Os profissionais que mais me inspiram agem sem pressa – e previnem as urgências
O Efetividade está completando 20 anos, e uma coisa que eu aprendi nesse período é que pressa e urgências tendem a ser sintomas.
Os profissionais que mais inspiram a minha carreira não são aqueles que vivem no limite do esgotamento pela correria contínua. Pelo contrário, são aqueles que rejeitam valorizar o movimento inútil, dominam a arte de selecionar prioridades, e consistentemente realizam a entrega certa, no prazo combinado, satisfazendo o cliente, sem improvisos nem enrolação.

Manter um ceticismo saudável quanto ao mito corporativo da pressa permanente, baseada em emergências diárias, permite transformar a rotina – agindo nas entregas que realmente produzem avanços – e progredir pela consistência dos bons resultados, deixando para trás a abordagem dos trancos e barrancos.
Adotar uma postura calma e intencional combina com o meu temperamento, e é o caminho que eu prefiro para alcançar a eficácia e a satisfação dos clientes, minimizando o esgotamento.
O excesso de ação também pode travar o seu desempenho, da mesma forma que a falta dela.
Compreender que produzir bem também significa posicionar-se de modo a poder selecionar estrategicamente suas batalhas permite entregar resultados superiores, porque concentra esforços naquilo que aproxima dos objetivos.
Nem sempre dá para contornar totalmente o atoleiro das tarefas nascidas do foco reativo às emergências de cada dia, mas há profissionais que conseguem desenvolver o hábito de ficar nessa situação apenas pelo mínimo inevitável de tempo.
Eles e elas compartilham algumas características que merecem ser cultivadas na sua equipe:
- Calma e consistência: São profissionais que ostensivamente não têm pressa, nem demandam pressa, que não seja relacionada a prazos reais. Agem de forma mais coordenada, com avanços planejados, sem performances artísticas de correria.
- Foco laser: Concentram-se profundamente na execução e no alinhamento entre entregas e objetivos. Sabem exatamente onde vale a pena chegar, sem confundir “mostrar serviço” com progresso real.
- Capacidade de priorizar: Dominam a arte de dizer não, se comprometem com suas escolhas, e autorizam suas equipes a fazerem triagem. Sabem escolher o que deve ser feito e o que deixar de lado.
- Atenção aos riscos: Sem lugar para o otimismo desmedido, nem associação a “dar azar”. Cada risco mapeado é avaliado quanto a probabilidade e impacto, e tratado para evitar que se transforme em urgência imprevista caso venha a se materializar.
- Preferência pela qualidade: Priorizam menos volume de entregas e mais profundidade, preferindo se comprometer com menos coisas, porém com qualidade perceptivelmente melhor.
Para desenvolver essa mentalidade, é necessário acionar mecanismos conscientes de desaceleração, restringindo o impulso de reagir instantaneamente a todos os estímulos.
Valorizar e cultivar a paciência inclui associar a satisfação ao valor e pontualidade da entrega, e não ao esforço e à correria, blindando a equipe contra cobranças imediatistas que destroem a capacidade de desenvolver soluções sólidas.
Esse processo exige firmeza e maturidade para conviver com a cultura corporativa do século XXI, que no curto prazo tende a valorizar a performance de correria e as respostas imediatas, ainda que erradas. Fica mais fácil quando se conhece profundamente as demandas reais e a forma como se conectam às expectativas dos clientes.
Ao desacelerar de forma intencional, você não fará menos entregas: fará as entregas certas, e elas serão de qualidade superior.
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