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Efetividade. Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Emprego: como voltar ao mercado de trabalho

A busca do emprego é difícil para todos, mas pode ser muito mais desafiadora para quem esteve afastado do mercado de trabalho.

Muitas vezes a causa é puro preconceito por parte dos empregadores. Conheço vários casos de pessoas que, mesmo qualificadas, encontram muita dificuldade para encontrar trabalho por alguma destas situações típicas e estereótipos tristemente comuns:

  • Aposentado quer retornar ao mercado para complementar a renda da família
  • Mulher quer voltar a trabalhar após separação
  • Mãe deseja voltar ao trabalho após os filhos chegarem à idade escolar
  • Esposa precisa voltar a trabalhar para complementar renda familiar
  • Funcionário demitido após décadas na mesma empresa precisa encontrar novo emprego

A lista poderia ser muito mais longa, mas os 5 exemplos acima são suficientes para dar a idéia.

Quem nunca conheceu um caso desses? O fato é que o mercado é difícil para todos, mas o preconceito o torna bem mais difícil para diversas categorias, e infelizmente é fácil imaginar o responsável pela seleção pensando: "Esse cara estava parado todos esses anos, não sabe mais fazer nada, tem expectativas altas e vícios formados em seus empregos anteriores, por que eu o contrataria? Prefiro pegar alguém novo, que não se importe de ganhar o piso, e formar a pessoa desde o início".

Como lidar com isso? Veremos a seguir.

Não existem fórmulas mágicas

Os exemplos acima não são casuais: da época em que me cabia a seleção de profissionais no meu trabalho, guardo a felicidade e o orgulho de ter selecionado pessoas em todas as categorias acima. Não por piedade ou espírito de inclusão social, mas simplesmente por não os ter removido forçadamente do processo seletivo, e no devido tempo acabar concluindo que eram os candidatos ideais para a função. E o tempo provou que eram mesmo.

Mas nem todo encarregado de seleções para emprego tem a mesma atitude, e quem está retornando ao mercado de trabalho precisa estar preparado para empregar muita atitude positiva no processo, buscando uma oportunidade de ficar frente a frente com o empregador e poder demonstrar a ele por que acredita ser a pessoa certa para a função.

Não existe uma fórmula mágica nem uma técnica infalível, mas eis alguns aspectos que você deve ter em mente:

  • Atualize-se, e deixe claro que está atualizado. Saiba o que se exige dos novos candidatos ao seu emprego, e consiga demonstrar que está apto a ter o mesmo desempenho que eles em todas as técnicas modernas. Uso de informática, técnicas de vendas, conhecimento do mercado... cada situação exige um conjunto de habilidades diferentes, que você precisa conhecer, dominar, e estar pronto para demonstrar.
  • Enfatize o conhecimento, estabilidade e experiência. O que você tem, que um candidato ao primeiro emprego pode não ter, é a experiência no ramo. Deixe isto claro, e procure colocar em destaque no seu currículo e entrevistas.
  • Recicle sua experiência. É possível que sua experiência do mercado e tecnologia de 3 ou 5 anos atrás não seja mais corrente. Se for o caso, procure reciclá-la e torná-la corrente. Estude por conta própria tanto quanto puder, se possível faça algum curso ou treinamento formal (o empregador sente-se muito mais seguro quando vê um diploma), obtenha uma certificação, ou faça o que for necessário para poder demonstrar que está por dentro.
  • Procure seu antigo chefe e colegas: mesmo que não seja para um novo emprego a eles! Se você tinha bom relacionamento com eles, é possível que eles tenham condições de lhe indicar para alguma vaga, ou ficar de olho para o caso de algo surgir. Eles também podem ser boas fontes para você se informar sobre a situação atual do mercado, e o que mudou desde que você se ausentou.
  • Avise seus amigos e familiares: ter uma rede de contatos é muito importante para conseguir um emprego. Os amigos, e os amigos dos amigos, podem ser uma grande fonte de informações sobre oportunidades, e podem servir como referência para você. Não há nenhuma razão objetiva para esconder que você está procurando emprego, e a maioria das razões que podem passar pela sua cabeça tendem a não ser condizentes com o seu objetivo principal de retornar ao mercado.
  • Não tenha medo do trabalho temporário: Talvez você ainda esteja acostumado com o panorama do mercado de trabalho pré-globalização, quando um bom emprego era estável e para toda a vida, e um emprego de curta duração era visto como algo negativo, e até mesmo um obstáculo entre você e o emprego estável tão sonhado. Hoje tudo mudou, e um emprego temporário pode ser justamente o que você precisa para daqui a alguns meses não ser mais visto como alguém que está afastado há tempo do mercado de trabalho.
  • Veja a situação pelos olhos do empregador: exceto nos casos de preconceito, é claro! É provável que boa parte da sua experiência não seja relevante para a vaga que está disponível agora, e assim você talvez tenha que aceitar ganhar menos do que acredita que vale. Isso faz parte do jogo, e é normal no mercado o empregador não dar tanto valor a declarações de experiência que não sejam recentes. Se você aceitar jogar o jogo pelas regras usuais, poderá ter oportunidade de mais tarde demonstrar a ele o seu verdadeiro valor, e reiniciar a ascenção na carreira. E ver pelos olhos dele facilita a construção da sua estratégia.

Mesmo com as considerações acima, é provável que não vá ser uma jornada fácil. Capriche na sua atitude, e esteja preparado para contra-argumentar com fatos objetivos contra quaisquer preocupações sobre seu tempo de afastamento do mercado que possam ser trazidas à baila em uma entrevista ou outra etapa do processo de seleção!

Vagas para emprego grátis: emprego sem pagar nada para agências e portais

Emprego é a necessidade essencial para a maioria da população. Encontrar a vaga de emprego ideal, seja um emprego temporário ou o trabalho certo na empresa dos seus sonhos é a aspiração de quase todos nós, e uma busca infindável.

Infelizmente, assim como no caso do trabalho em casa, o mercado está lotado de empresas que baseiam seus negócios em obter pequenas quantias de desempregados desinformados que recorrem a elas na expectativa de obter o caminho para um bom emprego, mas recebem bem menos do que esperavam - muitas vezes na forma da inclusão de um mau currículo padronizado em um banco de dados que poucos empregadores consultam. Note que não quero dizer que toda agência de emprego é uma armadilha - algumas são sérias, e você até mesmo pode considerar recorrer aos seus serviços, como veremos a seguir.

Mas o fato é que muitas pessoas cometem os mesmos erros comuns: limitam-se a dizer "procuro emprego", e aí consultar os classificados de emprego ou a lista de vagas de emprego do SINE, preparar um curriculo padronizado e pobre com a ajuda de uma agência ou portal de currículos, e atiram para todos os lados, ao invés de tratar a procura pelo emprego como uma tarefa objetiva.

Claro que não é fácil, especialmente para quem não se enquadra no perfil que o mercado chama de "profissional qualificado" - com a formação e os treinamentos certos, na idade considerada ideal, já com experiência, excelentes referências, etc. E a coisa piora nos casos em que o candidato é vítima de preconceito pelo seu sexo, faixa etária, estado civil, religião, etnia, situação social, histórico ou tantos outros.

E é por isso que preparamos as 10 dicas abaixo, que permitirão a você procurar o emprego certo, sem entregar seu dinheiro na mão de nenhum caça-níqueis, e sem desperdiçar oportunidades. O que elas não explicam é como você pode desenvolver o perfil de "profissional qualificado", mas o ideal é que você invista permanentemente na sua qualificação - mesmo quando estiver entre empregos!

Vagas para emprego: como garantir a sua

  1. Defina sua situação: você precisa ter consciência de suas aptidões, pontos fortes e vulnerabilidades. Quanto antes você identificá-los, melhor, pois tentar lidar com eles apenas em uma situação em que você já está em dificuldades é sempre mais difícil. A partir do conhecimento de si próprio, defina que tipo de vaga você está buscando, sendo tão seletivo quanto a sua situação permitir. Delimite por mercado, por região, por natureza da atividade, ou pelo critério que fizer mais sentido para você. Tendo escolhido um conjunto de parâmetros, todas as outras etapas poderão ser melhor direcionadas e aproveitadas. Mas cuidado para não construir muros ao redor de si: ao longo do processo, saiba quando rever os parâmetros definidos. Este artigo, aqui do Efetividade, pode ajudar: Planejamento estratégico: como aplicar à sua vida.
  2. Os contatos: Um amigo meu costuma resumir assim: o segredo para estar empregado é conhecer pessoas bem empregadas. Para o primeiro emprego às vezes é um pouco mais difícil, mas o ideal é que você comece o quanto antes a formar uma rede de relacionamentos e contatos ("networking") a que possa recorrer, sem parecer inoportuno, quando chegar o momento de procurar uma nova colocação. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, isso não significa tentar praticar algum tipo de alpinismo social ou de forçar envolvimentos com diretores e presidentes de grandes empresas - o que ai lhe ajudar é ser próximo (de uma forma espontânea, natural e de longo prazo) de pessoas que trabalhem no mercado e região que lhe interessam, que conheçam outras pessoas e empresas, e possam assim não apenas ficar sabendo (e lhe avisar) de vagas em aberto, como ainda idealmente lhe recomendar para o responsável pela seleção. Mas tentar formar a rede de contatos só no momento da necessidade não dá certo.
  3. O diferencial: em várias regiões e mercados do Brasil, o número de candidatos interessados para a maioria das vagas comuns é muito superior ao que as empresas podem selecionar com eficiência, e desta forma elas acabam recorrendo aos processos de pré-seleção, que consistem basicamente em remover da lista as pessoas que não tenham os requisitos mínimos e que não se destaquem dos demais. É muito difícil ter diferenciais que se apliquem a qualquer processo de pré-seleção, mas se você tiver caprichado no passo 1 (auto-conhecimento e boa definição de parâmetros), é sempre possível ter aquele "algo mais" que faz você passar para a próxima fase do processo. Seja um curso (ainda que gratuito - procure no SENAI, SENAC, SEBRAE, associações de classe, sindicatos, etc.), um artigo publicado, um website, uma experiência como voluntário... qualquer coisa que você possa mencionar no currículo ou na ficha de inscrição e que desperte o interesse do avaliador. Lembre-se de que não estamos falando em algo que o transforme em um verdadeiro superstar na sua área; tudo o que você precisa é de algo que o diferencie das dezenas de pessoas que estão concorrendo com você mas não tiveram a mesma iniciativa, e que faça você ter a chance de progredir no processo seletivo, para chegar a ter a chance de mostrar aos avaliadores o quanto você tem potencial para o cargo desejado.
  4. O currículo: você precisa ter um currículo "genérico" bem feito, completo e atualizado, para enviar para agências de emprego, sites de bancos de currículos ou outras organizações especializadas em colocações, se for o caso. Mas quando estiver enviando currículo para uma empresa e vaga específicas, dê-se ao trabalho de adaptar o currículo, colocando em destaque as informações que julgar mais relevantes para aquela situação. Veja ao final deste texto as dicas do Efetividade.net para como preencher seu modelo de currículo ideal.
  5. Seu "discurso do elevador": imagine que você encontrou no elevador o responsável pela seleção da vaga dos seus sonhos, e tem apenas o tempo do trajeto entre 10 andares para fazê-lo se interessar em chamá-lo para uma entrevista. O que você diria? Estas 2 ou 3 frases que você deve desenvolver são importantíssimas, e uma versão adaptada delas pode constar no início do seu currículo ou da carta de apresentação, podendo ser útil também nas entrevistas.
  6. Filtre os classificados: jornais e revistas publicam muitos anúncios de vagas de empregos. É um grande erro concentrar suas ações só nestes anúncios, mas você também não deve ignorá-los. Acompanhe os classificados, selecione as vagas para as quais acredita ter as aptidões necessárias, e inscreva-se nas seleções, ou envie currículo. Quando possível, cadastre seu currículo também no site das empresas que anunciaram.
  7. Não se limite aos classificados: muitas vezes as empresas recorrem aos anúncios na imprensa apenas em último caso, após já ter tentado selecionar candidatos a partir do banco de currículos já cadastrados (por isso é importante enviá-lo sempre), ou a partir de indicações de seus funcionários (está vendo a importância da sua rede de relacionamentos?), ou até mesmo em pesquisas nos bons sites de bancos de currículo. Nem sempre é o caso, mas com certeza há bem mais vagas em aberto do que aquelas que saem no jornal.
  8. A iniciativa: se você caprichou no primeiro passo, terá em mente qual o mercado e região em que deseja atuar. Com um pouco de pesquisa, você poderá identificar as empresas que atuam dentro destes parâmetros, e enviar a elas seu currículo, acompanhado de uma carta de apresentação personalizada deixando claro o tipo de vaga que tem em mente. Em empresas com políticas atualizadas de gestão de pessoas, estes currículos são bem recebidos, e seu envio revela iniciativa e informação. As empresas mantêm seus próprios bancos de talentos, e o seu currículo será incluído nele, e pesquisado a cada nova vaga que surgir.
  9. Conheça a empresa: se você estiver apenas mandando um currículo, pode não ser necessário ir além de uma pesquisa básica, mas se for avançar um pouco mais - por exemplo, ser chamado para uma entrevista ou outro procedimento seletivo - vale a pena buscar o máximo de informações sobre a empresa, para estar preparado para entender o contexto das perguntas e para escolher as melhores alternativas. Você deve buscar saber quais os seus principais produtos ou serviços, seus principais clientes, concorrentes e fornecedores, onde ela está instalada, seu porte, seu histórico, em que ela se destaca, as notícias recentes sobre ela, etc. Uma boa busca no site da empresa e em sites de jornais e revistas pode dar uma idéia geral sobre estes detalhes, mas se você quiser realmente se destacar, precisará ir mais a fundo.
  10. Em último caso...: muitas agências de emprego e sites de bancos de vagas e currículos dão a impressão de ser armadilhas ou caça-níqueis ineficazes, e provavelmente alguns são mesmo. Você não precisa começar a sua busca por elas. Mas se você está mesmo em busca, precisa respirar fundo e correr alguns riscos. Não aceite pagar nada antecipadamente, mas se as demais dicas não estiverem funcionando, você pode considerar a idéia de enviar seu currículo, sempre acompanhado de uma carta de apresentação curta e direta, e com contatos atualizados, para as agências de emprego e sites que considerar mais confiáveis. Bastante gente acaba se incomodando com eles (não tenha muita fé de que você irá conseguir remover seus dados de todos eles depois da semana grátis que costumam oferecer...), mas muitas vezes eles funcionam, isto é fato. Veja ao final deste texto as dicas do Efetividade.net para a construção do seu modelo de currículo ideal.

Casos especiais

Primeiro emprego: a maioria das empresas seleciona preferencialmente candidatos que possam demonstrar experiência nas atividades que irão desenvolver, o que dificulta a vida de quem está tentando o primeiro emprego ou mudar de área. A maneira mais efetiva de resolver esta situação, embora raramente seja uma solução imediata, é adquirindo esta experiência, trabalhando como estagiário, aprendiz, trainee ou mesmo voluntário (em uma ONG ou associação comunitária, por exemplo). Lembre-se de que há milhares de pessoas na mesma situação que você batalhando vagas no mercado - tudo o que você precisa para se destacar é ter um pouco mais de experiência do que elas, a ponto de poder ser chamado para a seleção e aí ter a chance de demonstrar o seu potencial. Aproveite também chances sazonais, como as contratações de empregados temporários no Natal ou em períodos turísticos, e empregos voltados a pessoas sem experiência, como várias categorias de operador de telemarketing, entre outras - muitos empregadores têm medo de contratar alguém que nunca esteve em um emprego formal, com chefe, metas e horários, e este tipo de trabalho acalma esta preocupação. Embora não pareça animador, a forma usual de enriquecer um currículo é bem aos poucos, não em grandes saltos.

Se você estiver acima da idade típica do seu mercado: assim como na situação acima, esta pode ser uma barreira difícil, mas não intransponível, especialmente se você tiver experiência no ramo. O essencial é estar atualizado com as práticas correntes no seu ramo, incluindo as novidades. Domínio da informática pode ser essencial - mais do que para um candidato jovem à mesma vaga. Jamais minta no currículo, mas faça o possível para enfatizar nele as suas atividades mais recentes (últimos 10 anos) e o conhecimento e experiência que você tem. Capriche na sua atitude, e esteja preparado para contra-argumentar com fatos objetivos contra quaisquer preocupações sobre sua idade que possam ser trazidas à baila em uma entrevista ou outra etapa do processo de seleção.

Leia também:

Semana do emprego no Efetividade.net

Encontrar o emprego dos sonhos é uma aspiração comum, e a cada dia mais pessoas chegam ao mercado de trabalho em busca da sua oportunidade.

Empregabilidade geralmente é entendida como o grau de a adequação do profissional ao perfil desejado pelos empregadores, ou às características que ele deve ter para obter e ocupar um lugar na organização. Estas incluem a capacidade de conhecer bem a sua área de atuação, ter as habilidades e competências necessárias para exercer suas atividades, e se possível a flexibilidade e as competências necessárias para exercer outras funções também, de modo a ampliar o seu leque de opções tanto na hora da admissão quanto na progressão funcional.

Se você é leitor do Efetividade, provavelmente já dá atenção à sua empregabilidade e procura manter-se atualizado com relação ao que o mercado espera de seus participantes, tanto em sua função atual como nas que você planeja galgar no futuro.

Mas a empregabilidade não é tudo: exceto para poucos felizardos, conseguir um emprego pode exigir um vasto cabedal de conhecimentos sobre como localizar a vaga e participar da seleção, bem como um verdadeiro arsenal de técnicas que permitam que você se destaque em relação aos demais candidatos, de modo a poder avançar nos processos seletivos até ter a oportunidade de demonstrar ao empregador que você é a pessoa certa para a posição.

E é por isso que esta semana o Efetividade.net irá publicar diariamente artigos sobre o mundo dos empregos, incluindo técnicas para encontrar a vaga ideal sem gastar dinheiro com agências e intermediários, como retornar ao mercado de trabalho após um período de afastamento, e um artigo em duas partes apresentando perguntas comuns em entrevistas de emprego, quais as armadilhas ou pegadinhas escondidas em cada uma delas, e como você pode responder com segurança.

Começaremos hoje com uma breve coletânea dos nossos artigos anteriores sobre o tema. Vamos lá:

Currículo

Entrevista

Trabalho em casa

Outros temas

Agora é com você: que temas relacionados a emprego e empregabilidade você gostaria de ver tratados aqui no Efetividade.net? Você tem interesse em escrever um artigo sobre o assunto? Faça-o ainda nesta semana, me mande o link, e farei o possível para divulgá-lo aqui na capa!

Receitas rápidas para cozinhar com Efetividade

Mesmo quem não gosta de cozinhar, às vezes não consegue escapar. E quem gosta sempre tem algo mais a aprender. Quem mora sozinho, ou divide a residência com outras pessoas sem que ninguém passe o dia todo em casa tem um interesse especial pela praticidade e eficiência na cozinha, e tanto quem cozinha como quem depois lava os pratos dá atenção à efetividade da tarefa como um todo ;-)

Talvez este post seria mais apropriado no Morar Sozinho ou lá no Recanto da Deusa Doméstica (se bem que a Carla já deve ter postado várias dessas dicas), mas eu achei as dicas tão práticas que resolvi aproveitar a sexta-feira pra compartilhá-las com vocês. Quem sabe na semana que vem eu não coloco um post sobre mecânica de automóveis pra contrabalançar?

Mas a dica é simples: o artigo "Kitchen Timesavers That Speed Up Dinner", publicado no Lifehacker na sexta passada, explica diversas técnicas para planejar, preparar e cozinhar pratos mais saborosos com menos esforço e mais qualidade.

A primeira delas é controversa, na minha opinião: manter a cozinha organizada enquanto trabalha nela, não deixando acumular utensílios sujos e múltiplos ingredientes por todos os cantos. Pessoalmente concordo: quando vou na cozinha, eu prefiro trabalhar do jeito recomendado. Mas já vi grandes cozinheiros (amadores, sempre) fazendo os melhores pratos ao mesmo tempo em que criam uma gigantesca bagunça, que outra pessoa depois limparia ;-)

Mas eu não estranhei nenhuma das outras. Não complicar desnecessariamente, adiantar o que pode ser adiantado, manter ao alcance dos olhos as referências e medidas essenciais, e assim por diante. Eu recomendo! Leia também os comentários, que têm várias dicas adicionais.

Na mesma linha, o artigo 101 Simple Appetizers in 20 Minutes or Less, do New York Times, vale a leitura. O nome já entrega: são aperitivos de preparo rápido. Mas precisam dos ingredientes certos, então só são 20 minutos mesmo se você estiver bem preparado!

GTD: vídeos de David Allen explicam tudo sobre produtividade pessoal

GTD ("Getting Things Done") é um método eficaz de organização e produtividade pessoal que pode melhorar sua motivação e seus resultados, e como tal já foi abordado diversas vezes aqui no Efetividade.net.

A metodologia GTD, ou Getting Things Done, foi descrita inicialmente no livro "Getting Things Done: The Art of Stress-Free Productivity", de David Allen. Os preceitos de Allen (veja um resumo deles na Wikipedia), baseados em idéias simples e relativamente fáceis de manter, por não dependerem de nenhuma técnica complexa nem de suporte tecnológico avançado, vêm ganhando adeptos no mundo todo, e inclusive me inspiraram a criar o Efetividade.net - embora eu esteja longe de ser um dos participantes quase religiosos que seguem à risca os dogmas do "Culto de Allen" ;-)

Mas uma coisa não posso negar: As idéias de David Allen são realmente simples e fáceis de botar em prática, se baseando em uma premissa que qualquer um compreende sem esforço: nossa capacidade de ser produtivos é diretamente proporcional à nossa capacidade de deixar o trabalho fluir sem necessidade de intervenção consciente no gerenciamento da seqüência de tarefas. É preciso criar uma base de organização mental e do ambiente para poder atingir o patamar desejado de produtividade com menos stress, liberando o nosso potencial criativo, como veremos abaixo.

Vídeo apresenta o GTD

E no vídeo acima, de 45 minutos, David Allen explica a um auditório cheio (a platéia estava em pé) no Google sobre o GTD e as chaves para manter um estilo saudável de vida e trabalho. A palestra foi em 19 de outubro, e eu fiquei sabendo pelo blog da Kelly Forrister, que trabalha na empresa de David, e menciona que partes da palestra são novidade até para quem leu os livros do método. O vídeo inclui imagens das transparências dele, também.

Nos comentários tem um link para este outro vídeo com clips de apresentações de David Allen, dando a impressão de que o público não dorme durante as apresentações dele.

E por falar em GTD, veja também o recente artigo da Gina Trapani, fundadora do Lifehacker, explicando como ela pratica uma forma simplificada do GTD. Na matéria com ela e comigo na Rolling Stone de setembro, ela já tinha explicado (e eles publicaram em português, naturalmente) como gerencia a caixa de entrada de e-mails, mas neste artigo ela esclarece os demais aspectos que aplica. Vale a leitura.

Se você quer saber mais sobre GTD, leia também:

Fluxo de caixa: instrumento essencial para profissionais independentes

Fluxo de caixa é um instrumento gerencial que controla e informa todas as movimentações financeiras (entradas e saídas de valores monetários) de um dado período - pode ser diário, semanal, mensal, etc. O fluxo de caixa é composto dos dados obtidos dos controles de contas a pagar, contas a receber, de vendas, de despesas, de saldos de aplicações, e todos os demais que representem as movimentações de recursos financeiros disponíveis da organização.

De probloggers a músicos, todo profissional que atua de forma autônoma ou independente precisa saber controlar as entradas e saídas financeiras para poder maximizar o retorno e evitar problemas por não poder prever as sobras e faltas de disponibilidades.


O demonstrativo de fluxo de caixa também pode ser um instrumento contábil legal, contexto em que toma um aspecto mais formal e rígido. Se a sua intenção é realizar o controle contábil de uma empresa, para propósitos fiscais, societários ou outros, provavelmente a melhor alternativa é procurar orientação com um contabilista de sua confiança.

Nossa missão hoje, detalhada abaixo, é conhecer melhor o Fluxo de Caixa pessoal como instrumento de acompanhamento para apoio à tomada de decisão. E o foco será a situação específica dos profissionais autônomos, sejam eles desenvolvedores web, probloggers, artistas, ou qualquer outro profissional que encare os desafios de administrar seu negócio individual, com várias fontes de renda variáveis, prestando serviços para múltiplos clientes.

Fluxo de caixa como instrumento gerencial

Antes de prosseguir, um alerta: o mecanismo do fluxo de caixa é bastante simples, mas nenhum sistema de informações pode funcionar sem que os dados relevantes sejam constantemente atualizados nele. Da mesma forma, o sistema não tem qualquer utilidade se os dados não forem analisados periodicamente, e se a organização não tiver confiança neles. Em outras palavras: se não for haver compromisso em manter o fluxo de caixa sempre atualizado, pode ser melhor nem mesmo se dar ao trabalho de tentar implementá-lo.

Outro aspecto a ser levado em conta é o das dependências: o Fluxo de Caixa precisa de dados que nascem em um bom método de controle de contas a pagar, contas a receber, acompanhamento de saldos de aplicações bancárias, faturamento, despesas, etc. Antes de se preocupar com sistemas agregadores, como o Fluxo de Caixa, você precisa dar atenção a estes outros métodos de coleta de dados específicos. E isto tem vantagens adicionais, como levar a um melhor acompanhamento das suas posições em relação a clientes, fornecedores, taxas públicas, etc. Não há como ter um relatório de fluxo de caixa atualizado se você não registra regularmente as faturas e nem acompanha se os seus clientes estão pagando-as em dia, por exemplo.

E aqui quando falo em sistemas, tomo a palavra em sentido amplo. Embora seja desejável informatizar estes processos, é perfeitamente possível realizar o acompanhamento de fluxo de caixa da maioria dos autônomos usando papel, lápis e régua. Mas acredito que a maior parte da audiência deste texto do Efetividade não tenha dificuldade em ter acesso a um computador, e vá achar vantajoso usar esta ferramenta tecnológica para o controle de suas atividades. Neste caso, além de poder escolher entre diversos sistemas contábeis voltados ao uso individual (alguns até mesmo adaptados a necessidades específicas, como as dos profissionais liberais), você pode optar por uma boa planilha eletrônica, inclusive porque as fórmulas usadas em fluxos de caixa pessoais são extremamente simples. Recomendo a planilha do BrOffice ou a do Google Docs para começar.

Para que serve o Fluxo de Caixa

O Fluxo de Caixa é um instrumento de controle que auxilia na previsão, visualização e controle das movimentações financeiras de cada período. A sua grande utilidade, no contexto que estamos apresentando hoje, é permitir a identificação (especialmente prévia, mas também posterior) das sobras e faltas no caixa, possibilitando ao profissional planejar melhor suas ações futuras ou acompanhar o seu desempenho.

Em uma empresa, o ideal é que o período de acompanhamento seja diário, mas autônomos que usem o sistema exclusivamente como instrumento gerencial podem se virar com períodos maiores - semanal ou até mensal - dependendo da sua liquidez. Períodos menores permitem maior eficiência nos investimentos e aplicação financeira dos saldos positivos, mas em compensação geram maior esforço ou custo de acompanhamento, no fenômeno conhecido como overhead. É importante que você encontre o seu ponto de equilíbrio.

De uma forma ou de outra, um controle de fluxo de caixa bem feito é uma grande ferramenta para lidar com situações de alto custo de crédito, taxas de juros elevadas, redução do faturamento e outros fantasmas que rondam os empreendimentos. Ele permite:

  • Avaliar se as vendas presentes serão suficientes para cobrir os desembolsos futuros já identificados.
  • Calcular os momentos ideais para reposição de estoque ou materiais de consumo, considerando os prazos de pagamento e as disponibilidades.
  • Verificar a necessidade de realizar promoções e liquidações, reduzir ou aumentar preços.
  • Saber se é ou não possível conceder prazos de pagamentos aos clientes.
  • Saber se é ou não possível comprar à vista dos fornecedores, para aproveitar alguma promoção.
  • Ter certeza da necessidade ou não de obter um empréstimo de capital de giro.
  • Antecipar as decisões sobre como lidar com sobras ou faltas de caixa.

Mas não pense que um empreendimento individual em que haja grande folga entre as receitas e as despesas (ou seja: em que ocorra saldo positivo com facilidade todos os meses) não pode se beneficiar deste controle adicional: saber antecipadamente *quanto* vai sobrar, e *quando* este dinheiro estará disponível, permite escolher as melhores aplicações financeiras e selecionar o momento ideal para usar este dinheiro, oferecer condições mais vantajosas (por exemplo: prazo) para clientes selecionados, e muito mais.

Modelo de Fluxo de Caixa

Como já mencionado acima, para propósitos contábeis, fiscais e societários existem modelos e métodos bem mais formais e restritivos para a construção do fluxo de caixa. Para uso como instrumento gerencial, você pode adaptar da forma como melhor servir aos seus propósitos

A planilha abaixo é um exemplo, com valores completamente "chutados", de um fluxo de caixa com periodicidade semanal, e itens bastante simplificados.

Note que para cada um dos períodos há duas colunas: uma dos valores previstos, e outra dos realizados. A segunda coluna, naturalmente, só pode ser preenchida quando o período acabar.

As linhas são muito importantes, e estão divididas em blocos. Vamos analisar uma a uma:

  • Saldo inicial: é o valor disponível no início do período, correspondendo ao dinheiro que está "na gaveta", ou no bolso, somado aos saldos das contas correntes disponíveis para saque. No fluxo de caixa, não são considerados nos saldos os valores que estejam imobilizados, ou os que estejam em aplicações consideradas indisponíveis para saque no período.
  • Bloco "Entrada": nele constam as diversas categorias de entrada de dinheiro em caixa ao longo do período. Vendas à vista, cheques pré-datados que se tornem disponíveis ao longo do período, créditos de contas a receber (exemplo: depósitos de clientes referentes a transações realizadas anteriormente), ou o que for.
  • Total entradas: é a soma simples do bloco Entrada, corresponde basicamente ao dinheiro novo que entrou em caixa ao longo do período.
  • Bloco "Saídas": aqui vão as diversas categorias nas quais você realiza pagamentos. Energia, telefone, manutenção de veículo, equipamentos, material de escritório, aluguel, condomínio, impostos, etc. Um aspecto essencial deste bloco é a inclusão do pró-labore, que no caso de um fluxo de caixa individual, corresponde ao dinheiro do empreendimento que é retirado para uso pessoal do empreendedor, como se fosse o seu salário - idealmente em parcelas fixas e periódicas, e sempre registradas.
  • Total Saídas: é a soma simples do bloco Saídas, corresponde basicamente ao dinheiro que saiu do caixa ao longo do período.
  • Saldo operacional: Corresponde ao Total Entradas menos o Total Saídas. É, portanto, o saldo de caixa referente exclusivamente ao período, sem considerar o saldo anterior que estava disponível. Pode eventualmente ser negativo - por exemplo, na data do pagamento do IPTU -, mas uma seqüência de saldos operacionais negativos sucessivos é sempre um grande sinal de alerta.
  • Saldo final: É a soma do Saldo Inicial com o Saldo Operacional, considerando os respectivos sinais, caso algum seja negativo. Basicamente, é o dinheiro que restou em caixa ao final do período, e é imediatamente transcrito como o saldo inicial do período seguinte.

Certamente você deve ter percebido que não há nada de complicado na construção desta planilha - embora a obtenção dos dados em si possa ser trabalhosa, e exija vários controles e acompanhamentos adicionais. Construir a mesma planilha de cálculo não exige nenhuma função matemática avançada - para criar a do exemplo, a única função que usei foi a SOMA(); é possível que você queira acrescentar funções estatísticas para identificar desvios em relação à média, pontos de máxima e de mínima, ou mesmo colunas adicionais para comparar o previsto com o realizado, ou até gráficos da evolução - tudo isso é simples aplicação dos recursos da planilha eletrônica, mas não amplia os conceitos de fluxo de caixa aqui demonstrados, embora enriqueça a análise.

E estas análises são exatamente o objetivo de se realizar o fluxo de caixa como descrito acima. Se você tiver um bom método de controle, é possível começar a preencher as colunas de "Previsto" com grande antecedência, e detectar a necessidade de realizar liquidações, ou a possibilidade de oferecer maiores prazos aos clientes, por exemplo, de forma antecipada.

Olhando para os números que chutei no modelo de fluxo de caixa da planilha acima, rapidamente identifico algumas situações que demandariam correção: na segunda semana aconteceu uma retirada de pró-labore completamente imprevista, por exemplo. E os saldos iniciais de caixa são verdadeiramente astronômicos em um país de taxas de juros tão elevadas como as nossas: este dinheiro deveria ser aplicado, de forma a render juros, deixando disponível em caixa apenas o suficiente para realizar o giro das atividades, com uma pequena folga. Mas isso já é assunto pro Navarro, do Dinheirama.

Claro que a diferença entre previsto e realizado vai acabar demonstrando quanto você conhece o seu negócio, e quanto o seu mercado é estável ou previsível. Ao longo do tempo, você certamente vai conseguir aproximar cada vez mais o previsto e o realizado.

Recomendações adicionais

Organizar e manter o fluxo de caixa dá trabalho, mas é recompensador. Você precisa ser sistemático, e lembrar de alimentar as planilhas no início de cada novo período. Especialmente, você precisa estar disposto a manter atualizadas, com a antecedência que for possível, as colunas de valores previstos, e analisá-las sempre que necessário, para de fato poder colher o principal fruto desta ferramenta: a possibilidade de prever com maior precisão quando haverá sobra e quando haverá falta de dinheiro em caixa.

A análise antecipada também permite tomar as providências necessárias para que haja disponibilidade de caixa nas datas de vencimento de impostos, taxas, prestações, financiamentos e outros desembolsos com data certa, que incorrem em multas e juros caso atrasem.

Se o seu mercado for sazonal, leve isto em conta nas suas previsões, pois freqüentemente os custos fixos (que ocorrem mesmo na baixa temporada) acabam sendo um grande vilão, e o faturamento da alta temporada precisa conseguir sobrepujá-los.

Quem poupa tem, e jamais se deve contar com o ovo antes de o mesmo ser adequadamente expelido pelo galináceo. Excessos de caixa devem ser aplicados, como vimos acima, mas é necessário haver uma margem de segurança que permita garantir o giro da empresa e também algum imprevisto. Não tenha excesso de caixa, mas também não imobilize demais, ficando à mercê de qualquer cliente que deixe de pagar uma fatura.

Agora é com você! Adapte o que aprendemos hoje sobre Fluxo de Caixa à sua realidade, e tenha um controle muito mais apurado sobre as suas finanças pessoais. Se desejar saber mais, consulte este excelente guia do SEBRAE SP.

E que seus saldos finais sejam sempre positivos!

Atualização: o Alex Souza avisou que recentemente o Boombust publicou um artigo sobre o mesmo tema. Confira: Orçamento de Receitas, Despesas e Fluxo de Caixa para Blogs.

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