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Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Guardar dinheiro em casa?

Guardar dinheiro ou objetos de elevado valor monetário em casa ou no escritório dificilmente é a sua melhor opção - seja pelo fator segurança, ou pelo fator rentabilidade. Mas o número de pessoas que optam, seja por qualquer motivo (inclusive a desconfiança no sistema financeiro), por ter em seu ambiente mais próximo alguma soma em dinheiro, títulos, certificados, jóias e outros itens de grande liquidez - e frequentemente ao portador justifica tratar sobre como fazê-lo, com a ressalva de que pode ser uma alternativa contra-indicada, e que há até mesmo implicações fiscais.

Se você guarda valores em casa, certamente tem preocupação com a possibilidade de que alguém não-autorizado tenha acesso a eles, e os subtraia, em um roubo, furto, sequestro-relâmpago ou outra ação do gênero. Dependendo da situação, há o risco ainda pior: o de o furto ser praticado por alguém com acesso legítimo ao ambiente, como visitantes, prestadores de serviços diversos, ou mesmo empregados.

Existem muitas dicas sobre como guardar discretamente os valores em casa, apelando para esconderijos inusitados - até mesmo um artigo anterior aqui do Efetividade.net já tratou do tema, explicando como criar um "cofre secreto" dentro de uma lista telefônica velha ou de uma garrafa cheia de 2L de refrigerante.

Existem muitas soluções que possivelmente despistariam boa parte dos ladrões "de oportunidade", que entram na sua casa com o objetivo de encontrar os valores e rapidamente sair em segurança, levando os objetos de valor que puder carregar. A tomada falsa é um exemplo clássico (e conhecido...), desde que ela não seja obviamente diferente das demais tomadas da casa. O relógio de parede/armário secreto se baseia no mesmo princípio: não parece ser algo de valor, e (espera-se) não será analisado mais detidamente - da mesma forma que os termômetros, luminárias, caixas de fusíveis e até falsas pedras que bastante gente usa para esconder no jardim uma chave de emergência para a sua casa, por exemplo.

Trata-se de uma medida baseada no princípio da "segurança pela obscuridade", que tem um calcanhar de aquiles muito significativo: só funciona enquanto o ladrão não souber de sua existência. Depois que ele souber, já era: basta ele ir lá e colher o conteúdo do "cofre secreto". E às vezes as idéias que o dono do segredo acha criativas, como esconder a chave-reserva na caixa do popular "relógio de luz", são segredos conhecidos por muitos - mesmo que não leiam o Efetividade.net... ;-)

Entra em cena o ladrão aposentado - com uma alternativa insuficiente

Para a possibilidade do roubo ou furto, não tenho solução a oferecer a quem opta por guardar valores em casa: muito já se tentou, e nenhuma alternativa conveniente, barata e com aplicação genérica se popularizou - mesmo cofres pesados já foram levados de residências, e existem maneiras eficazes de motivar quem estiver em casa no momento da ação a revelar ou audar a procurar os esconderijos secretos existentes.

Mas este post do SavingAdvice traz uma visão interessante, que deve ser analisada em conjunto com as outras existentes - e já me levou a afrouxar os parafusos do cofre vazio que tenho guardado em casa.

O autor entrevistou um "ladrão aposentado", que apresentou o seu ponto de vista sobre o funcionamento destas medidas furtivas. Para ele, quando um ladrão (profissional ou pé-de-chinelo) entra objetivamente em uma casa para furtar, ele assume a premissa de que lá há algo de valor, e irá procurar até encontrar, até cansar, ou até que sua segurança justifique a retirada antecipada.

Se você conhece alguém que retornou de uma viagem para encontrar a casa toda revirada, mobília quebrada, paredes e portas danificadas, pode perguntar: às vezes valeria mais a pena ter deixado algum objeto de valor menor em um local "pretensamente" secreto, como as gavetas da cômoda, para que o ladrão eventual encontre o engodo, chegue à conclusão errada de que aquilo é o maior tesouro da casa, pare de procurar e se mande.

E é isso que o ladrão aposentado do post acima recomenda, e foi por isso (pensando nos ladrões que não sejam leitores do Efetividade.net) que eu coloquei alguns papéis e um peso dentro do meu cofre vazio, afrouxei seus parafusos e escondi melhor a chave, e avisei sobre a localização dela a toda a família - na expectativa de que o eventual ladrão que invada a casa vazia leve logo o cofre "pesado e solto" e pare de procurar outros valores - inexistentes - na casa.

É o mesmo princípio das pessoas que usam duas carteiras - e eu conheço várias delas. A idéia é ter uma que vai sempre num bolso de fácil acesso, só com os documentos essenciais, dinheiro trocado e outros itens que façam pouca falta e sejam facilmente canceláveis ou substituíveis, enquanto a outra fica armazenada em segurança e segredo, só sendo acessada em momentos de necessidade. Trata-se de mais um modelo de segurança por obscuridade associada a um engodo: na hora do assalto, se a carteira "light" for entregue, é possível que o ladrão não prossiga na busca. Por outro lado, uma vez que o assaltante saiba ou suspeite da existência da segunda carteira, a ferramenta torna-se inútil, no melhor dos casos, e um fator adicional de risco, no pior.

Em resumo, passamos a trabalhar com a idéia de mitigar um risco mais amplo do que o simples furto do total de recursos armazenados, e para isso separamos de antemão uma quantia "do ladrão", significativa o suficiente para que ele se convença de que está levando tudo o que poderia.

A alternativa ideal?

Possivelmente você chegou até esta altura do texto com a mesma sensação que encontrei ao escrevê-lo: alternativas de segurança baseadas na redução da expectativa de perda potencial, que envolvem "separar um valor para o ladrão" são patéticas, embora sejam cada vez mais populares.

Mas a questão da segurança pública no Brasil é complexa, assim como são complexos os nossos sistemas financeiro e tributário. Tudo considerado, para meu próprio uso eu acredito que, se tivesse valores a guardar, recorreria a um banco sólido que me oferecesse os serviços que me interessassem. Por mais que eu aplicasse princípios de segurança residencial e escolhesse bem onde morar, guardar valores em casa teria riscos adicionais que eu não tenho recursos suficientes para evitar, que o seguro residencial não cobre, e nem me sinto seguro o suficiente ao apenas reduzi-los.

Não posso lhe oferecer uma solução genérica para este problema tão difícil, nem conheço o seu caso, portanto não posso lhe afirmar que a minha solução é a melhor para você. De qualquer forma, se você guarda valores em casa, espero que a opinião do "ladrão aposentado" mencionado acima leve à reflexão sobre o conjunto dos riscos associados, que não se restringem aos associados ao furto do valor em si - e para alguns dos riscos adicionais, especialmente em caso de assalto, invasão da residência ou sequestro-relâmpago, as alternativas acima nem mesmo oferecem grande conforto adicional...

Portanto, não apenas reflita sobre uma nova solução, mas também para os potenciais problemas da sua solução atual, se você for uma daquelas pessoas que guarda valores em casa, apesar de tudo.

Em busca da caixa de ferramentas ideal

Quando escrevi sobre as 10 ferramentas essenciais para se ter em casa, revelei que tenho um fraco por lojas de ferramentas e ferragens. Embora eu não chegue perto do nível daquela compradora compulsiva que foi encontrada morta em casa, soterrada sob uma pilha de compras, dificilmente consigo sair de uma loja dessas sem comprar algo - e acabo com várias ferramentas em duplicata, em consequência.

Mas um item que estava fazendo falta na minha coleção, e talvez faça falta na de muitos outros interessados no tema, era uma boa caixa de ferramentas. Eu até tenho uma prateleira para guardar esse tipo de coisa, mas a prática dos consertos domésticos demonstra que raramente precisamos de apenas uma ferramenta de cada vez - o ideal é ter um kit móvel com todas as ferramentas essenciais.


Baú nosso de cada dia...

Mas não é tão fácil achar. Os modelos disponíveis nos hipermercados e lojas de ferramentas mais comuns por aqui são variações sobre um mesmo tema de "baú com duas tampas": caixas com alguns compartimentos na tampa, uma bandeja (rasa demais) com alça e subdivisões que serve como tampa interna, e um grande vão livre no seu interior, onde tudo fica solto e amontoado, ou exige muito esforço para ser mantido no lugar. E nem são tão baratas assim...

Visitando o site de alguma loja especializada em ferramentaria, logo se percebe que há grande variedade de itens com qualidade diferenciada (e preços variados...), mas esse não é o tipo de coisa que eu queira comprar on-line, razão pela qual eu acabei esperando chegar a oportunidade de encontrar algo do meu agrado no comércio local - e valeu a pena.


Se eu morasse em uma oficina...

Se eu morasse em uma oficina, provavelmente acabaria escolhendo um carrinho de ferramentas, modelo pequeno, com prateleiras internas, rodas grandes, portas, caixa de ferramentas acoplada e espaço para ir largando as peças durante o serviço, já que raramente temos o luxo de trabalhar em uma bancada. Sonhar não custa nada, como se diz.


Um pouco menos irreal

Uma alternativa um pouco menos irreal, mas ainda fora do viável para o tamanho do apartamento, é um carrinho com rodas como o da foto acima. Adota o mesmo modelo "baú com duas tampas" das caixinhas comuns, mas é grande, e tanto a tampa interna quanto os compartimentos da tampa externa têm espaço suficiente para ferramentas de verdade (comporta 15kg, e tem 65cm de comprimento). Mas para quem quer guardar as ferramentas essenciais no escritório, não serve tão bem...


Bond, James Bond - mas pode chamar de Maleta Vonder

Mas as andanças pelas lojas de ferragem me fizeram encontrar uma solução realista: uma maleta 007 com estrutura metálica reforçada, superfície externa rígida, divisões internas ajustáveis, e um porta-ferramentas que ocupa toda a área da tampa. Para completar, tem chave e uma correia (removível) para levar a tiracolo.


Minha vistosa maleta amarelo-carteiro

Encontrei a minha, em um vistoso amarelo-carteiro que eu vou encontrar mesmo quando faltar luz (também tinha em cor "prata", mais comum, e uma de outra marca ainda menos conhecida, com superfície externa preta e estrutura em "prata"), por cerca de R$ 140,00 aqui em Floripa, em uma loja de ferragens do centro da cidade. A documentação oficial da Vonder diz que esta maleta (MF 931) é revestida internamente em EVA, suas fivelas, travas e dobradiças são em aço cromado, e que o porta-ferramentas da tampa é removível. Existe também uma similar (MF 180) que é bastante parecida, mas conta com alça telescópica, rodinhas para transporte e fechaduras com segredo, no estilo maleta de aeroporto. Em um formato ou no outro, a organização interna é similar à deste modelo da Loja do Mecânico.


Uma alternativa à altura

Claro que a minha maleta não é a única alternativa que eu posso recomendar. O modelo da foto acima, da Tramontina, mantém o formato típico de uma caixa de ferramentas comum, mas foge do esquema "baú" - o espaço interno é dividido em gavetas. Ela é feita para uso em ambiente industrial, com resistência bem maior que os modelos domésticos - mas o preço reflete isso: encontrei por R$ 350,00.

De uma forma ou de outra, o que importa é ter um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar. Quem tem menos ferramentas pode se arranjar muito bem com um plástico no estilo tupperware para guardá-las, ou mesmo uma sacola ou caixinha de papelão no fundo da gaveta. Para mim, mas veleu um gosto do que dois vinténs, como dizia meu avô - e já faz 2 meses que as ferramentas andam pela casa com muito mais gosto.

Você odeia reuniões?

Reuniões indesejadas, assim como as apresentações em slides com textos grandes e gente que atende o celular em momentos impróprios, são males inevitáveis do mundo moderno.

Já tratei do tema muitas vezes aqui no Efetividade (veja a coleção de links para os artigos), mas ele sempre volta à baila, e na semana corrente foi bastante discutido entre meus colegas de trabalho - o que já seria razão mais do que suficiente para eu tratar do assunto brevemente por aqui.

Mas há outro motivo: o Freakonomics (blog de um dos meus livros preferidos da década) publicou um post sobre reuniões (tratando inclusive do ódio contra as reuniões) que merece ser lido e debatido.

Se você manda bem no inglês, corra pra ler o post deles, e também o post do Paul Graham que deu origem ao tema por lá.

Ou, para quem preferir, segue meu resumo adaptado:

Reuniões, gestores e técnicos

Uma razão pela qual os técnicos em geral (e as pessoas cujo trabalho envolve produzir ou criar coisas, em particular) odeiam tanto as reuniões é que os cronogramas deles são diferentes dos das demais pessoas - e por isso as reuniões custam bem mais a eles.

O cronograma dos gestores absorve muito melhor as reuniões, porque a atividade deles é baseada na tomada de decisões. As comunicações diretas e reuniões são ferramentas essenciais para eles, e a agenda deles, dividida na prática em pequenos blocos (às vezes realmente com a duração de uma hora, como vemos nas agendas de papel) comporta muito melhor este tipo de compromisso, e permite mudar de atividade muitas vezes ao longo do dia. Marcar uma reunião ou uma discussão acaba sendo algo muito mais próximo da simplicidade teórica de arrumar um horário, um local e ir lá.

Geralmente (mas nem sempre), os detentores do poder em uma organização trabalham neste tipo de cronograma, e naturalmente esperam (até por não perceber a existência de diferença) que toda a equipe se adeque.


Um stand-up meeting, previsto em metodologias ágeis de projetos

Mas os técnicos (em sentido amplo: escritores, programadores, pesquisadores...) funcionam de outro jeito: a atividade essencial deles demora para engrenar, e quando engrena, precisa de continuidade. A "agenda natural" deles é dividida em blocos maiores, de 3 ou 4 horas, devido a essa latência inicial (o período que demora até a atividade técnica ou criativa engrenar), e ao ganho de produtividade que vem em seguida.

É difícil escrever ou programar bem em períodos de 1h de cada vez. Pessoalmente, para escrever, eu me dou muito melhor com períodos mais longos, demorando uns 45 minutos até alcançar a velocidade de cruzeiro, e às vezes escrevendo vários artigos por vez, para aproveitar o nível de produtividade alcançado. Ter de interromper isso devido a uma reunião ou contato é um fato da vida, mas realmente é bastante custoso para a produtividade e motivação - ainda mais quando a necessidade da reunião não é aceita ou percebida.

Minha atividade diária me coloca em uma agenda de gestor, e aí realmente é natural parar tudo para participar ou coordenar uma reunião, ou para receber algum contato. Neste contexto, não é nada custoso, pois eu já estava no modo de cronograma adequado.

Mas quando entro em alguma atividade que me coloca no modo de cronograma de técnico, aí as interrupções realmente começam a custar caro, e às vezes a presença de uma reunião em um período chega a inviabilizar o bom uso das demais horas daquele período para as atividades que eu inicialmente havia planejado.

E na prática?

Claro que isso não é uma tradução fiel do artigo original, cuja leitura eu recomendo - minha versão tem interpretações e opiniões bastante pessoais. Mas é algo que eu vivo no meu dia-a-dia profissional (inclusive porque vario entre os 2 modos de cronograma), e nunca havia percebido assim, de forma tão objetiva.

Entender a natureza dos desafios da nossa administração do tempo ajuda a resolvê-los de maneira mais efetiva, e não tenho dúvida de que a compreensão destes fatores pode ajudar, no mínimo, a escolher melhor os métodos (como o stand-up meeting, da foto lá de cima), datas e horários das reuniões das equipes técnicas, para evitar o desperdício desnecessário do seu potencial. E não vejo limite máximo para as melhorias de produtividade e resultados que o uso otimizado das reuniões pode trazer. Afinal, ele traz vantagens pelos 2 lados: o melhor aproveitamento do potencial da equipe, e as vantagens que a comunicação efetiva (nterna, com parceiros, fornecedores, clientes, etc.) trazem por natureza.

E já que estamos tratando do assunto, leia também "Reunião mais produtiva: como preparar, executar e encerrar com efetividade" e "Ganhe produtividade sabendo lidar com as interrupções no trabalho" - depois compartilhe conosco suas impressões!

Central de entretenimento: Uma vida nova - e multimídia - para seu teclado portátil de celular

Faz bastante tempo que eu tenho um teclado Bluetooth portátil para usar com celulares, PDAs e smartphones (e até já escrevi sobre isso, quando tinha um modelo anterior).

A utilidade natural dele é algo que valorizo bastante: permitir escrever com maior conforto e praticidade quando estou distante de computadores mas não posso deixar o relatório ou post para depois.


O teclado do E71 tornou semi-obsoleto - por algum tempo - o meu teclado portátil Bluetooth

Mas desde que adotei como celular um Nokia E71, graças ao seu diminuto mas bem executado teclado QWERTY, a questão da praticidade ao escrever tornou-se menos complexa, e a necessidade de recorrer ao teclado externo foi ficando mais esporádica (só no caso de textos realmente longos), a ponto de ele praticamente ter passado a residir na gaveta de gadgets, e não mais na mochila.


O teclado bluetooth acabou ficando alguns meses na gaveta de gadgets...

O meu teclado portátil é um Nokia SU-8W, mostrado (aberto) na foto acima. Fechado ele fica pouco maior que a minha carteira, e assim podia ser transportado sem problemas no bolso da mochila. Mas depois de um bom tempo sem ter de usá-lo, a aposentadoria foi natural - e acredito que este seja o caso dos teclados de bastante gente que já era heavy user de tecnologias móveis antes da popularização da geração atual de smartphones com soluções mais engenhosas para entrada de texto.

Entra em cena a central de entretenimento

Já faz algum tempo que instalei junto à TV de casa um computador (no meu caso, um Mac Mini - mas também poderia ser um notebook velho) após reconhecer quanto tempo eu gastava convertendo os mais variados conteúdos para assistir no conforto da tela grande - com o computador ligado lá, assisto a estes materiais diretamente em seu formato original, e ainda tenho a oportunidade de fazer uso de diversos outros recursos de entretenimento em que os micros saem na frente do aparelho de DVD (também já toquei no assunto anteriormente).


O menu principal do meu Media Center

Mas um ponto fraco desta instalação era a questão do teclado. Para o uso ocasional, o teclado virtual do Mac OS X até resolvia bem, mas quando chegava a hora de digitar de verdade, eu tinha que recorrer a um teclado USB que realmente não era bem-vindo naquele ambiente. Grande demais para manter lá, atraindo poeira, com cabos e conectores adicionais - tudo o que não precisamos na sala aqui de casa. E ficar buscando e guardando a cada vez era uma solução bem menos do que ótima.

Um casamento perfeito

A idéia de testar o teclado da Nokia junto ao computador da sala ocorreu em uma dessas viagens ao armário do escritório para pegar o teclado. Periféricos Bluetooth costumam seguir um padrão básico que permite boa interoperabilidade entre dispositivos de origens diferentes, então antes mesmo de pesquisar (e confirmar) no Google eu já imaginava que as chances estavam a meu favor, pois sabia que o Mac Mini tinha suporte a Bluetooth.

Mais tarde tive oportunidade de testar o mesmo recurso em um PC comum (o Zumo também fez o mesmo, e detalhou mais), usando um adaptador Bluetooth como o da imagem acima, comprado na loja da esquina, portanto posso confirmar que a mesma dica serve em ambas as plataformas (e provavelmente também em videogames como o Playstation 3 e seus concorrentes).

O procedimento não tem nada de complicado, ainda mais se você já tiver passado pela experiência anterior de configurar um teclado Bluetooth em qualquer plataforma: usa-se o recurso do sistema operacional para procurar por dispositivos Bluetooth nas proximidades, ele encontra o teclado e pede que digitemos uma determinada série de números nele, para confirmar a conexão. A partir daí é só alegria.

Google, Youtube e Wikipedia na televisão da sala

Como o tecladinho é alimentado por duas pilhas palito, cabe em qualquer canto e não acumula poeira (porque pode ser fechado), foi fácil encontrar um bom lugar para deixá-lo no nicho em que ficam os controles remotos e o controle do videogame, e aí na hora de usar é só esticar o braço.

Com isso, na hora em que surge a necessidade de recorrer ao Google ou à Wikipedia para solucionar algum debate ou confirmar alguma aposta, é só dar pausa no show que estiver tocando, e enquanto o navegador abre, o teclado entra no ar e pode ser usado para digitar com conforto suficiente.

Se eu recomendo que eu compre um teclado deste tipo para esta finalidade? Não, a idéia é que quem já tem um periférico assim possa dar um novo uso a ele. Se você está planejando uma central de entretenimento para a sua casa, existe grande variedade de teclados (tamanho normal ou não - e alguns projetados especificamente para isso) sem fio que você pode avaliar e escolher.


O valente Mac Mini

Mas se um modelo portátil fizer sentido para você, avalie os teclados Bluetooth para celular - muitos deles são até mesmo certificados para PC e Mac, confira na caixinha e ganhe funcionalidade extra sem cabos e espaço adicional.


O tecladinho RF com trackball da DealExtreme

E se você estiver mesmo pensando em comprar algo, e quiser procurar alternativas incomuns, procure em seu fornecedor favorito um destes tecladinhos Bluetooth feitos especificamente para uso com PCs (com um conjunto de teclas físicas mais completo), ou mesmo um mini-teclado com trackball embutida, para substituir também o mouse - mas este não é bluetooth, e sim RF. Mas faça isso inteiramente por sua conta e risco, e depois conte pra gente os resultados ;-)

Fazendo acontecer: O que podemos aprender com Adams Óbvio

Obvious Adams, traduzido no Brasil como Adams Óbvio, é um personagem de ficção que eu vim a conhecer ainda na adolescência, devido a uma jogada de marketing brilhante da Souza Cruz, que encartou a sua história (na forma de livreto) nas principais revistas brasileiras, para ajudar a promover o conceito do cigarro Free - em uma época em que as leis contra o tabagismo ainda eram bem menos severas do que hoje.

A campanha não me transformou em um fumante, mas a história de Adams Óbvio (juntamente com a "Mensagem a Garcia", que abordarei em outra ocasião) me deu diversas dicas que até hoje me inspiram na hora de realizar escolhas complicadas ou de procurar o fio da meada de problemas complexos.

(alerta de repost!) Escrevi e publiquei o artigo abaixo originalmente no final de 2006, mas trago-o de volta à capa hoje em homenagem à quantidade de soluções complicadas que tenho visto surgir para os problemas simples do dia-a-dia, e em atenção ao contingente de leitores que começou a seguir o Efetividade.net mais recentemente.


Capa de uma edição recente

Em meados de 2006 comprei uma reprodução da edição original do livro em inglês (datado de 1916), e acredito que os leitores do Efetividade.net gostarão de saber que existe uma tradução completa (e legalizada, acredito) do livro disponível para livre acesso na Internet. Não vou reproduzi-la aqui, mas compartilho meus comentários sobre o que podemos aprender com Adams Óbvio, e os links para onde o texto integral pode (ou podia) ser encontrado.

Quem é Adams Óbvio

"Adams Óbvio" é a biografia ficcional de Osborne Adams, que trabalhava para a Oswald Advertising Agency, em New York. O livro foi um sucesso instantâneo quando foi publicado - um fenômeno comparável ao de "Como fazer amigos e influenciar pessoas", nos anos 70, ou "A terceira onda" nos anos 80.

É um livro bastante curto, com estilo que trai seus mais de 90 anos de idade, que você pode ler tranquilamente em menos de 1 hora, e eu recomendo - mas muito mais pelo potencial de inspiração do que pela possibilidade de aprender alguma lição prática.

Consta que sucessivas edições se esgotaram durante anos a fio, inclusive porque executivos tinham a prática de presentear suas equipes com exemplares do livro, na esperança de inspirá-los a seguir o exemplo de Adams, por mais óbvia que a sua história seja ;-)

Todas as pequenas "parábolas" da história de Adams Óbvio acabam demonstrando a razão do seu sucesso: fazer o óbvio. Mas não aquele óbvio que salta aos olhos, que freqüentemente é a razão do insucesso de quem não analisa suficientemente suas questões - Adams sabia que o óbvio nem sempre é evidente, e ia até o cerne, não se deixando desviar dos fatos, nem cedendo à tentação de analisar apenas a parte mais interessante da amostra.

Olhar objetivamente os fatos, analisá-los, chegar a uma conclusão clara, e agir de acordo com ela, é a receita da maioria das vitórias. Ainda assim, muitas vezes estas vitórias nem chegam a ser reconhecidas como tal, devido ao sherlockiano efeito de considerar simples um problema complexo, uma vez que a solução seja apresentada.

Necessário, mas insuficiente

É claro que a atitude de Adams não é suficiente para levar ninguém ao sucesso, pois da direção dele não surgem as estratégias surpreendentes que acabam sendo o diferencial ou o ponto de vantagem em relação a outras empresas ou organizações que tenham a mesma competência. Mas os resultados do exemplo de Adams são um exemplo a ter em mente para quem atinge menos do que ele por duas razões básicas:

  1. Por não dedicarem atenção suficiente à análise, acabam fazendo menos do que o óbvio; ou
  2. Por desejarem se destacar mais do que desejam resolver o problema, deixam de fazer o óbvio.

Na minha opinião, toda equipe bem-sucedida deseja ter pelo menos um Adams Óbvio, e todo líder de sucesso deve saber quando seguir o exemplo de Adams, e quando fugir dele.

E não tenho dúvida de que todo mundo em busca de um avanço em sua carreira não pode deixar de ler e refletir sobre a história de como Adams obteve seu primeiro emprego em publicidade.

E quem lida com chefes ou equipes que têm dificuldades em remover a neblina que esconde o óbvio deve recomendar especialmente o trecho em que Adams descobre como aumentar a lucratividade da filial da loja de calçados.

Para ler a história completa, veja a tradução oficial disponibilizada on-line e gratuitamente por uma agência de marketing chamada... Óbvio.

Ao final do texto traduzido, há um anexo escrito pelo autor, anos depois da publicação, explicando 5 maneiras de testar o óbvio, e 5 caminhos criativos para reconhecê-lo. Eis os caminhos, mas para saber a explicação e os exemplos do autor você terá que ler lá ;-)

  1. Não se impressione como a coisa sempre tenha sido feita ou como outras pessoas gostariam de fazê-la.
  2. Imagine como seria divertido se tudo pudesse ser completamente invertido. (O fato de uma coisa ter sido feita ou construída de um certo jeito, por vários séculos, significa, possivelmente, que chegou a hora de questioná-la.)
  3. Será que você conta com a aprovação e com a participação do público no seu projeto?
  4. Quais oportunidades estão passando desapercebidas porque ninguém se importou de examiná-las?
  5. Quais são as necessidades específicas do caso?

Os exemplos são bastante ilustrativos, mas também são um testemunho da idade do livro: a invenção dos carros-leito em ferrovias, a caneta esferográfica, os supermercados (o conceito do "pegue e pague"), os queijos Kraft. Todas estas idéias parecem óbvias hoje, e não dão a idéia de serem uma grande aplicação de tecnologia. Mas elas certamente não eram óbvias antes de serem inventadas!

O resumo da ópera: fazer apenas o óbvio não é receita de sucesso, mas fazer menos do que isto, ou deixar de fazê-lo, é sempre um caminho arriscado.

Como entrar em forma para o verão: 8 dicas de motivação para sair do sofá

Entrar em forma para o verão é um desejo comum. Mesmo acreditando que muitos leitores compartilham comigo a característica de ser mais sedentário e menos atlético do que gostaria, entretanto, eu preciso começar com uma ressalva: deixar para entrar em forma só quando o verão se aproxima não é a forma mais saudável de lidar com a situação, não importando se a motivação é estar apto para as atividades físicas das férias ou uma preocupação adicional com a estética.

Mesmo assim, bastante gente começa a sentir o impulso do exercício quando o inverno começa a acabar e a primavera desponta. Se isso puder levar você a uma vida mais saudável, entretanto, não há razão para evitar, desde que de forma comedida e segura, ou seguindo a orientação de um profissional habilitado.

Como fazer, que atividade praticar, e com que intensidade e frequência, eu deixo para você escolher com a ajuda de quem estiver habilitado a falar sobre o assunto (uma dica é dar uma olhada nestes 3 estágios para entrar em forma). O que eu quero falar é sobre a motivação para começar e continuar com os exercícios, assunto relacionado mais de perto à temática aqui do Efetividade - para os demais detalhes.

Entrar em forma para o verão pode não ser TÃO saudável

Entrar em forma para o verão pode ser, em si, uma prática pouco efetiva, a não ser que você cuide da sua condição física durante todo o ano, e no verão busque apenas um brilho adicional.

Como diz o Nuno Cobra, em "Entrar em forma no verão: o erro mais comum":

O corpo não é uma máquina que se liga na tomada e já entra em 220, como a gente vê por aí todos os dias. Há que se ter a noção concreta da fragilidade desse corpo. Principalmente, para quem se descuidou durante anos e anos a fio. É necessário, portanto, desenvolver esse controle emocional e entender definitivamente que o trabalho saudável com o corpo, requer muita paciência e aceitação do baixo nível físico do momento. Tudo deve ser feito de forma absolutamente gradativa, com muito critério e bom senso.

Ou seja: avance aos poucos, atento aos seus limites e sem perder de vista os objetivos. E não pare depois que o verão chegar, e acabar ;-)

Como se manter motivado

Fazer a primeira sessão de exercícios já é custoso (acaba sempre ficando pra semana que vem, que nunca chega...), mas quando chega a acontecer, abre as portas de novos desafios: chegar à terceira sessão, à terceira semana, ao segundo mês, etc. As tentações que surgem no caminho da pista ou da academia são muitas, assim como os obstáculos, na forma de chuvas, frentes frias e de cobertores quentinhos que convidam a ficar mais 45 minutos na cama.

Motivação é algo que não vem de fora: ela está (ou não) dentro de nós. Mas ela pode ser estimulada, inclusive por nós mesmos - e a motivação para se exercitar, quando não vem dos objetivos em si (a forma física, a saúde, a preparação para alguma prova, etc.), é algo que precisa ser permanentemente renovado, porque as tentações e obstáculos mencionados acima também se renovam sem parar.

Na minha opinião, o primeiro passo é ter um plano razoável, exequível e alinhado aos seus objetivos, e estar disposto a segui-lo. No meu caso, o exercício praticado é o ciclismo (ou os passeios de bicicleta, para não dar a impressão de que eu sou mais atlético do que a realidade), e eu defino previamente o número de vezes que quero andar por semana, e a quilometragem mínima a alcançar. O plano deve ter o grau de flexibilidade adequado: no meu caso, por exemplo, chuvas (no inverno) e temperaturas abaixo de 10 graus cancelam o compromisso.

Mas ter o plano não motiva - é apenas um requisito. Para realmente manter a motivação do exercício regular, já encontrei na literatura muitas sugestões, e posso listar as que funcionam bem para mim. Vamos a elas!

As 8 dicas para manter a motivação dos exercícios

Equipamentos são recompensas! Comece com o básico que você já tem, investindo inicialmente apenas nas necessidades essenciais de segurança. Não saia comprando o melhor tênis e o melhor traje ao seu alcance na primeira semana, nem faça com que isso seja a condição para que os exercícios comecem: inverta o jogo e use isso para se motivar! Associe a busca dos equipamentos ao seu plano (veja a dica abaixo sobre metas), e vá adquirindo os equipamentos melhores ao seu alcance conforme for alcançando os resultados definidos. Para mim, no começo da minha retomada, pedalar alguns quilômetros a mais ficava mais fácil quando isso estava associado como condição para comprar um fone de ouvido melhor ou um pára-lamas para a roda traseira.

Defina e registre métricas do seu rendimento: acompanhar os exercícios com base nos resultados (redução do peso, da cintura, da pressão arterial, etc.) pode ser suficiente para algumas pessoas, especialmente quando a coisa funciona bem. Mas para manter a motivação antes de a rotina engrenar, registrar indicadores de execução pode ser bem mais eficaz. Escolha o conjunto de métricas mais adequado aos seus objetivos, e passe a anotar em uma tabela o resultado de cada sessão. Eu tenho um velocímetro e odômetro na bicicleta, mas registro só a quilometragem diária, as condições climáticas de cada sessão e o número de sessões por semana. Dependendo do objetivo do exercício, poderia ser interessante registrar também velocidade média, por exemplo. As métricas escolhidas devem ser condizentes com o seu plano, é claro.

Acostume-se a consultar a série histórica: a cada vez que registro os indicadores do dia, comparo com os anteriores. Ainda estou em uma retomada de condicionamento, após um longo período de inatividade, portanto ainda é especialmente agradável perceber que a cada dia ando mais do que no anterior, já que o condicionamento vai chegando aos poucos. Ando de 50 a 90min por sessão, e quando comecei completava 8km por sessão, agora já passei do dobro: estou em 17km. Logo vou chegar ao limite do conforto, e o gráfico vai ficar mais próximo de uma reta, mas vai continuar fazendo sentido consultar a série, especialmente porque eu registro as condições climáticas, e posso comparar o efeito que um dia de vento mais forte, ou de temperatura mais alta, ou mais baixa, causa sobre o meu desempenho.

Fixe metas de execução, e não de resultado: os resultados sempre demoram mais para aparecer, e seu ritmo pode não ser constante. Fixar metas baseadas apenas neles ("perder 3kg no primeiro mês", por exemplo) é uma forma pobre de acompanhar seu desempenho, e um risco ao seu sucesso. Defina metas alcançáveis, claramente quantificadas e com prazo, mas baseie-se na execução, e não no efeito: por exemplo "pedalar 15km em 1 hora até o final do segundo mês". As metas motivam com base no desafio, e quando se trata de alcançá-las, competir consigo mesmo é um desafio constante.

Nada de pressa: atenção aos seus limites: vá aumentando suas metas aos poucos, e com base no seu rendimento real. Ter metas irreais desmotiva, quando não conseguimos alcançá-las, e é um risco à saúde e ao condicionamento, quando de fato tentamos. Acabar com um estiramento muscular ou tentado a recorrer a aditivos químicos com fortes efeitos colaterais e que podem acabar comprometendo os objetivos do exercício não vale a pena. Encontre seu ritmo aos poucos.

Pratique um exercício que lhe agrada e esteja ao seu alcance: se o esporte que você gostaria de praticar não estiver ao seu alcance, esta é uma boa razão para não praticá-lo por lazer. Mas quando se trata de exercícios para manter a forma, às vezes é preciso estar disposto a abrir mão do luxo da escolha. Eu gosto de bicicleta e aqui perto de casa dá para andar, então não é difícil para mim praticar. Por outro lado, não aprecio corridas e caminhadas, e só recorreria a elas se não houvesse outra opção. Mas esta condicional pode ser a chave: as escolhas são limitadas aos exercícios que estão ao nosso alcance, mas neste contexto o conjunto do que está ao nosso alcance é amplo: há quem acorde de madrugada para ter tempo de se exercitar, há quem pratique séries de abdominais, apoios e halteres dentro de casa, e há até mesmo quem consiga usar esteiras e bicicletas ergométricas em casa sem deixá-las em um canto já na segunda semana, transformando-as em cabides ou acumuladores de poeira.

Saiba se preparar: Aquecimento, alongamento, alimentação adequada e cuidados com a segurança são fundamentais. Se for pedalar de noite, por exemplo, tenha atenção especial com os refletores (ou recorra a lanternas e faroletes adequados). Se preferir uma modalidade com riscos maiores, como os esportes de aventura que o Stulzer cobre lá no Transpirando.com, ou como a natação oceânica que o meu pai pratica, equipe-se adequadamente, e tenha o apoio necessário. E faça da preparação uma parte importante e interessante do exercício!

Marque na agenda: a idéia de que você não tem tempo para se exercitar fica pior quando você deixa esta atividade fora da sua agenda. Se você é sério em relação ao objetivo de se exercitar regularmente, e se o tempo para isso existe, assuma isso como um compromisso tão sério quanto os demais que você tem, agende-o da mesma forma, e cumpra. Provavelmente você já tem itens bem menos importantes e úteis na sua agenda! ;-) Eu pedalo segunda, quarta e sexta, e levo esse compromisso bem a sério.

Para mim, as 8 dicas acima funcionam bem. Quais são as suas?

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