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Pen drives da LaCie em formato de chave, para nunca mais perder - e mais alguns gadgets interessantes

Pen drives são artigos de grande conveniência para quem tem volume considerável de dados ou softwares que gostaria de carregar sempre consigo. Com a popularização dos modelos de 4GB, 8GB e superiores, fica cada vez mais difícil encontrar rivais que ofereçam a mesma conveniência.

Hoje, entretanto, eles ainda enfrentam 2 grandes desafios: o da segurança (são vetores ideais para malwares, e ainda por cima podem comprometer a política de segurança de informações de muitas organizações), e o da facilidade de extravio ou perda, como já abordamos anteriormente - e em especial quando eles vêm com as intoleráveis tampas removíveis.

Existem muitas soluções para isso, mas vi no Uncrate que a LaCie levou a questão ao seu laboratório de design, e chegou a uma solução interessante: uma linha de pen drives feitos para serem carregados junto com as chaves, mas sem fazer papel de chaveiro (isso já existe, mas eu prefiro manter o chaveiro que escolhi, obrigado!), e sim como se fosse mais uma chave.

Eu gostei especialmente do modelo PassKey, que não é exatamente um pen drive, mas sim um leitor de cartões microSD (e microSDHC). Mas acabaria (ou acabarei, se encontrar à venda de forma conveniente) escolhendo a iamaKey (foto acima), que oferece algo que um leitor de cartões não tem tanto, que é a resistência a água e a arranhões - situações prováveis a algo que passeia no chaveiro, dentro do bolso.

Para quem gosta de USB no chaveiro, tem mais uma utilidade a considerar: um carregador portátil como o acima. Eu comprei por R$ 12 um modelo para celulares Nokia, e funcionou mesmo - é abrir o chaveiro, plugar numa interface USB alimentada que esteja dando sopa, e carregar o celular.

Enquanto não surgem por aqui as chaves da LaCie, por enquanto vou seguindo com a minha alternativa que funciona bem: 2 pen drives pé-de-boi (como o da foto acima - com conector retrátil, e sem tampa removível), sendo um deles (adequado à segurança corporativa) preso por um cordão retrátil ao meu crachá funcional, e o outro (quase permanentemente infectado pelos vírus dos laboratórios de informática da Estácio de Sá, que felizmente não afetam meus computadores, com outro sistema operacional) preso por um cordão retrátil à minha mochila.

E já que estamos falando de chaves complementares para o chaveiro, não posso deixar de mencionar a Utili-key (foto acima), já mencionada em um artigo anterior do Efetividade.

Como declarar o imposto de renda de autônomos - e de blogueiros que faturam suficientemente bem ;-)

O Imposto de Renda, ou mais propriamente a declaração de ajuste anual de Imposto de Renda de Pessoa Física, é uma das grandes preocupações periódicas dos brasileiros - sejam ou não autônomos.

Benjamin Franklin já dizia: neste mundo não há nada inevitável, exceto a morte e os impostos. E no caso da classe média brasileira, isso é uma verdade incontestável: a Receita já nos tributa diretamente na principal das fontes pagadoras, e depois ainda precisamos fazer a famosa Declaração de Ajuste Anual, que para muitos é razão de expectativa positiva, porque gera restituição de imposto pago a mais, e para muitos outros (especialmente os que têm fontes de renda adicionais, e os autônomos) é um desprazer maior, porque vai gerar pagamento adicional, às vezes em grande volume.


Observando o IRPF em detalhes

Mas, seja qual for o caso, preencher a declaração em si é um trabalho chato, tedioso e cheio de oportunidades para erros - que podem custar caro. Um caso em particular é o dos blogueiros que recebem rendimentos do programa de anúncios Adsense, do Google (pagos em dólar), ou por intermédio de contratos em Reais, com agências ou anunciantes diversos.

No primeiro caso (recebimento em dólares), quem recebe já é obrigado (pela Instrução Normativa RFB nº 896, de 29 de dezembro de 2008) a recolher o imposto no mesmo mês, sem limite mínimo (ou seja: até quem recebe só um trocadinho jáfica obrigado), por intermédio de Carnê Leão, e aí quando chega a hora da declaração anual, basta registrar estes pagamentos já efetuados.

No segundo caso, do recebimento em reais pago por agências ou anunciantes, a declaração anual é o momento de quem recebeu acima do limite de isenção reunir todos os dados e declarar o total recebido de cada uma das fontes, junto ao CNPJ de cada uma delas.

Nunca é uma tarefa agradável, mas o G1 publicou ontem um resumo de como os autônomos devem declarar. Reproduzo abaixo duas das perguntas e respostas publicadas:

1. Olá, tenho meu trabalho, porém sou informal. Não tenho carteira de trabalho, não me dão nenhum comprovante de renda, ganho anualmente cerca de R$ 40 mil. Como faço pra declarar esse valor?

Os rendimentos recebidos como autônomo deve ser informados, mês a mês, na ficha “Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior Pelo Titular” na Declaração de Ajuste Anual de 2009, ano-calendário de 2008. Lembramos que os autônomos e os profissionais liberais que tenham recebido rendimentos de pessoas físicas e do exterior em 2008 superiores a R$ 1.372,81 por mês, ficam sujeitas ao recolhimento mensal – Carnê-leão, cujo código de recolhimento é 0190.

2. Sou autônomo e não sei como declarar meu imposto de renda.

O autônomo deve preencher a ficha de “Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior”. Nesta ficha, devem ser declarados os rendimentos tributáveis recebidos, em 2008, de pessoas físicas e do exterior, sujeitos ao recolhimento mensal (Carnê-leão), pelo titular da declaração, ainda que a soma dos valores mensais seja inferior ao limite de isenção de até R$ 1.372,81 por mês. É bom lembrar que as informações a seguir relacionadas devem ser observadas pelo declarante que não importar os dados do programa Carnê-leão 2008 ou, se o fizer, necessitar complementar os dados dessa ficha.

Declare, na ficha ou importe do Programa Carnê-leão 2008, os rendimentos tributáveis relacionados recebidos de pessoas físicas no ano de 2008, tais como os relativos a:

  • profissão, ocupação e prestação de serviços (inclusive de representante comercial autônomo);
  • honorários de autônomos, como médico, dentista, engenheiro, advogado, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escultor, escritor, leiloeiro; direitos autorais de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalação ou equipamento;
  • exploração individual de contratos de empreitada de trabalho, como trabalho arquitetônico, topográfico, de terraplenagem e de construção;
  • emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, exceto quando pagos exclusivamente pelos cofres públicos;
  • lucro obtido no comércio ou na indústria pelo contribuinte que não exerça habitualmente a profissão de comerciante ou industrial;
  • aluguel, assim considerados a ocupação, sublocação, uso ou exploração de bens móveis, imóveis e royalties;

A principal dica é não chutar, e nem deixar de se informar: a legislação tributária é coisa séria e, quando o Leão morde, em geral dói bastante. Sempre que tenho dúvidas sobre a minha própria declaração, consulto meu contador ou um profissional do Direito Tributário.

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Gestão do Conhecimento: o caso do míssil balístico dos EUA cuja "receita" se extraviou

Gestão do Conhecimento é um conjunto de disciplinas e práticas que buscam controlar, facilitar o acesso e manter o gerenciamento integrado das informações de uma organização, nos diversos meios em que elas possam se encontrar.


Lançamento de míssel Trident

Você acreditaria que os laboratórios que produzem armas nucleares dos EUA estão tendo dificuldade em dar manutenção para prolongar o tempo de uso de seus mísseis Trident projetados na década de 1980, porque ninguém lembra mais como produzir um de seus componentes? Este é o caso que acompanharemos hoje, e que também deve interessar especialmente oa pessoal de Gerenciamento de Projetos que estiver lendo!

Uma ds funções essenciais da Gestão de Conhecimento é mapear e tornar acessível a Memória Organizacional, permitindo usar em benefício da organização os ativos de conhecimento que frequentemente estão espalhados de forma desordenada em documentos, arquivos, discos, registros diversos e na memória das pessoas.

Se alguma iniciativa de Gestão de Conhecimento já foi experimentada na sua organização, você já deve ter ouvido os conceitos associados, e possivelmente conseguiu visualizar o quanto pode ser desafiador este papel. Mas na hora de pensar sobre os custos, às vezes o projeto acaba sendo abandonado. Na próxima vez, que tal adotar um caso real que mostra o risco a que se expõe quem não dá atenção à Gestão do Conhecimento?

Como os Estados Unidos esqueceram a receita de seus mísseis Trident?

Os Trident são mísseis nucleares balísticos lançados por submarinos, e sua versão corrente (tecnicamente, Trident II D5) entrou em serviço em 1990, com a intenção de permanecer na ativa até 2027.

Mas em 2002 os EUA anunciaram um projeto para prolongar até 2040 o tempo de serviço dos mísseis, substituindo os componentes necessários, em uma operação de baixo custo. Até aí tudo bem: se a tecnologia permite, o melhor é economizar mesmo.

Só que algo deu muito errado: na hora de produzir um misterioso material chamado Fogbank, cuja função é secreta (e especialistas acreditam estar ligado a uma espuma de isolamento entre estágios da bomba, com papel importante para desencadear a reação de fusão nuclear), ocorreu o que a Administração de Segurança Nuclear (NNSA) classificou como "perda do conhecimento" de como fabricar o Fogbank.


Submarino da classe Ohio, equipado com os Tridents

Só que trocar o Fogbank é necessário para atualizar as ogivas dos mísseis, mantendo sua precisão e segurança. E a conclusão do comitê governamental que vem investigando o caso, divulgada recentemente, deve fazer arrepiar os cabelos dos Gerentes de Projetos e dos profissionais da Gestão do Conhecimento na audiência. Cito a partir da cobertura na imprensa:

"A NNSA não gerenciou efetivamente um dos maiores riscos do programa - a manufatura de um material-chave conhecido como Fogbank - resultando em US$ 69 milhões de custos excedentes e um atraso de ao menos um ano, que apresentou significativos desafios logísticos à Marinha."

Erros sérios na gestão do orçamento, do prazo e dos riscos, tudo em uma única frase, e por culpa de uma espuma cuja receita foi extraviada...

Mas uma única frase não é suficiente para detalhar, portanto vamos escrever um pouco mais:

  • Primeiro descobriram que seria necessário construir um novo laboratório para fazer o Fogbank, porque o antigo foi demolido na década passada.
  • Com o laboratório novo pronto, chegou a hora de produzir - e só aí foi descoberto que os registros sobre como fazer não estavam disponíveis.
  • Mas havia uma explicação: o tema era tão secreto, que poucas cópias da documentação foram produzidas. Será que o mesmo não deveria valer para todos os demais componentes do Trident?
  • E tinha mais uma explicação complementar: quase todos os técnicos envolvidos no projeto original já se aposentaram ou saíram da agência - quase um exemplo tirado diretamente de uma apostila de Gestão do Conhecimento, não?

Um comentarista citado na imprensa internacional disse que a copnsequência pode vir a ser uma "emergência nacional", e outro comparou a situação com a de James Bond destruindo suas instruções imediatamente após lê-las, mas frisou: a NNSA não é James Bond.

Já a NNSA se manifestou oficialmente dizendo concordar, em linhas gerais, com o relatório apresentado pelo comitê de investigação. O que ele tinha a acrescentar? Que se ele tivesse um orçamento maior, poderia melhorar seu gerenciamento de riscos.

Concluindo

O projeto ainda está em andamento, e não sabemos como vai terminar. Mas exemplos reais de falhas (e, em especial, de falhas colossais) são interessantes na hora de promover mudanças internas nas organizações.


Trident é bom, mas prefiro Clorets.

Neste caso específico, há pelo menos duas causas principais que poderiam ter sido evitadas:

  • Pelo lado da Gestão de Conhecimento, a equipe que projetou o míssil em décadas anteriores poderia ter documentado e arquivado os dados do Fogbank tão bem quanto o fez com os demais componentes.
  • Pelo lado da Gestão de Projetos, a situação poderia ter sido identificada e tratada mais cedo, sem prejudicar tão profundamente o prazo e o orçamento (e, potencialmente, a própria conclusão do projeto).

Quantos destes projetos de mísseis Trident existem na sua organização? Quais deles estão sob sua responsabilidade? Está na hora de fazer algo a respeito, ou de procurar influenciar quem tem a autoridade para fazê-lo!

Para saber mais:

Como economizar: crie o seu Fundo de Reserva pessoal

Fundo de Reserva é um montante mantido à parte, sempre disponível para cobrir despesas extraordinárias, emergenciais ou imprevisíveis. Toda pessoa ou família pode ter um fundo de reserva, mas para formá-lo é necessário aplicar mensalmente uma parcela do orçamento, e fixar critérios no que diz respeito ao seu uso e manutenção.

Ter um Fundo de Reserva, ou Fundo de Emergência, seja ele pessoal ou familiar, é uma providência relativamente cara (tanto no sentido financeiro quanto no econômico), mas cujo valor aparece claramente não apenas nas emergências: dispor de reservas prontamente acessíveis acrescenta muita tranquilidade e facilita decisões que seriam muito mais sofridas se você estivesse, como tantas pessoas, sempre a não mais do que um contracheque de distância da ausência de opções.

Em especial, ao estudar ética no trabalho e as questões relacionadas ao assédio moral, percebe-se que a presença de um fundo de reserva aumenta a chance de o funcionário recusar-se a ser co-partícipe destes comportamentos, pois pode encarar melhor a possibilidade de a opção pela ética acabar prejudicando a sua continuidade na posição atual.

Em um artigo anterior sobre a preparação para o recrudescimento da situação do mercado de trabalho nesta crise global que atravessamos ("Segurando seu emprego, ao mesmo tempo em que se prepara para o caso de ser demitido"), a questão dos fundos de reserva também foi abordada, pois é óbvia a relação entre as duas questões.

Mas, em meio à crise, será que é a hora certa de começar um Fundo de Reserva?

Não, na verdade a hora certa seria antes da crise, se você soubesse que ela viria. Mas deixar de iniciar uma medida preventiva só porque já estamos em uma crise é um argumento que se sustentaria bem melhor se soubéssemos que já chegamos ao fundo do poço - e raramente é o caso.

Não sabemos se a crise atual vai se agravar, nem quanto tempo vai durar. Não sabemos quanto tempo após seu término chegará a próxima. Medidas preventivas são difíceis a qualquer tempo, e só são efetivamente apreciadas na hora de fazer uso delas.

Começando o seu Fundo de Reserva

Manter um fundo de reserva é relativamente simples, mas começá-lo envolve decisões complicadas - tanto no aspecto motivacional, quanto no da efetiva implementação.

Em especial, é necessário antes saber diferenciar o que é consumo, o que é investimento e o que é um efetivo Fundo de Reserva. A idéia essencial de um Fundo de Reserva é que ele esteja disponível para uso imediato, e por isso precisa ser mantido em alguma aplicação com alta liquidez e baixo risco, o que geralmente conduz também ao baixo rendimento. Ter um imóvel, outro bem ou qualquer investimento que não possa ser convertido em dinheiro rapidamente não constituem bons fundos de reserva, embora possam ser opções de investimento.

Por outro lado, possuir o imóvel onde se mora, um carro ou outro bem que esteja em uso em geral se classifica muito mais como consumo do que como investimento (embora dê alguma segurança), e fica longe de ser um Fundo de Reserva, a não ser que seu uso seja completamente supérfluo (e você possa abrir mão de um dia para outro), e a liquidez dele no mercado seja alta e permanente - o que é raro, especialmente em crises.

Mas guardar moeda corrente em casa (alternativa de altíssima liquidez) geralmente é inseguro e obriga a abrir mão até mesmo das baixas taxas de remuneração que as instituições oferecem a quem quer guardar dinheiro mantendo a liquidez. Portanto, após decidir implantar o fundo, a sua primeira decisão importante deve ser onde guardá-lo, equilibrando o interesse em segurança, em manter a atualização monetária, e em liquidez. Para um exemplo: Fundos de Reserva de condomínios usualmente são aplicados em cadernetas de poupança e similares de instituições consideradas sólidas, abrindo mão de rendimentos superiores em prol da segurança e disponibilidade imediata.

A segunda decisão importante é a definição de quanto se deseja vir a ter no Fundo de Reserva, quando ele estiver completo. Devido ao aspecto motivacional, o ideal é definir um plano escalonado, com uma meta para 6 meses, outra para 1 ano, e outra para o final do segundo ano, por exemplo. As metas devem considerar a sua capacidade de gerar poupança, seja pela ampliação da receita pessoal (geralmente mais difícil), pela redução de despesas (menos difícil) ou pelo redirecionamento do que seria aplicado em outros investimentos (mais fácil).

Um possível plano de metas pode ser: em 6 meses ter o suficiente para pagar um mês de suas despesas integrais, ao final do ano ter o equivalente a um mês e meio de seus rendimentos integrais reais, e ao final do segundo ano ter capacidade de quitar todos os seus débitos (aluguéis, prestações, financiamentos, mensalidades, etc.) pendentes por 2 meses, e ainda ficar com um saldo disponível equivalente a 2 meses de rendimentos integrais e livres - o que daria um bom fundo de reserva para manter abertas suas opções após emergências. A literatura especializada usualmente define como valor final um total equivalente a 6 a 8 meses de seu rendimento mensal, mas sinta-se livre para considerar se após 2 ou 3 meses você não terá condições de tornar líquidos outros investimentos de maior rentabilidade em que poderá empregar estes recursos adicionais.

E note que as medidas podem ser tomada simultaneamente em 2 sentidos: ao mesmo tempo em que se amplia a poupança, pode-se buscar reduzir conscientemente o número de compras parceladas e financiamentos que se inicia, por exemplo.

E aí chegamos à terceira decisão importante, potencialmente a que tem maior impacto sobre a motivação, e a que envolve mais disciplina: quanto poupar por mês. Só você pode avaliar do que abrir mão, quanto desviar de outras aplicações, ou se é possível ampliar a renda mensal. O valor escolhido deve corresponder ao plano de metas, naturalmente.

Considerando a disciplina e a motivação, caso a fonte do fundo de reserva seja a redução de despesas supérfluas, pode fazer sentido realizar os depósitos semanalmente, em quantias menores, mesmo que os seus rendimentos sejam mensais. Você verá o bolo crescer, e cada depósito individual vai doer menos no bolso. Se você tiver problemas de disciplina, muitos bancos oferecem planos de transferência automática mensal para uma série de planos de capitalização (que em geral não são ótimos investimentos), e aí a mordida será automatizada: todo mês, após o salário pingar lá no fundo da conta corrente, uma parcela vai para a reserva. Mas faça com que esta conta de destino seja exclusiva para o fundo de reserva - misturar todos os fundos em um saldo comum não é bom para a disciplina, e nem para a motivação.

Depois de decidido, coloque em prática!

Nenhum plano vale nada se não for colocado em prática e mantido. Se você decidir, faça os sacrifícios necessários e busque constantemente as metas definidas. Ao final do prazo, você terá alcançado o valor desejado e, o que é melhor, poderá ter desenvolvido uma rotina de poupança que poderá ser canalizada a outros investimentos mais rentáveis, ou à aquisição de bens que sejam de seu interesse.

Em especial, saiba também quando chega a hora do movimento contrário: o fundo de reserva está lá para emergências, e não necessariamente apenas para algum momento em que você se veja privado de suas fontes de receita. Uma manutenção inesperada (e emergencial) no carro ou na casa podem ser bons motivos para fazer uso dele - o que deve também colocar em operação um novo plano de metas para recompô-lo.

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