Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Evite acidentes, faça de propósito!

Abro este novo mini-artigo relacionado ao conceito de efetividade com uma citação do tempo da Internet a lenha: "evite acidentes, faça de propósito".

Claro que a frase espirituosa não nasceu com o sentido que eu hoje vou abordar, mas ela cabe bem para a situação que quero tratar: a das pessoas cuja "solução" básica para os dilemas da sua vida é aguardar e torcer fervorosamente para que um acidente aconteça e mude sua situação. É uma situação comum, e todo mundo ao redor identifica, mas às vezes é complicado para a pessoa que está envolvida perceber objetivamente o que ela (não) está fazendo.

E aí entram aquelas situações típicas: a pessoa que está em um relacionamento insatisfatório e fica torcendo (sem nem ao menos tentar dar motivo) para a namorada terminar com ele, ou alcança uma responsabilidade indesejada no trabalho e aguarda passivamente (e sem tentar se adequar a ela) que alguém perceba que ele não está rendendo, e deve ser tirado dali antes que cause algum mal maior à organização.

Também tem aquelas situações em que o controle sobre a resolução está fora do alcance do indivíduo, mas ele renuncia até mesmo a fazer o que está ao seu alcance para se ajudar. É o caso de tantos hipertensos, diabéticos e cardiopatas que, mesmo diagnosticados cedo, não adequam seus hábitos e permanecem sedentários, sem ajustar a dieta, fumando... como se não houvesse amanhã. É o caso de quem não tem emprego (ou não está satisfeito com seu emprego) mas não procuram oportunidades de aumentar sua empregabilidade e nem procuram emprego - se bobear, nem mesmo têm um currículo atualizado.

"♬ Deixa a vida me levar, vida leva eu... ♪"

Sorte tem quem acredita nela e trabalha a favor do resultado positivo, mas se omitir nas suas próprias decisões não é contar com a sorte: é dificultar até mesmo o trabalho dela, pela ausência da escolha de qual é o resultado desejado. É como aquela piada velha do cidadão que todos os dias reza para que seu santo o ajude a ganhar na loteria, e o santo reclama com um colega: "se ao menos ele comprasse o bilhete, eu até ajudaria...".

O que as pessoas dos exemplos acima têm em comum é a necessidade de uma solução para a situação em que se encontram, acompanhada pela incapacidade ou ausência de energia para agir e provocar esta solução: o que elas desejam é que algum fator externo - um "acidente" - que mude sua situação, encerre seu relacionamento, dê um jeito na sua carreira, resolva a hipertensão, acabe com o desemprego, sem se dar conta que muitas vezes as soluções acidentais possivelmente ficam muito abaixo do potencial que poderia ser alcançado se o problema fosse encarado de frente.

E assim, por não tomar as rédeas de seu próprio destino, as pessoas dos exemplos se sujeitam a uma chance maior de um divórcio litigioso no final da paciência da outra parte (quando poderia ser, por exemplo, uma separação amigável ou mesmo uma retomada da relação), uma "geladeira" ou mesmo a demissão no emprego (quando poderia ter um ajuste na carreira, ou mesmo capacitar-se para estar à altura da missão que lhe foi dada), e assim por diante.

Entra em cena o conceito de Efetividade

Entre as diversas alternativas, por aqui se adota a seguinte conceituação de efetividade:

Em uma definição simplificada, eficácia é a capacidade de realizar objetivos, eficiência é utilizar produtivamente os recursos, e efetividade é realizar a coisa certa para transformar a situação existente.

Elaborando um pouco mais, pode-se afirmar que a efetividade diz respeito à capacidade de se promover resultados pretendidos; a eficiência indica a competência para se produzir resultados com dispêndio mínimo de recursos e esforços; e a eficácia, por sua vez, remete à capacidade de alcançar as metas definidas para uma ação ou experimento.

Coloquei em destaque o trecho que contrasta com a atitude descrita acima: efetividade está associada a realizar a ação certa para transformar a situação existente - e raramente isso pode corresponder à passividade de quem aguarda (sem estratégia) que as situações se resolvam sozinhas.

Assumindo suas opções

Ninguém melhor do que você pode exercer o direito de escolher qual o resultado desejado para as situações da sua vida, mas muitas vezes conviver com as consequências da escolha requer coragem, e em outras é necessário se esforçar bastante para conseguir melhorar as alternativas disponíveis. Raramente é fácil, mas as decisões são a essência da vida.

Mas deixar nas mãos do acaso (ou nas dos outros...) as decisões que lhe competem dificilmente leva a resultados tão bons quanto os que são possíveis por uma escolha consciente, acompanhada de uma atitude positiva: trocando a passividade pelo posicionamento ativo, mesmo quando se sabe que será necessário enfrentar uma situação fora do seu controle em um equilíbrio precário, mais ou menos como o surfista da foto acima - mas ele se preparou, conta com sua habilidade e com o equipamento adequado, e possivelmente com outras pessoas para lhe apoiar caso algo dê errado, seguindo a receita do que devemos procurar também em nossas vidas.

Fica, portanto a dica: se sua vida está em algum compasso de espera e você não está gostando, talvez você esteja precisando fazer algumas escolhas, tomar algumas decisões e correr para viabilizá-las - antes que o destino decida, possivelmente contra você. Faça de propósito, não espere pelo acidente!

Leia também: Planejamento estratégico: como aplicar à sua vida e Planejamento estratégico: quais são os seus valores?

Produtividade - e estilo? - com 2 monitores no desktop

Vi ontem no site da Info um vídeo mostrando um Samsung Lapfit - um produto legal, mas baseado em uma premissa da qual eu discordo: a de que um segundo monitor para um notebook é mais legal se puder ficar ali ao ladinho da tela interna dele, no mesmo ângulo, com a moldura da mesma cor.

Mas as características do monitorzinho (um SyncMaster LD190G) em si são legais - eu recomendo que você assista ao vídeo pra entender melhor. Só que eu prefiro que o segundo monitor seja maiorzão, acoplável a um suporte articulado, e de preferência montável na vertical (em "modo retrato"), para facilitar a visualização de porções maiores de páginas da web e documentos de texto.

Eu hoje não uso mais um segundo monitor no notebook, porque hoje trabalho ancorado ao desktop do escritório em casa, e reservo o notebook para quando preciso de mobilidade. Mas houve tempo em que eu usava o notebook também em casa, e adotava uma configuração de tela secundária similar à dos 2 monitores do meu desktop de hoje, mostrados nas fotos acima e abaixo - inclusive com o mesmo suporte articulado que já usava naquela época.

A configuração dos tempos do notebook-desktop, aliás, pode ser vista na foto que ilustra o artigo "2 monitores no seu PC: ganhe produtividade e reduza o stress", que escrevi para contar as razões pelas quais achava vantajoso usar um segundo monitor. Aliás, continuo achando, e hoje me sinto bastante limitado quando preciso trabalhar com uma tela só.

Pra resumir, colando de mim mesmo (em 2007): "com 2 desktops visíveis, torna-se muito menos estressante trabalhar on-line, realizar atividades de pesquisa e manter contato com os colaboradores, sem ter de ficar guardando na memória as informações dos contextos e janelas que ficam escondidos."

Ou seja: o editor de texto fica o tempo todo maximizado e ocupando a tela (vertical) inteira, e ao mesmo tempo a tela do outro monitor deixa sempre visível o material de referência, o mensageiro, o media player, a documentação ou o que quer que seja que estiver servindo como apoio à tarefa que eu estiver fazendo no momento.

Recomendo! Mas não precisa ser o estiloso Lapfit da Samsung - até um monitor CRT que sobrou em um upgrade na sua família já ajuda, basta que a sua placa de vídeo suporte dois displays ;-)

Guardar dinheiro em casa?

Guardar dinheiro ou objetos de elevado valor monetário em casa ou no escritório dificilmente é a sua melhor opção - seja pelo fator segurança, ou pelo fator rentabilidade. Mas o número de pessoas que optam, seja por qualquer motivo (inclusive a desconfiança no sistema financeiro), por ter em seu ambiente mais próximo alguma soma em dinheiro, títulos, certificados, jóias e outros itens de grande liquidez - e frequentemente ao portador justifica tratar sobre como fazê-lo, com a ressalva de que pode ser uma alternativa contra-indicada, e que há até mesmo implicações fiscais.

Se você guarda valores em casa, certamente tem preocupação com a possibilidade de que alguém não-autorizado tenha acesso a eles, e os subtraia, em um roubo, furto, sequestro-relâmpago ou outra ação do gênero. Dependendo da situação, há o risco ainda pior: o de o furto ser praticado por alguém com acesso legítimo ao ambiente, como visitantes, prestadores de serviços diversos, ou mesmo empregados.

Existem muitas dicas sobre como guardar discretamente os valores em casa, apelando para esconderijos inusitados - até mesmo um artigo anterior aqui do Efetividade.net já tratou do tema, explicando como criar um "cofre secreto" dentro de uma lista telefônica velha ou de uma garrafa cheia de 2L de refrigerante.

Existem muitas soluções que possivelmente despistariam boa parte dos ladrões "de oportunidade", que entram na sua casa com o objetivo de encontrar os valores e rapidamente sair em segurança, levando os objetos de valor que puder carregar. A tomada falsa é um exemplo clássico (e conhecido...), desde que ela não seja obviamente diferente das demais tomadas da casa. O relógio de parede/armário secreto se baseia no mesmo princípio: não parece ser algo de valor, e (espera-se) não será analisado mais detidamente - da mesma forma que os termômetros, luminárias, caixas de fusíveis e até falsas pedras que bastante gente usa para esconder no jardim uma chave de emergência para a sua casa, por exemplo.

Trata-se de uma medida baseada no princípio da "segurança pela obscuridade", que tem um calcanhar de aquiles muito significativo: só funciona enquanto o ladrão não souber de sua existência. Depois que ele souber, já era: basta ele ir lá e colher o conteúdo do "cofre secreto". E às vezes as idéias que o dono do segredo acha criativas, como esconder a chave-reserva na caixa do popular "relógio de luz", são segredos conhecidos por muitos - mesmo que não leiam o Efetividade.net... ;-)

Entra em cena o ladrão aposentado - com uma alternativa insuficiente

Para a possibilidade do roubo ou furto, não tenho solução a oferecer a quem opta por guardar valores em casa: muito já se tentou, e nenhuma alternativa conveniente, barata e com aplicação genérica se popularizou - mesmo cofres pesados já foram levados de residências, e existem maneiras eficazes de motivar quem estiver em casa no momento da ação a revelar ou audar a procurar os esconderijos secretos existentes.

Mas este post do SavingAdvice traz uma visão interessante, que deve ser analisada em conjunto com as outras existentes - e já me levou a afrouxar os parafusos do cofre vazio que tenho guardado em casa.

O autor entrevistou um "ladrão aposentado", que apresentou o seu ponto de vista sobre o funcionamento destas medidas furtivas. Para ele, quando um ladrão (profissional ou pé-de-chinelo) entra objetivamente em uma casa para furtar, ele assume a premissa de que lá há algo de valor, e irá procurar até encontrar, até cansar, ou até que sua segurança justifique a retirada antecipada.

Se você conhece alguém que retornou de uma viagem para encontrar a casa toda revirada, mobília quebrada, paredes e portas danificadas, pode perguntar: às vezes valeria mais a pena ter deixado algum objeto de valor menor em um local "pretensamente" secreto, como as gavetas da cômoda, para que o ladrão eventual encontre o engodo, chegue à conclusão errada de que aquilo é o maior tesouro da casa, pare de procurar e se mande.

E é isso que o ladrão aposentado do post acima recomenda, e foi por isso (pensando nos ladrões que não sejam leitores do Efetividade.net) que eu coloquei alguns papéis e um peso dentro do meu cofre vazio, afrouxei seus parafusos e escondi melhor a chave, e avisei sobre a localização dela a toda a família - na expectativa de que o eventual ladrão que invada a casa vazia leve logo o cofre "pesado e solto" e pare de procurar outros valores - inexistentes - na casa.

É o mesmo princípio das pessoas que usam duas carteiras - e eu conheço várias delas. A idéia é ter uma que vai sempre num bolso de fácil acesso, só com os documentos essenciais, dinheiro trocado e outros itens que façam pouca falta e sejam facilmente canceláveis ou substituíveis, enquanto a outra fica armazenada em segurança e segredo, só sendo acessada em momentos de necessidade. Trata-se de mais um modelo de segurança por obscuridade associada a um engodo: na hora do assalto, se a carteira "light" for entregue, é possível que o ladrão não prossiga na busca. Por outro lado, uma vez que o assaltante saiba ou suspeite da existência da segunda carteira, a ferramenta torna-se inútil, no melhor dos casos, e um fator adicional de risco, no pior.

Em resumo, passamos a trabalhar com a idéia de mitigar um risco mais amplo do que o simples furto do total de recursos armazenados, e para isso separamos de antemão uma quantia "do ladrão", significativa o suficiente para que ele se convença de que está levando tudo o que poderia.

A alternativa ideal?

Possivelmente você chegou até esta altura do texto com a mesma sensação que encontrei ao escrevê-lo: alternativas de segurança baseadas na redução da expectativa de perda potencial, que envolvem "separar um valor para o ladrão" são patéticas, embora sejam cada vez mais populares.

Mas a questão da segurança pública no Brasil é complexa, assim como são complexos os nossos sistemas financeiro e tributário. Tudo considerado, para meu próprio uso eu acredito que, se tivesse valores a guardar, recorreria a um banco sólido que me oferecesse os serviços que me interessassem. Por mais que eu aplicasse princípios de segurança residencial e escolhesse bem onde morar, guardar valores em casa teria riscos adicionais que eu não tenho recursos suficientes para evitar, que o seguro residencial não cobre, e nem me sinto seguro o suficiente ao apenas reduzi-los.

Não posso lhe oferecer uma solução genérica para este problema tão difícil, nem conheço o seu caso, portanto não posso lhe afirmar que a minha solução é a melhor para você. De qualquer forma, se você guarda valores em casa, espero que a opinião do "ladrão aposentado" mencionado acima leve à reflexão sobre o conjunto dos riscos associados, que não se restringem aos associados ao furto do valor em si - e para alguns dos riscos adicionais, especialmente em caso de assalto, invasão da residência ou sequestro-relâmpago, as alternativas acima nem mesmo oferecem grande conforto adicional...

Portanto, não apenas reflita sobre uma nova solução, mas também para os potenciais problemas da sua solução atual, se você for uma daquelas pessoas que guarda valores em casa, apesar de tudo.

Em busca da caixa de ferramentas ideal

Quando escrevi sobre as 10 ferramentas essenciais para se ter em casa, revelei que tenho um fraco por lojas de ferramentas e ferragens. Embora eu não chegue perto do nível daquela compradora compulsiva que foi encontrada morta em casa, soterrada sob uma pilha de compras, dificilmente consigo sair de uma loja dessas sem comprar algo - e acabo com várias ferramentas em duplicata, em consequência.

Mas um item que estava fazendo falta na minha coleção, e talvez faça falta na de muitos outros interessados no tema, era uma boa caixa de ferramentas. Eu até tenho uma prateleira para guardar esse tipo de coisa, mas a prática dos consertos domésticos demonstra que raramente precisamos de apenas uma ferramenta de cada vez - o ideal é ter um kit móvel com todas as ferramentas essenciais.


Baú nosso de cada dia...

Mas não é tão fácil achar. Os modelos disponíveis nos hipermercados e lojas de ferramentas mais comuns por aqui são variações sobre um mesmo tema de "baú com duas tampas": caixas com alguns compartimentos na tampa, uma bandeja (rasa demais) com alça e subdivisões que serve como tampa interna, e um grande vão livre no seu interior, onde tudo fica solto e amontoado, ou exige muito esforço para ser mantido no lugar. E nem são tão baratas assim...

Visitando o site de alguma loja especializada em ferramentaria, logo se percebe que há grande variedade de itens com qualidade diferenciada (e preços variados...), mas esse não é o tipo de coisa que eu queira comprar on-line, razão pela qual eu acabei esperando chegar a oportunidade de encontrar algo do meu agrado no comércio local - e valeu a pena.


Se eu morasse em uma oficina...

Se eu morasse em uma oficina, provavelmente acabaria escolhendo um carrinho de ferramentas, modelo pequeno, com prateleiras internas, rodas grandes, portas, caixa de ferramentas acoplada e espaço para ir largando as peças durante o serviço, já que raramente temos o luxo de trabalhar em uma bancada. Sonhar não custa nada, como se diz.


Um pouco menos irreal

Uma alternativa um pouco menos irreal, mas ainda fora do viável para o tamanho do apartamento, é um carrinho com rodas como o da foto acima. Adota o mesmo modelo "baú com duas tampas" das caixinhas comuns, mas é grande, e tanto a tampa interna quanto os compartimentos da tampa externa têm espaço suficiente para ferramentas de verdade (comporta 15kg, e tem 65cm de comprimento). Mas para quem quer guardar as ferramentas essenciais no escritório, não serve tão bem...


Bond, James Bond - mas pode chamar de Maleta Vonder

Mas as andanças pelas lojas de ferragem me fizeram encontrar uma solução realista: uma maleta 007 com estrutura metálica reforçada, superfície externa rígida, divisões internas ajustáveis, e um porta-ferramentas que ocupa toda a área da tampa. Para completar, tem chave e uma correia (removível) para levar a tiracolo.


Minha vistosa maleta amarelo-carteiro

Encontrei a minha, em um vistoso amarelo-carteiro que eu vou encontrar mesmo quando faltar luz (também tinha em cor "prata", mais comum, e uma de outra marca ainda menos conhecida, com superfície externa preta e estrutura em "prata"), por cerca de R$ 140,00 aqui em Floripa, em uma loja de ferragens do centro da cidade. A documentação oficial da Vonder diz que esta maleta (MF 931) é revestida internamente em EVA, suas fivelas, travas e dobradiças são em aço cromado, e que o porta-ferramentas da tampa é removível. Existe também uma similar (MF 180) que é bastante parecida, mas conta com alça telescópica, rodinhas para transporte e fechaduras com segredo, no estilo maleta de aeroporto. Em um formato ou no outro, a organização interna é similar à deste modelo da Loja do Mecânico.


Uma alternativa à altura

Claro que a minha maleta não é a única alternativa que eu posso recomendar. O modelo da foto acima, da Tramontina, mantém o formato típico de uma caixa de ferramentas comum, mas foge do esquema "baú" - o espaço interno é dividido em gavetas. Ela é feita para uso em ambiente industrial, com resistência bem maior que os modelos domésticos - mas o preço reflete isso: encontrei por R$ 350,00.

De uma forma ou de outra, o que importa é ter um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar. Quem tem menos ferramentas pode se arranjar muito bem com um plástico no estilo tupperware para guardá-las, ou mesmo uma sacola ou caixinha de papelão no fundo da gaveta. Para mim, mas veleu um gosto do que dois vinténs, como dizia meu avô - e já faz 2 meses que as ferramentas andam pela casa com muito mais gosto.

Você odeia reuniões?

Reuniões indesejadas, assim como as apresentações em slides com textos grandes e gente que atende o celular em momentos impróprios, são males inevitáveis do mundo moderno.

Já tratei do tema muitas vezes aqui no Efetividade (veja a coleção de links para os artigos), mas ele sempre volta à baila, e na semana corrente foi bastante discutido entre meus colegas de trabalho - o que já seria razão mais do que suficiente para eu tratar do assunto brevemente por aqui.

Mas há outro motivo: o Freakonomics (blog de um dos meus livros preferidos da década) publicou um post sobre reuniões (tratando inclusive do ódio contra as reuniões) que merece ser lido e debatido.

Se você manda bem no inglês, corra pra ler o post deles, e também o post do Paul Graham que deu origem ao tema por lá.

Ou, para quem preferir, segue meu resumo adaptado:

Reuniões, gestores e técnicos

Uma razão pela qual os técnicos em geral (e as pessoas cujo trabalho envolve produzir ou criar coisas, em particular) odeiam tanto as reuniões é que os cronogramas deles são diferentes dos das demais pessoas - e por isso as reuniões custam bem mais a eles.

O cronograma dos gestores absorve muito melhor as reuniões, porque a atividade deles é baseada na tomada de decisões. As comunicações diretas e reuniões são ferramentas essenciais para eles, e a agenda deles, dividida na prática em pequenos blocos (às vezes realmente com a duração de uma hora, como vemos nas agendas de papel) comporta muito melhor este tipo de compromisso, e permite mudar de atividade muitas vezes ao longo do dia. Marcar uma reunião ou uma discussão acaba sendo algo muito mais próximo da simplicidade teórica de arrumar um horário, um local e ir lá.

Geralmente (mas nem sempre), os detentores do poder em uma organização trabalham neste tipo de cronograma, e naturalmente esperam (até por não perceber a existência de diferença) que toda a equipe se adeque.


Um stand-up meeting, previsto em metodologias ágeis de projetos

Mas os técnicos (em sentido amplo: escritores, programadores, pesquisadores...) funcionam de outro jeito: a atividade essencial deles demora para engrenar, e quando engrena, precisa de continuidade. A "agenda natural" deles é dividida em blocos maiores, de 3 ou 4 horas, devido a essa latência inicial (o período que demora até a atividade técnica ou criativa engrenar), e ao ganho de produtividade que vem em seguida.

É difícil escrever ou programar bem em períodos de 1h de cada vez. Pessoalmente, para escrever, eu me dou muito melhor com períodos mais longos, demorando uns 45 minutos até alcançar a velocidade de cruzeiro, e às vezes escrevendo vários artigos por vez, para aproveitar o nível de produtividade alcançado. Ter de interromper isso devido a uma reunião ou contato é um fato da vida, mas realmente é bastante custoso para a produtividade e motivação - ainda mais quando a necessidade da reunião não é aceita ou percebida.

Minha atividade diária me coloca em uma agenda de gestor, e aí realmente é natural parar tudo para participar ou coordenar uma reunião, ou para receber algum contato. Neste contexto, não é nada custoso, pois eu já estava no modo de cronograma adequado.

Mas quando entro em alguma atividade que me coloca no modo de cronograma de técnico, aí as interrupções realmente começam a custar caro, e às vezes a presença de uma reunião em um período chega a inviabilizar o bom uso das demais horas daquele período para as atividades que eu inicialmente havia planejado.

E na prática?

Claro que isso não é uma tradução fiel do artigo original, cuja leitura eu recomendo - minha versão tem interpretações e opiniões bastante pessoais. Mas é algo que eu vivo no meu dia-a-dia profissional (inclusive porque vario entre os 2 modos de cronograma), e nunca havia percebido assim, de forma tão objetiva.

Entender a natureza dos desafios da nossa administração do tempo ajuda a resolvê-los de maneira mais efetiva, e não tenho dúvida de que a compreensão destes fatores pode ajudar, no mínimo, a escolher melhor os métodos (como o stand-up meeting, da foto lá de cima), datas e horários das reuniões das equipes técnicas, para evitar o desperdício desnecessário do seu potencial. E não vejo limite máximo para as melhorias de produtividade e resultados que o uso otimizado das reuniões pode trazer. Afinal, ele traz vantagens pelos 2 lados: o melhor aproveitamento do potencial da equipe, e as vantagens que a comunicação efetiva (nterna, com parceiros, fornecedores, clientes, etc.) trazem por natureza.

E já que estamos tratando do assunto, leia também "Reunião mais produtiva: como preparar, executar e encerrar com efetividade" e "Ganhe produtividade sabendo lidar com as interrupções no trabalho" - depois compartilhe conosco suas impressões!

Central de entretenimento: Uma vida nova - e multimídia - para seu teclado portátil de celular

Faz bastante tempo que eu tenho um teclado Bluetooth portátil para usar com celulares, PDAs e smartphones (e até já escrevi sobre isso, quando tinha um modelo anterior).

A utilidade natural dele é algo que valorizo bastante: permitir escrever com maior conforto e praticidade quando estou distante de computadores mas não posso deixar o relatório ou post para depois.


O teclado do E71 tornou semi-obsoleto - por algum tempo - o meu teclado portátil Bluetooth

Mas desde que adotei como celular um Nokia E71, graças ao seu diminuto mas bem executado teclado QWERTY, a questão da praticidade ao escrever tornou-se menos complexa, e a necessidade de recorrer ao teclado externo foi ficando mais esporádica (só no caso de textos realmente longos), a ponto de ele praticamente ter passado a residir na gaveta de gadgets, e não mais na mochila.


O teclado bluetooth acabou ficando alguns meses na gaveta de gadgets...

O meu teclado portátil é um Nokia SU-8W, mostrado (aberto) na foto acima. Fechado ele fica pouco maior que a minha carteira, e assim podia ser transportado sem problemas no bolso da mochila. Mas depois de um bom tempo sem ter de usá-lo, a aposentadoria foi natural - e acredito que este seja o caso dos teclados de bastante gente que já era heavy user de tecnologias móveis antes da popularização da geração atual de smartphones com soluções mais engenhosas para entrada de texto.

Entra em cena a central de entretenimento

Já faz algum tempo que instalei junto à TV de casa um computador (no meu caso, um Mac Mini - mas também poderia ser um notebook velho) após reconhecer quanto tempo eu gastava convertendo os mais variados conteúdos para assistir no conforto da tela grande - com o computador ligado lá, assisto a estes materiais diretamente em seu formato original, e ainda tenho a oportunidade de fazer uso de diversos outros recursos de entretenimento em que os micros saem na frente do aparelho de DVD (também já toquei no assunto anteriormente).


O menu principal do meu Media Center

Mas um ponto fraco desta instalação era a questão do teclado. Para o uso ocasional, o teclado virtual do Mac OS X até resolvia bem, mas quando chegava a hora de digitar de verdade, eu tinha que recorrer a um teclado USB que realmente não era bem-vindo naquele ambiente. Grande demais para manter lá, atraindo poeira, com cabos e conectores adicionais - tudo o que não precisamos na sala aqui de casa. E ficar buscando e guardando a cada vez era uma solução bem menos do que ótima.

Um casamento perfeito

A idéia de testar o teclado da Nokia junto ao computador da sala ocorreu em uma dessas viagens ao armário do escritório para pegar o teclado. Periféricos Bluetooth costumam seguir um padrão básico que permite boa interoperabilidade entre dispositivos de origens diferentes, então antes mesmo de pesquisar (e confirmar) no Google eu já imaginava que as chances estavam a meu favor, pois sabia que o Mac Mini tinha suporte a Bluetooth.

Mais tarde tive oportunidade de testar o mesmo recurso em um PC comum (o Zumo também fez o mesmo, e detalhou mais), usando um adaptador Bluetooth como o da imagem acima, comprado na loja da esquina, portanto posso confirmar que a mesma dica serve em ambas as plataformas (e provavelmente também em videogames como o Playstation 3 e seus concorrentes).

O procedimento não tem nada de complicado, ainda mais se você já tiver passado pela experiência anterior de configurar um teclado Bluetooth em qualquer plataforma: usa-se o recurso do sistema operacional para procurar por dispositivos Bluetooth nas proximidades, ele encontra o teclado e pede que digitemos uma determinada série de números nele, para confirmar a conexão. A partir daí é só alegria.

Google, Youtube e Wikipedia na televisão da sala

Como o tecladinho é alimentado por duas pilhas palito, cabe em qualquer canto e não acumula poeira (porque pode ser fechado), foi fácil encontrar um bom lugar para deixá-lo no nicho em que ficam os controles remotos e o controle do videogame, e aí na hora de usar é só esticar o braço.

Com isso, na hora em que surge a necessidade de recorrer ao Google ou à Wikipedia para solucionar algum debate ou confirmar alguma aposta, é só dar pausa no show que estiver tocando, e enquanto o navegador abre, o teclado entra no ar e pode ser usado para digitar com conforto suficiente.

Se eu recomendo que eu compre um teclado deste tipo para esta finalidade? Não, a idéia é que quem já tem um periférico assim possa dar um novo uso a ele. Se você está planejando uma central de entretenimento para a sua casa, existe grande variedade de teclados (tamanho normal ou não - e alguns projetados especificamente para isso) sem fio que você pode avaliar e escolher.


O valente Mac Mini

Mas se um modelo portátil fizer sentido para você, avalie os teclados Bluetooth para celular - muitos deles são até mesmo certificados para PC e Mac, confira na caixinha e ganhe funcionalidade extra sem cabos e espaço adicional.


O tecladinho RF com trackball da DealExtreme

E se você estiver mesmo pensando em comprar algo, e quiser procurar alternativas incomuns, procure em seu fornecedor favorito um destes tecladinhos Bluetooth feitos especificamente para uso com PCs (com um conjunto de teclas físicas mais completo), ou mesmo um mini-teclado com trackball embutida, para substituir também o mouse - mas este não é bluetooth, e sim RF. Mas faça isso inteiramente por sua conta e risco, e depois conte pra gente os resultados ;-)

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