluções que adotei

Embora eu tenha uma TV no escritório, e geralmente a use para assistir noticiário, há bastante tempo resisto a conectar a ela algum videogame, brinquedo que reservo para a sala, onde pode ser usado por mais pessoas e deixa de ficar permanentemente ao meu alcance, reduzindo assim seu potencial de interromper meu trabalho "só para uma partidinha".

Já tive um sofá no escritório, e também era um grande desafio, pois eu recorria a ele na hora em que precisava parar para pensar em algo, e muitas vezes terminava de uma forma menos produtiva, com uma soneca não-planejada. Em uma das mudanças de endereço, acabei trocando por uma poltrona confortável (mas onde não dá para deitar), e passou a funcionar melhor.

Para completar, sei que o escritório doméstico, por sua necessidade de se manter em condições de operação, é a solução a que toda a família recorre na hora em que alguém não encontra a fita adesiva, a tesoura, o marca-texto ou um cartucho de impressão. Isso é algo que se resolve agindo externamente, garantindo que os estoques e almoxarifados da casa estejam bem supridos e controlados sempre, e assim ninguém precise recorrer ao material de expediente já lotado no escritório ;-)

E a sua solução

A minha solução tem diversas peculiaridades: trabalho no home office só em tempo parcial, a atividade é por conta própria, o retorno permite investir em mobília apropriada, eu dispunha de espaço para dedicar um cômodo exclusivamente a esta finalidade, em casa não há crianças, etc.

A sua precisa ser adaptada à sua circunstância, e a consciência de como ela pode vir a melhorar pode ser um incentivo a mais para que parte do produto gerado pelo trabalho no home office seja reinvestida nele mesmo.

Mas se hoje você estiver se sentindo improdutivo no home office pela presença frequente de outras pessoas no mesmo ambiente devido ao seu potencial de entretenimento, ou mesmo pela tentação constante das opções de entretenimento presentes, talvez seja o caso de repensar a situação com alguma urgência. Medidas para regular a maneira como outras pessoas circulam pelo ambiente podem ser custosas para o relacionamento, assim como medidas para refrear a sua própria indisciplina são difíceis de implementar, mas nada disso é razão para que elas não sejam estudadas e avaliadas!

Leia também:

Tendência ao consumismo? Um fluxograma para ajudar a frear o impulso da compra

Quem compra mais do que pode pagar geralmente acaba se arrependendo, ou aproveita seus recursos bem menos do que poderia se programasse melhor o uso do seu orçamento.

E quando a pessoa junta isso ao hábito de comprar o que não precisa, às vezes triplica a frustração, porque:

  1. lembra tarde demais que este excesso vai pesar no orçamento;
  2. o produto não era necessário; e
  3. a compra não vai resolver a carência ou necessidade que gerou o impulso.

Quando se trata de uma compulsão, pode ser realmente difícil de controlar sem ajuda profissional. Mas se o comportamento for controlável, e mesmo assim você frequentemente se perceber insatisfeito por ter comprado o que não precisava, com o dinheiro (ou crédito) que não podia gastar com isso, você pode estar precisando colocar em prática algum processo de decisão de compra que o ajude a... tornar efetivo o bom senso - afinal, você já sabe que tem a tendência a comprar mal, só precisa dar um jeito de lembrar disso a cada nova compra.

Antes de prosseguir, é bom definir algumas premissas:

  1. Só pode funcionar se você quiser - e isso não significa que basta querer. Mas se você não quiser mudar o seu hábito, as técnicas não funcionarão. Como na maioria dos métodos de reforma de algum comportamento compulsivo, os passos iniciais envolvem admitir que se tem um problema e assumir que é possível mudá-lo.
  2. Os níveis variam de acordo com as circunstâncias - para algumas pessoas, as compras excessivas que chegam a pesar no orçamento são de preciosos objetos de luxo, para outras são de calçados e bolsas, outras gastam demais com artes e tecnologia, e há quem nem possa comprar os itens de primeira necessidade e tenha o sonho de um dia poder dispor de um orçamento a ponto de poder se preocupar com a possibilidade de gastá-lo mal... Não é porque outras pessoas estão em situações diferenciadas que o seu próprio problema pessoal muda.
  3. Nem toda compra por impulso é má: o que é sempre ruim é desenvolver o hábito de comprar por impulso e sem controle. Mas a compra por impulso eventual (preferencialmente rara), bem dentro da margem de segurança do seu orçamento, e associada a um produto que modifique para melhor a sua vida pode ser um pecadilho bastante aceitável. Este artigo não tenta formar pessoas que só compram racionalmente - o objetivo está muito mais próximo da idéia de tentar dar a todos que disponham de algum orçamento a condição de eventualmente poder fazer uma compra por impulso se preocupando menos com a possibilidade de o orçamento estourar, e ainda ter uma sobra orçamentária para aplicar melhor.
  4. Definir as compras "necessárias" é com você - este texto não faz juízo sobre a qualidade dos seus gastos e investimentos. O supérfluo de um pode ser o essencial do seu vizinho, e é difícil assumir uma regra geral sobre quais são os gastos que são "válidos" e quais não são. Vamos apresentar a seguir algumas perguntas que podem ajudar a filtrar os gastos, mas a resposta depende de você, e não precisa ser igual à do seu vizinho.

O processo de avaliação prévia de uma compra

Como vimos acima, na premissa 1, estamos aqui tratando do que se convenciona chamar de bom senso - conceitos que deveriam ser óbvios e facilmente visíveis, mas que a mente de muitas pessoas parece suspender ou bloquear quando se depara com determinadas possibilidades de compra - por impulso ou por hábito.

Definir o óbvio ou o que o bom senso dita é complicado, até mesmo porque não se trata de conceitos objetivos - "o óbvio" daqui de casa pode ser diferente do "óbvio" da sua família. Mesmo assim, April Dykman, do blog de finanças pessoais Get Rich Slowly, tentou mesmo assim, e chegou a um processo baseado em 3 conceitos principais que devem ser avaliados a cada compra.

E é este processo que vamos descrever agora, começando pelos 3 conceitos essenciais definidos, que devem ser considerados subjetivamente para as finalidades deste método:

  1. A "necessidade da compra": Quando uma compra ou contratação de serviço não é de primeira necessidade (ver premissa 4, acima), ela pode mesmo assim ser justificada, seja pelo nível de benefício que irá causar, por um problema que irá evitar, pela elevação do nível de conforto, ou pelos critérios que fizerem sentido no seu contexto. Classificar necessidades é complicado, mas um conceito geral bastante conhecido, se você quiser saber mais, é o da hierarqui das necessidades, de Maslow.
  2. A "possibilidade de pagar": Cada pessoa tem sua própria realidade de disponibilidades e créditos. Se para uma pessoa a necessidade de consultar antes o extrato do banco surge na hora de comprar uma camisa nova, outra liga para o assistente financeiro só na hora de comprar um jet ski ou um imóvel, e várias outras têm dúvida se vão conseguir manter o armário de comida bem suprido até o fim da semana.
  3. A existência de alternativas: Procurar por produtos alternativos ou substitutos, mais econômicos e com qualidade aceitável (no sentido de "adequação ao uso" - veja mais em "O que é qualidade"), é um exercício de pesquisa de mercado que ajuda a fazer melhores compras, mas também permite que você ganhe tempo suficiente para perceber se está mesmo fazendo uma compra necessária e dentro das suas condições de pagar.

Claro que cada pessoa pode ter seus critérios adicionais de compra (avaliando o produto também por sua eficiência energética, defesa do meio ambiente, tratamento ético das pessoas em sua cadeia produtiva, liberdade do conhecimento, etc.), e eles devem ser considerados em conjunto com estes, como complemento ou mesmo como preliminar, dependendo do caso.

Colocando o processo para funcionar

Adaptei o fluxograma abaixo a partir da obra da April; ele demonstra uma sequência comum de encadeamento dos 3 conceitos acima, na forma de um conjunto de critérios que pode permitir que você se responda:

  • Se deve comprar ou não o produto
  • Se concluir por não comprar, se deve ou não considerar a compra de um substituto
  • Vamos ao fluxograma (adaptado a partir do original da April Dykman, do blog de finanças pessoais Get Rich Slowly):

    O pessoal da área de TI que já trabalhou com fluxogramas de programas de computador provavelmente notará que ele foi desenhado ao arrepio de algumas das boas práticas desta arte, mas espero que tenha sido suficiente para garantir o entendimento ;-)

    Note que a questão inicial é se você está em condições de se comprometer a pagar - ou seja: se tem disponibilidades ou crédito acessível para realizar uma compra deste tipo. Os conceitos de "caro" e "barato" são relativos, mas mesmo nas compras "baratas" é necessário fazer esta pergunta, porque elas são perigosas: tendem a se avolumar sem que você perceba o tamanho do rasgo que farão no seu bolso. E se você não tiver disponibilidade e nem crédito acessíveis, nem adianta prosseguir com o processo decisório neste momento, pois a decisão final vai ser clara - quando a situação mudar, reavalie.

    Estabelecido que há condições de fazer um pagamento, chega a hora de avaliar a necessidade da compra. Preciso fazer esta aquisição? O conceito de necessidade, nessa hora, pode ser subjetivo ou até difuso, mas a resposta no que diz respeito ao momento corrente é objetiva: sim ou não. Vale fazer uma análise mais profunda antes de chegar ao sim, entretanto - pense nas razões que justificam a compra. Preciso só porque eu estou com vontade? Ou há alguma razão mais concreta? E se a resposta for negativa, o processo também se encerra por aqui.

    Mas se a conclusão for que vale a pena comprar, ainda temos um terceiro conjunto de filtros (apresentados em amarelo no fluxograma) que acabam sendo os que poderão lhe dar o tempo necessário para perceber que se trata de um impulso sem fundamento: é a pesquisa por compras alternativas, que pode se traduzir em buscar o mesmo produto vindo de outro fornecedor, procurar um similar ou mesmo um substituto, que pode se dar em 3 avaliações diferentes:

    • Existe uma alternativa mais barata?
    • Se sim, ela tem o mesmo nível de qualidade? (no sentido de "adequação ao uso")
    • Caso não tenha, a diferença de qualidade é importante para esta compra?

    As decisões a que este fluxograma simplificado conduz são simples: completar a compra, não comprar, ou considerar (com o mesmo fluxograma, é claro), a compra de um produto substituto. E a idéia do seu uso é bastante simples: provocar uma reflexão consciente antes de cada compra, forçando a análise de cada um dos pontos que o bom senso indicar para "validar" a compra, e que você notou que vem colocando de lado. Isso deve ser feito até que o hábito seja corrigido, e a reflexão se torne natural novamente.

    Claro que a análise acima é a minha, e pode diferir bastante da que foi publicada pela propositora inicial do fluxograma que originou esta nossa versão tropicalizada, que pode ser encontrada em "Should You Buy It? A Flowchart for Evaluating Potential Purchases".

    Conhecer um processo decisório não é substituto para sua atitude

    Mesmo que você ache muito interessante, imprima quatro cópias da imagem do fluxograma e cole uma na capa do bloco de cheques, a outra no cartão de crédito, a terceira no chaveiro e a outra na testa, não vai ter efeito se você não estiver realmente disposto a mudar os seus hábitos de consumo.

    E tornar mais racionais e eficientes os hábitos de consumo costuma ser bom, a não ser quando feito de forma compulsiva, quando é bastante possível que a partir de um certo momento o esforço adicional deixe de ser compensado pelos ganhos.

    Portanto, se você for adotar uma política pessoal de analisar previamente todas as decisões de compra baseando-se no fluxo acima, ou em algum similar que considere seus próprios critérios adicionais, cuidado para não exagerar - nem na intensidade, e nem na duração. Este é um exercício que deve ser mantido apenas até o hábito do consumo ser modificado da maneira que você preferir, e eventualmente revisitado quando necessário.

    E quando você perceber que seus impulsos não o estão mais levando a sistematicamente lamentar compras impensadas, que tal dar um passo além e redirecionar os recursos antes desperdiçados, passando a investi-los no seu futuro ou mesmo criar o seu Fundo de Reserva pessoal, para encarar a vida com mais opções?

    Outra alternativa interessante pode ser reservar uma pequena parte do que você deixar de gastar com compras impensadas para praticar alguns pequenos e silenciosos atos de compartilhamento com aquelas pessoas mencionadas lá no alto, cujo sonho seria ter, para suas despesas mais essenciais, uma pequena parcela do orçamento que você deixa de gastar com supérfluos quando passa a prestar mais atenção ;-)

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