Uma razão a mais para dividir os grandes esforços em tarefas menores
Aprenda a isolar a etapa exata que causa sua resistência a tarefas complexas, e supere a resistência a muitas obrigações indesejadas.
Descobrir o ponto exato de atrito em uma tarefa indesejada é uma estratégia eficaz para evitar a procrastinação e recuperar o controle da sua rotina. Ao identificar – e remover, ou suavizar – o componente específico que gera rejeição, você simplifica todo o camninho crítico do processo.
Aplicar essa desconstrução estratégica permite substituir por leveza vários bloqueios mentais1, ampliar a capacidade de realização e destravar novos níveis de produtividade a serviço do que nos interessa.
A ideia central é parar de evitar a tarefa inteira e focar em um fracionamento investigativo do esforço, vendo-o como uma série de etapas consecutivas – mas não pelos mesmos motivos que estamos acostumados a ver fundamentar esse fracionamento, que é uma dica comum de guias de produtividade (que geralmente o apresentam com foco em tornar mais objetivo o planejamento de tarefas complexas).
Dividir a tarefa indesejada em etapas menores permite identificar – e talvez afastar – o passo que você realmente detesta.
No caso de hoje, esse tradicional conselho de dividir para conquistar vem com um novo objetivo: encontrar qual etapa do procedimento é a responsável pela nossa rejeição, e verificar se é possível afastá-la, sem abrir mão do resultado pretendido. A ideia é que, ao mapear cada fase de uma obrigação, você perceba se o seu bloqueio não é com o todo, mas com um passo ou detalhe específicos.

Eu encontrei pela primeira vez esse enfoque diferenciado em um comentário de /u/namastemeanshello no Reddit, que exemplificava com uma experiência própria: a descoberta de que não detestava cozinhar, mas apenas odiava cortar e picar ingredientes. Perceber isso permitiu comprar um processador de legumes, que se encarrega da tarefa indesejada, e o restante passou a ser prazeroso.
Nem sempre é assim: alguns passos indesejados são inafastáveis, e algumas tarefas são integralmente indesejadas. Mas onde há aplicabilidade, há oportunidade de avanço, bastando focalizar com precisão cirúrgica a energia da nossa rejeição, e avaliar se o esforço e custo de uma revisão da tarefa compensam. Se sim, ao suavizar o pior momento da jornada, a resistência psicológica cai e todo o resto flui naturalmente.
Se você tornar o passo mais difícil um pouco mais acessível, todo o restante do processo parecerá mais simples.
Para aplicar essa tática, os requisitos essenciais são o desapego a métodos tradicionais (o famoso “sempre foi assim”) e a disposição para buscar ferramentas auxiliares. A preparação exige uma autoanálise honesta e se permitir criatividade na remoção ativa do gargalo.
Dependendo da natureza da atividade, os benefícios colhidos vão muito além da conclusão daquela tarefa isolada, pois o resgate de contextos antes evitados permite passar a explorar outras situações conexas que não alcançávamos porque essa rejeição bloqueava o primeiro passo do caminho.
Em suma, isolar e conseguir superar o passo que você detesta é um caminho para destravar todo um fluxo e consolidar uma nova rotina efetiva. Eu pratico, e recomendo.
- Mas definitivamente não todos os bloqueios mentais. ↩
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