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Gripe suína: como evitar, sem pânico

Como prevenir a gripe suína ou "gripe A" é o assunto do momento. Com as notícias sobre a epidemia de gripe suína, a imprensa brasileira segue o ritmo ditado pela internacional, e já começa a falar sobre a possibilidade de o vírus H1N1 causar uma pandemia, a lembrar dos 40 milhões de mortes causados pela Gripe Espanhola em 1918-1919, e a listar um conjunto de sintomas iniciais que, naturalmente, lembram bastante o de uma gripe comum.

A consequência é óbvia: pessoas assustadas lotando postos de saúde, corrida desnecessária a vacinas, gente estocando remédios (ineficazes)... e não tenho dúvida de que nos próximos dias haverá gente "bem informada" andando de máscara cirúrgica no ônibus, com base na onda de terror causada pelo conhecimento, pela imprensa em geral, de que más notícias vendem jornais.

Por outro lado, caso este vírus chegue mesmo por estes lados, a presença de casos das gripes comuns certamente vai causar preocupação nos pacientes e familiares, o que acaba se traduzindo mesmo na ida (provavelmente desnecessária) ao posto de saúde, o que congestiona o sistema e atrapalha o processamento dos casos reais, que podem ser difíceis de identificar - quem vai querer esperar o desenvolvimento do quadro clínico de seu filho antes de levá-lo ao atendimento? - e assim as filas nos postos de atendimento crescem naturalmente.

Por esta razão, a recomendação divulgada desde a noite de domingo para que os brasileiros tomem medidas preventivas contra a gripe em geral faz sentido de duas maneiras diferentes: as medidas, quando possíveis, também ajudam a prevenir a gripe suína, e além disso reduzem este efeito do "falso positivo" gerado por casos de gripes comuns.

E as medidas preventivas "genéricas" divulgadas pelo CDC (o órgão dos EUA responsável por prevenir e combater epidemias, entre outras atribuições) contra a gripe suína são bastante acessíveis.

Traduzi livremente as 5 precauções listadas pelo CDC:

  1. Cobrir nariz e boca com um lenço descartável ao tossir e espirrar, jogando o lenço numa lixeira em seguida.
  2. Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, ou com produto de limpeza à base de álcool.
  3. Evite tocar seus olhos, nariz e boca (especialmente após tocar em maçanetas, corrimões, etc.).
  4. Evite contato com pessoas infectadas, pois o vírus é transmitido de pessoa para pessoa.
  5. Se você ficar doente, fique em casa, não vá ao trabalho ou à escola

Esta última recomendação é importante: no México, onde o número de casos é maior até o momento, as aulas foram suspensas até o dia 6 de maio, para reduzir oportunidades de contágio no transporte público e nas próprias escolas. Ir ao trabalho estando com os sintomas de gripe, por lá e neste momento, é colocar em grave risco todos os colegas, clientes e parceiros.

No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) esclareceu que não há motivo para pânico, e que o país está preparado para lidar com o vírus - e que apenas pessoas que viajaram para as áreas afetadas, ou tiveram contato com quem viajou, devem procurar atendimento médico especial caso desenvolvam sintomas de gripe.

Vale conhecer, entretanto, as medidas de prevenção individual que estão sendo recomendadas nos meios de comunicação do México - especialmente para evitar que você se antecipe de forma errada, estocando remédios ou tomando vacinas ineficazes. As precauções recomendadas aos mexicanos (onde há razões mais concretas para se prevenir) são:

  1. Usar máscaras que cubram o nariz e a boca ao sair à rua.
  2. Não propagar o pânico, nem exagerar as indicações das autoridades, pois são medidas preventivas.
  3. Não cumprimentar com apertos de mão, abraços ou beijos, em especial na presença de pessoas infectadas.
  4. Não se dirigir aos centros de saúde exceto quando estritamente necessário.
  5. Lavar as mãos com sabonete ou gel antisséptico com frequência.
  6. Manter-se afastado das multidões, incluindo concertos, parques e teatros.
  7. Não fumar, ou reduzir o fumo, para ajudar a prevenir doenças respiratórias.
  8. Comer frutas ou alimentos ricos em vitamina C para aumentar as defesas do organismo.
  9. Manter as janelas abertas e permitir a ventilação dos locais de trabalho e atividade.
  10. Lavar bem os talheres e utensílios, e evitar compartilhá-los.
  11. Postergar reuniões e encontros sociais.
  12. Evitar exercícios ao ar livre ou em centros esportivos muito frequentados.
  13. Estar atento a alertas disseminados pelos meios de comunicação.

Coloquei a segunda delas em negrito, porque não falta quem encontre explicações religiosas ou conspiracionais ("tá na cara que é coisa do Osama!", ou do Bush, ou dos reptilianos, ou da PF, etc.) para este tipo de situação, e este tipo de comportamento pode piorar a situação ao aumentar demandas, baixar o moral ou mesmo reduzir a credibilidade dos alertas e recomendações oficiais.

IRPF 2009: Você já declarou o Imposto de Renda?

Imagino que boa parte dos leitores habituais do efetividade não sofram da Síndrome do Estudante, que é a compulsão para fazer as suas obrigações apenas no limite do final do prazo. Mesmo assim, como a Receita divulgou na sexta-feira que ainda faltava receber mais de 40% das declarações, assumo que alguns de vocês ainda estão com esta pendência.

Resumos de normas sempre acabam deixando alguma coisa de fora, mas o Terra publicou um apanhado interessante sobre quem são as pessoas obrigadas a declarar este ano, até 30 de abril:

Deve entregar a declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física o contribuinte que, em 2008, teve rendimentos tributáveis superiores a R$ 16.473,72 e produtor rural que obteve receita bruta de sua atividade em valor superior a R$ 82.368,60.

Também precisam declarar aqueles que receberam rendimentos isentos (como FGTS), não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como 13º salário), cuja soma foi superior a R$ 40 mil. Quem teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro de 2008, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80 mil também precisa prestar contas.

Outra condição que obriga a entregar a declaração é para o contribuinte que participou, em qualquer mês do ano passado, do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa, e que obteve, em qualquer mês, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas.

É o seu caso? Fique ligado, então, nesta longa coleção de dicas, classificadas por assunto, que o G1 publicou para sua conveniência. Eu até separei algumas delas, que explicam alguns detalhes sobre como autônomos - e blogueiros - devem declarar o IRPF.

No meu caso, a declaração é longa e tediosa, cheia de fontes pagadoras "picadas" e de pagamentos realizados por mim que precisam ser declarados. Mas eu me organizo para isso durante o ano inteiro, colocando os documentos relevantes todos nas mesmas pastas e tomando nota de todas as informações que sei que precisarei usar na declaração do ano seguinte.

Aprendi isso depois de muito me incomodar por não encontrar, na hora H, notas e valores cujo preenchimento é obrigatório, ou os totais e comprovantes relativos a descontos e abatimentos.

A minha forma de não me perder, nem me incomodar mais do que o necessário com estes dados ao longo do ano inteiro, está publicada aqui: "Imposto de Renda: como declarar do jeito fácil - no ano que vem!" - e pretende facilitar a vida até mesmo de quem recorre a um profissional para preencher sua declaração.


Benjamin Franklin

Benjamin Franklin disse que nada pode ser dado como certo no mundo, exceto a morte e os impostos. Só que ter de declarar e recolher pode ser obrigatório, mas sofrer mais do que o necessário com a declaração, por não colocar em prática um mínimo de organização durante o ano fiscal não é obrigação, é apenas uma penalidade aplicada a quem não toma esta iniciativa na hora certa ;-)

Top 13: dicas para tirar melhores fotos casuais com sua câmera digital ou celular

Que tal aprender como garantir fotos de maior qualidade, mesmo sem ler o manual inteiro da câmera, nem frequentar um curso sobre a arte e a técnica da fotografia?

A praticidade das câmeras digitais e a popularidade cada vez maior dos celulares com câmeras de melhor qualidade vem permitindo que cada vez mais pessoas - que não desejam dominar a técnica da fotografia - se dediquem a tirar fotos dos momentos que desejam preservar, paisagens que desejam relembrar, e das pessoas de que gostam.

O aumento do número de fotos causado por este fenômeno já me levou a escrever um artigo anterior sobre como sair melhor em fotos casuais, já que não conseguimos evitar que nossas fotos sejam tiradas nos momentos mais inesperados ;-)

E agora chegou o artigo do ponto de vista oposto: as dicas para quem não quer dominar a técnica e a arte da fotografia, mas mesmo assim deseja aproveitar melhor os recursos que tem à disposição, melhorando a qualidade das fotos casuais que tira.

Ler o manual inteiro dos equipamentos, e frequentar um bom curso sobre o tema, seriam estratégias bastante interessantes, se você realmente quer dominar a Fotografia. Mas se o seu interesse é casual, as dicas a seguir irão lhe ajudar a melhorar bastante seus resultados, sem esforço desproporcional.

Como fotografar melhor

  1. Dirija e intervenha: Se estiver tirando fotos de pessoas posando, não se limite a fotografá-las como estiverem, ou aos clássicos comandos direcionais ("mais pra trás", "mais pra direita"). Procure o melhor fundo, a melhor iluminação, reagrupe-as. Procure mostrar a personalidade delas, tire múltiplas fotos para depois escolher as melhores. Mas não exagere, a não ser que sejam modelos pagos para isso, senão logo elas vão parar de colaborar!

     

     

  2. Não centralize tudo! Depois que você aprender a travar o foco (veja a dica 5, abaixo), passe a dar mais vida e dinamismo às suas fotos, abandonando a técnica antiga de deixar o ponto principal da foto exatamente no seu centro. Uma das maneiras mais básicas de obter um enquadramento harmonioso é imaginar que a sua foto é um grande tabuleiro de jogo da velha, e alinhar o modelo a uma das duas linhas verticais traçadas, como no exemplo acima. Depois de dominar o alinhamento básico, você pode buscar aprender mais sobre o bom uso da grade de 3x3 células formada pelo "jogo da velha", usando bem suas linhas e células para enquadrar. Dica extra: algumas câmeras dispõem do recurso de exibir esta grade diretamente no display, facilitando a vida de nós, amadores.

     


    Plano médio e plano americano

  3. Dê dois ou cinco passos para a frente... Meu avô dizia que uma foto bem enquadrada mostra ao mesmo tempo os pés e a cabeça do modelo, mas às vezes faz bastante sentido tirar as fotos bem mais de perto. Enquadre bem, e conscientemente, mas não tenha medo de tirar as fotos um pouco mais de perto. Se for o caso, tome emprestado do Cinema o Plano Americano (do joelho pra cima, mostrando melhor a expressividade do rosto, sem esconder o fundo) ou o Plano Médio (da cintura pra cima, mostrando com clareza a interação entre os modelos).

     

  4. Pratique o uso do seu flash fora de casa: Ao tirar retratos fora de casa, dependendo das condições de iluminação, o rosto ficará sombreado. Dominar o uso do flash nestas condições exige alguma prática, mas praticar com fotos digitais custa pouco - convide alguém e pratique posicionamento (contra o sol, a favor do sol, na sombra, etc.) e distâncias até saber como se posicionar - e aí aplique o que aprendeu, quando chegar a hora certa. Às vezes a distância máxima para uso do flash ao ar livre não passa de 5 ou 6 passos, e se você tirar fotos com ele ligado a distâncias superiores a isso, o efeito será o oposto ao desejado: vai ficar tudo escuro.

     

  5. Aprenda a "travar" o foco: já aconteceu de você tirar uma foto, e ao vê-la posteriormente, perceber que a câmera colocou em foco alguma coisa do fundo da imagem, e o que você queria mostrar ficou borrado, como no exemplo acima? Normalmente, para "travar" o foco, você deve apontar a mira da sua câmera digital exatamente para o ponto que deseja focalizar, e aí apertar o disparador até a metade, aguardando para que seja focalizado (até ouvir um bip, ou ver o indicador da mira ficar verde). Aí, sem soltar o disparador (que está apertado apenas até a metade), reposicione a câmera para dar o enquadramento que desejar - o foco permanecerá fixo, por mais que você reenquadre.

     

  6. Tenha memória e bateria suficientes: a marca do fotógrafo amador mal-sucedido é o despreparo. Quem já não viu alguém num canto da festa apagando fotos da memória da câmera porque acabou o espaço, e reclamando porque está tendo de apagar fotos de que havia gostado? Quem nunca ouviu a clássica pergunta desesperada: "alguém tem pilha? a minha acabou!" Se você gosta de fotografar, comprar mais um ou dois cartões de memória para a sua câmera não é caro, e ter baterias carregadas de reserva é essencial.

     

  7. Fique na altura do seu modelo: Especialmente se for tirar fotos de crianças ou bichos, procure segurar a câmera na altura dos olhos deles. A foto vai ficar muito mais interessante e natural, mesmo que eles não estejam olhando para a lente da câmera! Veja a diferença no exemplo acima, cortesia da Kodak.

     

  8. Prefira um plano de fundo que seja uniforme: não precisa ser liso, mas idealmente deve ser contínuo. Tome cuidado especialmente com composições que façam parecer que um galho ou um poste "nascem" da cabeça de alguém retratado. Um fundo uniforme destaca o tema da sua foto, como demonstra o exemplo acima, cortesia da Kodak.

     

  9. Conte a história toda: Se estiver fotografando um evento, como uma viagem ou uma festa, não se esqueça de contar a história toda: registre os preparativos, a partida, arrumações, chegada de convidados, retorno, etc. Tire muitas fotos, e depois escolha quais merecem ser guardadas. Assim, o registro fica muito mais rico.

     

  10. Automatize o que precisar: Eu prefiro escolher sozinho o foco e o momento exato da foto, mas há quem tenha dificuldades na operação ou coordenação e acaba tirando grande quantidade de fotos tremidas, fora de foco, ou perdendo o momento exato que queria registrar. Se você conhece alguém assim, insira na lista de possíveis presentes de aniversário para esta pessoa uma câmera com estabilização automática de imagem, detecção de face ('face detection') e detecção de sorriso ('smile shutter'). O primeiro estabiliza a cena, evitando o efeito causado pelo tremor do fotógrafo ;-)


    Na foto da direita, o face detection estava ativado, e a câmera ajustou sozinha o foco e exposição

    Ambos os demais são recursos exclusivos para "retratos", sendo que o primeiro deles identifica automaticamente os rostos das pessoas sendo enquadradas, e ajusta o foco, exposição e outros parâmetros da câmera para mostrá-los melhor. Já o último fica atento a estes rostos, e tira a foto no momento em que detectar o surgimento de um sorriso. As configurações avançadas podem ser complicadas (de sorrisinho a gargalhada, sorrisos de todos os modelos ou de um específico, etc.), mas a configuração padrão tende a ser boa, bastando ativá-la (e essa parte é fácil) quando necessário.

     

  11. Mantenha a câmera em alta resolução: Uma dica clássica, e completamente desnecessária se você seguiu a dica lá de cima sobre estar preparado, era configurar a câmera para usar baixas resoluções, permitindo assim guardar mais fotos na memória. Tenha bastante memória disponível, e aí não tenha medo de manter a configuração original de resolução - 5 megapixels ou mais, e nunca menos de 3 megapixels. Você sempre pode reduzi-las na hora de arquivá-las no micro, se desejar, mas mantê-las em alta resolução lhe dará a opção futura de imprimir com qualidade, até mesmo em formatos maiores.

     

  12. Gosta de auto-retratos? As câmeras digitais, especialmente as de celulares e smartphones, são responsáveis pela proliferação de auto-retratos tirados segurando a câmera com o braço esticado, tendo de adivinhar o enquadramento, o foco e o fundo. Muitas vezes, mesmo que a foto não fique tecnicamente boa, serve como um registro divertido e interessante. Se você tem o hábito, peça ao Papai Noel uma câmera com flip no display LCD, permitindo girá-lo para ver a imagem mesmo quando se está de frente para a lente. Se não rolar, ao menos procure uma câmera com um mini-espelho de enquadramento ao lado da lente, como as de alguns smartphones Treo, de aparelhos diversos da Nokia (o meu E71 tem), e de muitos outros.
  13. ... ou compre um mini tripé: Se você gosta de tirar fotos de si mesmo (seja com o timer da própria câmera, ou segurando a câmera apontada para si), está na hora de arranjar um mini-tripé. Muitos deles cabem, quando desarmados, no estojo da sua câmera. Eles permitem melhor posicionamento e controle de enquadramento, e custam tão barato que não vale a pena continuar sem eles.

 
Uma dica extra, para quem quiser praticar, é a da "revelação" caseira. Imprimir fotos em casa, com qualidade típica de serviços profissionais, pode exigir equipamentos e suprimentos relativamente caros. Mas uma impressora doméstica típica, operando em seu modo de mais alta qualidade e com papéis fotográficos que você encontra na papelaria da esquina, pode servir bem para uma impressão casual ou eventual, especialmente quando for para praticar. Eu sempre tenho em casa um envelope destes papéis, e de vez em quando eles são úteis - mas tomo o cuidado de guardá-los seguindo as recomendações do fabricante, expressas no envelope, senão eles estragam rapidinho.

Para saber mais - fontes consultadas:

Seja positivo: aprenda a dizer não!

O título deste artigo parece uma contradição? Na minha opinião, pessoas que não sabem como dizer "não" a um pedido que não pretendem atender causam muitos problemas a si mesmas e aos outros, devido a não ter desenvolvido esta capacidade - que muitas vezes é realmente complicada.

Dizer "sim" quando deveria dizer "não" pode sobrecarregar você, lotar sua lista de pendências com itens que não deveriam estar lá e, o que é pior, reduz sua eficiência para fazer o que você deveria (e desejaria) estar fazendo - podendo até mesmo levá-lo a ter dificuldade de dizer "sim" a um pedido posterior, devido à sobrecarga existente.

Além disso, a sobrecarga causada pelo seu bloqueio ao "não" pode prejudicar as próprias pessoas a quem você disse "sim" indevidamente, quando a sobrecarga faz com que você, quase inevitavelmente, atrase ou deixe de entregar o que prometeu a elas sabendo que teria dificuldade em atender. E esse prejuízo causa frustração e rejeição, de ambas as partes, além de fazer com que você deixe de ser levado a sério.

...mas também saiba dizer "sim"

Dependendo da sua posição ou papel, pode ser difícil dizer não, especialmente se não houver uma justificativa externa. Mas quem diz "sim" nas horas certas tende a ter resultados de produtividade que ajudam a justificar os frequentes "nãos".

Ser assertivo, afirmando clara, objetiva e categoricamente suas posições, é uma característica mais valorizada em uma equipe quando o seu portador não a confunde com ser agressivo nem com ser "do contra". É necessário levar em conta as circunstâncias e as posições dos demais envolvidos, e ter a habilidade de se expressar na hora certa, e usando a forma mais apropriada - especialmente na hora de dizer não.

Reinaldo Polito explica como fazer

Quando você se depara com uma situação com a qual não concorda, ou recebe um pedido que não deve (ou não pode) atender, pode ter de encarar a tentação de dizer imediatamente tudo o que pensa sobre a situação, suas causas, a paersonalidade e o comportamento das pessoas envolvidas. Isso não é assertividade: é grosseria, e geralmente não melhora a situação geral.

Reinaldo Polito, que há anos é um autor muito procurado no que diz respeito a comunicação e expressão, dá algumas dicas sobre como se portar na hora de intervir ou dizer não. Reproduzo:

  • "Durante a conversa você deveria falar de maneira firme, sem hesitações, para deixar claro que o assunto é importante. Entretanto, repito, sem agressividade."
  • "Nessas circunstâncias é muito importante, embora seja difícil, não demonstrar nervosismo ou descontrole emocional."
  • "Fale sem desviar os olhos do interlocutor. Evite esfregar nervosamente as mãos. Não grite nem segure a voz na garganta."
  • "Escolha o lugar certo. Esse tipo de conversa não pode ocorrer diante de outras pessoas, nem em lugares inadequados como corredores ou elevadores. Muito menos por telefone. (...) Procure falar também em um horário com pouca ou nenhuma chance de interrupção."
  • "Não dê uma de coitadinho. Nada de chororô. Se quiser ser respeitado e ouvido seja firme, olhe na direção do interlocutor sem fugir com os olhos, fale "para fora", não fique esfregando as mãos ou cruzando e descruzando as pernas nervosamente. Mostre que você tem razão."

No ambiente profissional

Dependendo do seu papel ou de suas obrigações e responsabilidades, há tarefas ou pedidos corretos que você não pode simplesmente recusar. Mas quando você pode, seja direto e concreto. Nada de "veja bem" ou "te respondo amanhã" - não é não, e - a não ser que a solicitação seja fútil - quem está lhe pedindo precisa saber que vai ter de partir para outra alternativa.

Sempre ajuda se você puder expor rapidamente a razão do não - mas sem "coitadismo", nem desculpas (como já vimos no artigo "Liderança e motivação: quer ser levado mais a sério?"). Também evite a justificativa com base em posição hierárquica ou de poder, ou fugir de apresentar uma posição clara. Assuma claramente que está dizendo "não", exponha suas prioridades e obrigações e, se possível, apresente alternativas ou oportunidades.

Em especial, mantenha a sua posição, a não ser que haja uma mudança de circunstância. Não diga "não" só para dar um susto ou para se enganar - se disser que não pode fazer algo, realmente não faça. Se disser que vai fazer, faça, no prazo e na qualidade esperados. Mantenha sua palavra para ser levado a sério.

Um caso à parte é o do assédio moral, em que dizer "não" pode ser insuficiente. O assédio moral geralmente acontece devido a abuso do poder pela autoridade, e pode provocar um cenário de discriminação dentro da organização, eventualmente culminando no fim da relação de trabalho e emprego. Se for o seu caso, saiba dizer não, mas procure também outras formas de lidar com a situação, sem abrir mão da ética profissional!

Dizendo "não" em projetos

No artigo anterior "As muitas formas de dizer “não” em um projeto", já tratei sobre 5 maneiras de dizer "não" durante o andamento de um projeto.

Claro que elas devem ser reservadas apenas para quando não se pode dizer "sim", e sempre sabendo dos riscos que podem gerar ;-)

No andamento de um projeto, dizer "não" é uma arte e um talento que o responsável estratégico ou tático por projetos precisa desenvolver e cultivar, para o bem de sua equipe e mesmo de seus resultados. E saber só usar nos momentos corretos, para poder dizer “sim” ao que de fato é estratégico e crítico.

Saiba lidar com as conseqüências

Toda ação gera reação, e os relacionamentos humanos (inclusive os profissionais) usualmente são vias de mão dupla. Quando você disser "não" e seu interlocutor esperava um "sim", deve saber que isso pode trazer consequências no futuro.

Dizer "não" pode ser um caminho para esclarecer e assumir sua posição, e para afastar diversos incômodos da vida, mas ao mesmo tempo deixará outras pessoas magoadas ou brabas. Trata-se, como quase tudo na vida, de uma oportunidade de escolha, e de um ponto de equilíbrio difícil de atingir.

Mas pode valer a pena tentar, sem se isolar em nenhum dos extremos da escala. Experimente dizer "não" para ser mais positivo!

Ganhou mais chocolates do que pretende consumir?

Páscoa é época de renascimento, renovação, fuga da escravidão do Egito para a Terra Prometida, e muito mais. É uma tradição milenar cheia de significados, mas por razões diversas acaba se traduzindo, para muitas pessoas, em uma fartura de chocolates que ameaça a eficácia de dietas, eleva o nível de diversas substâncias no organismo, prejudica a pele e muito mais. É um caso clássico do excesso de algo bom, que acaba se tornando algo... não tão bom.

Se você é o feliz destinatário de uma quantidade de chocolates maior do que pretende consumir em curto prazo, que tal tratá-los racionalmente, reduzindo a quantidade até um ponto de equilíbrio e ao mesmo tempo dando a outras pessoas menos afortunadas uma parcela deste excesso?

Basta escolher um abrigo de crianças (ou de idosos ou de qualquer outra categoria que conte com seu apreço especial) e deixar lá, amanhã ou depois, uma caixinha com o seu excesso. Eles provavelmente receberam bem menos que você!

Mas não deixe para a semana que vem. As ações de transformar boas intenções (ou, neste caso, um par de boas intenções: evitar o excesso de chocolate e distribuir algo com quem tem menos que você) em realidade costumam ser as primeiras vítimas da procrastinação, e manter a motivação para agir vai ser mais difícil conforme o estoque de chocolate for se reduzindo...

Uma opção extra é fazer uma implementação alternativa da curiosamente bem-sucedida experiência da revista Nova Escola que ofereceu livros a quem pedia esmolas no centro da cidade, e (onde a violência urbana não impedir) oferecer uma parcela do seu excesso a quem lhe aborda no cruzamento pedindo um trocado.

Aliás, as mesmas considerações valem para outras formas de excesso que entopem artérias ou gavetas em casa: tem mais pares de luvas e cachecóis do que vai usar? E brinquedos? Quem sabe está sobrando material para cuidar de animais de estimação? Abrigos e instituições de proteção provavelmente precisam deles bem mais do que você.

E dar uma nova utilidade a estes objetos está bem dentro do espírito de renovação que celebramos na Páscoa.

Transformando um laptop velho em um media center para a copa e cozinha

Na minha casa, grande parte do tempo útil é passada no conjunto copa+cozinha, cujo layout já foi criado considerando esta situação. Nos dias da semana, tomamos lá o café da manhã antes de sair para os expedientes, e no retorno comemoramos o fim do dia com um lanche ou mesmo uma cervejinha. Nos finais de semana, ocorrem as refeições mais elaboradas (e com execução coletiva), incluindo o eventual churrasco.

E sendo uma casa de pessoas conectadas, isso significa que algum jeito foi dado para que o noticiário e a previsão do tempo estejam disponíveis durante o café, e algum show ou trilha sonora adequada esteja em execução no momento da preparação das demais refeições. Esse jeito envolveu posicionar a TV da sala de modo a poder ser vista a partir de boa parte da copa+cozinha, e ouvida a partir do restante da área.

Este esquema vinha funcionando bem, embora naturalmente pudesse ser melhorado, ainda que (aparentemente) ao custo de uma nova TV pequena e um ponto extra de TV a cabo para a copa, para oferecer parte da funcionalidade da TV da sala. Até que eu vi este artigo sobre o KitcheNET, que acabou mudando completamente meus planos a respeito.

O KitcheNET é, essencialmente, um notebook velho (da virada do século) que estava sobrando na casa de seu dono, e foi ligeiramente reformado - essencialmente para inverter a posição da tela LCD, deixando-a virada para fora - para transformar-se em uma estação de entretenimento digital para a casa.

O processo não foi muito complexo (para quem não tem medo de encostar em parafusos e montagens delicadas), e ao final o aparelho foi fixado abaixo de uma das prateleiras da cozinha, rodando um aplicativo no estilo media center (cuja aplicação já foi abordada anteriormente por aqui) para assistir a coleção de vídeos e DVDs do seu dono (transmitida dentro da casa via streaming na rede sem fio), ver a previsão do tempo, a situação das rodovias e as últimas notícias em um ticker de RSS (que mostra, rolando lateralmente na base da tela, as últimas atualizações da sua lista de sites preferidos), ou ouvir a programação de uma grande variedade de rádios on-line.

Para ser sincero, eu gostei apenas da idéia do KitcheNET. A implementação (mostrada na foto acima) ficou meio mambembe demais para o meu gosto, e acredito que a aplicabilidade justifica ligar um notebook velho (escondido dentro de algum armário) a um monitor LCD externo mais recente e bonito, que fique exposto. E, naturalmente, recorrer a um bom controle remoto multimídia, ou algum outro tipo de interface que não precise ficar exposta nas bancadas.

Vou além: eu até consigo imaginar me sujeitar a interromper alguma atividade, lavar as mãos e só então pegar o controle para mudar a programação, mas a idéia de ter de interromper o que estou fazendo para limpar a bancada e poder usar o mouse não é compatível com a minha visão de mundo, e é também a razão para que não passemos a simplesmente colocar o notebook em cima da bancada quando queremos usá-lo nessas horas.

Na verdade parece ser uma aplicação ideal para o Mac Mini (que ficaria escondido no armário) e seu minúsculo controle remoto que lembra um iPod clássico, mas não sei se estou psicologicamente preparado para deixá-lo na cozinha. Vamos ver como esta situação vai se desenrolar e, caso eu venha a implementar algo, posteriormente compartilho com vocês.

Vale mencionar que manter hardware tão antigo na prateleira às vezes representa uma grande perda de oportunidade de contribuir com iniciativas de inclusão digital de sua comunidade. Se você tiver um propósito, aproveite - caso contrário, considere a idéia de procurar alguma instituição que possa fazer uso do equipamento que você não quer mais, evitando assim deixá-lo ocupando espaço no armário até passar da obsolescência à inutilidade!

E se você se interessou pelo tema, leia também esta coleção de dicas relacionadas a dar vida nova em sua casa a notebooks velhos: "Give an Old Laptop New Life with Cheap (or Free) Projects"

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